Referência

1Cor 9, 24

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Matos Soares

24Não sabeis que os que correm no estádio, correm, sim, todos, mas um só é que alcança o prémio? Correi, pois, de tal maneira que o alcanceis.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a compreensão não é necessária para a felicidade. Pois Agostinho diz (Ad Paulinam de Videndo Deum; [*Cfr. Serm. xxxciii De Verb. Dom.]): "Atingir a Deus com a mente é a felicidade, compreendê-Lo é impossível." Logo, a felicidade é sem compreensão. **Objeção 2:** Além disso, a felicidade é a perfeição do homem quanto à sua parte intelectiva, na qual não há outras potências além do intelecto e da vontade, como se afirma na Primeira Parte, QQ[79] e seguintes. Ora, o intelecto é suficientemente aperfeiçoado por ver a Deus, e a vontade por gozá-Lo. Logo, não é necessária a compreensão como um terceiro. **Objeção 3:** Além disso, a felicidade consiste numa operação. Ora, as operações são determinadas pelos seus objetos; e há dois objetos universais, o verdadeiro e o bem: dos quais o verdadeiro corresponde à visão, e o bem ao deleite. Logo, não é necessária a compreensão como um terceiro. **Pelo contrário,** o Apóstolo diz (1 Cor 9,24): "Correi de tal maneira que o alcanceis." Ora, a felicidade é o termo da carreira espiritual; donde ele diz (2 Tim 4,7-8): "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé; pelo demais, está-me preparada a coroa da justiça." Logo, a compreensão é necessária para a felicidade. **Respondo** que, como a felicidade consiste em alcançar o último fim, aquelas coisas que se requerem para a felicidade devem ser coligidas do modo como o homem se ordena ao fim. Ora, o homem se ordena a um fim inteligível parte pelo intelecto, parte pela vontade: pelo intelecto, na medida em que um certo conhecimento imperfeito do fim preexiste no intelecto; pela vontade, primeiro pelo amor, que é o primeiro movimento da vontade para algo; segundo, por uma relação real do amante para com a coisa amada, a qual relação pode ser tríplice. Pois, às vezes, a coisa amada está presente ao amante; e então já não é buscada. Às vezes, não está presente, e é impossível alcançá-la; e então, também, não é buscada. Mas, às vezes, é possível alcançá-la, embora esteja acima da capacidade do que a busca, de modo que ele não pode obtê-la de imediato; e esta é a relação do que espera para com o que espera, e somente esta relação causa a busca do fim. A estas três correspondem três coisas na própria felicidade. Pois ao conhecimento imperfeito corresponde o conhecimento perfeito do fim; à relação de esperança corresponde a presença do fim; mas o deleite no fim agora presente resulta do amor, como já foi dito (A[2], ad 3). E, portanto, estas três devem concorrer para a felicidade: a saber, a visão, que é o conhecimento perfeito do fim inteligível; a compreensão, que implica a presença do fim; e o deleite ou gozo, que implica o repouso do amante no objeto amado. **Resposta à primeira objeção:** A compreensão é dupla. Primeiro, inclusão do compreendido no compreensor; e assim, tudo o que é compreendido pelo finito é ele próprio finito. Por onde, Deus não pode ser assim compreendido por um intelecto criado. Segundo, compreensão não significa senão a posse de algo já presente e possuído: assim, quem corre atrás de outro diz-se compreendê-lo quando o alcança. E neste sentido, a compreensão é necessária para a felicidade. **Resposta à segunda objeção:** Assim como a esperança e o amor pertencem à vontade, porque é o mesmo que ama uma coisa e que tende para ela enquanto não possuída, assim também a compreensão e o deleite pertencem à vontade, pois é o mesmo que possui uma coisa e nela repousa. **Resposta à terceira objeção:** A compreensão não é uma operação distinta da visão; mas uma certa relação com o fim já alcançado. Por onde, a própria visão, ou a coisa vista, enquanto presente, é o objeto da compreensão.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether comprehension is necessary for happiness? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Pareceria que Cristo não era ao mesmo tempo viandante e compreensor. Pois pertence ao viandante mover-se para o fim da beatitude, e ao compreensor pertence repousar no fim. Ora, mover-se para o fim e repousar no fim não podem pertencer ao mesmo. Portanto, Cristo não podia ser ao mesmo tempo viandante e compreensor. Objeção 2: Além disso, tender à beatitude, ou obtê-la, não pertence ao corpo do homem, mas à sua alma; donde Agostinho diz (Epístola a Dioscóro, cxviii) que «sobre a natureza inferior, que é o corpo, transborda, não a beatitude que pertence aos que gozam e compreendem, mas a plenitude da saúde, isto é, o vigor da incorrupção». Ora, embora Cristo tivesse um corpo passível, Ele gozava plenamente de Deus em Sua mente. Portanto, Cristo não era viandante, mas compreensor. Objeção 3: Além disso, os Santos, cujas almas estão no céu e cujos corpos estão no sepulcro, gozam de beatitude em suas almas, embora seus corpos estejam sujeitos à morte; todavia, não são chamados viandantes, mas tão somente compreensores. Logo, por igual razão, pareceria que Cristo era puro compreensor e de nenhum modo viandante, pois Sua mente gozava de Deus embora Seu corpo fosse mortal. Pelo contrário, está escrito (Jeremias 14,8): «Por que serás Tu como um estrangeiro na terra, e como um viandante que se retira para pousar?» Respondo que. Chama-se viandante aquele que tende para a beatitude, e compreensor aquele que já obteve a beatitude, conforme 1 Coríntios 9,24: «Correi de modo que alcanceis»; e Filipenses 3,12: «Prossigo para ver se de algum modo alcanço». Ora, a beatitude perfeita do homem consiste tanto na alma como no corpo, como se disse na Primeira Secundae, Q. 4, art. 6. Na alma, quanto ao que lhe é próprio, enquanto a mente vê e goza de Deus; no corpo, enquanto o corpo «ressurgirá espiritual em poder, glória e incorrupção», como está escrito 1 Coríntios 15,42. Ora, antes de Sua paixão, a mente de Cristo via Deus plenamente, e assim Ele tinha a beatitude quanto ao que é próprio da alma; mas faltava-Lhe a beatitude quanto a tudo o mais, pois Sua alma era passível e Seu corpo tanto passível como mortal, como é claro pelo que foi dito (art. 4; Q. 14, arts. 1 e 2). Por isso, Ele era ao mesmo tempo compreensor, na medida em que possuía a beatitude própria da alma, e simultaneamente viandante, na medida em que tendia para a beatitude quanto ao que faltava à Sua beatitude. Resposta à objeção 1: É impossível mover-se para o fim e repousar no fim sob o mesmo aspecto; mas nada impede isto sob um aspecto diferente — como quando um homem ao mesmo tempo conhece o que já sabe e é aprendiz quanto ao que não sabe. Resposta à objeção 2: A beatitude principal e propriamente pertence à alma quanto à mente; contudo, secundariamente e, por assim dizer, instrumentalmente, os bens corporais são requeridos para a beatitude; assim o Filósofo diz (Ética, liv. I, cap. 8) que os bens exteriores servem «organicamente» para a beatitude. Resposta à objeção 3: Não há igualdade entre a alma de um santo e a de Cristo, por duas razões: primeiro, porque as almas dos santos não são passíveis, como o era a alma de Cristo; segundo, porque seus corpos nada fazem pelo qual tendam à beatitude, como Cristo, por Seus sofrimentos corporais, tendia à beatitude quanto à glória de Seu corpo.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 10 - Whether Christ was at once a wayfarer and a comprehensor? · séc. XIII

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1Cor 9, 24 nos Padres da Igreja | Aurea