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1Cor 9, 26

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Matos Soares

26Quanto a mim, corro, não como à ventura; combato, não como quem açouta o ar,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que aqueles que veem a essência divina compreendem a Deus. Porque o Apóstolo diz (Fil. 3,12): «Mas prossigo para ver se de alguma sorte posso compreender [Douay: ‘apreender’].» Mas o Apóstolo não corria em vão; pois disse (1 Cor. 9,26): «Eu… assim corro, não como a coisa incerta.» Portanto, ele compreendeu; e do mesmo modo, também os outros, a quem ele convida a fazer o mesmo, dizendo: «Correi de modo que compreendais.» **Objeção 2:** Ademais, Agostinho diz (De Vid. Deum, Ep. cxlvii): «Aquilo é compreendido que é visto como um todo, de modo que nada dele está oculto ao que vê.» Mas se Deus é visto em sua essência, Ele é visto todo, e nada dEle está oculto ao que vê, pois Deus é simples. Logo, quem vê sua essência, o compreende. **Objeção 3:** Ademais, se dissermos que Ele é visto como «todo», mas não «totalmente», pode-se objetar que «totalmente» se refere ou ao modo do que vê, ou ao modo da coisa vista. Mas quem vê a essência de Deus vê-O totalmente, se se considera o modo da coisa vista; porquanto vê-O como Ele é; também, igualmente, vê-O totalmente se se entende o modo do que vê, porquanto o intelecto verá a essência divina com toda a sua força. Portanto, todos que veem a essência de Deus veem-No totalmente; logo, compreendem-No. **Ao contrário,** está escrito: «Ó fortíssimo, grande e poderoso, Senhor dos exércitos é o teu nome. Grande em conselho, e incompreensível em pensamento» (Jer. 32,18s). Logo, Ele não pode ser compreendido. **Respondo que:** É impossível a qualquer intelecto criado compreender a Deus; contudo, «para a mente alcançar a Deus em algum grau é grande beatitude», como diz Agostinho (De Verb. Dim., Serm. xxxvii). Para prova disto, devemos considerar que o que é compreendido é perfeitamente conhecido; e aquilo é perfeitamente conhecido que é conhecido tanto quanto pode ser conhecido. Assim, se algo que é capaz de demonstração científica é tido apenas por uma opinião fundada em prova provável, não é compreendido; como, por exemplo, se alguém sabe por demonstração científica que o triângulo tem três ângulos iguais a dois retos, compreende essa verdade; ao passo que se alguém a aceita como opinião provável porque sábios ou a maioria dos homens a ensinam, não se pode dizer que compreende a própria coisa, porque não atinge aquele modo perfeito de conhecimento do qual ela é intrinsecamente capaz. Mas nenhum intelecto criado pode alcançar aquele modo perfeito do conhecimento do intelecto divino do qual Ele é intrinsecamente capaz. O que aparece assim: Toda coisa é cognoscível segundo a sua atualidade. Mas Deus, cujo ser é infinito, como foi mostrado acima (q. 7), é infinitamente cognoscível. Ora, nenhum intelecto criado pode conhecer a Deus infinitamente. Pois o intelecto criado conhece a essência divina mais ou menos perfeitamente na proporção em que recebe uma luz de glória maior ou menor. Visto, portanto, que a luz de glória criada recebida em qualquer intelecto criado não pode ser infinita, é claramente impossível que qualquer intelecto criado conheça a Deus em grau infinito. Logo, é impossível que compreenda a Deus. **Resposta à Objeção 1:** A «compreensão» é dupla: em um sentido é tomada estrita e propriamente, segundo o que algo é incluído no que compreende; e assim de nenhum modo Deus é compreendido, seja pelo intelecto, seja de qualquer outra maneira; porquanto Ele é infinito e não pode ser incluído em nenhum ser finito; de modo que nenhum ser finito pode contê-Lo infinitamente, no grau de sua própria infinidade. Nesse sentido tomamos agora compreensão. Mas em outro sentido «compreensão» é tomada mais largamente como oposta a «não alcance»; pois aquele que alcança alguém é dito compreendê-lo quando o alcança. E nesse sentido Deus é compreendido pelos bem-aventurados, segundo as palavras: «Tive-o e não o largarei» (Cânt. 3,4); nesse sentido também se devem entender as palavras citadas do Apóstolo acerca da compreensão. E desse modo a «compreensão» é uma das três prerrogativas da alma, correspondendo à esperança, assim como a visão corresponde à fé, e a fruição corresponde à caridade. Pois mesmo entre nós nem tudo o que se vê é tido ou possuído, porquanto as coisas ora aparecem de longe, ora não estão em nosso poder de alcance. Tampouco, de novo, sempre gozamos do que possuímos; ou porque não encontramos prazer nelas, ou porque tais coisas não são o fim último do nosso desejo, de modo a satisfazê-lo e aquietá-lo. Mas os bem-aventurados possuem estas três coisas em Deus; porque veem a Deus, e vendo-O, possuem-No como presente, tendo o poder de vê-Lo sempre; e possuindo-O, gozam-No como o cumprimento último do desejo. **Resposta à Objeção 2:** Deus é chamado incompreensível não porque algo dEle não seja visto; mas porque não é visto tão perfeitamente quanto é capaz de ser visto; assim, quando uma proposição demonstrável é conhecida apenas por razão provável, não se segue que alguma parte dela seja desconhecida, seja o sujeito, o predicado ou a composição; mas que não é conhecida tão perfeitamente quanto é capaz de ser conhecida. Por isso Agostinho, em sua definição de compreensão, diz que o todo é compreendido quando é visto de tal modo que nada dele está oculto ao que vê, ou quando seus limites podem ser completamente percorridos ou traçados; pois os limites de uma coisa são ditos completamente percorridos quando se atinge o fim do conhecimento dela. **Resposta à Objeção 3:** A palavra «totalmente» denota um modo do objeto; não que o objeto todo não caia sob o conhecimento, mas que o modo do objeto não é o modo do que conhece. Portanto, quem vê a essência de Deus vê nEle que Ele existe infinitamente e é infinitamente cognoscível; contudo, esse modo infinito não se estende a ponto de habilitar o conhecedor a conhecer infinitamente; assim, por exemplo, uma pessoa pode ter uma opinião provável de que uma proposição é demonstrável, embora ela mesma não a conheça como demonstrada.

Summa Theologiae — First Part · Article. 7 - Whether those who see the essence of God comprehend Him? · séc. XIII

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1Cor 9, 26 nos Padres da Igreja | Aurea