Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que a caridade aumenta por adição. Pois, assim como o aumento pode dar-se quanto à quantidade corporal, assim também quanto à quantidade virtual. Ora, o aumento da quantidade corporal resulta de adição; pois o Filósofo diz (De Generatione, I, 5) que "o aumento é adição à magnitude preexistente". Logo, o aumento da caridade, que é segundo a quantidade virtual, dá-se por adição. **Objeção 2:** Além disso, a caridade é uma espécie de luz espiritual na alma, segundo 1 João 2,10: "Aquele que ama a seu irmão permanece na luz." Ora, a luz aumenta no ar por adição; assim, a luz numa casa aumenta quando se acende outra vela. Logo, também a caridade aumenta na alma por adição. **Objeção 3:** Além disso, o aumento da caridade é obra de Deus, assim como a sua causação, segundo 2 Coríntios 9,10: "Ele aumentará os frutos da vossa justiça." Ora, quando Deus infunde pela primeira vez a caridade, põe na alma algo que antes não estava. Logo, também quando aumenta a caridade, põe ali algo que antes não estava. Portanto, a caridade aumenta por adição. **Ao contrário,** a caridade é uma forma simples. Ora, da adição de uma coisa simples a outra não resulta algo maior, como se prova na Física, III, texto 59, e na Metafísica, II, 4. Logo, a caridade não aumenta por adição. **Respondo que:** Toda adição é de algo a algo; de modo que em toda adição se deve pressupor, ao menos, que as coisas adicionadas são distintas antes da adição. Consequentemente, se caridade é adicionada a caridade, a caridade adicionada deve ser pressuposta como distinta da caridade à qual é adicionada, não necessariamente por uma distinção real, mas ao menos por uma distinção de pensamento. Pois Deus pode aumentar uma quantidade corporal adicionando uma grandeza que antes não existia, mas foi criada naquele mesmo instante; essa grandeza, embora não pré-existente na realidade, pode contudo ser distinguida da quantidade à qual é adicionada. Por isso, se caridade é adicionada a caridade, devemos pressupor a distinção, ao menos lógica, de uma caridade da outra. Ora, a distinção entre formas é dupla: específica e numérica. A distinção específica dos hábitos segue a diversidade dos objetos, enquanto a distinção numérica segue a distinção dos sujeitos. Consequentemente, um hábito pode receber aumento estendendo-se a objetos aos quais antes não se estendia: assim, a ciência da geometria aumenta naquele que adquire conhecimento de matérias geométricas que até então ignorava. Mas isso não se pode dizer da caridade, pois mesmo a caridade mais diminuta se estende a tudo o que devemos amar por caridade. Portanto, a adição que causa o aumento da caridade não pode ser entendida como se a caridade adicionada fosse pressuposta como especificamente distinta daquela à qual é adicionada. Segue-se, portanto, que, se caridade é adicionada a caridade, devemos pressupor uma distinção numérica entre elas, a qual segue a distinção dos sujeitos: assim, a brancura recebe aumento quando uma coisa branca é adicionada a outra, embora tal aumento não torne a coisa mais branca. Isso, porém, não se aplica ao caso em questão, pois o sujeito da caridade não é outro senão a mente racional; de modo que tal aumento da caridade só poderia dar-se pela adição de uma mente racional a outra — o que é impossível. Além disso, mesmo que fosse possível, resultaria um amante maior, mas não um amante mais intenso. Conclui-se, portanto, que a caridade de modo algum pode aumentar por adição de caridade a caridade, como alguns sustentaram. Assim, a caridade aumenta unicamente pelo seu sujeito participar mais e mais da caridade e a ela se sujeitar. Pois este é o modo próprio de aumento numa forma que se intensifica, visto que o ser de tal forma consiste totalmente na sua adesão ao sujeito. Consequentemente, como a magnitude de uma coisa segue o seu ser, dizer que uma forma é maior é o mesmo que dizer que ela está mais no seu sujeito, e não que outra forma lhe é adicionada: pois isso dar-se-ia se a forma, por si mesma, tivesse alguma quantidade, e não em comparação com o seu sujeito. Portanto, a caridade aumenta por ser intensificada no seu sujeito, e isso é a caridade aumentar na sua essência; e não por caridade ser adicionada a caridade. **Resposta à 1ª objeção:** A quantidade corporal tem algo como quantidade, e algo mais enquanto é forma acidental. Como quantidade, é distinguível quanto à posição ou número, e assim temos o aumento de magnitude por adição, como se vê nos animais. Mas enquanto é forma acidental, é distinguível apenas quanto ao seu sujeito, e assim tem o seu próprio aumento, como as outras formas acidentais, por via de intensidade no seu sujeito – por exemplo, nas coisas sujeitas à rarefação, como se prova na Física, IV, 9. Do mesmo modo, a ciência, como hábito, tem a sua quantidade a partir dos seus objetos, e por isso aumenta por adição, quando um homem conhece mais coisas; e também, como forma acidental, tem certa quantidade por estar no seu sujeito, e assim aumenta num homem que conhece as mesmas verdades científicas com maior certeza agora do que antes. De igual modo, a caridade tem uma dupla quantidade; mas quanto àquela que tem do seu objeto, ela não aumenta, como se disse acima; por isso, segue-se que aumenta unicamente por intensificação. **Resposta à 2ª objeção:** A adição de luz a luz pode ser entendida através da intensificação da luz no ar, devido haver vários luminares a irradiar luz; mas esta distinção não se aplica ao caso em questão, pois há um único lumiar a derramar a luz da caridade. **Resposta à 3ª objeção:** A infusão da caridade denota uma mudança do estado de "não ter" caridade para o estado de "ter" caridade; por isso, algo deve vir que antes não estava. Por outro lado, o aumento da caridade denota uma mudança de "ter menos" para "ter mais"; portanto, não é necessário que algo esteja ali que antes não estava, mas sim que algo esteja mais ali que antes estava menos. Isso é o que Deus faz quando aumenta a caridade: faz com que ela tenha maior posse da alma e que a semelhança do Espírito Santo seja mais perfeitamente participada pela alma.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether charity increases by addition? · séc. XIII
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