Santo Thomas Aquinas
Excertos de Tomás de Aquino, Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte, sobre o Artigo 3 - Se os pecados diferem especificamente em referência às suas causas. Objeção 1: Parece que os pecados diferem especificamente em referência às suas causas. Pois uma coisa recebe a sua espécie daquilo de onde deriva o seu ser. Ora, os pecados derivam o seu ser das suas causas. Logo, recebem também delas a sua espécie. Portanto, diferem especificamente em referência às suas causas. Objeção 2: Ademais, de todas as causas, a causa material parece ter a menor referência à espécie. Ora, o objeto no pecado é como a sua causa material. Visto que, portanto, os pecados diferem especificamente segundo os seus objetos, parece que muito mais diferem em referência às suas outras causas. Objeção 3: Ademais, Agostinho, comentando o Sl 79,17: "Coisas incendiadas e desarraigadas", diz que "todo pecado procede ou do medo que induz à falsa humildade, ou do amor que nos acende em ardor indevido." Pois está escrito (1 Jo 2,16) que "tudo o que há no mundo é a concupiscência da carne, ou [Vulg.: 'e'] a concupiscência dos olhos, ou [Vulg.: 'e'] a soberba da vida." Ora, uma coisa é dita estar no mundo por causa do pecado, na medida em que o mundo denota os amantes do mundo, como observa Agostinho (Tract. ii in Joan.). Gregório também (Moral. xxxi, 17) distingue todos os pecados segundo os sete vícios capitais. Ora, todas estas divisões se referem às causas dos pecados. Portanto, ao que parece, os pecados diferem especificamente segundo a diversidade das suas causas. Ao contrário, Se assim fosse, todos os pecados pertenceriam a uma só espécie, visto que procedem de uma única causa. Pois está escrito (Eclo 10,15) que "a soberba é o princípio de todo pecado", e (1 Tm 6,10) que "a cobiça do dinheiro é a raiz de todos os males." Ora, é evidente que há várias espécies de pecados. Logo, os pecados não diferem especificamente segundo as suas diferentes causas. Respondo que, Sendo quatro os gêneros de causas, elas são atribuídas a diversas coisas de maneiras diversas. Porque a causa "formal" e a "material" dizem respeito propriamente à substância de uma coisa; e consequentemente as substâncias diferem quanto à sua matéria e forma, tanto em espécie como em gênero. A causa "agente" e o "fim" dizem respeito diretamente ao movimento e à operação: por isso movimentos e operações diferem especificamente em relação a estas causas; de maneiras diferentes, contudo, porque os princípios ativos naturais são sempre determinados aos mesmos atos; de modo que as diferentes espécies de atos naturais são tomadas não só dos objetos, que são os fins ou termos desses atos, mas também dos seus princípios ativos: assim, aquecer e resfriar são especificamente distintos com referência ao quente e ao frio. Por outro lado, os princípios ativos nos atos voluntários, como os atos dos pecados, não são determinados, por necessidade, a um único ato, e consequentemente de um único princípio ativo ou motor podem proceder diversas espécies de pecados: assim, do medo que gera falsa humildade o homem pode proceder ao furto, ou ao homicídio, ou a negligenciar o rebanho a ele confiado; e estas mesmas coisas podem proceder do amor que acende em ardor indevido. Portanto, é evidente que os pecados não diferem especificamente segundo os seus vários princípios ativos ou motores, mas apenas em relação à diversidade da causa final, que é o fim e objeto da vontade. Pois foi mostrado acima (Q[1], A[3]; Q[18], AA[4],6) que os atos humanos recebem a sua espécie do fim. Resposta à Objeção 1: Os princípios ativos nos atos voluntários, não sendo determinados a um único ato, não bastam para a produção dos atos humanos, a menos que a vontade seja determinada a um pela intenção do fim, como prova o Filósofo (Metaph. ix, text. 15,16), e consequentemente o pecado deriva tanto o seu ser como a sua espécie do fim. Resposta à Objeção 2: Os objetos, em relação aos atos externos, têm a natureza de matéria "cerca da qual"; mas, em relação ao ato interior da vontade, têm a natureza de fim; e é devido a isto que dão ao ato a sua espécie. No entanto, mesmo considerados como matéria "cerca da qual", têm a natureza de termo, do qual o movimento recebe a sua espécie (Phys. v, text. 4; Ethic. x, 4); contudo, mesmo os termos do movimento especificam os movimentos, na medida em que o termo tem a natureza de fim. Resposta à Objeção 3: Estas distinções dos pecados são dadas, não como espécies distintas de pecados, mas para mostrar as suas várias causas.
Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether sins differ specifically in reference to their causes? · séc. XIII
tradução automática