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1Jo 2, 27

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Matos Soares

27Permaneça em vós a unção que recebestes dele. Não tendes necessidade de que ninguém vos ensine (uma nova fé ); mas porque a sua unção vos ensina todas as coisas, e ela é verídica e não mentirosa, permanecei nele, segundo ela vos ensinou.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Pareceria que o dom do entendimento não está em todos os que estão em estado de graça. Pois Gregório diz (Moral. ii, 49) que «o dom do entendimento é dado como remédio contra a tibieza da mente». Ora muitos que estão em estado de graça sofrem de tibieza da mente. Logo o dom do entendimento não está em todos os que estão em estado de graça. Objeção 2: Ademais, de todas as coisas que se relacionam com o conhecimento, só a fé parece necessária para a salvação, pois pela fé Cristo habita nos nossos corações, segundo Ef 3,17. Ora o dom do entendimento não está em todos os que têm fé; com efeito, aqueles que têm fé devem orar para que entendam, como diz Agostinho (De Trin. xv, 27). Logo o dom do entendimento não é necessário para a salvação; e, consequentemente, não está em todos os que estão em estado de graça. Objeção 3: Ademais, aquelas coisas que são comuns a todos os que estão em estado de graça nunca lhes são retiradas. Ora a graça do entendimento e dos outros dons por vezes se retira proveitosamente, pois, às vezes, «quando a mente se incha com o entendimento de coisas sublimes, torna-se lenta e baça nas coisas baixas e vis», como observa Gregório (Moral. ii, 49). Logo o dom do entendimento não está em todos os que estão em estado de graça. Ao contrário, está escrito (Sl 81,5): «Eles não conheceram nem entenderam, andam em trevas.» Ora ninguém que está em estado de graça anda em trevas, segundo Jo 8,12: «Quem Me segue não anda em trevas.» Logo ninguém que está em estado de graça está sem o dom do entendimento. Respondo que em todos os que estão em estado de graça deve haver necessariamente a retidão da vontade, pois a graça prepara a vontade do homem para o bem, segundo Agostinho (Contra Julian. Pelag. iv, 3). Ora a vontade não pode ser retamente dirigida para o bem, se não houver já algum conhecimento da verdade, pois o objeto da vontade é o bem entendido, como se diz no De Anima iii, 7. Além disso, assim como o Espírito Santo dirige a vontade do homem pelo dom da caridade, de modo a movê-la diretamente para algum bem sobrenatural, assim também, pelo dom do entendimento, Ele ilumina a mente humana, para que conheça alguma verdade sobrenatural, para a qual a vontade reta precisa tender. Portanto, assim como o dom da caridade está em todos os que têm a graça santificante, assim também o dom do entendimento. Resposta à objeção 1: Alguns que têm a graça santificante podem sofrer de tibieza da mente quanto a coisas que não são necessárias para a salvação; mas quanto àquelas que são necessárias para a salvação, são suficientemente instruídos pelo Espírito Santo, segundo 1 Jo 2,27: «A sua unção vos ensina todas as coisas.» Resposta à objeção 2: Embora nem todos os que têm fé entendam plenamente as coisas que são propostas para serem cridas, contudo entendem que devem crê-las, e que de modo nenhum devem desviar-se delas. Resposta à objeção 3: Quanto às coisas necessárias para a salvação, o dom do entendimento nunca se retira das pessoas santas; mas, para que não tenham incentivo à soberba, retira-se às vezes quanto a outras coisas, de modo que a sua mente não pode penetrar claramente todas as coisas.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether the gift of understanding is in all who are in a state of grace? · séc. XIII

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1Jo 2, 27 nos Padres da Igreja | Aurea