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1Jo 3, 15

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Matos Soares

15Todo o que tem ódio a seu irmão é um homicida, e vós sabeis que a vida eterna não tem morada em nenhum homicida.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o ódio ao próximo é o mais grave pecado contra o próximo. Porquanto está escrito (1 Jo 3,15): «Quem aborrece a seu irmão é homicida.» Ora, o homicídio é o mais grave dos pecados contra o próximo. Logo, também o ódio o é. **Objeção 2:** Além disso, o pior opõe-se ao melhor. Ora, o melhor que damos ao próximo é o amor, pois todas as outras coisas se referem ao amor. Portanto, o ódio é o pior. **Em contrário,** uma coisa é dita má porque causa dano, como observa Agostinho (Enquirídio, xii). Ora, há pecados pelos quais o homem causa mais dano ao próximo do que pelo ódio, como o furto, o homicídio e o adultério. Logo, o ódio não é o pecado mais grave. Além disso, Crisóstomo [*Hom. x no Opus Imperfectum, falsamente atribuída a São João Crisóstomo], comentando Mt 5,19: «Aquele, pois, que violar um destes mínimos mandamentos», diz: «Os mandamentos de Moisés: Não matarás, Não adulterarás, são considerados pequenos na sua recompensa, mas são considerados grandes se forem desobedecidos. Por outro lado, os mandamentos de Cristo, tais como: Não te irarás, Não cobiçarás, são considerados grandes na sua recompensa, mas pequenos na transgressão.» Ora, o ódio é um movimento interior, como a ira e a cobiça. Logo, o ódio ao irmão é um pecado menos grave do que o homicídio. **Respondo que** os pecados cometidos contra o próximo são maus por dois motivos: primeiro, pela desordem na pessoa que peca; segundo, pelo dano infligido à pessoa contra quem se peca. No primeiro aspecto, o ódio é um pecado mais grave do que as ações exteriores que lesam o próximo, porque o ódio é uma desordem da vontade do homem, que é a parte principal do homem e onde está a raiz do pecado; de modo que, se as ações exteriores do homem fossem desordenadas sem qualquer desordem na sua vontade, não seriam pecaminosas — por exemplo, se matasse um homem por ignorância ou por zelo de justiça; e se há algo de pecaminoso nas ações exteriores do homem contra o próximo, tudo se deve remontar ao seu ódio interior. Por outro lado, quanto ao dano infligido ao próximo, as ações exteriores do homem são piores do que o seu ódio interior. Isto basta para as respostas às objeções.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether hatred of our neighbor is the most grievous sin against our neighbor? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a detração é o mais grave de todos os pecados cometidos contra o próximo. Pois uma glosa ao Sl 108,4, “Em lugar de me fazerem amor, me detraíam”, diz: “Aqueles que detraem Cristo em seus membros e matam as almas dos futuros crentes são mais culpados do que aqueles que mataram a carne que logo havia de ressuscitar.” Disto parece seguir-se que a detração é tanto mais grave pecado que o homicídio, quanto é mais grave matar a alma do que matar o corpo. Ora, o homicídio é o mais grave dos outros pecados cometidos contra o próximo. Logo, a detração é absolutamente o mais grave de todos. **Objeção 2:** Ademais, a detração é aparentemente pecado mais grave que a injúria, porque o homem pode resistir à injúria, mas não a uma detração secreta. Ora, a detração parece ser pecado mais grave que o adultério, porque o adultério une duas pessoas em uma só carne, enquanto a injúria separa totalmente os que estavam unidos. Portanto, a detração é mais grave que o adultério; e, contudo, dentre todos os outros pecados que um homem comete contra o próximo, o adultério é o mais grave. **Objeção 3:** Ademais, a injúria provém da ira, enquanto a detração provém da inveja, segundo Gregório (Moral. XXXI, 45). Ora, a inveja é pecado mais grave que a ira. Logo, a detração é pecado mais grave que a injúria; e assim segue-se a mesma conclusão que antes. **Objeção 4:** Ademais, a gravidade de um pecado mede-se pela gravidade do dano que causa. Ora, a detração causa um daníssimo defeito, a saber, a cegueira da mente. Pois Gregório diz (Regist. XI, Ep. 2): “Que mais fazem os detratores senão soprar a poeira e lançar a sujeira aos seus próprios olhos, de modo que quanto mais respiram a detração, menos veem a verdade?” Portanto, a detração é o pecado mais grave cometido contra o próximo. **Em contrário,** É mais grave pecar por obra do que por palavra. Ora, a detração é pecado de palavra, enquanto o adultério, o homicídio e o furto são pecados de obra. Logo, a detração não é mais grave que os outros pecados cometidos contra o próximo. **Respondo que** a gravidade essencial dos pecados cometidos contra o próximo deve ser ponderada pelo dano que lhe infligem, pois é daí que derivam sua natureza pecaminosa. Ora, quanto maior o bem subtraído, maior o dano. E, sendo o bem do homem tríplice, a saber, o bem da alma, o bem do corpo e o bem das coisas exteriores, o bem da alma, que é o maior de todos, não pode ser tirado por outro senão como causa ocasional, por exemplo, por uma persuasão maligna, que não induz necessidade. Ao passo que os dois últimos bens, a saber, do corpo e das coisas exteriores, podem ser tirados pela violência. Visto que, contudo, os bens do corpo excedem os bens das coisas exteriores, os pecados que lesam o corpo do homem são mais graves do que os que lesam suas coisas exteriores. Consequentemente, entre os demais pecados cometidos contra o próximo, o homicídio é o mais grave, pois priva o homem da vida que já possui; depois deste vem o adultério, que é contrário à ordem reta da geração humana, pela qual o homem entra na vida. Em último lugar vêm os bens exteriores, entre os quais a boa reputação do homem tem precedência sobre a riqueza, por ser mais afim aos bens espirituais; por isso está escrito (Pv 22,1): “Melhor é a boa fama do que as grandes riquezas.” Portanto, a detração, segundo o seu gênero, é pecado mais grave que o furto, mas menos grave que o homicídio ou o adultério. Todavia, a ordem pode diferir por razão de circunstâncias agravantes ou atenuantes. A gravidade acidental de um pecado deve ser considerada em relação ao pecador, que peca mais gravemente se peca deliberadamente do que se peca por fraqueza ou descuido. A este respeito, os pecados de palavra têm certa leveza, enquanto costumam ocorrer por um lapso de língua e sem muita reflexão. **Resposta à Objeção 1:** Aqueles que detraem Cristo impedindo a fé de seus membros depreciam sua Divindade, que é o fundamento da nossa fé. Por isso, isto não é simples detração, mas blasfêmia. **Resposta à Objeção 2:** A injúria é pecado mais grave que a detração, na medida em que implica maior desprezo do próximo; assim como o roubo é pecado mais grave que o furto, como foi dito acima (Q. 66, A. 9). Contudo, a injúria não é pecado mais grave que o adultério. Pois a gravidade do adultério se mede, não por ser uma união de corpos, mas por ser uma desordem na geração humana. Além disso, o injuriador não é causa suficiente da inimizade em outro homem, mas é apenas causa ocasional de divisão entre os que estavam unidos, na medida em que, ao declarar os males de outro, ele, da sua parte, separa aquele homem da amizade dos outros homens, embora estes não sejam forçados por suas palavras a fazê-lo. Por conseguinte, o detrator é homicida “ocasionalmente”, pois por suas palavras dá a outro homem ocasião de odiar ou desprezar seu próximo. Por esta razão, está declarado na Epístola de Clemente [*Ad Jacob. Ep. i*] que “os detratores são homicidas”, isto é, ocasionalmente; porque “aquele que odeia seu irmão é homicida” (1 Jo 3,15). **Resposta à Objeção 3:** A ira busca abertamente vingar-se, como diz o Filósofo (Rhet. II, 2); pelo que a detração, que se dá em segredo, não é filha da ira, como o é a injúria, mas antes da inveja, que se esforça por qualquer meio para diminuir a glória do próximo. Nem daí se segue que a detração seja mais grave que a injúria, pois um vício menor pode dar origem a um pecado maior, assim como a ira gera o homicídio e a blasfêmia. Pois a origem de um pecado depende da sua inclinação para um fim, isto é, para aquilo a que o pecado se volta; ao passo que a gravidade de um pecado depende daquilo de que se afasta. **Resposta à Objeção 4:** Visto que “o homem se alegra com a sentença de sua boca” (Pv 15,23), segue-se que o detrator cada vez mais ama e crê no que diz, e consequentemente cada vez mais odeia seu próximo, e assim o seu conhecimento da verdade torna-se cada vez menor. Este efeito, contudo, pode também resultar de outros pecados pertencentes ao ódio do próximo.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether backbiting is the gravest of all sins committed against one's neighbor? · séc. XIII

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