Referência

1Jo 3, 9

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Matos Soares

9Todo o que nasceu de Deus, não comete o pecado, porque a semente de Deus (que é a graça santificante) permanece nele: não pode pecar porque nasceu de Deus.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Artigo 11 — Se podemos perder a caridade depois de a possuirmos?** **Objeção 1: Parece que não podemos perder a caridade depois de a possuirmos. Porque, se a perdemos, só pode ser pelo pecado. Ora, quem tem a caridade não pode pecar, pois está escrito (1 Jo 3,9): «Todo aquele que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus.» Ora, ninguém, senão os filhos de Deus, tem a caridade, pois é ela que distingue «os filhos de Deus dos filhos da perdição», como diz Agostinho (De Trin. XV, 17). Logo, quem tem a caridade não a pode perder.** **Objeção 2: Ademais, Agostinho diz (De Trin. VIII, 7) que «se o amor não é verdadeiro, não deve ser chamado amor». Ora, como ele diz ainda numa carta ao Conde Juliano, «a caridade que pode falhar nunca foi verdadeira». Portanto, não era caridade alguma. Logo, depois de termos a caridade, não a podemos perder.** **Objeção 3: Ademais, Gregório diz numa homilia para o Pentecostes (In Evang. XXX) que «o amor de Deus obra grandes coisas onde está; se cessa de obrar, não é caridade». Ora, ninguém perde a caridade por obrar grandes coisas. Logo, se a caridade está presente, não pode ser perdida.** **Objeção 4: Ademais, o livre-arbítrio não se inclina ao pecado senão por algum motivo de pecar. Ora, a caridade exclui todos os motivos de pecar, tanto o amor-próprio como a cobiça e todas as coisas tais. Logo, a caridade não pode ser perdida.** **Em contrário, está escrito (Ap 2,4): «Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade.»** **Respondo: O Espírito Santo habita em nós pela caridade, como se mostrou acima (A[2]; QQ[23],24). Podemos, portanto, considerar a caridade de três modos: primeiro, da parte do Espírito Santo, que move a alma a amar a Deus; e, sob este aspecto, a caridade é incompatível com o pecado pelo poder do Espírito Santo, que faz infalivelmente tudo quanto quer fazer. Por isso é impossível que simultaneamente sejam verdadeiras estas duas coisas: que o Espírito Santo queira mover um certo homem a um ato de caridade e que este homem, pecando, perca a caridade. Pois o dom da perseverança é contado entre os bens de Deus pelos quais «quem é libertado, é certissimamente libertado», como diz Agostinho no livro sobre a Predestinação dos Santos (De Dono Persev. XIV).** **Segundo, a caridade pode ser considerada em si mesma; e, assim, é incapaz de qualquer coisa contrária à sua natureza. Por onde, a caridade absolutamente não pode pecar, como também o calor não pode esfriar, nem a injustiça fazer o bem, como diz Agostinho (De Serm. Dom. in Monte II, 24).** **Terceiro, a caridade pode ser considerada da parte do sujeito, que é mutável em razão do livre-arbítrio. Ademais, a caridade pode ser comparada a este sujeito, tanto do ponto de vista geral da forma em comparação com a matéria, como do ponto de vista específico do hábito em comparação com a potência. Ora, é natural a uma forma estar no seu sujeito de tal modo que pode ser perdida, quando não preenche totalmente a potencialidade da matéria: isto é evidente nas formas das coisas geradas e corruptíveis, porque a matéria de tais coisas recebe uma forma de tal modo que retém a potencialidade para outra forma, como se a sua potencialidade não fosse completamente satisfeita com aquela forma. Por isso, a primeira forma pode ser perdida pela recepção da outra. Por outro lado, a forma de um corpo celeste, que preenche totalmente a potencialidade da sua matéria, de modo que esta não retém potencialidade para outra forma, está no seu sujeito inseparavelmente. Por conseguinte, a caridade dos bem-aventurados, porque preenche totalmente a potencialidade da mente racional (pois todo movimento atual dessa mente se dirige a Deus), é possuída pelo seu sujeito de modo inseparável; ao passo que a caridade do viajante não preenche assim a potencialidade do seu sujeito, porque este nem sempre está atualmente dirigido a Deus; de modo que, quando não está atualmente dirigido a Deus, pode ocorrer algo pelo qual a caridade se perde.** **É próprio do hábito inclinar a potência para o ato; e isto pertence ao hábito na medida em que faz com que tudo o que lhe é conveniente pareça bom, e tudo o que lhe é inconveniente pareça mau. Pois, assim como o paladar julga dos sabores segundo a sua disposição, assim também a mente humana julga das coisas a fazer segundo a sua disposição habitual. Por isso o Filósofo diz (Ética III, 5) que «tal como cada um é, assim lhe aparece o fim». Por conseguinte, a caridade é inseparável do seu possuidor onde aquilo que pertence à caridade não pode aparecer senão como bom; e isso acontece no céu, onde Deus é visto na sua Essência, que é a própria essência da bondade. Portanto, a caridade do céu não pode perder-se, ao passo que a caridade da via pode, porque, neste estado, Deus não é visto na sua Essência, que é a essência da bondade.** **Resposta à Objeção 1: A passagem citada fala do ponto de vista do poder do Espírito Santo, por cuja guarda aqueles que Ele quer mover se tornam imunes ao pecado, tanto quanto Ele quer.** **Resposta à Objeção 2: A caridade que pode falhar por si mesma não é verdadeira caridade; pois isso aconteceria se o seu amor fosse dado apenas por um tempo e depois cessasse, o que seria inconsistente com o amor verdadeiro. Se, porém, a caridade é perdida pela mutabilidade do sujeito e contra o propósito da caridade incluído no seu ato, isso não é contrário à verdadeira caridade.** **Resposta à Objeção 3: O amor de Deus obra sempre grandes coisas no seu propósito, que é essencial à caridade; mas nem sempre obra grandes coisas no seu ato, por causa da condição do sujeito.** **Resposta à Objeção 4: A caridade, por razão do seu ato, exclui todo motivo de pecar. Mas acontece às vezes que a caridade não está atuando atualmente; e, então, é possível que sobrevenha um motivo para pecar; e, se consentimos nesse motivo, perdemos a caridade.**

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 11 - Whether we can lose charity when once we have it? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os frutos do Espírito Santo, enumerados pelo Apóstolo (Gálatas 5,22-23), não são atos. Pois aquilo que produz fruto não deve ser chamado de fruto; do contrário, iríamos ao infinito. Mas as nossas ações produzem fruto: porque está escrito (Sab. 3,15): "O fruto do bom trabalho é glorioso", e (João 4,36): "O que ceifa recebe salário e ajunta fruto para a vida eterna." Logo, as nossas ações não devem ser chamadas de frutos. Objeção 2: Além disso, como diz Agostinho (De Trinitate X, 10), "gozamos [do verbo latino 'fruimur', do qual derivam o latim 'fructus' e o inglês 'fruit'] das coisas que conhecemos quando a vontade repousa, regozijando-se nelas." Ora, a nossa vontade não deve repousar nas nossas ações por si mesmas. Logo, as nossas ações não devem ser chamadas de frutos. Objeção 3: Além disso, entre os frutos do Espírito Santo, o Apóstolo enumera certas virtudes, a saber, caridade, mansidão, fé e castidade. Ora, as virtudes não são ações, mas hábitos, como acima se disse (Q. 55, A. 1). Logo, os frutos não são ações. Ao contrário, está escrito (Mateus 12,33): "Pelo fruto se conhece a árvore"; isto é, o homem é conhecido pelas suas obras, como explicam os santos. Logo, as ações humanas são chamadas de frutos. Respondo que a palavra "fruto" foi transferida do mundo material para o espiritual. Ora, fruto, entre as coisas materiais, é o produto de uma planta quando chega à perfeição e tem uma certa doçura. Este fruto tem uma dupla relação: com a árvore que o produz, e com o homem que colhe o fruto da árvore. Assim, nas coisas espirituais, podemos tomar a palavra "fruto" de duas maneiras: primeiro, de modo que o fruto do homem, que é comparado à árvore, é aquilo que ele produz; segundo, de modo que o fruto do homem é o que ele colhe. Contudo, nem tudo o que o homem colhe é fruto, mas apenas aquilo que é último e dá prazer. Pois um homem tem tanto um campo como uma árvore, e contudo estes não são chamados frutos; mas somente aquilo que é último, a saber, aquilo que o homem pretende obter do campo e da árvore. Neste sentido, o fruto do homem é o seu fim último, que se destina ao seu gozo. Se, porém, entendermos por fruto do homem um produto do homem, então as ações humanas são chamadas frutos: porque a operação é o segundo ato do operante, e dá prazer se lhe é adequada. Se, pois, a operação do homem procede dele em virtude da sua razão, diz-se fruto da sua razão; mas se procede dele em respeito a um poder superior, que é o poder do Espírito Santo, então a operação do homem é dita fruto do Espírito Santo, como de uma semente divina, porque está escrito (1 João 3,9): "Todo aquele que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua semente permanece nele." Resposta à Objeção 1: Como o fruto é algo último e final, nada impede que um fruto produza outro fruto, assim como um fim está subordinado a outro. E assim as nossas obras, enquanto produzidas pelo Espírito Santo que opera em nós, são frutos; mas, enquanto referidas ao fim que é a vida eterna, devem antes ser chamadas flores: por isso está escrito (Eclesiástico 24,23): "As minhas flores são frutos de honra e de riqueza." Resposta à Objeção 2: Quando se diz que a vontade se deleita em algo por si mesmo, isto pode ser entendido de duas maneiras. Primeiro, de modo que a expressão "por causa de" seja tomada para designar a causa final; e desta maneira, o homem não se deleita em nada por si mesmo, exceto no fim último. Segundo, de modo que expresse a causa formal; e desta maneira, um homem pode se deleitar em qualquer coisa que seja deleitável em razão da sua forma. Assim, é claro que um homem doente se deleita na saúde por si mesma, como em um fim; num medicamento agradável, não como em um fim, mas como em algo saboroso; e num medicamento desagradável, de modo algum por si mesmo, mas apenas por causa de outra coisa. Por conseguinte, devemos dizer que o homem deve se deleitar em Deus por Si mesmo, como sendo o seu fim último, e nas ações virtuosas, não como sendo o seu fim, mas por causa da sua bondade inerente, que é deleitável para o virtuoso. Por isso Ambrósio diz (De Paradiso XIII) que as ações virtuosas são chamadas frutos porque "refrescam aqueles que as possuem com um santo e genuíno deleite." Resposta à Objeção 3: Às vezes os nomes das virtudes são aplicados às suas ações: assim Agostinho escreve (Tratado XL sobre João): "A fé é crer no que não vês"; e (De Doctrina Christiana III, 10): "A caridade é o movimento da alma no amor a Deus e ao próximo." É assim que os nomes das virtudes são usados na enumeração dos frutos.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 1 - Whether the fruits of the Holy Ghost which the Apostle enumerates (Gal. 5) are acts? · séc. XIII

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