Referência

1Jo 4, 18

Veja onde esta passagem aparece no corpus patrístico disponível.

Trechos nesta página

2

Comentários diretos

0

Autores distintos

1

Matos Soares

18Na caridade não há temor; a caridade perfeita lança fora o temor, porque o temor supõe pena; (por isso) aquele que teme, não é perfeito na caridade.

Matos Soares · domínio público

Levar para o chatEntre na conta para conversar com os Padres a partir deste versículo.
Dossiês doutrinaisQuando um versículo abre um tema maior, o próximo passo é seguir por um dossiê temático.

Comentário direto

0

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

2

Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que em Cristo não houve o dom do temor. Porque a esperança parece ser mais forte que o temor, visto que o objeto da esperança é o bem, e o do temor, o mal, como se disse acima (I-II, Q. 40, A. 1; I-II, Q. 42, A. 1). Ora, em Cristo não houve a virtude da esperança, como também se disse acima (A. 4). Logo, igualmente, não houve n'Ele o dom do temor. **Objecção 2:** Ademais, pelo dom do temor tememos ou ser separados de Deus — o que pertence ao temor casto — ou ser por Ele castigados, o que pertence ao temor servil, como diz Agostinho (In Joan. Tract. ix). Mas Cristo não temia ser separado de Deus pelo pecado, nem ser por Ele castigado por causa de culpa, pois Lhe era impossível pecar, como se dirá (Q. 15, AA. 1, 2). Ora, o temor não recai sobre o impossível. Logo, em Cristo não houve o dom do temor. **Objecção 3:** Ademais, está escrito (1 Jo 4,18): «A perfeita caridade lança fora o temor.» Ora, em Cristo houve caridade perfeitíssima, segundo Efésios 3,19: «A caridade de Cristo, que excede todo o conhecimento.» Logo, em Cristo não houve o dom do temor. **Em contrário,** está escrito (Is 11,3): «E será cheio do espírito do temor do Senhor.» **Respondo que,** como se disse acima (I-II, Q. 42, A. 1), o temor tem dois objetos: um é o mal que causa terror; outro é aquele em cujo poder um mal pode ser infligido, como tememos ao rei enquanto ele tem poder de matar. Ora, quem pode causar dano não seria temido a menos que tivesse uma certa grandeza de poder, à qual não se pudesse oferecer fácil resistência; pois o que facilmente repelimos, não tememos. E daí é manifesto que ninguém é temido senão por alguma preeminência. E deste modo se diz que em Cristo houve o temor de Deus, não certamente enquanto diz respeito ao mal da separação de Deus pela culpa, nem enquanto diz respeito ao mal do castigo pela culpa, mas enquanto considera a preeminência divina, pela qual a alma de Cristo, guiada pelo Espírito Santo, se dirigia a Deus num ato de reverência. Por isso está escrito (Hb 5,7) que em todas as coisas «foi ouvido pela sua reverência». Pois Cristo, como homem, teve este ato de reverência para com Deus de modo mais pleno e além de todos os outros. E por isso a Escritura Lhe atribui a plenitude do temor do Senhor. **Resposta à Objecção 1:** Os hábitos das virtudes e dos dons consideram o bem própria e essencialmente, e o mal, consequentemente; pois pertence à natureza da virtude tornar os atos bons, como se diz na Ética (II, 6). E assim a natureza do dom do temor não diz respeito ao mal de que o temor se ocupa, mas à preeminência daquela bondade, isto é, de Deus, por cujo poder o mal pode ser infligido. Ao passo que a esperança, como virtude, não considera apenas o autor do bem, mas também o próprio bem, enquanto ainda não possuído. E por isso a Cristo, que já possuía o bem perfeito da beatitude, não atribuímos a virtude da esperança, mas atribuímos o dom do temor. **Resposta à Objecção 2:** Esta razão se funda no temor enquanto diz respeito ao objeto mau. **Resposta à Objecção 3:** A caridade perfeita lança fora o temor servil, que considera principalmente o castigo. Ora, este temor não existia em Cristo.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether in Christ there was the gift of fear? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o temor inicial difere substancialmente do temor filial. Pois o temor filial é causado pelo amor. Ora, o temor inicial é o princípio do amor, segundo Eclo 25,16: «O temor de Deus é o princípio do amor.» Logo, o temor inicial é distinto do temor filial. Objeção 2: Além disso, o temor inicial receia o castigo, que é o objeto do temor servil, de modo que o temor inicial e o servil parecem ser o mesmo. Mas o temor servil é distinto do temor filial. Logo, também o temor inicial é substancialmente distinto do temor filial. Objeção 3: Ademais, um meio difere na mesma proporção de ambos os extremos. Ora, o temor inicial é o meio entre o temor servil e o filial. Logo, difere tanto do temor filial quanto do servil. Em contrário, o perfeito e o imperfeito não diversificam a substância de uma coisa. Ora, o temor inicial e o filial diferem quanto à perfeição e imperfeição da caridade, como atesta Agostinho (Trat. IX sobre a Epístola de São João). Logo, o temor inicial não difere substancialmente do temor filial. Respondo: O temor inicial assim se chama porque é um princípio [initium]. Visto, porém, que tanto o temor servil quanto o filial são, de certo modo, o princípio da sabedoria, cada um pode ser chamado, de alguma maneira, inicial. Contudo, não é nesse sentido que entendemos o temor inicial enquanto distinto do servil e do filial, mas sim no sentido segundo o qual ele pertence ao estado dos principiantes, nos quais há um princípio de temor filial resultante de um princípio de caridade, embora não possuam a perfeição do temor filial, porque ainda não atingiram a perfeição da caridade. Consequentemente, o temor inicial está para o temor filial assim como a caridade imperfeita está para a perfeita. Ora, a caridade perfeita e a imperfeita diferem, não quanto à essência, mas quanto ao estado. Portanto, devemos concluir que o temor inicial, como aqui o entendemos, não difere essencialmente do temor filial. Resposta à objeção 1: O temor que é princípio do amor é o temor servil, arauto da caridade, assim como a cerda introduz o fio, como diz Agostinho (Trat. IX sobre a Epístola de São João). Ou, se se referir ao temor inicial, diz-se que ele é o princípio do amor, não absolutamente, mas relativamente ao estado da caridade perfeita. Resposta à objeção 2: O temor inicial não receia o castigo como seu objeto próprio, senão por ter algo do temor servil vinculado a ele; pois este temor servil, quanto à sua substância, permanece com a caridade, uma vez despojada a sua servidão; ao passo que o seu ato permanece na caridade imperfeita no homem que é movido a praticar boas ações não só pelo amor da justiça, mas também pelo temor do castigo, embora esse mesmo ato cesse no homem que possui a caridade perfeita, a qual «lança fora o temor», segundo 1 Jo 4,18. Resposta à objeção 3: O temor inicial é meio entre o servil e o filial, não como entre duas coisas do mesmo gênero, mas assim como o imperfeito é meio entre o ser perfeito e o não-ser, como se diz na Metafísica II; pois é substancialmente o mesmo que o ser perfeito, enquanto difere totalmente do não-ser.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 8 - Whether initial fear differs substantially from filial fear? · séc. XIII

tradução automática