Referência

1Rs 15, 29

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Matos Soares

29Logo que foi rei, exterminou toda a casa de Jeroboão; não deixou com vida nem sequer um da sua linhagem, até acabar inteiramente com ela, conforme a palavra que o Senhor tinha dito pela boca do seu servo Aias, de Silo,

Matos Soares · domínio público

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a predestinação não pode ser auxiliada pelas orações dos santos. Pois nada de eterno pode ser precedido por algo de temporal; e, por consequência, nada de temporal pode ajudar para tornar algo eterno. Ora, a predestinação é eterna. Logo, sendo as orações dos santos temporais, não podem ajudar de modo a fazer com que alguém se torne predestinado. A predestinação, portanto, não é auxiliada pelas orações dos santos. **Objeção 2:** Ademais, assim como não há necessidade de conselho senão por defeito de conhecimento, assim também não há necessidade de auxílio senão por defeito de poder. Ora, nenhuma destas coisas se pode dizer de Deus quando predestina. Donde está escrito: “Quem ajudou o Espírito do Senhor? [*Vulg.: ‘Quem conheceu o pensamento do Senhor?’] Ou quem foi o seu conselheiro?” (Rm 11,34). Logo, a predestinação não pode ser auxiliada pelas orações dos santos. **Objeção 3:** Ademais, se uma coisa pode ser auxiliada, também pode ser impedida. Ora, a predestinação não pode ser impedida por coisa alguma. Logo, também não pode ser auxiliada por coisa alguma. **Em contrário,** está escrito que “Isaac suplicou ao Senhor por sua mulher, porque era estéril; e ele o ouviu, e fez conceber a Rebeca” (Gn 25,21). Ora, dessa conceição nasceu Jacó, e ele foi predestinado. Mas sua predestinação não teria acontecido se ele nunca houvesse nascido. Logo, a predestinação pode ser auxiliada pelas orações dos santos. **Respondo que:** Sobre esta questão houve diversos erros. Alguns, considerando a certeza da divina predestinação, disseram que as orações eram supérfluas, bem como tudo o mais que se faz para alcançar a salvação; porque, quer estas coisas se fizessem ou não, os predestinados alcançariam, e os réprobos não alcançariam a salvação eterna. Mas contra esta opinião estão todas as exortações da Sagrada Escritura, que nos incitam à oração e às outras boas obras. Outros declararam que a divina predestinação era alterada pela oração. Diz-se que esta é a opinião dos egípcios, os quais pensavam que a ordenação divina, que chamavam fado, podia ser frustrada por certos sacrifícios e orações. Contra esta opinião está também a autoridade da Escritura. Pois está escrito: “O Triunfador de Israel não poupará, nem se moverá ao arrependimento” (1Sm 15,29); e que “os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Rm 11,29). Por isso, devemos dizer de outro modo que, na predestinação, duas coisas se devem considerar: a ordenação divina, e o seu efeito. Quanto à primeira, de modo nenhum pode a predestinação ser auxiliada pelas orações dos santos. Pois não é por causa de suas orações que alguém é predestinado por Deus. Quanto ao segundo, diz-se que a predestinação é ajudada pelas orações dos santos e por outras boas obras; porque a providência, da qual a predestinação é uma parte, não elimina as causas secundárias, mas provê os efeitos de tal modo que a ordem das causas secundárias também caia sob a providência. Assim como os efeitos naturais são providos por Deus de modo que as causas naturais são ordenadas a produzir aqueles efeitos naturais, sem os quais tais efeitos não aconteceriam; assim também a salvação de uma pessoa é predestinada por Deus de tal maneira, que tudo o que ajuda essa pessoa para a salvação cai sob a ordem da predestinação; quer sejam as próprias orações ou as de outrem; ou outras boas obras, e outros meios semelhantes, sem os quais ninguém alcançaria a salvação. Por isso, os predestinados devem esforçar-se pelas boas obras e pela oração; porque por esses meios a predestinação se cumpre certissimamente. Por esta razão está escrito: “Procurai com mais diligência fazer firme a vossa vocação e eleição por boas obras” (2Pd 1,10). **Resposta à objeção 1:** Este argumento mostra que a predestinação não é auxiliada pelas orações dos santos quanto à preordenação. **Resposta à objeção 2:** Diz-se que alguém é auxiliado por outro de dois modos: de um modo, enquanto dele recebe força; e ser assim auxiliado pertence ao fraco; mas isto não se pode dizer de Deus, e assim se deve entender: “Quem ajudou o Espírito do Senhor?” De outro modo, diz-se que alguém é auxiliado por uma pessoa por meio de quem realiza sua obra, como o senhor por meio do servo. Deste modo Deus é ajudado por nós, enquanto executamos as suas ordens, segundo 1Cor 3,9: “Nós somos cooperadores de Deus”. E isto não é por algum defeito do poder de Deus, mas porque Ele emprega causas intermediárias, para que a beleza da ordem seja preservada no universo; e também para comunicar às criaturas a dignidade da causalidade. **Resposta à objeção 3:** As causas secundárias não podem escapar à ordem da primeira causa universal, como já se disse acima (Q. 19, A. 6); antes, elas executam essa ordem. E, portanto, a predestinação pode ser auxiliada pelas criaturas, mas não pode ser impedida por elas.

Summa Theologiae — First Part · Article. 8 - Whether predestination can be furthered by the prayers of the saints? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não convém orar. A oração parece necessária para que possamos dar a conhecer as nossas necessidades àquele a quem oramos. Mas, segundo Mateus 6,32: «Vosso Pai sabe que necessitais de todas estas coisas.» Logo, não convém orar a Deus. Objeção 2: Ademais, pela oração inclinamos o ânimo daquele a quem oramos, para que faça o que lhe é pedido. Ora, o ânimo de Deus é imutável e inflexível, segundo 1 Reis 15,29: «Mas o Triunfador em Israel não poupará, nem se moverá ao arrependimento.» Logo, não é conveniente que oremos a Deus. Objeção 3: Ademais, é mais liberal dar a quem não pede do que a quem pede, porque, segundo Sêneca (Dos Benefícios, II,1), «nada se compra mais caro do que o que se compra com orações». Ora, Deus é sumamente liberal. Portanto, parece que não convém orar a Deus. Em contrário, está escrito (Lucas 18,1): «É necessário orar sempre e nunca desfalecer.» Respondo que, entre os antigos, houve um tríplice erro acerca da oração. Uns sustentaram que as coisas humanas não são regidas pela divina providência; donde se seguiria que é inútil orar e cultuar a Deus de todo; destes está escrito (Malaquias 3,14): «Dissestes: Inutilmente se serve a Deus.» Outra opinião sustentou que todas as coisas, mesmo nas ações humanas, acontecem por necessidade, seja por causa da imutabilidade da divina providência, seja pela influência coativa dos astros, seja pela conexão das causas; e esta opinião também excluía a utilidade da oração. Houve uma terceira opinião daqueles que sustentaram que as coisas humanas são de fato regidas pela divina providência e não acontecem por necessidade; contudo, julgaram que a disposição da divina providência é mutável e que é alterada pelas orações e outras coisas pertinentes ao culto de Deus. Todas estas opiniões foram refutadas na Primeira Parte, Q. 19, A. 7 e 8; Q. 22, A. 2 e 4; Q. 115, A. 6; Q. 116. Por isso, convém-nos explicar a utilidade da oração de modo que nem imponhamos necessidade às coisas humanas sujeitas à divina providência, nem impliquemos mutabilidade da parte da disposição divina. Para esclarecer esta questão, devemos considerar que a divina providência dispõe não apenas que efeitos ocorram, mas também por quais causas e em que ordem esses efeitos procedam. Ora, entre outras causas, os atos humanos são causas de certos efeitos. Donde é necessário que os homens pratiquem certas ações, não para que com elas mudem a disposição divina, mas para que por meio dessas ações atinjam certos efeitos segundo a ordem da disposição divina; e o mesmo se diga das causas naturais. E assim é quanto à oração. Pois oramos não para mudar a disposição divina, mas para impetrar aquilo que Deus dispôs que se cumprisse por nossas orações; por outras palavras, «para que, pedindo, os homens mereçam receber o que Deus onipotente desde a eternidade dispôs dar», como diz Gregório (Diálogos, I, 8). Resposta à Objeção 1: Necessitamos de orar a Deus, não para Lhe dar a conhecer as nossas necessidades ou desejos, mas para que nós mesmos sejamos lembrados da necessidade de recorrer ao auxílio de Deus nestas matérias. Resposta à Objeção 2: Como foi dito acima, o nosso motivo ao orar não é mudar a disposição divina, mas sim que, pelas nossas orações, obtenhamos o que Deus determinou. Resposta à Objeção 3: Deus nos concede muitas coisas por sua liberalidade, mesmo sem as pedirmos; mas o querer que certas coisas nos sejam concedidas a nosso pedido é para o nosso bem, a saber, para que adquiramos confiança em recorrer a Deus e para que n'Ele reconheçamos o Autor de nossos bens. Donde diz Crisóstomo [*Implicitamente [Hom. ii, de Orat.: Hom. xxx in Genes.]; Cf. Caten. Aur. sobre Lc 18]: «Pensa que felicidade te é concedida, que honra te é outorgada, quando conversas com Deus na oração, quando falas com Cristo, quando pedes o que queres, o que desejas.»

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether it is becoming to pray? · séc. XIII

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