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1Rs 16, 7

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Matos Soares

7O oráculo do Senhor, transmitido pelo profeta Jeú, filho de Hanani, foi dirigido contra Baasa e contra a sua casa, não sòmente em castigo de todos os males que ele tinha feito aos olhos do Senhor, irritando-o com as obras das suas mãos, imitando a casa de Jeroboão, mas também por Baasa haver destruído esta casa (de Jeroboão).

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que nenhum homem pode ser salvo sem o Batismo. Porque disse o Senhor (Jo 3,5): «Se alguém não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus.» Ora, só são salvos aqueles que entram no reino de Deus. Logo, ninguém pode ser salvo sem o Batismo, pelo qual o homem renasce da água e do Espírito Santo. **Objeção 2:** Demais, no livro *De Dogmatibus Ecclesiasticis* (xli) está escrito: «Cremos que nenhum catecúmeno, ainda que morra em boas obras, terá a vida eterna, a menos que sofra o martírio, o qual contém toda a virtude sacramental do Batismo.» Ora, se fosse possível a alguém ser salvo sem o Batismo, isto se daria especialmente com os catecúmenos a quem se atribuem boas obras, pois parecem ter a «fé que obra pela caridade» (Gl 5,6). Parece, portanto, que ninguém pode ser salvo sem o Batismo. **Objeção 3:** Ademais, como foi dito acima (A[1]; Q[65], A[4]), o sacramento do Batismo é necessário para a salvação. Ora, é necessário aquilo «sem o qual algo não pode ser» (Metaf. V). Logo, parece que ninguém pode obter a salvação sem o Batismo. **Em contrário,** diz Agostinho (Super Levit., lxxxiv): «Alguns receberam a santificação invisível sem os sacramentos visíveis, e para seu proveito; mas, embora seja possível ter a santificação visível, consistente num sacramento visível, sem a santificação invisível, isto será sem proveito.» Portanto, já que o sacramento do Batismo pertence à santificação visível, parece que um homem pode obter a salvação sem o sacramento do Batismo, mediante a santificação invisível. **Respondo** que o sacramento ou Batismo pode faltar a alguém de dois modos. Primeiro, tanto na realidade quanto no desejo, como acontece com aqueles que não são batizados nem quiseram sê-lo: o que manifesta claro desprezo pelo sacramento, no que toca àqueles que têm o uso do livre-arbítrio. Consequentemente, aqueles a quem falta assim o Batismo não podem obter a salvação, pois nem sacramentalmente nem mentalmente estão incorporados em Cristo, por quem só se pode obter a salvação. Segundo, o sacramento do Batismo pode faltar a alguém na realidade, mas não no desejo: por exemplo, quando um homem deseja ser batizado, mas por algum infortúnio é surpreendido pela morte antes de receber o Batismo. E tal homem pode obter a salvação sem ser realmente batizado, por causa do seu desejo do Batismo, desejo este que procede da «fé que obra pela caridade», pela qual Deus, cujo poder não está atado aos sacramentos visíveis, santifica interiormente o homem. Por isso diz Ambrósio a respeito de Valentiniano, que morreu ainda catecúmeno: «Perdi aquele que havia de regenerar; mas ele não perdeu a graça pela qual orava.» **Resposta à Objeção 1:** Como está escrito (1 Rs 16,7): «O homem vê as coisas que aparecem, mas o Senhor olha para o coração.» Ora, o homem que deseja «renascer da água e do Espírito Santo» pelo Batismo é regenerado no coração, embora não no corpo. Assim diz o Apóstolo (Rm 2,29) que «a circuncisão é a do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não vem dos homens, mas de Deus.» **Resposta à Objeção 2:** Ninguém obtém a vida eterna a menos que esteja livre de toda culpa e dívida de pena. Ora, esta plena absolvição é dada quando um homem recebe o Batismo ou sofre o martírio; por isso se afirma que o martírio «contém toda a virtude sacramental do Batismo», isto é, quanto à plena libertação da culpa e da pena. Suponha-se, portanto, que um catecúmeno tenha o desejo do Batismo (do contrário não se poderia dizer que morre em boas obras, as quais não podem existir sem a «fé que obra pela caridade»); tal pessoa, se morresse, não viria imediatamente à vida eterna, mas sofreria a pena por seus pecados passados, «porém ele mesmo será salvo, contudo como que pelo fogo», como está dito em 1 Cor 3,15. **Resposta à Objeção 3:** Diz-se que o sacramento do Batismo é necessário para a salvação na medida em que o homem não pode ser salvo sem, ao menos, o Batismo de desejo; «o qual, para Deus, vale como o ato» (Agostinho, Enarr. in Ps. 57).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether a man can be saved without Baptism? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o voto consiste apenas num propósito da vontade. Segundo alguns [*Guilherme de Auxerre, Sum. Aur. III, xxviii, qu. 1; Alberto Magno, Sent. iv, D, 38], "o voto é a concepção de um bom propósito após firme deliberação do espírito, pela qual o homem se obriga perante Deus a fazer ou não fazer algo". Ora, a concepção de um bom propósito, e demais elementos, pode consistir num simples movimento da vontade. Portanto, o voto consiste apenas num propósito da vontade. **Objeção 2:** Além disso, a própria palavra "voto" parece derivar de "voluntas" (vontade), pois diz-se que alguém faz algo "proprio voto" (por voto próprio) quando o faz voluntariamente. Ora, o "propósito" é ato da vontade, enquanto a "promessa" é ato da razão. Logo, o voto consiste apenas num ato da vontade. **Objeção 3:** Além disso, o Senhor disse (Lc 9,62): "Ninguém, que mete a mão ao arado, e olha para trás, é apto para o reino de Deus". Ora, pelo simples fato de que alguém tem o propósito de fazer o bem, já mete a mão ao arado. Portanto, se olha para trás, desistindo do seu bom propósito, não é apto para o reino de Deus. Logo, por um mero bom propósito o homem fica obrigado perante Deus, mesmo sem fazer promessa; e, consequentemente, parece que o voto consiste apenas num propósito da vontade. **Ao contrário,** está escrito (Ecle 5,3): "Se fizeste algum voto a Deus, não tardes em pagá-lo, porque a promessa infiel e tola lhe desagrada". Portanto, fazer voto é prometer, e o voto é uma promessa. **Respondo:** O voto significa uma obrigação de fazer ou omitir algo determinado. Ora, um homem se obriga a outro por meio de uma promessa, que é ato da razão, à qual pertence dirigir. Pois, assim como o homem, ao mandar ou rogar, dirige, de certo modo, o que outros hão de fazer por ele, assim também, ao prometer, dirige o que ele mesmo há de fazer por outro. Ora, a promessa entre homem e homem só pode ser expressa por palavras ou quaisquer outros sinais exteriores; mas a promessa pode ser feita a Deus apenas pelo pensamento interior, pois, segundo 1Rs 16,7: "O homem vê o que aparece; o Senhor, porém, vê o coração". Contudo, às vezes proferimos palavras exteriormente, seja para nos estimular a nós mesmos, como se disse acima a respeito da oração (Q[83], A[12]), seja para chamar outros como testemunhas, a fim de que nos abstenhamos de quebrar o voto, não só pelo temor de Deus, mas também pelo respeito aos homens. Ora, a promessa procede de um propósito de fazer algo; e o propósito pressupõe a deliberação, pois é ato de uma vontade deliberada. Portanto, três coisas são essenciais ao voto: a primeira, a deliberação; a segunda, um propósito da vontade; e a terceira, uma promessa, na qual se completa a natureza do voto. Às vezes, porém, acrescentam-se outras duas como confirmação do voto, a saber, a pronúncia verbal, conforme Sl 65,13: "Pagar-te-ei os meus votos, que os meus lábios pronunciaram", e o testemunho de outros. Daí o Mestre (Sent. iv, D, 38) dizer que o voto é "o testemunho de uma promessa espontânea, e deve ser feito a Deus e acerca de coisas que dizem respeito a Deus": embora o "testemunho" possa referir-se estritamente à protestação interior. **Resposta à Objeção 1:** A concepção de um bom propósito não é confirmada pela deliberação do espírito, a menos que a deliberação conduza a uma promessa. **Resposta à Objeção 2:** A vontade do homem move a razão a prometer algo acerca das coisas sujeitas à sua vontade, e o voto toma o nome da vontade porquanto procede da vontade como primeiro motor. **Resposta à Objeção 3:** Quem mete a mão ao arado já faz algo; ao passo que quem apenas se propõe a fazer algo ainda nada faz. Mas quando promete, já começa a fazer, embora ainda não cumpra a promessa; assim como aquele que mete a mão ao arado ainda não lavra, contudo estende a mão com o propósito de lavrar.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether a vow consists in a mere purpose of the will? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**OBJEÇÃO I** — Parece que o modo da virtude cai sob o preceito da lei. Pois o modo da virtude é que os atos de justiça sejam feitos justamente, que os atos de fortaleza sejam feitos corajosamente, e de modo semelhante quanto às outras virtudes. Mas está mandado (Dt 26,20): «Seguirás justamente o que é justo». Logo, o modo da virtude cai sob o preceito. **OBJEÇÃO II** — Além disso, o que pertence à intenção do legislador cai principalmente sob o preceito. Mas a intenção do legislador se dirige principalmente a tornar os homens virtuosos, como se diz na Ética, II; e pertence ao homem virtuoso agir virtuosamente. Logo, o modo da virtude cai sob o preceito. **OBJEÇÃO III** — Além disso, o modo da virtude parece consistir propriamente em agir voluntariamente e com prazer. Mas isto cai sob um preceito da lei divina, pois está escrito (Sl 99,2): «Servi ao Senhor com alegria»; e (2Cor 9,7): «Não com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama o que dá com alegria»; sobre o que diz a glosa: «Tudo o que fizerdes, fazei alegremente; e então o fareis bem; mas se o fizerdes tristemente, é feito em vós, não por vós». Logo, o modo da virtude cai sob o preceito da lei. **AO CONTRÁRIO**, Ninguém pode agir como age o homem virtuoso a menos que tenha o hábito da virtude, como explica o Filósofo (Ética, II, 4; V, 8). Ora, todo aquele que transgride um preceito da lei merece ser punido. Donde se seguiria que um homem que não tem o hábito da virtude mereceria ser punido, qualquer que fosse sua ação. Mas isto é contrário à intenção da lei, que visa conduzir o homem à virtude, habituando-o às boas obras. Logo, o modo da virtude não cai sob o preceito. **RESPONDO**. Como foi dito acima (Q. 90, a. 3, ad 2), o preceito da lei tem força coativa. Por isso, aquilo sobre o qual a coação da lei é exercida cai diretamente sob o preceito da lei. Ora, a lei coage pelo temor da pena, como se diz na Ética, X, 9, porque aquilo pelo qual a pena da lei é infligida cai propriamente sob o preceito da lei. Mas a lei divina e a lei humana estão diferentemente situadas quanto à cominação das penas; pois a pena da lei só é infligida pelas coisas que caem sob o juízo do legislador; porque a lei pune segundo o veredito dado. Ora, o homem, autor da lei humana, é competente para julgar somente os atos exteriores; porque «o homem vê o que aparece», segundo 1Rs 16,7; enquanto só Deus, autor da lei divina, é competente para julgar os movimentos interiores das vontades, segundo o Sl 7,10: «O que perscruta os corações e os rins é Deus». Por conseguinte, devemos dizer que o modo da virtude é de certo modo considerado tanto pela lei humana como pela lei divina; sob um aspecto é considerado pela divina, mas não pela humana; e de outro modo, não é considerado nem pela lei humana nem pela divina. Ora, o modo da virtude consiste em três coisas, como afirma o Filósofo na Ética, II. A primeira é que o homem aja «conscientemente»; e isto está sujeito ao juízo tanto da lei divina quanto da humana; porque o que o homem faz por ignorância, faz acidentalmente. Por isso, segundo ambas as leis, humana e divina, certas coisas são julgadas, em relação à ignorância, como puníveis ou perdoáveis. O segundo ponto é que o homem aja «deliberadamente», i.e., «por escolha, elegendo aquela ação particular por si mesma»; onde se implicam dois movimentos internos, de volição e de intenção, sobre os quais falamos acima (Qq. 8, 12); e a respeito destes dois, só a lei divina, e não a humana, é competente para julgar. Pois a lei humana não pune o homem que deseja matar e não mata; enquanto a lei divina o pune, segundo Mt 5,22: «Todo aquele que se irar contra seu irmão será réu de juízo». O terceiro ponto é que ele aja «por um princípio firme e imóvel»: firmeza que pertence propriamente ao hábito, e implica que a ação procede de um hábito enraizado. Neste aspecto, o modo da virtude não cai sob o preceito nem da lei divina nem da humana, pois nem pelo homem nem por Deus é punido como transgressor da lei aquele que dá a devida honra a seus pais e contudo não tem o hábito da piedade filial. **RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO**. O modo de praticar os atos de justiça que cai sob o preceito é que sejam feitos conforme o direito; mas não que sejam feitos pelo hábito da justiça. **RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO**. A intenção do legislador é dupla. Seu objetivo, em primeiro lugar, é levar os homens a algo pelos preceitos da lei: e isto é a virtude. Em segundo lugar, sua intenção incide sobre a própria matéria do preceito: e isto é algo que conduz ou dispõe à virtude, i.e., um ato de virtude. Pois o fim do preceito e a matéria do preceito não são a mesma coisa; assim como tampouco nas outras coisas o fim é o mesmo que aquilo que conduz ao fim. **RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO**. Que as obras de virtude sejam feitas sem tristeza cai sob o preceito da lei divina; pois quem obra com tristeza obra contra a vontade. Mas obrar com prazer, i.e., alegre ou jovialmente, sob um aspecto cai sob o preceito, i.e., na medida em que o prazer decorre do amor de Deus e do próximo (o qual amor cai sob o preceito), e o amor causa prazer; e sob outro aspecto não cai sob o preceito, na medida em que o prazer decorre de um hábito; pois «o prazer que se tem numa obra prova a existência de um hábito», como se diz na Ética, II, 3. Pois um ato pode dar prazer ou por causa de seu fim, ou por proceder de um hábito conveniente.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 9 - Whether the mode of virtue falls under the precept of the law? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que não pode haver causa conveniente para os sacramentos da Lei Velha. Porque aquelas coisas que se fazem para o culto divino não devem ser semelhantes às observâncias dos idólatras, pois está escrito (Dt 12,31): "Não farás assim ao Senhor teu Deus; porque eles fizeram a seus deuses todas as abominações que o Senhor aborrece." Ora, os adoradores dos ídolos costumavam golpear-se até derramar sangue, pois se relata (3 Rs 18,28) que "se cortavam segundo o seu costume com cutelos e lancetas, até que ficaram todos cobertos de sangue". Por esta razão o Senhor mandou (Dt 14,1): "Não vos cortareis, nem fareis calvície sobre os mortos." Logo, foi inconveniente que a Lei prescrevesse a circuncisão (Lv 12,3). **Objeção 2:** Ademais, aquilo que se faz para o culto de Deus deve ser marcado pelo decoro e pela gravidade, segundo Sl 34,18: "Louvar-te-ei em um povo grave [Douay: 'forte']." Mas parece cheirar a leviandade que um homem coma com pressa. Portanto, foi inconvenientemente mandado (Ex 12,11) que comessem o cordeiro pascal "com pressa". Outras coisas também relativas à comida do cordeiro foram prescritas, que parecem de todo irracionais. **Objeção 3:** Além disso, os sacramentos da Lei Velha eram figuras dos sacramentos da Lei Nova. Ora, o cordeiro pascal significava o sacramento da Eucaristia, segundo 1 Cor 5,7: "Cristo, nossa páscoa, foi imolado." Logo, deveria ter havido também alguns sacramentos da Lei Velha para prefigurar os outros sacramentos da Lei Nova, como a Confirmação, a Extrema-Unção, o Matrimônio, e assim por diante. **Objeção 4:** Ademais, a purificação dificilmente pode ser feita senão removendo algo impuro. Mas, quanto a Deus, nenhuma coisa corpórea é reputada impura, porque todos os corpos são criaturas de Deus; e "toda criatura de Deus é boa, e nada deve ser rejeitado, se é recebido com ações de graças" (1 Tm 4,4). Logo, foi inconveniente que eles fossem purificados após o contato com um cadáver, ou qualquer infecção corporal semelhante. **Objeção 5:** Ademais, está escrito (Eclo 34,4): "Que se pode tornar limpo pelo imundo?" Ora, as cinzas da vaca vermelha [*Cf. Hb 9,13] que foi queimada eram imundas, pois tornavam um homem imundo; porque está declarado (Nm 19,7 ss.) que o sacerdote que a imolava ficava imundo "até a tarde"; igualmente aquele que a queimava; e aquele que recolhia as suas cinzas. Logo, foi inconvenientemente prescrito ali que o imundo fosse purificado sendo aspergido com aquelas cinzas. **Objeção 6:** Ademais, os pecados não são algo corpóreo que possa ser levado de um lugar para outro; nem o homem pode ser limpo do pecado por meio de algo imundo. Foi, portanto, inconveniente que, para expiar os pecados do povo, o sacerdote confessasse os pecados dos filhos de Israel sobre um dos bodes, para que este os levasse para o deserto; enquanto se tornavam imundos pelo outro bode, que usavam para a purificação, queimando-o juntamente com o bezerro fora do acampamento; de modo que tinham de lavar as suas vestes e os seus corpos com água (Lv 16). **Objeção 7:** Ademais, o que já está limpo não deve ser limpo novamente. Foi, portanto, inconveniente aplicar uma segunda purificação a um homem purificado da lepra, ou a uma casa, como está estabelecido em Lv 14. **Objeção 8:** Ademais, a imundície espiritual não pode ser limpa por água material ou por raspar os cabelos. Parece, pois, irracional que o Senhor ordenasse (Ex 30,18 ss.) a feitura de uma bacia de bronze com o seu pé, para que os sacerdotes lavassem as mãos e os pés antes de entrar no templo; e que mandasse (Nm 8,7) aspergir os Levitas com a água da purificação e raspar todos os pelos da sua carne. **Objeção 9:** Ademais, o que é maior não pode ser limpo pelo que é menor. Logo, foi inconveniente que, na Lei, os sumos sacerdotes e os sacerdotes inferiores, como está dito em Lv 8 [*Cf. Ex 29], e os Levitas, segundo Nm 8, fossem consagrados com alguma unção corporal, sacrifícios corporais e oblações corporais. **Objeção 10:** Ademais, como está dito em 1 Sm 16,7, "O homem vê as coisas que aparecem, mas o Senhor vê o coração." Ora, o que aparece exteriormente no homem são as disposições do seu corpo e das suas vestes. Logo, foi inconveniente que vestes especiais fossem designadas para os sumos sacerdotes e sacerdotes inferiores, como se relata em Ex 28 [*Cf. Lv 8,7 ss.]. Parece, além disso, irracional que alguém fosse excluído do sacerdócio por defeitos do corpo, como está dito em Lv 21,17 ss.: "Qualquer homem da tua descendência nas suas gerações, que tiver defeito, não oferecerá pão ao seu Deus... se for cego, se for coxo", etc. Parece, portanto, que os sacramentos da Lei Velha foram irracionais. **Em contrário,** está escrito (Lv 20,8): "Eu sou o Senhor que vos santifico." Ora, nada de irracional é feito por Deus, pois está escrito (Sl 103,24): "Todas as coisas fizeste com sabedoria." Logo, não havia nada sem causa razoável nos sacramentos da Lei Velha, que foram ordenados para a santificação do homem. **Respondo que,** como foi dito acima (Q[101], A[4]), os sacramentos, propriamente falando, são coisas aplicadas aos adoradores de Deus para a sua consagração, de modo a destiná-los, de alguma maneira, ao culto de Deus. Ora, o culto de Deus pertencia de modo geral a todo o povo; mas de modo especial, pertencia aos sacerdotes e Levitas, que eram os ministros do culto divino. Consequentemente, nestes sacramentos da Lei Velha, certas coisas concerniam a todo o povo em geral; enquanto outras pertenciam aos ministros. Em relação a ambos, três coisas eram necessárias. A primeira era ser estabelecido no estado de adorar a Deus: e esta instituição era feita — para todos em geral, pela circuncisão, sem a qual ninguém era admitido a qualquer das observâncias legais — e para os sacerdotes, pela sua consagração. A segunda coisa necessária era o uso daquelas coisas que pertencem ao culto divino. E assim, quanto ao povo, havia a participação no banquete pascal, ao qual nenhum incircunciso era admitido, como é claro em Ex 12,43 ss.; e, quanto aos sacerdotes, a oferta das vítimas e a comida dos pães da proposição e de outras coisas que eram destinadas ao uso dos sacerdotes. A terceira coisa necessária era a remoção de todos os impedimentos ao culto divino, isto é, das imundícies. E então, quanto ao povo, foram instituídas certas purificações para a remoção de certas imundícies externas; e também expiações dos pecados; enquanto, quanto aos sacerdotes e Levitas, foram instituídas a lavagem das mãos e dos pés e a raspagem dos cabelos. E todas estas coisas tinham causas razoáveis, tanto literais, na medida em que eram ordenadas ao culto de Deus para aquele tempo, quanto figuradas, na medida em que eram ordenadas a prefigurar Cristo: como veremos tomando-as uma a uma. **Resposta à Objeção 1:** A principal razão literal da circuncisão era para que o homem professasse a sua crença em um só Deus. E porque Abraão foi o primeiro a separar-se dos infiéis, saindo da sua casa e da sua parentela, por esta razão foi ele o primeiro a receber a circuncisão. Esta razão é apresentada pelo Apóstolo (Rm 4,9 ss.) assim: "Ele recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé que tinha, estando ainda incircunciso"; porque, a saber, nos é dito que "a Abraão foi imputada a fé para justiça", pela razão de que "contra a esperança ele creu na esperança", i.e., contra a esperança que é da natureza, ele creu na esperança que é da graça, "para que se tornasse pai de muitas nações", quando era velho, e sua esposa velha e estéril. E para que esta declaração e imitação da fé de Abraão fossem fixadas firmemente nos corações dos judeus, eles receberam na sua carne um sinal tal que não pudessem esquecer, pelo que está escrito (Gn 17,13): "A minha aliança estará na vossa carne como aliança perpétua." Isto foi feito no oitavo dia, porque até então a criança é muito tenra, e poderia ser gravemente ferida; e é considerada como algo ainda não consolidado: por isso nem os animais são oferecidos antes do oitavo dia. E não foi adiado depois daquele tempo, para que alguns não recusassem o sinal da circuncisão por causa da dor; e também para que os pais, cujo amor pelos filhos aumenta à medida que se acostumam com a sua presença e eles crescem, não retirassem os seus filhos da circuncisão. Uma segunda razão pode ter sido o enfraquecimento da concupiscência naquele membro. Um terceiro motivo pode ter sido vilipendiar o culto de Vénus e Priapo, que davam honra àquela parte do corpo. A proibição do Senhor se estendia apenas a cortar-se em honra dos ídolos: e tal não era a circuncisão de que temos falado. A razão figurada da circuncisão era que ela prefigurava a remoção da corrupção, que havia de ser realizada por Cristo, e será perfeitamente cumprida na oitava era, que é a era dos que ressuscitam dos mortos. E visto que toda corrupção de culpa e pena nos vem através da nossa origem carnal, do pecado do nosso primeiro pai, portanto a circuncisão era aplicada ao membro gerador. Por isso o Apóstolo diz (Cl 2,11): "Vós estais circuncidados" em Cristo "com a circuncisão não feita por mão no despojamento do corpo da carne, mas na circuncisão de" Nosso Senhor Jesus "Cristo." **Resposta à Objeção 2:** A razão literal do banquete pascal era comemorar a bênção de ser conduzido por Deus para fora do Egito. Por isso, celebrando este banquete, declaravam que pertenciam àquele povo que Deus havia tomado para Si do Egito. Pois quando foram libertados do Egito, foi-lhes ordenado que aspergissem o sangue do cordeiro nas vergas das portas das suas casas, como que declarando que eram avessos aos ritos dos egípcios, que adoravam o carneiro. Por isso foram libertados pela aspersão ou unção do sangue do cordeiro nos umbrais das portas, do perigo de extermínio que ameaçava os egípcios. Ora, duas coisas devem ser observadas na sua saída do Egito: a saber, a pressa em partir, pois os egípcios os apertavam a sair rapidamente, como se relata em Ex 12,33; e havia perigo de que alguém que não se apressasse a ir com a multidão fosse morto pelos egípcios. A sua pressa foi mostrada de duas maneiras. Primeiro, pelo que comiam. Pois foi-lhes ordenado que comessem pães ázimos, como sinal "de que não podia ser levedado, apertando os egípcios a que partissem"; e que comessem carne assada, pois isto levava menos tempo a preparar; e que não quebrassem nenhum osso dela, porque na sua pressa não havia tempo para quebrar ossos. Em segundo lugar, quanto ao modo de comer. Pois está escrito: "Cingireis os vossos rins, e tereis os sapatos nos vossos pés, segurando bordões nas vossas mãos, e comereis com pressa": o que claramente designa homens prestes a iniciar uma viagem. A isto também se refere a ordem: "Numa só casa se comerá, nem levareis da sua carne para fora de casa": porque, a saber, por causa da sua pressa, não podiam enviar presentes dela. A aflição que sofreram no Egito era significada pelas alfaces amargas. A razão figurada é evidente, porque o sacrifício do cordeiro pascal significava o sacrifício de Cristo, segundo 1 Cor 5,7: "Cristo, nossa páscoa, foi imolado." O sangue do cordeiro, que assegurava a libertação do exterminador, sendo aspergido nas vergas, significava a fé na Paixão de Cristo, nos corações e nos lábios dos fiéis, pela qual mesma Paixão somos libertados do pecado e da morte, segundo 1 Pd 1,18: "Fostes resgatados... com o precioso sangue... de um cordeiro imaculado." A participação na sua carne significava a comida do corpo de Cristo no Sacramento; e a carne era assada ao fogo para significar a Paixão ou a caridade de Cristo. E era comida com pães ázimos para significar a vida irrepreensível dos fiéis que participam do corpo de Cristo, segundo 1 Cor 5,8: "Celebremos a festa... com os ázimos da sinceridade e da verdade." As alfaces amargas eram acrescentadas para denotar a penitência pelos pecados, que é exigida daqueles que recebem o corpo de Cristo. Os seus rins eram cingidos em sinal de castidade: e os sapatos nos seus pés são os exemplos dos nossos antepassados falecidos. Os bordões que deviam segurar nas mãos denotavam a autoridade pastoral: e foi ordenado que o cordeiro pascal fosse comido numa só casa, i.e., numa igreja católica, e não nos conventículos dos hereges. **Resposta à Objeção 3:** Alguns dos sacramentos da Lei Nova tinham sacramentos figurados correspondentes na Lei Velha. Pois o Batismo, que é o sacramento da Fé, corresponde à circuncisão. Por isso está escrito (Cl 2,11.12): "Estais circuncidados... na circuncisão de" Nosso Senhor Jesus "Cristo: sepultados com Ele no Batismo." Na Lei Nova, o sacramento da Eucaristia corresponde ao banquete do cordeiro pascal. O sacramento da Penitência na Lei Nova corresponde a todas as purificações da Lei Velha. O sacramento da Ordem corresponde à consagração do pontífice e dos sacerdotes. Ao sacramento da Confirmação, que é o sacramento da plenitude da graça, não haveria sacramento correspondente na Lei Velha, porque o tempo da plenitude ainda não havia chegado, visto que "a Lei não trouxe nada (Vulg.: 'ninguém') à perfeição" (Hb 7,19). O mesmo se aplica ao sacramento da Extrema-Unção, que é uma preparação imediata para a entrada na glória, à qual o caminho ainda não estava aberto na Lei Velha, pois o preço ainda não havia sido pago. O Matrimônio existia de fato na Lei Velha, como função da natureza, mas não como sacramento da união de Cristo com a Igreja, porque essa união ainda não havia sido realizada. Por isso, na Lei Velha era permitido dar libelo de divórcio, o que é contrário à natureza do sacramento. **Resposta à Objeção 4:** Como já foi dito, as purificações da Lei Velha foram ordenadas para a remoção dos impedimentos ao culto divino: o qual culto é duplo; a saber, espiritual, que consiste na devoção da mente a Deus; e corporal, que consiste em sacrifícios, oblações, e assim por diante. Ora, os homens são impedidos no culto espiritual pelos pecados, pelos quais se dizia que os homens estavam poluídos, por exemplo, pela idolatria, homicídio, adultério ou incesto. Dessas poluições os homens eram purificados por certos sacrifícios, oferecidos quer por toda a comunidade em geral, quer também pelos pecados dos indivíduos; não que aqueles sacrifícios carnais tivessem por si mesmos o poder de expiar o pecado; mas porque significavam aquela expiação dos pecados que havia de ser efetuada por Cristo, e da qual aqueles antigos se tornavam participantes professando a sua fé no Redentor, enquanto tomavam parte nos sacrifícios figurados. Os impedimentos ao culto externo consistiam em certas imundícies corporais; as quais eram consideradas primeiramente como existentes no homem, e consequentemente também em outros animais, e nas vestes, na habitação e nos vasos do homem. No próprio homem, a imundície era considerada como surgindo ora de si mesmo, ora do contato com coisas imundas. Qualquer coisa que procedesse do homem era reputada imunda se já estivesse sujeita à corrupção, ou exposta a ela: e consequentemente, visto que a morte é uma espécie de corrupção, o cadáver humano era considerado imundo. Do mesmo modo, visto que a lepra surge da corrupção dos humores, que irrompem externamente e infectam outras pessoas, por isso os leprosos também eram considerados imundos; e, ainda, as mulheres que sofriam de fluxo de sangue, quer por fraqueza, quer por natureza (seja no curso mensal, seja no tempo da conceção); e, pela mesma razão, os homens eram reputados imundos se sofressem de fluxo de semente, devido a fraqueza, polução noturna ou relação sexual. Porque todo humor que sai do homem nas maneiras acima mencionadas envolve alguma infecção imunda. Além disso, o homem contraía imundície tocando qualquer coisa imunda. Ora, havia tanto uma razão literal quanto uma figurada para estas imundícies. A razão literal era tirada da reverência devida àquelas coisas que pertencem ao culto divino: tanto porque os homens não costumam, quando imundos, tocar coisas preciosas; quanto para que, aproximando-se raramente das coisas sagradas, tivessem maior respeito por elas. Pois como o homem dificilmente podia evitar todas as imundícies acima mencionadas, resultava que os homens raramente podiam aproximar-se para tocar as coisas pertencentes ao culto de Deus, de modo que, quando se aproximavam, o faziam com maior reverência e humildade. Além disso, em algumas destas, a razão literal era que os homens não se afastassem de adorar a Deus por medo de entrar em contato com leprosos e outros igualmente afligidos por doenças repugnantes e contagiosas. Em outras, ainda, a razão era evitar o culto idólatra: porque nos seus ritos sacrificiais os Gentios às vezes empregavam sangue humano e semente. Todas estas imundícies corporais eram purificadas ou pela simples aspersão de água, ou, no caso daquelas que eram mais graves, por algum sacrifício de expiação pelo pecado que era a ocasião da imundície em questão. A razão figurada destas imundícies era que eram figuras de vários pecados. Pois a imundície de qualquer cadáver significa a imundície do pecado, que é a morte da alma. A imundície da lepra significava a imundície da doutrina herética: tanto porque a doutrina herética é contagiosa, como a lepra, quanto porque nenhuma doutrina é tão falsa que não tenha alguma verdade misturada com o erro, assim como na superfície de um corpo leproso se podem distinguir as partes sãs das infectadas. A imundície de uma mulher que sofre de fluxo de sangue denota a imundície da idolatria, por causa do sangue que é oferecido. A imundície do homem que sofreu perda seminal significa a imundície das palavras vãs, pois "a semente é a palavra de Deus". A imundície da relação sexual e da mulher no parto significa a imundície do pecado original. A imundície da mulher nos seus períodos significa a imundície de uma mente sensualizada pelo prazer. Falando de modo geral, a imundície contraída por tocar uma coisa imunda denota a imundície que surge do consentimento no pecado de outrem, segundo 2 Cor 6,17: "Saí do meio deles, e separai-vos... e não toqueis no que é imundo." Além disso, esta imundície proveniente do toque era contraída até por objetos inanimados; pois tudo o que era tocado de qualquer modo por um homem imundo tornava-se ele próprio imundo. Nisto a Lei atenuava a superstição dos Gentios, que sustentavam que a imundície era contraída não só pelo toque, mas também pela palavra ou pelo olhar, como o rabino Moisés afirma (Doct. Perplex. iii) a respeito de uma mulher nos seus períodos. O sentido místico disto era que "a Deus são igualmente odiosos o ímpio e a sua impiedade" (Sb 14,9). Havia também uma imundície de coisas inanimadas consideradas em si mesmas, como a imundície da lepra numa casa ou em vestes. Pois assim como a lepra ocorre nos homens através de um humor corrupto que causa putrefação e corrupção na carne; assim também, através de alguma corrupção e excesso de humidade ou secura, surge às vezes uma espécie de corrupção nas pedras com que uma casa é construída, ou nas vestes. Por isso a Lei chamava a esta corrupção pelo nome de lepra, pela qual uma casa ou uma veste era considerada imunda: tanto porque toda corrupção sabia a imundície, como foi dito acima, quanto porque os Gentios adoravam os seus deuses domésticos como preservativo contra esta corrupção. Por isso a Lei prescrevia que tais casas, onde esta espécie de corrupção era de natureza duradoura, fossem destruídas; e tais vestes, queimadas, para evitar toda ocasião de idolatria. Havia também uma imundície de vasos, sobre a qual está escrito (Nm 19,15): "O vaso que não tiver coberta, e atadura sobre ela, será imundo." A causa desta imundície era que qualquer coisa imunda podia cair facilmente em tais vasos, de modo a torná-los imundos. Além disso, esta ordem visava a prevenção da idolatria. Pois os idólatras acreditavam que se ratos, lagartos, ou coisas semelhantes, que costumavam sacrificar aos ídolos, caíssem nos vasos ou na água, estes se tornavam mais agradáveis aos deuses. Ainda agora algumas mulheres baixam vasos descobertos em honra das divindades noturnas que chamam "Janae". A razão figurada destas imundícies é que a lepra de uma casa significava a imundície da assembleia dos hereges; a lepra de uma veste de linho significava uma vida má proveniente da amargura da mente; a lepra de uma veste de lã denotava a maldade dos lisonjeadores; a lepra na urdidura significava os vícios da alma; a lepra na trama denotava os pecados da carne, pois assim como a urdidura está na trama, assim a alma está no corpo. O vaso que não tem coberta nem atadura significa um homem que carece do véu da taciturnidade e que não é refreado por nenhuma severidade de disciplina. **Resposta à Objeção 5:** Como foi dito acima (ad 4), havia na Lei uma dupla imundície; uma por via de corrupção na mente ou no corpo; e esta era a imundície mais grave; a outra era por mero contato com uma coisa imunda, e esta era menos grave e mais facilmente expiada. Porque a primeira imundície era expiada por sacrifícios pelos pecados, visto que toda corrupção é devida ao pecado e significa o pecado; enquanto a segunda imundície era expiada pela simples aspersão de uma certa água, da qual água lemos em Nm 19. Pois ali Deus ordenou que tomassem uma vaca vermelha em memória do pecado que cometeram ao adorar um bezerro. E menciona-se uma vaca antes que um bezerro, porque era assim que o Senhor costumava designar a sinagoga, segundo Os 4,16: "Israel desgarrou-se como uma novilha indômita": e isto foi, talvez, porque adoravam novilhas segundo o costume do Egito, segundo Os 10,5: "Adoraram as bezerras de Bet-Aven." E em detestação do pecado da idolatria, era imolada fora do acampamento; de fato, sempre que um sacrifício era oferecido em expiação da multidão de pecados, era todo queimado fora do acampamento. Além disso, para mostrar que este sacrifício purificava o povo de todos os seus pecados, "o sacerdote molhava o dedo no sangue dela" e aspergia "sete vezes defronte da porta do tabernáculo"; porque o número sete significava universalidade. Além disso, a própria aspersão de sangue pertencia à detestação da idolatria, na qual o sangue oferecido não era derramado, mas recolhido, e os homens se reuniam ao redor dele para comer em honra dos ídolos. Do mesmo modo, era queimada pelo fogo, quer porque Deus aparecera a Moisés num fogo, e a Lei foi dada do meio do fogo; quer para denotar que a idolatria, juntamente com tudo o que lhe era conexo, devia ser totalmente extirpada; assim como a vaca era queimada "com a sua pele e a sua carne, o seu sangue e o seu esterco sendo entregues às chamas". A esta queima eram acrescentados "madeira de cedro, hissopo e escarlata duas vezes tingida", para significar que, assim como a madeira de cedro não está sujeita à putrefação, e a escarlata duas vezes tingida não perde facilmente a sua cor, e o hissopo retém o seu odor depois de seco; também este sacrifício era para a preservação de todo o povo, e para o seu bom comportamento e devoção. Por isso se diz das cinzas da vaca: "Que sejam reservadas para a multidão dos filhos de Israel." Ou, segundo Josefo (Antiq. iii, 8,9,10), os quatro elementos são indicados aqui: pois "madeira de cedro" era acrescentada ao fogo, para significar a terra, por causa da sua terrosidade; "hissopo", para significar o ar, por causa do seu cheiro; "escarlata duas vezes tingida", para significar a água, pela mesma razão que a púrpura, por causa das tinturas que são tiradas da água: denotando assim o facto de que este sacrifício era oferecido ao Criador dos quatro elementos. E visto que este sacrifício era oferecido pelo pecado da idolatria, tanto "aquele que a queimava", como "aquele que recolhia as cinzas", como "aquele que aspergia a água" na qual as cinzas eram colocadas, eram considerados imundos em detestação daquele pecado, para mostrar que tudo o que estivesse de qualquer modo ligado à idolatria devia ser rejeitado como imundo. Desta imundície eram purificados pela simples lavagem das suas vestes; nem precisavam de ser aspergidos com a água por causa deste tipo de imundície, porque de outro modo o processo seria interminável, visto que aquele que aspergia a água se tornava imundo, de modo que, se ele se aspergisse a si mesmo, permaneceria imundo; e se outro o aspergisse, esse outro se teria tornado imundo, e assim por diante, indefinidamente. A razão figurada deste sacrifício era que a vaca vermelha significava Cristo na sua fraqueza assumida, denotada pelo sexo feminino; enquanto a cor da vaca designava o sangue da sua Paixão. E a "vaca vermelha era de idade perfeita", porque todas as obras de Cristo são perfeitas, "na qual não havia defeito"; "e que não tinha levado jugo", porque Cristo era inocente, nem levou o jugo do pecado. Foi ordenado que fosse levada a Moisés, porque O acusavam de transgredir a lei de Moisés ao quebrar o sábado. E foi ordenado que fosse entregue "a Eleazar, o sacerdote", porque Cristo foi entregue nas mãos dos sacerdotes para ser morto. Foi imolada "fora do acampamento", porque Cristo "padeceu fora da porta" (Hb 13,12). E o sacerdote molhava "o dedo no sangue dela", porque o mistério da Paixão de Cristo deve ser considerado e imitado. Era aspergido "defronte do tabernáculo", que denota a sinagoga, para significar quer a condenação dos judeus incrédulos, quer a purificação dos crentes; e isto "sete vezes", em sinal quer dos sete dons do Espírito Santo, quer dos sete dias nos quais todo o tempo está compreendido. Além disso, todas as coisas que pertencem à Encarnação de Cristo devem ser queimadas com fogo, i.e., devem ser entendidas espiritualmente; pois a "pele" e a "carne" significavam as obras externas de Cristo; o "sangue" denotava a força interna sutil que vivificava os seus atos externos; o "esterco" significava a sua fadiga, a sua sede, e todas as coisas semelhantes pertencentes à sua fraqueza. Três coisas eram acrescentadas, a saber, "madeira de cedro", que denota a altura da esperança ou da contemplação; "hissopo", em sinal de humildade ou fé; "escarlata duas vezes tingida", que denota a caridade dupla; pois é por estas três que nos devemos apegar a Cristo sofredor. As cinzas desta queima eram recolhidas por "um homem limpo", porque as relíquias da Paixão vieram a posse dos Gentios, que não eram culpados da morte de Cristo. As cinzas eram postas em água para efeito de expiação, porque o Batismo recebe da Paixão de Cristo o poder de lavar os pecados. O sacerdote que imolava e queimava a vaca, e aquele que a queimava, e aquele que recolhia as cinzas, eram imundos, assim como aquele que aspergia a água: quer porque os judeus se tornaram imundos ao dar a morte a Cristo, pela qual os nossos pecados são expiados; e isto até a tarde, i.e., até o fim do mundo, quando os restos de Israel serão convertidos; quer porque aqueles que trat

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 5 - Whether there can be any suitable cause for the sacraments of the Old Law? · séc. XIII

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