Referência

1Rs 2, 6

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Matos Soares

6Farás, pois, conforme a tua sabedoria, e não permitirás que as suas cãs desçam em paz à sepultura (visto ser um homicida).

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Pareceria que os anjos têm corpos a eles naturalmente unidos. Pois Orígenes diz (Peri Archon i): "É atributo só de Deus — isto é, pertence ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como propriedade de natureza — que Ele é compreendido existir sem nenhuma substância material e sem nenhuma companhia de adição corporal." Bernardo igualmente diz (Hom. vi super Cant.): "Atribuamos a incorporeidade só a Deus, assim como a imortalidade, cuja natureza só, nem por si mesma nem por causa de outra coisa, precisa do auxílio de nenhum órgão corporal. Mas é claro que todo espírito criado precisa de substância corporal." Agostinho também diz (Gen. ad lit. iii): "Os demônios são chamados animais da atmosfera porque sua natureza é afim dos corpos aéreos." Ora, a natureza dos demônios e dos anjos é a mesma. Logo os anjos têm corpos a eles naturalmente unidos. Objeção 2: Além disso, Gregório (Hom. x in Ev.) chama o anjo de animal racional. Ora, todo animal é composto de corpo e alma. Logo os anjos têm corpos a eles naturalmente unidos. Objeção 3: Além disso, a vida é mais perfeita nos anjos do que nas almas. Ora, a alma não só vive, mas dá vida ao corpo. Logo os anjos animam corpos que lhes são naturalmente unidos. Em contrário, Dionísio diz (Div. Nom. iv) que "os anjos são compreendidos como incorpóreos." Respondo que: Os anjos não têm corpos a eles naturalmente unidos. Pois tudo o que pertence a alguma natureza como acidente não se encontra universalmente nessa natureza; assim, por exemplo, ter asas, porque não é da essência do animal, não pertence a todo animal. Ora, como entender não é ato de um corpo, nem de nenhuma energia corporal, como se mostrará depois (Q[75], A[2]), segue-se que ter um corpo unido a si não é da natureza de uma substância intelectual, enquanto tal; mas é acidental a alguma substância intelectual por causa de outra coisa. Assim também pertence à alma humana estar unida a um corpo, porque é imperfeita e existe potencialmente no gênero das substâncias intelectuais, não tendo a plenitude do conhecimento em sua própria natureza, mas adquirindo-o das coisas sensíveis por meio dos sentidos corporais, como se explicará adiante (Q[84], A[6]; Q[89], A[1]). Ora, sempre que encontramos algo imperfeito em algum gênero, devemos pressupor algo perfeito nesse gênero. Portanto, na natureza intelectual há algumas substâncias perfeitamente intelectuais, que não precisam adquirir conhecimento das coisas sensíveis. Consequentemente, nem todas as substâncias intelectuais estão unidas a corpos; mas algumas estão completamente separadas dos corpos, e a estas chamamos anjos. Resposta à objeção 1: Como foi dito acima (Q[50], A[1]), foi opinião de alguns que todo ser é um corpo; e consequentemente alguns parecem ter pensado que não existiam substâncias incorpóreas senão unidas a corpos; de modo que alguns chegaram a sustentar que Deus era a alma do mundo, como nos conta Agostinho (De Civ. Dei vii). Como isto é contrário à Fé Católica, que afirma que Deus está exaltado sobre todas as coisas, segundo o Sl 8,2: "Tua magnificência está exaltada sobre os céus"; Orígenes, recusando-se a dizer tal coisa de Deus, seguiu a opinião acima de outros a respeito das outras substâncias; sendo enganado aqui como também o foi em muitos outros pontos, por seguir as opiniões dos antigos filósofos. A expressão de Bernardo pode ser explicada: o espírito criado precisa de algum instrumento corporal, que não lhe está naturalmente unido, mas assumido para algum propósito, como se explicará (A[2]). Agostinho fala não como afirmando o fato, mas apenas usando a opinião dos platônicos, que sustentavam existirem alguns animais aéreos, aos quais chamavam demônios. Resposta à objeção 2: Gregório chama o anjo de animal racional metaforicamente, por causa da semelhança com a natureza racional. Resposta à objeção 3: Dar a vida efetivamente é uma perfeição simplesmente falando; logo, pertence a Deus, como se diz (1 Reis 2,6): "O Senhor tira a vida e a dá." Mas dar a vida formalmente pertence a uma substância que é parte de alguma natureza, e que não tem em si mesma a plenitude da natureza da espécie. Logo, uma substância intelectual que não está unida a um corpo é mais perfeita do que aquela que está unida a um corpo.

Summa Theologiae — First Part · Article. 1 - Whether the angels have bodies naturally united to them? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que a lei natural pode ser mudada. Porque sobre Eclesiástico 17,9: “Deu-lhes instruções e a lei da vida”, a glosa diz: “Quis que a lei da letra fosse escrita, a fim de corrigir a lei da natureza.” Ora, o que é corrigido é mudado. Logo, a lei natural pode ser mudada. **Objeção 2:** Ademais, a morte do inocente, o adultério e o furto são contra a lei natural. Ora, vemos estas coisas serem mudadas por Deus: como quando Deus mandou a Abraão matar seu filho inocente (Gn 22,2); e quando ordenou aos judeus que tomassem emprestados e surrupiassem os vasos dos egípcios (Ex 12,35); e quando mandou a Oseias que tomasse para si “uma mulher de fornicações” (Os 1,2). Logo, a lei natural pode ser mudada. **Objeção 3:** Demais, Isidoro diz (Etimologias 5,4) que “a posse comum de todas as coisas e a liberdade universal são de direito natural”. Ora, vê-se estas coisas serem mudadas pelas leis humanas. Logo, parece que a lei natural está sujeita a mudança. **Ao contrário,** diz-se nos Decretais (Dist. V): “A lei natural data da criação da criatura racional. Não varia segundo o tempo, mas permanece imutável.” **Respondo que:** A mudança na lei natural pode ser entendida de dois modos. Primeiro, por via de acréscimo. Nesse sentido, nada impede que a lei natural seja mudada: pois muitas coisas foram acrescentadas acima da lei natural, tanto pela lei divina como pelas leis humanas, em benefício da vida humana. Segundo, a mudança na lei natural pode ser entendida por via de subtração, de modo que aquilo que antes estava de acordo com a lei natural cesse de sê-lo. Nesse sentido, a lei natural é totalmente imutável em seus primeiros princípios; mas, nos seus princípios secundários, que, como dissemos (A.4), são certas conclusões próximas e detalhadas deduzidas dos primeiros princípios, a lei natural não é mudada de modo que aquilo que prescreve não seja reto na maioria dos casos. Pode, todavia, ser mudada em alguns casos particulares de rara ocorrência, por causas especiais que impedem a observância de tais preceitos, como foi dito acima (A.4). **Resposta à objeção 1:** Diz-se que a lei escrita foi dada para correção da lei natural, ou porque supre o que faltava à lei natural, ou porque a lei natural estava, a respeito de certas matérias, pervertida nos corações de alguns homens, de modo que estimavam boas aquelas coisas que são naturalmente más; e essa perversão precisava de correção. **Resposta à objeção 2:** Todos os homens, tanto culpados como inocentes, morrem a morte da natureza; a qual morte da natureza é infligida pelo poder de Deus por causa do pecado original, segundo 1 Reis 2,6: “O Senhor mata e vivifica.” Consequentemente, por mandamento de Deus, pode-se infligir a morte a qualquer homem, culpado ou inocente, sem qualquer injustiça. Do mesmo modo, adultério é o coito com a mulher de outrem; a qual lhe é destinada pela lei que emana de Deus. Logo, o coito com qualquer mulher, por mandamento de Deus, não é adultério nem fornicação. O mesmo se diga do furto, que é a tomada da propriedade alheia. Pois tudo o que é tomado por mandamento de Deus, a Quem todas as coisas pertencem, não é tomado contra a vontade do seu dono, e é nisto que o furto consiste. E não só nas coisas humanas é reto aquilo que Deus manda, mas também nas coisas naturais, tudo o que é feito por Deus é, de algum modo, natural, como se diz na Primeira Parte, Q.105, A.6, ad 1. **Resposta à objeção 3:** Diz-se que algo pertence à lei natural de dois modos. Primeiro, porque a natureza inclina para isso: por exemplo, que não se faça mal a outrem. Segundo, porque a natureza não introduziu o contrário: assim podemos dizer que o homem estar nu é de lei natural, porque a natureza não lhe deu vestes, mas a arte as inventou. Nesse sentido, diz-se que “a posse comum de todas as coisas e a liberdade universal” são de lei natural, porque, a saber, a distinção das posses e a escravidão não foram introduzidas pela natureza, mas criadas pela razão humana em benefício da vida humana. Por conseguinte, a lei da natureza não foi mudada neste particular, a não ser por acréscimo.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 5 - Whether the natural law can be changed? · séc. XIII

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