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2Cor 11, 14

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Matos Soares

14E não é de admirar, visto que o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a incredulidade não está no intelecto como seu sujeito. Pois todo pecado está na vontade, segundo Agostinho (De Duabus Anim. x, xi). Ora, a incredulidade é um pecado, como se disse acima (A[1]). Portanto, a incredulidade reside na vontade e não no intelecto. Objeção 2: Além disso, a incredulidade é pecaminosa por desprezo da pregação da fé. Mas o desprezo pertence à vontade. Logo, a incredulidade está na vontade. Objeção 3: Além disso, uma glosa [*Agostinho, Enquirídio lx.] sobre 2 Cor 11,14: "Satanás se transfigura em anjo de luz", diz que se "um anjo mau fingir ser um anjo bom, e for tido por anjo bom, não é um erro perigoso ou nocivo, se ele faz ou diz o que convém a um anjo bom". Isto parece ser devido à retidão da vontade do homem que adere ao anjo, pois sua intenção é aderir a um anjo bom. Portanto, o pecado da incredulidade parece consistir inteiramente numa vontade perversa; e, consequentemente, não reside no intelecto. Em sentido contrário, as coisas que são contrárias entre si estão no mesmo sujeito. Ora, a fé, à qual a incredulidade se opõe, reside no intelecto. Logo, também a incredulidade está no intelecto. Respondo que, como foi dito acima (I-II, Q[74], AA[1],2), o pecado se diz estar na potência que é princípio do ato pecaminoso. Ora, um ato pecaminoso pode ter dois princípios: um é o seu primeiro e universal princípio, que comanda todos os atos de pecado; e este é a vontade, porque todo pecado é voluntário. O outro princípio do ato pecaminoso é o princípio próprio e próximo que elicia o ato pecaminoso: assim, o concupiscível é o princípio da gula e da luxúria, por isso estes pecados se dizem estar no concupiscível. Ora, o dissentimento, que é o ato próprio da incredulidade, é um ato do intelecto, movido, contudo, pela vontade, assim como o assentimento. Portanto, a incredulidade, como a fé, está no intelecto como seu sujeito próximo. Mas está na vontade como seu primeiro princípio motor, modo pelo qual todo pecado se diz estar na vontade. Donde é clara a resposta à primeira objeção. Resposta à objeção 2: O desprezo da vontade causa o dissentimento do intelecto, que completa a noção de incredulidade. Portanto, a causa da incredulidade está na vontade, enquanto a incredulidade mesma está no intelecto. Resposta à objeção 3: Quem crê que um anjo mau é bom, não dissent de uma matéria de fé, porque "seus sentidos corporais são enganados, enquanto sua mente não se aparta de um juízo verdadeiro e reto", como observa a glosa [*Agostinho, Enquirídio lx]. Mas, segundo a mesma autoridade, aderir a Satanás quando ele começa a convidar para sua morada, isto é, a maldade e o erro, não é sem pecado.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether unbelief is in the intellect as its subject? · séc. XIII

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2Cor 11, 14 nos Padres da Igreja | Aurea