Referência

2Cor 11, 2

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Matos Soares

2Tenho por vós um zelo de Deus. Porquanto desposei-vos para vos apresentar, como virgem pura, a um único esposo, a Cristo.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o temor é inconvenientemente dividido em filial, inicial, servil e mundano. Pois Damasceno diz (Da Fé Ortodoxa ii, 15) que há seis espécies de temor, a saber: “preguiça, vergonha”, etc., das quais tratamos acima (FS, Q[41], A[4]), e que não são mencionadas na divisão em questão. Portanto, esta divisão do temor parece inconveniente. Objeção 2: Além disso, cada um destes temores é ou bom ou mau. Mas há um temor, a saber, o temor natural, que não é moralmente bom, pois está nos demônios, segundo Tiago 2,19: “Os demônios … creem e estremecem”, nem mau, pois está em Cristo, segundo Marcos 14,33: Jesus “começou a temer e a angustiar-se”. Portanto, a referida divisão do temor é insuficiente. Objeção 3: Além disso, a relação do filho para com o pai difere da da esposa para com o marido, e esta, por sua vez, da do servo para com o senhor. Ora, o temor filial, que é o do filho em comparação com seu pai, é distinto do temor servil, que é o do servo em comparação com seu senhor. Portanto, o temor casto, que parece ser o da esposa em comparação com seu marido, deve ser distinguido de todos estes outros temores. Objeção 4: Além disso, assim como o temor servil teme a pena, também o fazem o temor inicial e o mundano. Portanto, não se deve fazer distinção entre eles. Objeção 5: Além disso, assim como a concupiscência versa sobre um bem, assim o temor versa sobre um mal. Ora, a “concupiscência dos olhos”, que é o desejo das coisas deste mundo, é distinta da “concupiscência da carne”, que é o desejo do próprio prazer. Portanto, o “temor mundano”, pelo qual se teme perder os bens exteriores, é distinto do “temor humano”, pelo qual se teme o dano à própria pessoa. Ao contrário, está a autoridade do Mestre (Sent. iii, D, 34). Respondo que agora estamos falando do temor enquanto nos faz voltar, por assim dizer, para Deus ou afastar-nos d’Ele. Pois, sendo o objeto do temor um mal, às vezes, por causa dos males que teme, o homem se afasta de Deus, e isto se chama temor humano; enquanto às vezes, por causa dos males que teme, ele se volta para Deus e a Ele se apega. Este último mal é duplo, a saber: mal de pena e mal de culpa. Por conseguinte, se um homem se volta para Deus e a Ele se apega por temor da pena, será temor servil; mas se for por temor de cometer uma culpa, será temor filial, pois convém ao filho temer ofender seu pai. Se, porém, for por ambos, será temor inicial, que está entre estes dois temores. Quanto à possibilidade de temer o mal de culpa, a questão foi tratada acima (FS, Q[42], A[3]) quando considerávamos a paixão do temor. Resposta à Objeção 1: Damasceno divide o temor como paixão da alma; ao passo que esta divisão do temor é tomada a partir de sua relação com Deus, como se explicou acima. Resposta à Objeção 2: O bem moral consiste principalmente em voltar-se para Deus, enquanto o mal moral consiste principalmente em afastar-se d’Ele; por isso, todos os temores mencionados acima implicam mal moral ou bem moral. Ora, o temor natural é pressuposto ao bem e ao mal morais, e, portanto, não é enumerado entre estas espécies de temor. Resposta à Objeção 3: A relação do servo para com o senhor baseia-se no poder que o senhor exerce sobre o servo; enquanto, ao contrário, a relação do filho para com o pai ou da esposa para com o marido baseia-se na afeição do filho para com o pai, a quem se submete, ou na afeição da esposa para com o marido, a quem se une na união de amor. Portanto, o temor filial e o casto vêm a dar no mesmo, porque, pelo amor de caridade, Deus se torna nosso Pai, segundo Romanos 8,15: “Recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Abba, Pai”; e por esta mesma caridade Ele é chamado nosso Esposo, segundo 2 Coríntios 11,2: “Desposei-vos a um só marido, para vos apresentar como virgem casta a Cristo”; ao passo que o temor servil não tem conexão com estes, pois não inclui a caridade em sua definição. Resposta à Objeção 4: Estes três temores consideram a pena, mas de maneiras diferentes. Pois o temor mundano ou humano considera uma pena que afasta o homem de Deus, e que os inimigos de Deus às vezes infligem ou ameaçam; enquanto o temor servil e o inicial consideram uma pena pela qual os homens são atraídos a Deus, e que é infligida ou ameaçada por Deus. O temor servil considera esta pena principalmente, enquanto o temor inicial a considera secundariamente. Resposta à Objeção 5: Vem a dar no mesmo que o homem se afaste de Deus por temor de perder seus bens mundanos ou por temor de perder o bem-estar do corpo, pois os bens exteriores pertencem ao corpo. Por isso, ambos estes temores são considerados como um aqui, embora temam males diferentes, assim como correspondem ao desejo de bens diferentes. Esta diversidade causa uma diversidade específica de pecados, mas todos, contudo, afastam igualmente o homem de Deus.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether fear is fittingly divided into filial, initial, servile and worldly fear? · séc. XIII

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