Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que os pecados não são a matéria própria deste sacramento. Porque, nos outros sacramentos, a matéria é santificada pela prolação de certas palavras e, assim santificada, produz o efeito sacramental. Ora, os pecados não podem ser santificados, pois são opostos ao efeito do sacramento, a saber, a graça que apaga o pecado. Logo, os pecados não são a matéria própria deste sacramento. **Objeção 2:** Além disso, Agostinho diz no livro *Da Penitência* [Serm. cccli]: "Ninguém pode começar uma vida nova, se não se arrepender da velha." Ora, não só os pecados, mas também as penas da vida presente pertencem à vida velha. Portanto, os pecados não são a matéria própria da Penitência. **Objeção 3:** Além disso, o pecado é ou original, ou mortal, ou venial. Ora, o sacramento da Penitência não é ordenado contra o pecado original, pois este é removido pelo Batismo, [nem contra o pecado mortal, pois este é removido pela confissão do pecador], nem contra o pecado venial, que é removido pela percussão do peito, pela aspersão de água benta e coisas semelhantes. Logo, os pecados não são a matéria própria da Penitência. [*As palavras entre colchetes são omitidas na edição Leonina]. **Ao contrário,** o Apóstolo diz (2 Cor 12,21): "Os que não fizeram penitência da imundície, e fornicação, e lascívia que cometeram." **Respondo que:** A matéria é dupla, a saber, próxima e remota: assim, a matéria próxima de uma estátua é o metal, enquanto a matéria remota é a água. Ora, foi dito (A[1], ad 1, ad 2) que a matéria próxima deste sacramento consiste nos atos do penitente, cuja matéria são os pecados sobre os quais ele se entristece, que confessa e pelos quais satisfaz. Donde se segue que os pecados são a matéria remota da Penitência, como matéria, não para aprovação, mas para detestação e destruição. **Resposta à Objeção 1:** Este argumento considera a matéria próxima de um sacramento. **Resposta à Objeção 2:** A vida velha que estava sujeita à morte é o objeto da Penitência, não quanto à pena, mas quanto à culpa a ela ligada. **Resposta à Objeção 3:** A Penitência considera todo gênero de pecado de certo modo, mas não a cada um do mesmo modo. Porque a Penitência considera o pecado atual mortal própria e principalmente; propriamente, pois, propriamente falando, dizemos arrepender-nos daquilo que fizemos por nossa própria vontade; principalmente, porque este sacramento foi instituído principalmente para a remissão do pecado mortal. A Penitência considera os pecados veniais, propriamente falando, na medida em que são cometidos por nossa própria vontade, mas este não foi o fim principal de sua instituição. Quanto ao pecado original, a Penitência não o considera principalmente, porque o Batismo, e não a Penitência, é ordenado contra o pecado original, nem propriamente, porque o pecado original não é cometido por nossa própria vontade, exceto na medida em que a vontade de Adão é considerada como nossa, sentido no qual o Apóstolo diz (Rm 5,12): "No qual todos pecaram." Contudo, a Penitência pode ser dita considerar o pecado original, se tomarmos o termo em sentido amplo para qualquer detestação de algo passado; neste sentido, Agostinho usa o termo no livro *Da Penitência* (Serm. cccli).
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether sins are the proper matter of this sacrament? · séc. XIII
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