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2Cor 12, 9

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Matos Soares

9mas disse-me: "Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que o (meu) poder se manifesta por completo." Portanto, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que habite em mim o poder de Cristo.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que em Cristo não havia virtudes. Pois Cristo possuía a plenitude da graça. Ora, a graça é suficiente para todo ato bom, conforme 2 Cor 12,9: "Basta-te a minha graça." Logo, não havia virtudes em Cristo. **Objeção 2:** Ademais, segundo o Filósofo (Ética VII, 1), a virtude contrasta com um certo "hábito heroico ou divino", que é atribuído aos homens divinos. Ora, isto convém principalmente a Cristo. Portanto, Cristo não tinha virtudes, mas algo superior à virtude. **Objeção 3:** Além disso, como se disse acima (I-II, Q. 65, Aa. 1-2), todas as virtudes estão unidas entre si. Ora, não era conveniente que Cristo tivesse todas as virtudes, como é evidente no caso da liberalidade e da magnificência, pois estas dizem respeito às riquezas, que Cristo desprezou, segundo Mt 8,20: "O Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça." Também a temperança e a continência dizem respeito a desejos maus, dos quais Cristo estava isento. Logo, Cristo não tinha as virtudes. **Em contrário,** sobre o Sl 1,2 — "Mas a sua vontade está na lei do Senhor" —, diz uma glosa: "Isto se refere a Cristo, que está cheio de todo bem." Ora, uma qualidade boa da mente é uma virtude. Portanto, Cristo estava cheio de toda virtude. **Respondo que,** como se disse acima (I-II, Q. 110, Aa. 3-4), assim como a graça diz respeito à essência da alma, assim a virtude diz respeito à sua potência. Por conseguinte, é necessário que, assim como as potências da alma fluem da sua essência, assim as virtudes fluem da graça. Ora, quanto mais perfeito é um princípio, tanto mais ele imprime os seus efeitos. Logo, sendo a graça de Cristo perfeitíssima, dela fluíram, por consequência, as virtudes que aperfeiçoam as várias potências da alma para todos os atos da alma; e assim Cristo tinha todas as virtudes. **Resposta à objeção 1:** A graça basta ao homem para tudo aquilo que o ordena à bem-aventurança; contudo, ela efetua algumas destas coisas por si mesma — como torná-lo agradável a Deus e semelhantes — e outras por meio das virtudes que procedem da graça. **Resposta à objeção 2:** Um hábito heroico ou divino só difere da virtude comumente chamada por um modo mais perfeito, na medida em que alguém está disposto para o bem de modo mais elevado do que é comum a todos. Portanto, não se prova daí que Cristo não tivesse as virtudes, mas que as possuía perfeitissimamente, além do modo comum. Neste sentido, Plotino deu a um certo grau sublime de virtude o nome de "virtude da alma purificada" (cf. I-II, Q. 61, A. 5). **Resposta à objeção 3:** A liberalidade e a magnificência são louváveis no tocante às riquezas, enquanto alguém não estima a riqueza a ponto de querer retê-la, de modo a deixar de fazer o que deve ser feito. Ora, quem mais as despreza é quem as despreza totalmente e as rejeita por amor da perfeição. E assim, desprezando totalmente todas as riquezas, Cristo mostrou o mais alto grau de liberalidade e magnificência; embora também tenha realizado o ato de liberalidade, na medida em que Lhe convinha, mandando distribuir aos pobres o que Lhe era dado. Por isso, quando o Senhor disse a Judas (Jo 13,21): "O que fazes, faze-o depressa", os discípulos entenderam que o Senhor lhe ordenara que desse algo aos pobres. Mas Cristo não tinha absolutamente nenhum desejo mau, como se mostrará (Q. 15, Aa. 1-2); contudo, isso não O impedia de ter a temperança, que é tanto mais perfeita no homem quanto mais ele está isento de desejos maus. Por isso, segundo o Filósofo (Ética VII, 9), o temperante difere do continente nisto — que o temperante não tem os desejos maus que o continente sofre. Portanto, tomando a continência neste sentido, como a toma o Filósofo, Cristo, pelo próprio fato de ter toda virtude, não tinha a continência, pois ela não é uma virtude, mas algo inferior à virtude.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether in Christ there were virtues? · séc. XIII

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2Cor 12, 9 nos Padres da Igreja | Aurea