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2Cor 5, 6

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Matos Soares

6Por isso, permanecemos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto estamos no corpo, nos encontramos longe do Senhor,

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o corpo é necessário para a Felicidade. Pois a perfeição da virtude e da graça pressupõe a perfeição da natureza. Ora, a Felicidade é a perfeição da virtude e da graça. Mas a alma, sem o corpo, não tem a perfeição da natureza; visto que é naturalmente parte da natureza humana, e toda parte é imperfeita enquanto separada do seu todo. Logo, a alma não pode ser feliz sem o corpo. Objeção 2: Ademais, a Felicidade é uma operação perfeita, como se disse acima (I-II, q. 3, a. 2 e 5). Ora, a operação perfeita segue o ser perfeito, pois nada opera senão enquanto é ser em ato. Portanto, visto que a alma não tem ser perfeito enquanto separada do corpo, assim como também a parte não o tem enquanto separada do seu todo, parece que a alma não pode ser feliz sem o corpo. Objeção 3: Ademais, a Felicidade é a perfeição do homem. Mas a alma, sem o corpo, não é homem. Logo, a Felicidade não pode estar na alma separada do corpo. Objeção 4: Ademais, segundo o Filósofo (Ética, VII, 13), «a operação do bem-aventurado», na qual consiste a felicidade, «não é impedida». Ora, a operação da alma separada é impedida; porque, como diz Agostinho (Gên. ad lit., XII, 35), a alma «tem um desejo natural de governar o corpo, do qual resulta que é, por assim dizer, retida de tender com toda a sua força para a viagem celeste», isto é, para a visão da Essência Divina. Logo, a alma não pode ser feliz sem o corpo. Objeção 5: Ademais, a Felicidade é o bem suficiente e aplaca o desejo. Ora, isto não se pode dizer da alma separada; pois ela ainda deseja ser unida ao corpo, como diz Agostinho (Gên. ad lit., XII, 35). Logo, a alma não é feliz enquanto separada do corpo. Objeção 6: Ademais, na Felicidade o homem é igual aos anjos. Mas a alma sem o corpo não é igual aos anjos, como diz Agostinho (Gên. ad lit., XII, 35). Logo, não é feliz. Em contrário, está escrito (Ap 14,13): «Felizes [Douay: 'bem-aventurados'] os mortos que morrem no Senhor.» Respondo que a Felicidade é dupla: uma é imperfeita e se tem nesta vida; a outra é perfeita, consistindo na visão de Deus. Ora, é evidente que o corpo é necessário para a felicidade desta vida. Pois a felicidade desta vida consiste numa operação do intelecto, seja especulativa ou prática. E a operação do intelecto nesta vida não pode ser sem um fantasma, que só existe num órgão corporal, como foi mostrado na I, q. 84, a. 6 e 7. Consequentemente, a felicidade que se pode ter nesta vida depende, de certo modo, do corpo. Mas quanto à Felicidade perfeita, que consiste na visão de Deus, alguns sustentaram que não é possível à alma separada do corpo; e disseram que as almas dos santos, quando separadas dos seus corpos, não alcançam essa Felicidade até o dia do Juízo, quando receberão de volta os seus corpos. E isto se mostra falso, tanto pela autoridade como pela razão. Pela autoridade, pois o Apóstolo diz (2 Cor 5,6): «Enquanto estamos no corpo, estamos ausentes do Senhor»; e aponta a razão desta ausência, dizendo: «Porque andamos por fé e não por visão.» Ora, disto é claro que enquanto andamos por fé e não por visão, privados da visão da Essência Divina, não estamos presentes ao Senhor. Mas as almas dos santos, separadas dos seus corpos, estão na presença de Deus; por isso o texto continua: «Temos, porém, confiança e boa vontade de nos ausentarmos do corpo e estarmos presentes com o Senhor.» Donde é evidente que as almas dos santos, separadas dos seus corpos, «andam por visão», vendo a Essência de Deus, na qual está a verdadeira Felicidade. Isto também se evidencia pela razão. Pois o intelecto não precisa do corpo para a sua operação, senão por causa dos fantasmas, nos quais contempla a verdade inteligível, como se disse na I, q. 84, a. 7. Ora, é evidente que a Essência Divina não pode ser vista por meio de fantasmas, como se disse na I, q. 12, a. 3. Portanto, visto que a Felicidade perfeita do homem consiste na visão da Essência Divina, ela não depende do corpo. Consequentemente, sem o corpo a alma pode ser feliz. Devemos, contudo, notar que algo pode pertencer à perfeição de uma coisa de dois modos. Primeiro, como constituindo a sua essência; assim a alma é necessária para a perfeição do homem. Segundo, como necessário para o seu bem-estar; assim, a beleza do corpo e a agudeza da perfeição pertencem à perfeição do homem. Por isso, embora o corpo não pertença do primeiro modo à perfeição da Felicidade humana, pertence-lhe, todavia, do segundo modo. Pois, como a operação depende da natureza da coisa, quanto mais perfeita é a alma na sua natureza, mais perfeitamente tem a sua operação própria, na qual consiste a sua felicidade. Por isso, Agostinho, depois de inquirir (Gên. ad lit., XII, 35) «se essa Felicidade perfeita pode ser atribuída às almas dos mortos separadas dos seus corpos», responde «que elas não podem ver a Substância Imutável como a veem os anjos bem-aventurados; ou por alguma outra razão mais oculta, ou porque têm um desejo natural de governar o corpo». Resposta à objeção 1: A Felicidade é a perfeição da alma da parte do intelecto, pelo qual a alma transcende os órgãos do corpo; mas não enquanto a alma é a forma natural do corpo. Por isso, a alma retém aquela perfeição natural em razão da qual lhe é devida a felicidade, embora não retenha aquela perfeição natural em razão da qual é a forma do corpo. Resposta à objeção 2: A relação da alma com o ser não é a mesma que a das outras partes; pois o ser do todo não é o de qualquer parte individual; por isso, ou a parte cessa totalmente de ser quando o todo é destruído, como as partes de um animal quando o animal é destruído; ou, se permanecem, têm outro ser em ato, assim como a parte de uma linha tem outro ser diferente do ser da linha toda. Mas a alma humana retém o ser do composto depois da destruição do corpo; e isso porque o ser da forma é o mesmo que o da matéria, e este é o ser do composto. Ora, a alma subsiste no seu próprio ser, como se disse na I, q. 75, a. 2. Segue-se, portanto, que depois de separada do corpo tem ser perfeito e que consequentemente pode ter uma operação perfeita; embora não tenha a perfeição específica da natureza. Resposta à objeção 3: A Felicidade pertence ao homem em razão do seu intelecto; e, portanto, como o intelecto permanece, pode ter Felicidade. Assim, os dentes de um etíope, em razão dos quais se diz que ele é branco, podem reter a sua brancura mesmo depois de extraídos. Resposta à objeção 4: Uma coisa é impedida por outra de dois modos. Primeiro, por via de oposição; assim, o frio impede a ação do calor; e tal impedimento à operação é repugnante à Felicidade. Segundo, por via de algum defeito, a saber, porque aquilo que é impedido não tem tudo o que é necessário para o tornar perfeitíssimo em todos os sentidos; e tal impedimento à operação não é incompatível com a Felicidade, mas impede que ela seja perfeita em todos os sentidos. E é assim que a separação do corpo se diz que retém a alma de tender com toda a sua força para a visão da Essência Divina. Pois a alma deseja gozar de Deus de tal modo que o gozo também se difunda no corpo, na medida do possível. E, portanto, enquanto goza de Deus sem a companhia do corpo, o seu apetite está em repouso naquilo que tem, de tal modo que ainda desejaria que o corpo alcançasse a sua parte. Resposta à objeção 5: O desejo da alma separada está inteiramente em repouso quanto à coisa desejada; pois, a saber, ela tem o que basta ao seu apetite. Mas não está inteiramente em repouso quanto ao que deseja, visto que não possui aquele bem de todos os modos como gostaria de o possuir. Consequentemente, depois de reassumido o corpo, a Felicidade aumenta não em intensidade, mas em extensão. Resposta à objeção 6: A afirmação feita (Gên. ad lit., XII, 35) de que «as almas dos defuntos não veem a Deus como os anjos» não se deve entender como referindo-se a uma desigualdade de quantidade; porque mesmo agora algumas almas dos Bem-aventurados são elevadas às ordens superiores dos anjos, vendo assim a Deus mais claramente do que os anjos inferiores. Mas refere-se a uma desigualdade de proporção: porque os anjos, mesmo os ínfimos, têm toda a perfeição da Felicidade que jamais terão, ao passo que as almas separadas dos santos não a têm.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 5 - Whether the body is necessary for man's happiness? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo, enquanto homem, não é a cabeça dos anjos. Porque a cabeça e os membros são de uma mesma natureza. Ora, Cristo, enquanto homem, não é da mesma natureza que os anjos, mas tão-somente dos homens, pois como está escrito (Heb 2,16): «Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão.» Logo, Cristo, enquanto homem, não é a cabeça dos anjos. Objeção 2: Ademais, Cristo é a cabeça dos que pertencem à Igreja, que é o seu Corpo, como está escrito (Ef 1,23). Ora, os anjos não pertencem à Igreja. Porque a Igreja é a congregação dos fiéis; e nos anjos não há fé, pois eles não «andam por fé, mas por vista»; de outro modo estariam «ausentes do Senhor», como argumenta o Apóstolo (2 Cor 5,6-7). Logo, Cristo, enquanto homem, não é a cabeça dos anjos. Objeção 3: Além disso, Agostinho diz (Tract. XIX; XXIII in Joan.) que, assim como «o Verbo», que «estava no princípio junto do Pai», vivifica as almas, assim o «Verbo feito carne» vivifica os corpos, dos quais os anjos carecem. Ora, o Verbo feito carne é Cristo, enquanto homem. Logo, Cristo, enquanto homem, não dá vida aos anjos e, portanto, enquanto homem, não é a cabeça dos anjos. Em contrário, diz o Apóstolo (Cl 2,10): «O qual é a cabeça de todo o principado e potestade», e a mesma razão vale para as outras ordens de anjos. Portanto, Cristo é a Cabeça dos anjos. Respondo: Como se disse acima (A[1], ad 2), onde há um corpo, é necessário reconhecer que há uma cabeça. Ora, uma multidão ordenada a um mesmo fim, com atos e deveres distintos, pode ser chamada metaforicamente de um corpo. Mas é manifesto que tanto os homens como os anjos são ordenados a um mesmo fim, que é a glória da fruição divina. Por conseguinte, o corpo místico da Igreja não consiste apenas de homens, mas também de anjos. Ora, de toda essa multidão Cristo é a Cabeça, pois está mais próximo de Deus e participa de seus dons mais plenamente, não só do que os homens, mas até mesmo do que os anjos; e de seu influxo participam não apenas os homens, mas também os anjos, pois está escrito (Ef 1,20-22) que Deus Pai «o fez sentar à sua direita nos céus, acima de todo principado, e potestade, e virtude, e dominação, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas debaixo de seus pés». Portanto, Cristo não é apenas a Cabeça dos homens, mas também dos anjos. Donde lemos (Mt 4,11) que «os anjos se chegaram e o serviam». Resposta à objeção 1: O influxo de Cristo sobre os homens é principalmente quanto às suas almas; nelas os homens concordam com os anjos na natureza genérica, embora não na natureza específica. Em razão dessa concordância, Cristo pode ser chamado de Cabeça dos anjos, embora a concordância seja deficiente quanto ao corpo. Resposta à objeção 2: A Igreja, na terra, é a congregação dos fiéis; mas, no céu, é a congregação dos compreensores. Ora, Cristo não foi apenas viandante, mas também compreensor. E, portanto, Ele é a Cabeça não só dos fiéis, mas também dos compreensores, por ter a graça e a glória em plenitude. Resposta à objeção 3: Agostinho usa aqui a semelhança de causa e efeito, enquanto as coisas corpóreas atuam sobre os corpos e as espirituais sobre as espirituais. Contudo, a humanidade de Cristo, em virtude da natureza espiritual, isto é, divina, pode causar algo não só nos espíritos dos homens, mas também nos espíritos dos anjos, por causa de sua estreitíssima conjunção com Deus, ou seja, pela união pessoal.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether Christ is the Head of the angels? · séc. XIII

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2Cor 5, 6 nos Padres da Igreja | Aurea