Referência

2Cor 6, 5

Veja onde esta passagem aparece no corpus patrístico disponível.

Trechos nesta página

5

Comentários diretos

0

Autores distintos

1

Matos Soares

5nos açoites, nos cárceres, nas sedições, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns;

Matos Soares · domínio público

Levar para o chatEntre na conta para conversar com os Padres a partir deste versículo.
Dossiês doutrinaisQuando um versículo abre um tema maior, o próximo passo é seguir por um dossiê temático.

Comentário direto

0

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

5

Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a Nova Lei é mais pesada do que a Velha. Pois diz Crisóstomo (Opus Imperfectum in Matthaeum, Hom. x [*Obra de autor desconhecido]): "Os mandamentos dados a Moisés são fáceis de cumprir: Não matarás; Não cometerás adultério; mas os mandamentos de Cristo são difíceis de realizar, por exemplo: Não te entregues à ira, nem à concupiscência." Logo, a Nova Lei é mais pesada do que a Velha. Objeção 2: Ademais, é mais fácil usar da prosperidade terrena do que sofrer tribulações. Ora, no Antigo Testamento, a observância da Lei era seguida de prosperidade temporal, como se pode coligir de Deuteronômio 28,1-14; ao passo que muitos gêneros de provações sobrevêm aos que observam a Nova Lei, como se afirma em 2 Coríntios 6,4-10: "Exibamo-nos como ministros de Deus, em muita paciência, em tribulações, em necessidades, em angústias," etc. Portanto, a Nova Lei é mais pesada do que a Velha. Objeção 3: Quanto mais se tem a fazer, tanto mais difícil é. Ora, a Nova Lei é algo acrescentado à Velha. Pois a Lei Velha proibia o perjúrio, ao passo que a Nova Lei proibiu até mesmo o jurar; a Lei Velha proibia que um homem repudiasse sua mulher sem carta de divórcio, mas a Nova Lei proibiu totalmente o divórcio, como claramente se declara em Mateus 5,31 e seguintes, segundo a exposição de Agostinho. Logo, a Nova Lei é mais pesada do que a Velha. Em sentido contrário, está escrito (Mateus 11,28): "Vinde a mim, todos os que trabalhais e estais carregados"; palavras estas que são expostas por Hilário assim: "Ele chama a si todos aqueles que labutam sob a dificuldade de observar a Lei e estão oprimidos com os pecados deste mundo." E mais adiante diz acerca do jugo do Evangelho: "Porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve." Portanto, a Nova Lei é um peso mais leve do que a Velha. Respondo que uma dupla dificuldade pode aderir às obras de virtude com as quais se ocupam os preceitos da Lei. Uma é da parte das obras exteriores, que por si mesmas são, de certo modo, difíceis e pesadas. E, a este respeito, a Lei Velha é um peso muito mais grave do que a Nova: pois a Lei Velha, com seus numerosos cerimoniais, prescrevia muitos mais atos exteriores do que a Lei Nova, a qual, no ensinamento de Cristo e dos apóstolos, acrescentou pouquíssimos preceitos aos da lei natural; embora depois alguns tenham sido acrescentados, por serem instituídos pelos santos Padres. Mesmo nestes, diz Agostinho que se deve observar a moderação, para que a boa conduta não se torne um peso para os fiéis. Pois ele diz, na resposta às perguntas de Januário (Epístola lv), que, "enquanto Deus, em sua misericórdia, quis que a religião fosse um serviço livre, pela solene celebração pública de um pequeno número de sacramentos manifestíssimos, certas pessoas a tornam um peso de escravos; a tal ponto que o estado dos judeus, sujeitos aos sacramentos da Lei e não às presunçosas invenções dos homens, era mais tolerável." A outra dificuldade adere às obras de virtude quanto aos atos interiores: por exemplo, que uma ação virtuosa seja feita com presteza e prazer. É esta dificuldade que a virtude resolve: porque agir assim é difícil para um homem sem virtude; mas, mediante a virtude, torna-se-lhe fácil. A este respeito, os preceitos da Nova Lei são mais pesados do que os da Velha; porque a Nova Lei proíbe certos movimentos interiores da alma, que não eram expressamente proibidos na Lei Velha em todos os casos, embora o fossem em alguns, sem, contudo, que se anexasse nenhuma pena à proibição. Ora, isto é muito difícil para um homem sem virtude; assim, até o Filósofo afirma (Ética V, 9) que é fácil fazer o que o homem justo faz; mas fazê-lo do mesmo modo, isto é, com prazer e presteza, é difícil para um homem que não é justo. Por conseguinte, lemos também (1 João 5,3) que "os seus mandamentos não são pesados"; palavras que Agostinho expõe dizendo que "não são pesados para quem ama; ao passo que são um peso para quem não ama." Resposta à Objeção 1: A passagem citada fala expressamente da dificuldade da Nova Lei quanto ao refreamento deliberado dos movimentos interiores. Resposta à Objeção 2: As tribulações sofridas pelos que observam a Nova Lei não são impostas pela própria Lei. Além disso, são facilmente suportadas, por causa do amor em que a mesma Lei consiste; pois, como diz Agostinho (Sobre as Palavras do Senhor, Sermão lxx), "o amor torna leves e em nada as coisas que parecem árduas e acima das nossas forças." Resposta à Objeção 3: O objetivo destes acréscimos aos preceitos da Lei Velha era tornar mais fácil fazer o que ela prescrevia, como afirma Agostinho (Sobre o Sermão do Senhor no Monte I, 17,21; XIX, 23,26). Por conseguinte, isso não prova que a Nova Lei é mais pesada, mas antes que é um peso mais leve.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether the New Law is more burdensome than the Old? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que a tentação de Cristo não devia ter-se dado depois do seu jejum. Porque já se disse acima (Q[40], A[2]) que um modo de vida austero não era conveniente a Cristo. Mas cheira a extrema austeridade que Ele nada houvesse comido por quarenta dias e quarenta noites, pois Gregório Magno (Hom. xvi in Evang.) explica o facto de que «jejuou quarenta dias e quarenta noites», dizendo que «durante esse tempo não tomou alimento algum». Parece, portanto, que não devia assim ter jejuado antes da sua tentação. Objecção 2: Além disso, está escrito (Mc 1,13) que «estava no deserto quarenta dias e quarenta noites; e era tentado por Satanás.» Ora, Ele jejuou quarenta dias e quarenta noites. Logo, parece que foi tentado pelo demónio, não depois, mas durante o seu jejum. Objecção 3: Ademais, lemos que Cristo jejuou uma só vez. Mas foi tentado pelo demónio não uma só vez, pois está escrito (Lc 4,13) «que, terminada toda a tentação, o demónio se afastou d’Ele por um tempo.» Assim como, portanto, não jejuou antes da segunda tentação, assim também não devia ter jejuado antes da primeira. Ao contrário, está escrito (Mt 4,2-3): «Quando jejuara quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome»; e então «o tentador aproximou-se d’Ele.» Respondo que convinha que Cristo quisesse jejuar antes da sua tentação. Primeiro, para nos dar um exemplo. Pois, visto que todos temos urgente necessidade de nos fortalecer contra a tentação, como se disse acima (A[1]), jejuando antes de ser tentado, ensina-nos a necessidade do jejum para nos prepararmos contra a tentação. Por isso o Apóstolo (2 Cor 6,5.7) conta «os jejuns» juntamente com «a armadura da justiça». Segundo, para mostrar que o demónio assalta com tentações até mesmo aqueles que jejuam, como também aqueles que se dedicam a outras boas obras. E assim a tentação de Cristo deu-se depois do seu jejum, bem como depois do seu baptismo. Por isso Crisóstomo diz (Hom. xiii super Matth.): «Para te instruir quão grande bem é o jejum, e como é um escudo poderosíssimo contra o demónio; e que depois do baptismo deves entregar-te, não à luxúria, mas ao jejum; por esta causa Cristo jejuou, não porque disso tivesse necessidade, mas para nos ensinar.» Terceiro, porque depois do jejum sobreveio a fome, que fez o demónio ousar aproximar-se d’Ele, como já se disse (A[1], ad 1). Ora, quando «nosso Senhor teve fome», diz Hilário (Super Matth. iii), «não foi porque foi vencido pela falta de alimento, mas porque abandonou a sua humanidade à sua natureza. Pois o demónio havia de ser vencido, não por Deus, mas pela carne.» Por isso também Crisóstomo diz: «Não foi além de Moisés e Elias, para que a sua assunção da nossa carne não parecesse incrível.» Resposta à objecção 1: Convinha a Cristo não adoptar uma forma extrema de vida austera para se mostrar exteriormente conforme àqueles a quem pregava. Ora, ninguém deve assumir o ofício de pregador se já não estiver purificado e perfeito em virtude, segundo o que se diz de Cristo, que «Jesus começou a fazer e a ensinar» (Actos 1,1). Consequentemente, imediatamente após o seu baptismo Cristo adoptou uma forma austera de vida, para nos ensinar a necessidade de domar a carne antes de passar ao ofício de pregação, segundo o Apóstolo (1 Cor 9,27): «Castigo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, não venha eu mesmo a ser reprovado.» Resposta à objecção 2: Estas palavras de Marcos podem entender-se como significando que «estava no deserto quarenta dias e quarenta noites», e que jejuou durante esse tempo; e as palavras «e era tentado por Satanás» podem tomar-se como referindo-se, não ao tempo durante o qual jejuou, mas ao tempo que se seguiu; pois Mateus diz que «depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome», oferecendo assim ao demónio um pretexto para se aproximar d’Ele. E assim as palavras seguintes, «e os anjos o serviam», devem tomar-se em sequência, o que está claro pelas palavras de Mateus (4,11): «Então o demónio o deixou», isto é, depois da tentação, «e eis que os anjos vieram e o serviam.» E quanto às palavras inseridas por Marcos, «e estava com as feras», segundo Crisóstomo (Hom. xiii in Matth.), são postas para descrever o deserto como sendo intransitável para o homem e cheio de feras. Por outro lado, segundo a exposição de Beda sobre Mc 1,12-13, nosso Senhor foi tentado quarenta dias e quarenta noites. Mas isto não se entende das tentações visíveis que são relatadas por Mateus e Lucas, e ocorreram depois do jejum, mas de certos outros assaltos que talvez Cristo sofreu do demónio durante aquele tempo do seu jejum. Resposta à objecção 3: Como diz Ambrósio sobre Lc 4,13, o demónio afastou-se de Cristo «por um tempo, porque, mais tarde, voltou, não para o tentar, mas para o assaltar abertamente» — a saber, no tempo da sua Paixão. Contudo, pareceu neste último assalto tentar Cristo ao abatimento e ao ódio do próximo; assim como no deserto o tentara ao prazer da gula e ao desprezo idolátrico de Deus.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether Christ's temptation should have taken place after His fast? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o jejum não é um ato de virtude. Porque todo ato de virtude é agradável a Deus. Ora, o jejum nem sempre é agradável a Deus, conforme Is 58,3: "Por que jejuamos, e tu não o consideraste?" Logo, o jejum não é um ato de virtude. **Objeção 2:** Ademais, nenhum ato de virtude abandona o meio-termo da virtude. Ora, o jejum abandona o meio-termo da virtude, o qual, na virtude da abstinência, leva em conta a necessidade de suprir as exigências da natureza, pois pelo jejum algo é subtraído dela: do contrário, aqueles que não jejuam não teriam a virtude da abstinência. Portanto, o jejum não é um ato de virtude. **Objeção 3:** Ademais, aquilo que é comum a todos, tanto bons quanto maus, não é um ato de virtude. Ora, tal é o jejum, pois todo homem está jejuando antes de comer. Logo, o jejum não é um ato de virtude. **Em contrário,** é contado juntamente com outros atos virtuosos (2 Cor 6,5-6), onde o Apóstolo diz: "Nos jejuns, na ciência, na castidade, etc. [Vulg.: 'na castidade, na ciência']." **Respondo que:** Um ato é virtuoso por ser dirigido pela razão a algum bem honesto. Ora, isto se verifica no jejum, porque o jejum se pratica com um tríplice fim. Primeiro, para refrear as concupiscências da carne; por isso o Apóstolo diz (2 Cor 6,5-6): "Nos jejuns, na castidade", pois o jejum é o guardião da castidade. Com efeito, segundo Jerônimo [Contra Jov. ii], "Vênus esfria-se quando Ceres e Baco não estão presentes", isto é, a luxúria é refrigerada pela abstinência de comida e bebida. Segundo, recorremos ao jejum para que a mente se eleve mais livremente à contemplação das coisas celestes; por isso se lê de Daniel (Dn 10) que ele recebeu uma revelação de Deus depois de jejuar três semanas. Terceiro, para satisfazer pelos pecados; por isso está escrito (Jl 2,12): "Convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejum, com lágrimas e com lamentações." O mesmo declara Agostinho num sermão [De orat. et Jejun.]: "O jejum purifica a alma, eleva a mente, sujeita a carne ao espírito, torna o coração contrito e humilde, dissipa as nuvens da concupiscência, extingue o fogo da luxúria, acende a verdadeira luz da castidade." **Resposta à Objeção 1:** Um ato que é genericamente virtuoso pode tornar-se vicioso pela sua conexão com certas circunstâncias. Por isso o texto prossegue: "Eis que no dia do vosso jejum se acha a vossa própria vontade", e um pouco adiante (Is 58,4): "Jejuais para debates e contendas, e feris com o punho iniquamente." Estas palavras são expostas por Gregório (Pastor. iii, 19) assim: "A vontade indica alegria, e o punho, ira. Em vão, pois, se refreia a carne, se a mente, permitindo-se à deriva em movimentos desordenados, é arruinada pelo vício." E Agostinho diz (no mesmo sermão) que "o jejum não ama muitas palavras, considera supérflua a riqueza, despreza o orgulho, enaltece a humildade, ajuda o homem a perceber o que é frágil e insignificante." **Resposta à Objeção 2:** O meio-termo da virtude não se mede segundo a quantidade, mas segundo a reta razão, como se afirma na Ética ii, 6. Ora, a razão julga conveniente, por algum motivo especial, que o homem tome menos alimento do que lhe conviria em circunstâncias ordinárias, por exemplo, para evitar a doença, ou para realizar certos trabalhos corporais com maior facilidade; e muito mais a razão ordena isto para evitar os males espirituais e buscar os bens espirituais. Contudo, a razão não subtrai tanto do alimento a ponto de recusar à natureza o seu necessário sustento; assim diz Jerônimo: "Não importa se te destróis por muito ou pouco tempo, pois afligir imoderadamente o corpo, seja por excessiva falta de alimento, seja por comer ou dormir demasiado pouco, é oferecer um sacrifício de bens roubados." [A citação é do Corpus do Direito Canônico (Cap. Non mediocriter, De Consecrationibus, dist. 5). Graciano aí a atribui a São Jerônimo, mas não se encontra nas obras do santo.] De igual modo, a reta razão não subtrai tanto do alimento a ponto de tornar o homem incapaz de cumprir o seu dever. Por isso diz Jerônimo (na mesma referência): "O homem racional perde a sua dignidade se antepõe o jejum à castidade, ou as vigílias noturnas ao bem-estar dos seus sentidos." **Resposta à Objeção 3:** O jejum natural, em virtude do qual se diz que o homem está jejuando até que tome alimento, consiste numa pura negação, pelo que não pode ser considerado um ato virtuoso. Tal é apenas o jejum daquele que se abstém de algum modo do alimento por um fim razoável. Por isso, o primeiro se chama jejum natural [jejunium jejunii]; o segundo, jejum do jejuador, porque ele jejua com um propósito.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether fasting is an act of virtue? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a castidade não é uma virtude distinta da abstinência. Porque onde a matéria é genericamente a mesma, uma só virtude basta. Ora, parece que as coisas pertencentes ao mesmo sentido são de um só gênero. Logo, sendo que os prazeres do paladar, que são a matéria da abstinência, e os prazeres venéreos, que são a matéria da castidade, pertencem ao tato, parece que a castidade não é uma virtude distinta da abstinência. Objeção 2: Além disso, o Filósofo (Ética iii, 12) compara todos os vícios da intemperança aos pecados infantis, que precisam de castigo. Ora, 'castidade' deriva seu nome do 'castigo' dos vícios contrários. Visto que certos vícios são refreados pela abstinência, parece que a abstinência é a castidade. Objeção 3: Além disso, os prazeres dos outros sentidos são da alçada da temperança na medida em que se referem aos prazeres do tato, os quais são a matéria da temperança. Ora, os prazeres do paladar, que são a matéria da abstinência, ordenam-se para os prazeres venéreos, que são a matéria da castidade; por isso Jerônimo diz (Ep. cxlvii ad Amand.; cfr. Graciano, Dist. xliv), comentando Tito 1,7: 'Não dado ao vinho, não violento', etc.: 'O ventre e os órgãos da geração são vizinhos, para que a vizinhança dos órgãos indique sua cumplicidade no vício.' Portanto, a abstinência e a castidade não são virtudes distintas. Ao contrário, o Apóstolo (2 Cor 6,5-6) enumera a 'castidade' juntamente com os 'jejuns', que pertencem à abstinência. Respondo: Como foi dito acima (Q[141], A[4]), a temperança é propriamente acerca das concupiscências dos prazeres do tato; de modo que onde há diferentes espécies de prazer, há diferentes virtudes compreendidas sob a temperança. Ora, os prazeres são proporcionais às ações de que são perfeições, como se afirma na Ética ix, 4-5; e é evidente que as ações ligadas ao uso dos alimentos, pelos quais a natureza do indivíduo se conserva, diferem genericamente das ações ligadas ao uso das matérias venéreas, pelas quais a natureza da espécie se preserva. Portanto, a castidade, que é acerca dos prazeres venéreos, é uma virtude distinta da abstinência, que é acerca dos prazeres do paladar. Resposta à Objeção 1: A temperança é principalmente acerca dos prazeres do tato, não quanto ao juízo do sentido acerca dos objetos do tato, juízo esse que é de caráter uniforme a respeito de todos esses objetos, mas quanto ao próprio uso desses objetos, como se afirma na Ética iii, 10. Ora, os usos das carnes, das bebidas e das matérias venéreas diferem em caráter. Por isso, é necessário que haja virtudes diferentes, embora digam respeito a um único sentido. Resposta à Objeção 2: Os prazeres venéreos são mais impetuosos e oprimem mais a razão do que os prazeres do paladar; e, portanto, têm maior necessidade de castigo e refreamento, pois, se a eles se consente, aumenta-se a força da concupiscência e enfraquece-se o vigor da mente. Por isso Agostinho diz (Solilóquios i, 10): 'Considero que nada derruba tanto o ânimo viril de sua altura como as carícias das mulheres e aqueles contatos corporais que pertencem ao estado conjugal.' Resposta à Objeção 3: Os prazeres dos outros sentidos não pertencem à conservação da natureza do homem, exceto na medida em que se ordenam aos prazeres do tato. Por isso, na matéria de tais prazeres, não há outra virtude compreendida sob a temperança. Mas os prazeres do paladar, embora se ordenem de certo modo aos prazeres venéreos, essencialmente se ordenam à preservação da vida do homem; portanto, por sua própria natureza, têm uma virtude especial, embora essa virtude, que se chama abstinência, dirija seu ato à castidade como seu fim.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether chastity is a distinct virtue from abstinence? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que os religiosos são obrigados ao trabalho manual. Pois os religiosos não estão isentos da observância dos preceitos. Ora, o trabalho manual é matéria de preceito, segundo 1 Tessalonicenses 4,11: «Trabalhai com vossas próprias mãos, como vos mandamos»; donde Agostinho diz (Das Obras dos Monges, XXX): «Mas quem pode tolerar estes homens insolentes» — a saber, os religiosos que não trabalham, dos quais ali fala — «que desprezam a salutaríssima admoestação do Apóstolo, não para serem tolerados como mais fracos, mas até para pregar como se fossem mais santos que os outros?» Logo, parece que os religiosos são obrigados ao trabalho manual. **Objeção 2:** Além disso, uma glosa [Santo Agostinho, Das Obras dos Monges, XXI] sobre 2 Tessalonicenses 3,10: «Se alguém não quer trabalhar, não coma também», diz: «Alguns afirmam que este mandamento do Apóstolo se refere a obras espirituais, e não ao trabalho corporal do lavrador ou do artífice»; e adiante: «Mas é inútil que tentem esconder de si mesmos e dos outros que não querem não só cumprir, mas nem mesmo entender as úteis admoestações da caridade»; e ainda: «Ele quer que os servos de Deus vivam trabalhando com seus corpos». Ora, os religiosos são chamados especialmente servos de Deus, porque se entregam totalmente ao serviço de Deus, como afirma Dionísio (Hierarquia Eclesiástica, VI). Logo, parece que são obrigados ao trabalho manual. **Objeção 3:** Além disso, Agostinho diz (Das Obras dos Monges, XVII): «Gostaria de saber como se ocupariam os que não querem trabalhar com o corpo. Dizem: Ocupamo-nos com orações, salmos, leitura e a palavra de Deus.» Todavia, estas coisas não são desculpa, e ele o prova, quanto a cada uma em particular. Pois, em primeiro lugar, acerca da oração, diz: «Mais depressa é ouvida uma oração do homem obediente do que dez mil orações do desprezador»: querendo dizer que são desprezadores e indignos de serem ouvidos os que não trabalham com as mãos. Em segundo lugar, acerca dos louvores divinos, acrescenta: «Mesmo trabalhando com as mãos, podem facilmente cantar hinos a Deus.» Em terceiro lugar, sobre a leitura, prossegue: «Aqueles que dizem que se ocupam na leitura, não encontram ali o que o Apóstolo mandou? Que espécie de perversidade é esta: querer ler e não obedecer ao que se lê?» Em quarto lugar, acrescenta acerca da pregação [Cap. XVIII]: «Se alguém tem de falar, e está tão ocupado que não pode dispor de tempo para o trabalho manual, poderá fazer isto todo o mosteiro? E, visto que todos não podem, por que razão fazem todos deste pretexto para se isentarem? E, ainda que todos pudessem, deveriam fazê-lo por turnos, não só para que os outros se ocupassem em outras obras, mas também porque basta que um fale enquanto muitos ouvem.» Logo, parece que os religiosos não devem desistir do trabalho manual por causa de tais obras espirituais a que se dedicam. **Objeção 4:** Além disso, uma glosa sobre Lucas 12,33: «Vendei o que possuís», diz: «Não só dai vossas vestes aos pobres, mas vendei o que possuís, para que, tendo renunciado de uma vez a todos os vossos bens por amor do Senhor, de agora em diante trabalheis com o labor de vossas mãos, a fim de terdes com que viver ou dar esmola.» Ora, pertence propriamente aos religiosos renunciar a tudo quanto têm. Logo, parece que também lhes pertence viver e dar esmola mediante o trabalho de suas mãos. **Objeção 5:** Além disso, os religiosos, porque professam o estado de perfeição, parecem estar especialmente obrigados a imitar a vida dos apóstolos. Ora, os apóstolos trabalhavam com suas próprias mãos, segundo 1 Coríntios 4,12: «Trabalhamos, obrando com nossas próprias mãos.» Logo, parece que os religiosos são obrigados ao trabalho manual. **Em sentido contrário,** Aqueles preceitos que são comumente impostos a todos obrigam igualmente os religiosos e os seculares. Ora, o preceito do trabalho manual é imposto a todos em comum, como se vê em 2 Tessalonicenses 3,6: «Apartai-vos de todo irmão que anda desordenadamente», etc. (pois por irmão significa todo cristão, conforme 1 Coríntios 7,12: «Se algum irmão tem mulher incrédula»). E no mesmo passo está escrito (2 Tessalonicenses 3,10): «Se alguém não quer trabalhar, não coma também.» Portanto, os religiosos não são obrigados ao trabalho manual mais do que os seculares. **Respondo** que o trabalho manual se ordena a quatro coisas. Primeira e principalmente, a obter o alimento; por isso foi dito ao primeiro homem (Gênesis 3,19): «Comerás o pão com o suor do teu rosto»; e está escrito (Salmo 127,2): «Comerás do trabalho das tuas mãos.» Segundamente, ordena-se a afastar a ociosidade, de que nascem muitos males; por isso está escrito (Eclesiástico 33,28-29): «Envia o teu servo ao trabalho, para que não esteja ocioso, porque a ociosidade ensinou muitos males.» Terceiramente, ordena-se a refrear a concupiscência, enquanto é meio de afligir o corpo; por isso está escrito (2 Coríntios 6,5-6): «Em trabalhos, em vigílias, em jejuns, em castidade.» Quartamente, ordena-se à esmola; por isso está escrito (Efésios 4,28): «O que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha que dar ao que padece necessidade.» Por conseguinte, enquanto o trabalho manual se ordena a obter o alimento, cai sob necessidade de preceito na medida em que é necessário para aquele fim: pois o que se ordena a um fim deriva desse fim a sua necessidade, sendo, na verdade, tão necessário quanto o fim não pode ser alcançado sem ele. Consequentemente, aquele que não tem outro meio de vida é obrigado a trabalhar com as mãos, qualquer que seja a sua condição. Isto é significado pelas palavras do Apóstolo: «Se alguém não quer trabalhar, não coma também», como se dissesse: «A necessidade do trabalho manual é a necessidade do alimento.» De modo que, se alguém pudesse viver sem comer, não seria obrigado a trabalhar com as mãos. O mesmo se aplica àqueles que não têm outros meios lícitos de vida: pois entende-se que não pode fazer o que não pode fazer licitamente. Por isso encontramos que o Apóstolo prescreveu o trabalho manual apenas como remédio para o pecado daqueles que obtinham o sustento por meios ilícitos. Pois o Apóstolo ordenou o trabalho manual, antes de tudo, para evitar o furto, como se vê em Efésios 4,28: «O que furtava, não furte mais; antes trabalhe com as mãos.» Em segundo lugar, para evitar a cobiça do alheio, por isso está escrito (1 Tessalonicenses 4,11): «Trabalhai com vossas próprias mãos, como vos mandamos, e andai honestamente para com os que estão de fora.» Em terceiro lugar, para evitar as ocupações desonestas com que alguns buscam o sustento. Por isso diz (2 Tessalonicenses 3,10-12): «Quando estávamos convosco, isto vos declaramos: que se alguém não quer trabalhar, não coma também. Porque ouvimos que há entre vós alguns que andam desordenadamente, não trabalhando nada, mas intrometendo-se curiosamente» (a saber, como explica a glosa, «que vivem da intromissão em coisas ilícitas»). «Ora, a esses tais mandamos e exortamos . . . que, trabalhando em silêncio, comam o seu próprio pão.» Por isso Jerônimo afirma (Sobre a Epístola aos Gálatas [Prefácio ao Livro II do Comentário]) que o Apóstolo disse isto «não tanto na sua qualidade de mestre, mas por causa dos defeitos do povo.» Deve-se, porém, notar que sob trabalho manual se compreendem todas as ocupações humanas mediante as quais o homem pode licitamente ganhar a vida, seja usando as mãos, os pés ou a língua. Pois os vigias, os correios e outros que vivem do seu trabalho entende-se que vivem da obra de suas mãos: porque, sendo a mão «o órgão dos órgãos» [Da Alma, III, 8], o trabalho manual designa toda espécie de obra com que o homem pode licitamente ganhar a vida. Na medida em que o trabalho manual se ordena a afastar a ociosidade ou a afligir o corpo, não cai sob necessidade de preceito, se o consideramos em si mesmo, pois há muitos outros meios, além do trabalho manual, de afligir o corpo ou de afastar a ociosidade: a carne é afligida por jejuns e vigílias, e a ociosidade é afastada pela meditação das Sagradas Escrituras e pelos louvores divinos. Por isso uma glosa sobre o Salmo 118,82: «Os meus olhos desfaleceram pela Tua palavra», diz: «Não está ocioso aquele que só medita na palavra de Deus; nem o que trabalha fora é melhor do que aquele que se dedica ao estudo de conhecer a verdade.» Consequentemente, por estas razões, os religiosos não são obrigados ao trabalho manual, como também não o são os seculares, exceto quando são obrigados pelos estatutos da sua ordem. Assim Jerônimo diz (Epístola CXXV a Rústico, Monge): «Os mosteiros egípcios costumam não admitir ninguém que não trabalhe ou labute, não tanto pelas necessidades da vida, como pela saúde da alma, para que não seja desviada por maus pensamentos.» Mas, na medida em que o trabalho manual se ordena à esmola, não cai sob necessidade de preceito, salvo talvez em algum caso particular, quando alguém está obrigado a dar esmola e não tem outro meio de ter com que socorrer os pobres: pois nesse caso os religiosos seriam obrigados, assim como os seculares, ao trabalho manual. **Resposta à Objeção 1:** Este mandamento do Apóstolo é de direito natural; por isso uma glosa sobre 2 Tessalonicenses 3,6: «Que vos aparteis de todo irmão que anda desordenadamente», diz: «de outra maneira do que exige a ordem natural», e fala daqueles que se abstinham do trabalho manual. Por isso a natureza proveu o homem de mãos, em vez de armas e vestes, com que proveu os outros animais, para que com as mãos pudesse obter estas e todas as outras coisas necessárias. Donde é claro que este preceito, como todos os preceitos da lei natural, obriga igualmente os religiosos e os seculares. Contudo, nem todo aquele que não trabalha com as mãos peca, porque aqueles preceitos da lei natural que dizem respeito ao bem comum não obrigam cada indivíduo, mas basta que uma pessoa se ocupe deste ofício e outra daquele; por exemplo, que uns sejam artífices, outros lavradores, outros juízes, outros mestres, e assim por diante, segundo as palavras do Apóstolo (1 Coríntios 12,17): «Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?» **Resposta à Objeção 2:** Esta glosa é tirada de Agostinho, Das Obras dos Monges, capítulo 21, onde fala contra certos monges que declaravam ser ilícito para os servos de Deus trabalhar com as mãos, por causa da palavra do Senhor (Mateus 6,25): «Não vos inquieteis pela vossa vida, pelo que haveis de comer.» Contudo, suas palavras não implicam que os religiosos sejam obrigados a trabalhar com as mãos, se tiverem outros meios de vida. Isto é claro do que acrescenta: «Ele quer que os servos de Deus vivam trabalhando com seus corpos.» Ora, isto não se aplica aos religiosos mais do que aos seculares, o que é evidente por duas razões. Primeiro, pela maneira como o Apóstolo se expressa, dizendo: «Que vos aparteis de todo irmão que anda desordenadamente.» Pois chama a todos os cristãos irmãos, visto que então ainda não estavam fundadas as ordens religiosas. Segundo, porque os religiosos não têm outras obrigações senão as que têm os seculares, exceto quando exigidas pela regra que professam: por isso, se a sua regra nada contém acerca do trabalho manual, os religiosos não estão obrigados ao trabalho manual de outro modo que os seculares. **Resposta à Objeção 3:** Um homem pode dedicar-se de duas maneiras a todas as obras espirituais mencionadas por Agostinho no passo citado: de um modo, tendo em vista o bem comum; de outro, tendo em vista o seu proveito particular. Por conseguinte, aqueles que se dedicam publicamente às referidas obras espirituais estão por isso mesmo isentos do trabalho manual, por duas razões: primeiro, porque lhes convém ocupar-se exclusivamente de tais obras; segundo, porque aqueles que se dedicam a tais obras têm direito de ser sustentados por aqueles para cujo proveito trabalham. Por outro lado, aqueles que se dedicam a tais obras não publicamente, mas como que privadamente, não devem por isso ser isentos do trabalho manual, nem têm direito de ser sustentados pelas ofertas dos fiéis, e é destes que Agostinho fala. Pois quando diz: «Podem cantar hinos a Deus mesmo enquanto trabalham com as mãos; como os artífices que dão voz à narração de fábulas sem retirar as mãos do trabalho», é claro que não se refere àqueles que cantam as horas canónicas na igreja, mas àqueles que recitam salmos ou hinos como orações privadas. Do mesmo modo, o que diz sobre a leitura e a oração deve referir-se à oração e leitura privadas, que os próprios leigos praticam às vezes, e não àqueles que fazem orações públicas na igreja ou dão lições públicas nas escolas. Por isso não diz: «Aqueles que dizem que se ocupam em ensinar e instruir», mas: «Aqueles que dizem que se ocupam em ler.» Também fala daquela pregação que se dirige, não publicamente ao povo, mas a um ou a poucos em particular, a modo de admoestação privada. Por isso diz expressamente: «Se alguém tem de falar.» Pois, segundo uma glosa sobre 1 Coríntios 2,4, «o discurso dirige-se privadamente; a pregação, a muitos.» **Resposta à Objeção 4:** Aqueles que desprezam tudo por amor de Deus são obrigados a trabalhar com as mãos, quando não têm outro meio de vida ou de dar esmola (caso ocorra que a esmola seja matéria de preceito), mas não de outro modo, como foi dito no artigo. É neste sentido que se deve entender a glosa citada. **Resposta à Objeção 5:** O fato de os apóstolos trabalharem com as mãos foi às vezes por necessidade, às vezes por supererrogação. Foi por necessidade quando não recebiam de outros o sustento. Por isso uma glosa sobre 1 Coríntios 4,12: «Trabalhamos, obrando com nossas próprias mãos», acrescenta: «porque ninguém nos dá.» Foi por supererrogação, como se vê em 1 Coríntios 9,12, onde o Apóstolo diz que não usou do poder que tinha de viver do Evangelho. O Apóstolo recorreu a esta supererrogação por três motivos. Primeiro, para tirar aos falsos apóstolos o pretexto de pregar, pois pregavam apenas por vantagem temporal; por isso diz (2 Coríntios 11,12): «O que faço, isso farei, para cortar a ocasião àqueles que a desejam», etc. Segundo, para não sobrecarregar aqueles a quem pregava; por isso diz (2 Coríntios 12,13): «Em que fostes inferiores às outras igrejas, senão em que eu mesmo vos não fui pesado?» Terceiro, para dar exemplo de trabalho aos ociosos; por isso diz (2 Tessalonicenses 3,8-9): «Trabalhámos noite e dia . . . para nos darmos a vós como modelo, para nos imitardes.» Contudo, o Apóstolo não o fez em lugares como Atenas, onde tinha facilidade para pregar diariamente, como observa Agostinho (Das Obras dos Monges, XVIII). Todavia, os religiosos não são por isso obrigados a imitar o Apóstolo neste ponto, pois não são obrigados a todas as obras de supererrogação; por isso também os outros apóstolos não trabalhavam com as mãos.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether religious are bound to manual labor? · séc. XIII

tradução automática