Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que a tristeza não pode ser um bem útil. Pois está escrito (Eclesiástico 30:25): "A tristeza matou a muitos, e não há proveito nela". Objeção 2: Ademais, a escolha é daquilo que é útil para um fim. Ora, a tristeza não é objeto de escolha; de fato, "uma coisa sem tristeza deve ser escolhida antes do que a mesma coisa com tristeza" (Tópicos iii, 2). Logo, a tristeza não é um bem útil. Objeção 3: Ademais, "tudo é por causa da sua própria operação", como se diz em De Caelo ii, 3. Ora, "a tristeza impede a operação", como se diz na Ética x, 5. Logo, a tristeza não é um bem útil. Em sentido contrário, o sábio busca apenas o que é útil. Ora, segundo Eclesiastes 7:5, "o coração do sábio está onde há luto, e o coração dos tolos onde há alegria". Logo, a tristeza é útil. Respondo que um duplo movimento do apetite decorre de um mal presente. Um é aquele pelo qual o apetite se opõe ao mal presente; e, a este respeito, a tristeza não é útil; porque o que está presente não pode não estar presente. O outro movimento surge no apetite com o efeito de evitar ou expulsar o mal entristecedor; e, a este respeito, a tristeza é útil, se for por algo que deve ser evitado. Porque há duas razões pelas quais pode ser justo evitar uma coisa. Primeiro, porque deve ser evitada em si mesma, por ser contrária ao bem; por exemplo, o pecado. Por onde a tristeza pelo pecado é útil como induzindo o homem a evitar o pecado; daí o Apóstolo dizer (2 Coríntios 7:9): "Alegro-me, não porque fostes entristecidos, mas porque fostes entristecidos para a penitência". Segundo, uma coisa deve ser evitada, não como se fosse má em si mesma, mas porque é ocasião de mal; seja por estar alguém apegado a ela e amá-la demasiadamente, seja por ser precipitado por ela num mal, como é evidente no caso dos bens temporais. E, a este respeito, a tristeza pelos bens temporais pode ser útil; segundo Eclesiastes 7:3: "Melhor é ir à casa do luto do que à casa do festim: porque ali somos lembrados do fim de todos". Além disso, a tristeza por aquilo que deve ser evitado é sempre útil, pois acrescenta outro motivo para evitá-lo. Porque o próprio mal é em si mesmo uma coisa a ser evitada; enquanto todos evitam a tristeza por si mesma, assim como todos buscam o bem e o prazer no bem. Portanto, assim como o prazer no bem faz buscar o bem mais ardentemente, assim a tristeza pelo mal faz evitar o mal mais avidamente. Resposta à Objeção 1: Esta passagem deve ser tomada como referindo-se à tristeza excessiva, que consome a alma: pois tal tristeza paralisa a alma e a impede de evitar o mal, como se disse acima (Q[37], A[2]). Resposta à Objeção 2: Assim como qualquer objeto de escolha se torna menos elegível por causa da tristeza, assim aquilo que deve ser evitado é ainda mais para ser evitado por causa da tristeza; e, a este respeito, a tristeza é útil. Resposta à Objeção 3: A tristeza causada por uma ação impede essa ação; mas a tristeza pela cessação de uma ação faz com que se realize mais diligentemente.
Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether sorrow can be a useful good? · séc. XIII
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