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2Cor 7, 9

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Matos Soares

9agora folgo, não de vos ter entristecido, mas de que a vossa tristeza vos levou à penitência. Entristecestes-vos segundo Deus, de sorte que em nada recebestes detrimento de nós,

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a tristeza não pode ser um bem útil. Pois está escrito (Eclesiástico 30:25): "A tristeza matou a muitos, e não há proveito nela". Objeção 2: Ademais, a escolha é daquilo que é útil para um fim. Ora, a tristeza não é objeto de escolha; de fato, "uma coisa sem tristeza deve ser escolhida antes do que a mesma coisa com tristeza" (Tópicos iii, 2). Logo, a tristeza não é um bem útil. Objeção 3: Ademais, "tudo é por causa da sua própria operação", como se diz em De Caelo ii, 3. Ora, "a tristeza impede a operação", como se diz na Ética x, 5. Logo, a tristeza não é um bem útil. Em sentido contrário, o sábio busca apenas o que é útil. Ora, segundo Eclesiastes 7:5, "o coração do sábio está onde há luto, e o coração dos tolos onde há alegria". Logo, a tristeza é útil. Respondo que um duplo movimento do apetite decorre de um mal presente. Um é aquele pelo qual o apetite se opõe ao mal presente; e, a este respeito, a tristeza não é útil; porque o que está presente não pode não estar presente. O outro movimento surge no apetite com o efeito de evitar ou expulsar o mal entristecedor; e, a este respeito, a tristeza é útil, se for por algo que deve ser evitado. Porque há duas razões pelas quais pode ser justo evitar uma coisa. Primeiro, porque deve ser evitada em si mesma, por ser contrária ao bem; por exemplo, o pecado. Por onde a tristeza pelo pecado é útil como induzindo o homem a evitar o pecado; daí o Apóstolo dizer (2 Coríntios 7:9): "Alegro-me, não porque fostes entristecidos, mas porque fostes entristecidos para a penitência". Segundo, uma coisa deve ser evitada, não como se fosse má em si mesma, mas porque é ocasião de mal; seja por estar alguém apegado a ela e amá-la demasiadamente, seja por ser precipitado por ela num mal, como é evidente no caso dos bens temporais. E, a este respeito, a tristeza pelos bens temporais pode ser útil; segundo Eclesiastes 7:3: "Melhor é ir à casa do luto do que à casa do festim: porque ali somos lembrados do fim de todos". Além disso, a tristeza por aquilo que deve ser evitado é sempre útil, pois acrescenta outro motivo para evitá-lo. Porque o próprio mal é em si mesmo uma coisa a ser evitada; enquanto todos evitam a tristeza por si mesma, assim como todos buscam o bem e o prazer no bem. Portanto, assim como o prazer no bem faz buscar o bem mais ardentemente, assim a tristeza pelo mal faz evitar o mal mais avidamente. Resposta à Objeção 1: Esta passagem deve ser tomada como referindo-se à tristeza excessiva, que consome a alma: pois tal tristeza paralisa a alma e a impede de evitar o mal, como se disse acima (Q[37], A[2]). Resposta à Objeção 2: Assim como qualquer objeto de escolha se torna menos elegível por causa da tristeza, assim aquilo que deve ser evitado é ainda mais para ser evitado por causa da tristeza; e, a este respeito, a tristeza é útil. Resposta à Objeção 3: A tristeza causada por uma ação impede essa ação; mas a tristeza pela cessação de uma ação faz com que se realize mais diligentemente.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether sorrow can be a useful good? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a afabilidade não é uma virtude especial. Com efeito, o Filósofo diz (Ética, VIII, 3) que "a amizade perfeita é aquela que se funda na virtude". Ora, qualquer virtude é causa de amizade, "pois o bem é amável para todos", como afirma Dionísio (Dos Nomes Divinos, IV). Logo, a afabilidade não é uma virtude especial, mas uma consequência de toda virtude. **Objeção 2:** Demais. O Filósofo diz (Ética, IV, 6) acerca desse tipo de amigo que ele "se comporta de modo reto tanto com os que ama como com os que não são seus amigos". Ora, parece pertencer à simulação que alguém mostre sinais de amizade àqueles a quem não ama, e isso é incompatível com a virtude. Portanto, tal afabilidade não é uma virtude. **Objeção 3:** Demais. A virtude "observa o meio-termo conforme o homem prudente decide" (Ética, II, 6). Ora, está escrito (Ecle. 7, 5): "O coração do sábio está onde há pranto, e o coração dos insensatos onde há alegria"; por isso "cabe ao homem virtuoso ser muito cauteloso quanto ao prazer" (Ética, II, 9). Ora, tal afabilidade, segundo o Filósofo (Ética, IV, 6), "é essencialmente desejosa de compartilhar prazeres, mas teme causar dor". Logo, essa espécie de afabilidade não é virtude. **Em sentido contrário,** Os preceitos da lei versam sobre atos de virtude. Ora, está escrito (Eclo. 4, 7): "Faze-te afável para com a assembleia dos pobres." Logo, a afabilidade — que é o que entendemos por amizade — é uma virtude especial. **Respondo que,** como se disse acima (q. 109, a. 2; I-II, q. 55, a. 3), sendo a virtude ordenada ao bem, onde há um bem de espécie especial, necessariamente há de haver uma virtude de espécie especial. Ora, o bem consiste na ordem, como já se afirmou (q. 109, a. 2). E convém que o homem se mantenha em uma ordem conveniente para com os outros homens, no que diz respeito às suas mútuas relações, tanto nas obras como nas palavras, de modo que se comportem uns para com os outros de maneira decorosa. Daí a necessidade de uma virtude especial que mantenha a conveniência dessa ordem; e essa virtude se chama afabilidade. **Resposta à objeção 1:** O Filósofo, em sua Ética, fala de uma dupla amizade. Uma consiste principalmente na afeição pela qual um homem ama a outro, e pode resultar de qualquer virtude. Dissemos acima, ao tratar da caridade (q. 23, a. 1, a. 3, ad 1; qq. 25, 26), o que pertence a essa espécie de amizade. Mas ele menciona outra afabilidade, que consiste meramente nas palavras ou obras exteriores; esta não tem a natureza perfeita da amizade, mas possui certa semelhança com ela, na medida em que o homem se comporta de modo conveniente para com aqueles com quem vive em contato. **Resposta à objeção 2:** Todo homem é naturalmente amigo de todo homem por um certo amor geral; como também está escrito (Eclo. 13, 19): "Todo animal ama o seu semelhante." Esse amor é significado por sinais de amizade que exteriormente mostramos, por palavras ou obras, mesmo para com estranhos ou desconhecidos. Logo, não há nisso dissimulação, porque não lhes mostramos sinais de amizade perfeita; pois não tratamos os estranhos com a mesma intimidade que aqueles que nos estão unidos por uma amizade especial. **Resposta à objeção 3:** Quando se diz que "o coração do sábio está onde há pranto", não é para que ele cause tristeza ao próximo, pois o Apóstolo diz (Rm. 14, 15): "Se, por causa da tua comida, o teu irmão se entristece, tu já não andas segundo a caridade"; mas é para que leve consolação aos tristes, conforme Eclo. 7, 38: "Não falte a tua consolação aos que choram, e anda com os que pranteiam." Da mesma forma, "o coração dos insensatos está onde há alegria", não para que eles alegrem os outros, mas para que gozem da alegria alheia. Assim, cabe ao sábio compartilhar os prazeres com aqueles entre os quais habita — não prazeres lascivos, que a virtude evita, mas prazeres honestos, conforme o Sl. 132, 1: "Eis quão bom e quão suave é que os irmãos habitem em união." Contudo, como diz o Filósofo (Ética, IV, 6), em vista de algum bem que daí resultará, ou para evitar algum mal, o homem virtuoso às vezes não se abstém de causar tristeza àqueles com quem vive. Por isso o Apóstolo diz (2Cor. 7, 8): "Ainda que vos entristeci pela minha epístola, não me arrependo", e adiante (2Cor. 7, 9): "Alegro-me, não porque fostes entristecidos, mas porque fostes entristecidos para o arrependimento." Por essa razão, não devemos mostrar rosto alegre aos que se entregam ao pecado, para lhes agradar, a fim de não parecermos consentir com o seu pecado e de certo modo encorajá-los a pecar mais. Assim está escrito (Eclo. 7, 26): "Tens filhas? Vela pelo seu corpo, e não lhes mostres o teu rosto alegre."

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether friendliness is a special virtue? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a tristeza não pode ser um bem útil. Porque está escrito (Eclesiástico 30,25): «A tristeza matou a muitos, e não há proveito nela.» Objeção 2: Além disso, a escolha é daquilo que é útil para um fim. Ora, a tristeza não é objeto de escolha; na verdade, «uma coisa sem tristeza deve ser escolhida antes que a mesma coisa com tristeza» (Tópicos III, 2). Logo, a tristeza não é um bem útil. Objeção 3: Além disso, «Tudo é por causa da sua própria operação», como se afirma em *Dos Céus* II, 3. Mas «a tristeza impede a operação», como se afirma na *Ética* X, 5. Logo, a tristeza não é um bem útil. Ao contrário, o sábio só busca aquilo que é útil. Mas, segundo Eclesiastes 7,5, «o coração do sábio está onde há luto, e o coração dos insensatos onde há alegria». Logo, a tristeza é útil. Respondo que, do mal presente, segue-se um duplo movimento do apetite. Um é pelo qual o apetite se opõe ao mal presente; e, neste respeito, a tristeza é de nenhum proveito; porque aquilo que é presente não pode não ser presente. O outro movimento surge no apetite com o fim de evitar ou expelir o mal que entristece; e, neste respeito, a tristeza é de utilidade, se for por algo que deva ser evitado. Porque há duas razões pelas quais pode ser reto evitar uma coisa. Primeiro, porque deve ser evitada em si mesma, por ser contrária ao bem; por exemplo, o pecado. Por isso a tristeza pelo pecado é útil, induzindo o homem a evitar o pecado; donde o Apóstolo dizer (2 Coríntios 7,9): «Alegro-me, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para a penitência.» Segundo, uma coisa deve ser evitada, não como se fosse má em si mesma, mas porque é ocasião de mal; ou por se estar a ela afeiçoado, e amando-a demasiado, ou por ser por ela precipitado num mal, como é evidente no caso dos bens temporais. E, neste respeito, a tristeza pelos bens temporais pode ser útil; segundo Eclesiastes 7,3: «Melhor é ir à casa de luto do que à casa de festim; porque naquela se nos lembra o fim de todos os homens.» Além disso, a tristeza por aquilo que deve ser evitado é sempre útil, pois acrescenta outro motivo para o evitar. Porque o próprio mal é em si mesmo uma coisa a evitar; ao passo que todos evitam a tristeza por si mesma, assim como todos buscam o bem e o prazer no bem. Portanto, assim como o prazer no bem faz buscar o bem mais ardentemente, assim a tristeza pelo mal faz evitar o mal mais ansiosamente. Resposta à Objeção 1: Esta passagem deve ser entendida como referindo-se à tristeza excessiva, que consome a alma; porque tal tristeza paralisa a alma e a impede de evitar o mal, como foi dito acima (Q. 37, A. 2). Resposta à Objeção 2: Assim como qualquer objeto de escolha se torna menos elegível por causa da tristeza, assim aquilo que deve ser evitado é ainda mais evitável por causa da tristeza; e, neste respeito, a tristeza é útil. Resposta à Objeção 3: A tristeza causada por uma ação impede essa ação; mas a tristeza pela cessação de uma ação faz com que se a execute mais ardentemente.

Summa Theologiae — First Part · Article. 3 - Whether sorrow can be a useful good? · séc. XIII

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2Cor 7, 9 nos Padres da Igreja | Aurea