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At 17, 28

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Matos Soares

28porque nele vivemos, nos movemos e existimos, como até o disseram alguns dos vossos poetas: "Somos verdadeiramente da sua linhagem."

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que esta doutrina não é matéria de argumento. Pois Ambrósio diz (De Fide 1): «Deixai de lado os argumentos onde se busca a fé.» Ora, nesta doutrina busca-se especialmente a fé: «Estas coisas, porém, foram escritas para que vós creiais» (Jo 20,31). Logo, a sacra doutrina não é matéria de argumento. Objeção 2: Demais, se é matéria de argumento, o argumento ou é de autoridade ou de razão. Se é de autoridade, parece não convir à sua dignidade, pois a prova de autoridade é a mais fraca das provas. Mas se é de razão, isto não convém ao seu fim, porque, segundo Gregório (Hom. 26), «a fé não tem mérito naquelas coisas de que a razão humana traz a sua própria experiência». Logo, a sacra doutrina não é matéria de argumento. Em contrário, a Escritura diz que o bispo deve «reter a fiel palavra, que é conforme à doutrina, para que seja poderoso para exortar com a sã doutrina e convencer os contradizentes» (Tt 1,9). Respondo que, assim como as outras ciências não argumentam em prova de seus princípios, mas a partir de seus princípios argumentam para demonstrar outras verdades nessas ciências, assim também esta doutrina não argumenta em prova de seus princípios, que são os artigos de fé, mas a partir deles passa a provar algo mais; como o Apóstolo, a partir da ressurreição de Cristo, argumenta em prova da ressurreição geral (1 Cor 15). Contudo, deve-se ter em mente, no que diz respeito às ciências filosóficas, que as ciências inferiores nem provam seus princípios nem disputam com quem os nega, mas deixam isso a uma ciência superior; enquanto a mais elevada delas, a saber, a metafísica, pode disputar com quem nega seus princípios, se ao menos o oponente fizer alguma concessão; mas se ele nada concede, não pode ter disputa com ele, embora possa responder às suas objeções. Por isso, a Sagrada Escritura, por não ter nenhuma ciência acima de si, pode disputar com quem nega seus princípios somente se o oponente admitir ao menos algumas das verdades obtidas por revelação divina; assim podemos argumentar com hereges a partir de textos da Sagrada Escritura, e contra aqueles que negam um artigo de fé podemos argumentar a partir de outro. Se nosso oponente não crê em nada da revelação divina, já não há meio de provar os artigos de fé pelo raciocínio, mas apenas de responder às suas objeções — se ele as tiver — contra a fé. Visto que a fé se funda na verdade infalível, e que o contrário de uma verdade nunca pode ser demonstrado, é claro que os argumentos trazidos contra a fé não podem ser demonstrações, mas são dificuldades que podem ser respondidas. Resposta à Objeção 1: Embora argumentos da razão humana não possam valer para provar o que deve ser recebido pela fé, contudo esta doutrina argumenta a partir dos artigos de fé para outras verdades. Resposta à Objeção 2: Esta doutrina baseia-se especialmente em argumentos de autoridade, na medida em que seus princípios são obtidos por revelação: assim devemos crer na autoridade daqueles a quem foi feita a revelação. E isso não diminui a dignidade desta doutrina, pois, embora o argumento de autoridade fundado na razão humana seja o mais fraco, contudo o argumento de autoridade fundado na revelação divina é o mais forte. Mas a sacra doutrina faz uso também da razão humana, não, por certo, para provar a fé (pois então o mérito da fé cessaria), mas para esclarecer outras coisas que são apresentadas nesta doutrina. Visto que a graça não destrói a natureza, mas a aperfeiçoa, a razão natural deve ministrar à fé como a inclinação natural da vontade ministra à caridade. Por isso o Apóstolo diz: «Levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo» (2 Cor 10,5). Assim, a sacra doutrina faz uso também da autoridade dos filósofos naquelas questões em que eles puderam conhecer a verdade pela razão natural, como Paulo cita um dito de Arato: «Como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois nós somos também sua descendência» (At 17,28). Contudo, a sacra doutrina usa essas autoridades como argumentos extrínsecos e prováveis; mas usa propriamente a autoridade das Escrituras canônicas como prova incontroversa, e a autoridade dos doutores da Igreja como algo que pode ser usado propriamente, mas apenas como provável. Pois nossa fé se funda na revelação feita aos apóstolos e profetas que escreveram os livros canônicos, e não nas revelações (se é que as houve) feitas a outros doutores. Por isso Agostinho diz (Ep. a Jerônimo, XIX, 1): «Somente os livros da Escritura que são chamados canônicos aprendi a ter em tal honra que acredito que seus autores não erraram de modo algum ao escrevê-los. Mas os outros autores leio de tal maneira que não julgo tudo em suas obras ser verdadeiro, unicamente por eles assim terem pensado e escrito, seja qual for a sua santidade e doutrina.»

Summa Theologiae — First Part · Article. 8 - Whether sacred doctrine is a matter of argument? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que nem todas as coisas são vida em Deus. Porque está escrito (Atos 17,28): “Nele vivemos, e nos movemos, e existimos.” Ora, nem todas as coisas em Deus são movimento. Logo, nem todas são vida nEle. Objeção 2: Ademais, todas as coisas estão em Deus como seu primeiro modelo. Ora, as coisas modeladas devem conformar-se ao modelo. Visto, pois, que nem todas as coisas têm vida em si mesmas, parece que nem todas as coisas são vida em Deus. Objeção 3: Ademais, como diz Agostinho (A Verdadeira Religião, 29), uma substância viva é melhor que uma substância que não vive. Se, portanto, as coisas que em si mesmas não têm vida são vida em Deus, parece que as coisas existem mais verdadeiramente em Deus do que em si mesmas. Mas isto parece falso; porque em si mesmas existem atualmente, mas em Deus potencialmente. Objeção 4: Ademais, assim como as coisas boas e as coisas feitas no tempo são conhecidas por Deus, assim também as más e as que Deus pode fazer, mas nunca serão feitas. Se, portanto, todas as coisas são vida em Deus, enquanto conhecidas por Ele, parece que até as coisas más e as que nunca serão feitas são vida em Deus, como conhecidas por Ele; e isto parece inadmissível. Em contrário, está dito (João 1,3-4): “O que foi feito, nEle era vida.” Ora, todas as coisas foram feitas, exceto Deus. Logo, todas as coisas são vida em Deus. Respondo que: Em Deus, viver é entender, como antes se afirmou (Art. 3). Em Deus, o intelecto, a coisa entendida e o ato de entender são uma só e mesma coisa. Portanto, tudo o que está em Deus como entendido é o próprio viver ou a vida de Deus. Ora, visto que todas as coisas que foram feitas por Deus estão nEle como coisas entendidas, segue-se que todas as coisas nEle são a própria vida divina. Resposta à Objeção 1: As criaturas são ditas estar em Deus de duplo modo. De um modo, enquanto são mantidas e conservadas pelo poder divino; assim como dizemos que as coisas que estão em nosso poder estão em nós. E desse modo se diz que as criaturas estão em Deus, assim como existem em suas próprias naturezas. Nesse sentido devemos entender as palavras do Apóstolo quando diz: “Nele vivemos, nos movemos e existimos” — pois o nosso existir, viver e mover-se são causados por Deus. De outro modo, as coisas são ditas estar em Deus como nAquele que as conhece; nesse sentido estão em Deus por suas ideias próprias, que em Deus não são distintas da essência divina. Portanto, as coisas como estão em Deus são a essência divina. E, sendo a essência divina vida e não movimento, segue-se que as coisas existentes em Deus desse modo não são movimento, mas vida. Resposta à Objeção 2: A coisa modelada deve ser semelhante ao modelo quanto à forma, não quanto ao modo de ser. Pois, às vezes, a forma tem no modelo um ser de outro gênero daquele que tem na coisa modelada. Assim, a forma de uma casa tem na mente do arquiteto um ser imaterial e inteligível; mas na casa que existe fora de sua mente, um ser material e sensível. Portanto, as ideias das coisas, embora não existam em si mesmas, são vida na mente divina, como tendo nela uma existência divina. Resposta à Objeção 3: Se apenas a forma, e não a matéria, pertencesse às coisas naturais, então, em todos os aspectos, as coisas naturais existiriam mais verdadeiramente na mente divina, por suas ideias, do que em si mesmas. Por essa razão, de fato, Platão sustentava que o “homem separado” era o verdadeiro homem; e que o homem existente na matéria é homem apenas por participação. Mas, como a matéria entra no ser das coisas naturais, devemos dizer que essas coisas têm simplesmente o ser na mente divina mais verdadeiramente do que em si mesmas, porque nessa mente têm um ser incriado, mas em si mesmas um ser criado; ao passo que este ser particular — por exemplo, um homem ou um cavalo — tem este ser mais verdadeiramente em sua própria natureza do que na mente divina, porque pertence à natureza humana ser material, o que, como existente na mente divina, não é. Assim também uma casa tem ser mais nobre na mente do arquiteto do que na matéria; contudo, a casa material é chamada casa mais verdadeiramente do que a que existe na mente; pois aquela é atual, esta apenas potencial. Resposta à Objeção 4: Embora as coisas más estejam no conhecimento de Deus, como compreendidas sob esse conhecimento, todavia não estão em Deus como criadas por Ele, ou conservadas por Ele, ou como tendo seu tipo nEle. Elas são conhecidas por Deus através dos tipos das coisas boas. Por isso não se pode dizer que as coisas más são vida em Deus. Quanto às coisas que não são no tempo, podem ser chamadas vida em Deus na medida em que vida significa apenas entendimento, e enquanto são entendidas por Deus; mas não na medida em que vida implica um princípio de operação.

Summa Theologiae — First Part · Article. 4 - Whether all things are life in God? · séc. XIII

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At 17, 28 nos Padres da Igreja | Aurea