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At 2, 24

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Matos Soares

24Deus o ressuscitou livrando-o dos laços da morte, porquanto era impossível que por esta fosse retido.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que Cristo desceu ao inferno dos condenados, porque está dito pela boca da Sabedoria divina (Eclo 24,45): «Penetrarei todas as partes inferiores da terra.» Ora, o inferno dos condenados se conta entre as partes inferiores da terra, segundo o Sl 62,10: «Irão às partes inferiores da terra.» Logo, Cristo, que é a Sabedoria de Deus, desceu até ao inferno dos condenados. **Objeção 2:** Demais, Pedro diz (At 2,24) que «Deus ressuscitou a Cristo, desatadas as dores do inferno, porquanto era impossível que Ele fosse retido por ele.» Ora, não há dores no inferno dos Padres, nem no inferno das crianças, pois não são punidos com dor sensível por nenhum pecado atual, mas tão-somente com a pena de dano pelo pecado original. Portanto, Cristo desceu ao inferno dos condenados, ou então ao Purgatório, onde os homens são atormentados com dor sensível por pecados atuais. **Objeção 3:** Demais, está escrito (1 Pe 3,19) que «Cristo, indo em espírito, pregou aos espíritos que estavam na prisão, os quais noutro tempo foram incrédulos»; e isto se entende da descida de Cristo ao inferno, como diz Atanásio (Ep. ad Epict.). Pois diz que «o corpo de Cristo foi posto no sepulcro quando Ele foi pregar aos espíritos que estavam em cativeiro, como disse Pedro.» Mas é claro que os incrédulos estavam no inferno dos condenados. Logo, Cristo desceu ao inferno dos condenados. **Objeção 4:** Demais, Agostinho diz (Ep. ad Evod. clxiv): «Se as sagradas Escrituras tivessem dito que Cristo veio ao seio de Abraão, sem nomear o inferno nem suas dores, pergunto se alguém ousaria afirmar que Ele desceu ao inferno. Mas, como testemunhos evidentes mencionam o inferno e suas dores, não há razão para crer que Cristo foi para lá senão para livrar os homens dessas mesmas dores.» Ora, o lugar das dores é o inferno dos condenados. Logo, Cristo desceu ao inferno dos condenados. **Objeção 5:** Demais, como diz Agostinho num sermão sobre a Ressurreição: Cristo, descendo ao inferno, «libertou todos os justos que estavam detidos nos laços do pecado original.» Entre eles estava Jó, que diz de si mesmo (Jó 17,16): «Tudo quanto tenho descerá ao profundo abismo.» Portanto, Cristo desceu ao profundo abismo. **Em contrário:** Acerca do inferno dos condenados está escrito (Jó 10,21): «Antes que eu vá, e não volte mais, a uma terra tenebrosa e coberta da névoa da morte.» Ora, não há «comunhão da luz com as trevas», segundo 2 Cor 6,14. Logo, Cristo, que é «a luz», não desceu ao inferno dos condenados. **Respondo:** Diz-se que uma coisa está num lugar de dois modos. Primeiro, pelo seu efeito; e deste modo Cristo desceu a cada um dos infernos, mas de maneira diversa. Pois, descendo ao inferno dos condenados, produziu este efeito: que, descendo aí, os envergonhou por sua incredulidade e malícia; mas àqueles que estavam detidos no Purgatório deu esperança de alcançar a glória; enquanto aos santos Padres detidos no inferno unicamente pelo pecado original, derramou a luz da glória eterna. De outro modo, diz-se que uma coisa está num lugar pela sua essência; e deste modo a alma de Cristo desceu somente àquela parte do inferno onde os justos estavam detidos, de modo que os visitou «localmente», quanto à sua alma, a quem visitava «interiormente pela graça», quanto à sua Divindade. Portanto, permanecendo numa parte do inferno, produziu este efeito de certo modo em toda a parte do inferno, assim como, padecendo numa parte da terra, livrou o mundo inteiro pela sua Paixão. **Resposta à objeção 1:** Cristo, que é a Sabedoria de Deus, penetrou todas as partes inferiores da terra, não passando por elas localmente com a sua alma, mas difundindo nelas de certo modo os efeitos do seu poder; contudo, só iluminou os justos, porque o texto citado continua: «E iluminarei todos os que esperam no Senhor.» **Resposta à objeção 2:** A dor é dupla. Uma é o sofrimento da pena que os homens suportam pelo pecado atual, segundo o Sl 17,6: «Cercaram-me as dores do inferno.» Outra dor provém da esperança da glória diferida, segundo Pv 13,12: «A esperança que se difere aflige a alma»; e tal era a dor que os santos Padres sofriam no inferno, e Agostinho a ela se refere num sermão sobre a Paixão, dizendo que «rogavam a Cristo com lágrimas e súplicas.» Ora, descendo ao inferno, Cristo tirou ambas as dores, mas de modos diversos: pois removeu as dores das penas preservando as almas delas, assim como se diz que um médico livra um homem da doença afastando-a com remédio. Do mesmo modo, removeu as dores causadas pela glória diferida, conferindo a glória. **Resposta à objeção 3:** Estas palavras de Pedro são referidas por alguns à descida de Cristo ao inferno; e as explicam neste sentido: «Cristo pregou àqueles que outrora foram incrédulos e estavam encerrados na prisão» — isto é, no inferno — «em espírito» — isto é, pela sua alma. Por isso, Damasceno diz (De Fide Orth. iii): «Assim como evangelizou os que estão sobre a terra, assim também os que estavam no inferno»; não para converter os incrédulos à fé, mas para envergonhá-los da sua incredulidade, pois a pregação não pode entender-se senão como a manifestação aberta da sua Divindade, que lhes foi patenteada nas regiões inferiores pela sua descida em poder ao inferno. Contudo, Agostinho oferece uma melhor exposição do texto na sua Epístola a Evódio já citada, a saber, que a pregação não se refere à descida de Cristo ao inferno, mas à operação da sua Divindade, à qual deu efeito desde o princípio do mundo. Consequentemente, o sentido é que «àqueles (espíritos) que estavam na prisão» — isto é, vivendo no corpo mortal, que é como que a prisão da alma — «pelo espírito» da sua Divindade «veio e pregou» por inspirações internas e externamente pelas admoestações proferidas pelos justos; àqueles, digo, pregou «que noutro tempo foram incrédulos», isto é, não creram na pregação de Noé, «quando esperavam a paciência de Deus», pela qual se adiava o castigo do dilúvio; por isso, (Pedro) acrescenta: «Nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca.» **Resposta à objeção 4:** A expressão «seio de Abraão» pode tomar-se de dois modos. Primeiro, como significando aquele descanso, ali existente, da dor sensível; de modo que, neste sentido, não pode chamar-se inferno, nem há nele dores. De outro modo, pode tomar-se como significando a privação da glória desejada; neste sentido, tem caráter de inferno e de dor. Por consequência, aquele descanso dos bem-aventurados chama-se agora seio de Abraão, contudo não se denomina inferno, nem se diz que há agora dores no seio de Abraão. **Resposta à objeção 5:** Como diz Gregório (Moral. xiii): «As regiões superiores do inferno, ele chama de profundo abismo... Pois, se relativamente à altura do céu este ar tenebroso é infernal, então relativamente à altura deste mesmo ar, a terra subjacente pode considerar-se infernal e profunda. E ainda, em comparação com a altura da mesma terra, aquelas partes do inferno que são mais altas que as outras mansões infernais podem, deste modo, designar-se como o profundo abismo.»

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ went down into the hell of the lost? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que Cristo não fez nenhuma estada no inferno. Pois Cristo desceu ao inferno para dali libertar os homens. Ora, Ele realizou essa libertação de uma vez pela sua descida, pois, segundo Eclesiástico 11,23: «É fácil aos olhos de Deus fazer de repente rico ao pobre homem.» Logo, parece que Ele não tardou no inferno. **Objeção 2:** Além disso, Agostinho diz num sermão sobre a Paixão (clx) que «de repente, à ordem de nosso Senhor e Salvador, todas as barras de ferro foram quebradas» (Cf. Isaías 45,2). Por isso, em nome dos anjos que acompanhavam Cristo, está escrito (Salmo 23,7.9): «Levantai, ó príncipes, as vossas portas.» Ora, Cristo desceu ali para quebrar os ferrolhos do inferno. Portanto, não fez nenhuma estada no inferno. **Objeção 3:** Além disso, narra-se (Lucas 23,43) que nosso Senhor, enquanto pendia na cruz, disse ao ladrão: «Hoje estarás comigo no paraíso»; do que se conclui que Cristo esteve no paraíso naquele mesmo dia. Ora, não esteve ali com o corpo, pois este jazia no sepulcro. Logo, esteve ali com a alma, que descera ao inferno; e, consequentemente, parece que não fez estada no inferno. **Em contrário,** Pedro diz (Atos 2,24): «A quem Deus ressuscitou, soltas as dores do inferno, pois era impossível que por ele fosse retido.» Portanto, parece que permaneceu no inferno até a hora da Ressurreição. **Respondo que,** assim como Cristo, para tomar sobre si as nossas penas, quis que o seu corpo fosse depositado no sepulcro, do mesmo modo quis que a sua alma descesse ao inferno. Ora, o corpo jazia no sepulcro durante um dia e duas noites, para demonstrar a verdade da sua morte. Consequentemente, deve-se crer que a sua alma esteve no inferno, a fim de que fosse trazida de volta do inferno simultaneamente com o corpo do sepulcro. **Resposta à objeção 1:** Quando Cristo desceu ao inferno, libertou os santos que ali estavam, não tirando-os imediatamente dos confins do inferno, mas iluminando-os com a luz da glória no próprio inferno. Todavia, convinha que a sua alma permanecesse no inferno enquanto o seu corpo permanecia no sepulcro. **Resposta à objeção 2:** Pela expressão «ferrolhos do inferno» entendem-se os obstáculos que impediam os Santos Padres de sair do inferno, por causa da culpa do pecado de nosso primeiro pai; e esses ferrolhos Cristo os quebrou pelo poder da sua Paixão ao descer ao inferno; no entanto, quis permanecer no inferno por algum tempo, pela razão já exposta. **Resposta à objeção 3:** A expressão de nosso Senhor não deve ser entendida do paraíso terrestre e corpóreo, mas de um paraíso espiritual, no qual se diz que estão todos os que gozam da glória divina. Assim, o ladrão desceu localmente ao inferno com Cristo, porque lhe foi dito: «Hoje estarás comigo no paraíso»; contudo, quanto ao prêmio, estava no paraíso, porque gozava da Divindade de Cristo, como os demais santos.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether Christ made any stay in hell? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que não foi conveniente Cristo ter ressuscitado ao terceiro dia. Porque os membros devem estar em conformidade com a sua cabeça. Mas nós, que somos seus membros, não ressuscitamos da morte ao terceiro dia, pois a nossa ressurreição é adiada até o fim do mundo. Logo, parece que Cristo, que é a nossa cabeça, não deveria ter ressuscitado ao terceiro dia, mas que a sua Ressurreição deveria ter sido adiada até o fim do mundo. Objecção 2: Além disso, disse Pedro (Actos 2,24) que «era impossível que Cristo fosse retido pelo inferno» e pela morte. Logo, parece que a ressurreição de Cristo não devia ter sido adiada até o terceiro dia, mas que Ele devia ter ressuscitado imediatamente no mesmo dia; especialmente porque a glosa citada acima (A[1]) diz que «nenhum proveito há na efusão do sangue de Cristo, se Ele não ressuscitou imediatamente». Objecção 3: O dia parece começar com o nascer do sol, cuja presença causa o dia. Mas Cristo ressuscitou antes do nascer do sol: porque está relatado (João 20,1) que «Maria Madalena vem de madrugada, estando ainda escuro, ao sepulcro»; mas Cristo já tinha ressuscitado, pois em seguida se diz: «E viu a pedra retirada do sepulcro». Portanto, Cristo não ressuscitou ao terceiro dia. Em contrário, está escrito (Mateus 20,19): «E o entregarão aos gentios para ser escarnecido, e açoitado, e crucificado, e ao terceiro dia ressuscitará». Respondo: Como foi dito acima (A[1]), a Ressurreição de Cristo foi necessária para a instrução da nossa fé. Ora, a nossa fé diz respeito à Divindade e à humanidade de Cristo, pois não basta crer numa sem a outra, como é evidente pelo que foi dito (Q[36], A[4]; cf. SS, Q[2], AA[7],8). Por conseguinte, para que a nossa fé na verdade da sua Divindade fosse confirmada, foi necessário que Ele ressuscitasse prontamente, e que a sua Ressurreição não fosse adiada até o fim do mundo. Mas para confirmar a nossa fé acerca da verdade da sua humanidade e morte, foi necessário que houvesse algum intervalo entre a sua morte e a sua ressurreição. Porque, se Ele tivesse ressuscitado imediatamente após a morte, poderia parecer que a sua morte não foi genuína e, consequentemente, também a sua Ressurreição não seria verdadeira. Mas para estabelecer a verdade da morte de Cristo, bastou que a sua ressurreição fosse adiada até o terceiro dia, porque dentro desse tempo aparecem sempre alguns sinais de vida naquele que parece morto, estando, todavia, vivo. Além disso, pela sua ressurreição ao terceiro dia, é louvada a perfeição do número «três», que é «o número de tudo», por ter «princípio, meio e fim», como se diz no livro Do Céu, I. Também no sentido místico somos ensinados que Cristo, por «sua única morte» (isto é, do corpo), que era luz, por causa da sua justiça, «destruiu as nossas duas mortes» (isto é, da alma e do corpo), que são trevas por causa do pecado; consequentemente, permaneceu na morte por um dia e duas noites, como observa Agostinho (De Trinitate, IV). E por isso também se significa que uma terceira época começou com a Ressurreição: pois a primeira foi antes da Lei; a segunda sob a Lei; e a terceira sob a graça. Além disso, o terceiro estado dos santos começou com a Ressurreição de Cristo: pois o primeiro foi sob as figuras da Lei; o segundo sob a verdade da fé; enquanto o terceiro será na eternidade da glória, que Cristo inaugurou ressuscitando. Resposta à objecção 1: A cabeça e os membros são semelhantes na natureza, mas não no poder; porque o poder da cabeça é mais excelente que o dos membros. Por conseguinte, para manifestar a excelência do poder de Cristo, foi conveniente que Ele ressuscitasse ao terceiro dia, enquanto a ressurreição dos demais é adiada até o fim do mundo. Resposta à objecção 2: A detenção implica uma certa compulsão. Mas Cristo não foi retido por nenhuma necessidade da morte, mas foi «livre entre os mortos»; e portanto permaneceu um pouco na morte, não como alguém retido, mas por sua própria vontade, apenas pelo tempo que julgou necessário para a instrução da nossa fé. E diz-se que uma obra é feita «imediatamente» quando é realizada dentro de um curto espaço de tempo. Resposta à objecção 3: Como foi dito acima (Q[51], A[4], ad 1,2), Cristo ressuscitou de madrugada, quando o dia começava a raiar, para significar que pela sua Ressurreição nos trouxe à luz da glória; assim como morreu quando o dia se aproximava do fim e se encaminhava para as trevas, a fim de significar que pela sua morte destruiria as trevas do pecado e da sua pena. No entanto, diz-se que ressuscitou ao terceiro dia, tomando o dia como dia natural que contém vinte e quatro horas. E, como diz Agostinho (De Trinitate, IV): «A noite até a aurora, quando foi proclamada a Ressurreição do Senhor, pertence ao terceiro dia. Porque Deus, que fez brilhar a luz das trevas, para que, pela graça do Novo Testamento e pela participação na ressurreição de Cristo, ouçamos isto — 'outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor' — insinua de certo modo que o dia tira a sua origem da noite: pois, assim como os primeiros dias são contados da luz para as trevas por causa da queda vindoura do homem, assim estes dias são contados das trevas para a luz por causa da restauração do homem.» E assim é evidente que, mesmo se tivesse ressuscitado à meia-noite, poderia dizer-se que ressuscitou ao terceiro dia, tomando-o como dia natural. Mas agora, tendo ressuscitado de madrugada, pode afirmar-se que ressuscitou ao terceiro dia, mesmo tomando o dia artificial que é causado pela presença do sol, porque o sol já tinha começado a iluminar o céu. Por isso está escrito (Marcos 16,2) que «as mulheres vão ao sepulcro, tendo já nascido o sol»; o que não é contrário à afirmação de João «estando ainda escuro», como diz Agostinho (Da Concordância dos Evangelhos, III), «porque, à medida que o dia avança, quanto mais a luz sobe, mais são dissipadas as sombras restantes.» Mas quando Marcos diz «tendo já nascido o sol», não se deve entender como se o sol já estivesse aparente sobre o horizonte, mas como vindo prestes a essas partes.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether it was fitting for Christ to rise again on the third day? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo não foi a causa da Sua própria Ressurreição. Porque quem é ressuscitado por outrem não é a causa do seu próprio ressurgimento. Mas Cristo foi ressuscitado por outrem, segundo Atos 2,24: «A quem Deus ressuscitou, soltas as dores do inferno»; e Rom. 8,11: «O que ressuscitou a Jesus Cristo dentre os mortos, também vivificará os vossos corpos mortais.» Logo, Cristo não é a causa da Sua própria Ressurreição. Objeção 2: Ademais, ninguém se diz merecer, ou pedir a outrem, aquilo de que ele mesmo é a causa. Mas Cristo pela Sua Paixão mereceu a Ressurreição, como diz Agostinho (Tract. civ in Joan.): «A humildade da Paixão é a causa meritória da glória da Ressurreição.» Além disso, pediu ao Pai que fosse ressuscitado, segundo o Sl. 40,11: «Mas Vós, Senhor, tende misericórdia de mim, e levantai-me outra vez.» Portanto, Ele não foi a causa do Seu ressurgimento. Objeção 3: Ademais, como prova Damasceno (De Fide Orth. iv), não é a alma que ressuscita, mas o corpo, que é ferido pela morte. Mas o corpo não podia unir a alma a si, pois a alma é mais nobre. Portanto, o que ressuscitou em Cristo não podia ser a causa da Sua Ressurreição. Pelo contrário, diz Nosso Senhor (Jo. 10,18): «Ninguém tira a Minha alma de Mim, mas Eu a deponho, e Eu a tomo outra vez.» Ora, ressurgir não é senão tornar a tomar a alma. Logo, parece que Cristo ressurgiu pelo Seu próprio poder. Respondo que, como foi dito acima (Q[50], AA[2],3), em consequência da morte a Divindade de Cristo não foi separada da Sua alma, nem da Sua carne. Consequentemente, tanto a alma como a carne de Cristo morto podem ser consideradas de dois modos: primeiro, quanto à Sua Divindade; segundo, quanto à Sua natureza criada. Portanto, segundo a virtude da Divindade a ela unida, o corpo retomou a alma que havia deposto, e a alma retomou o corpo que havia abandonado: e assim Cristo ressuscitou pelo Seu próprio poder. E é precisamente o que está escrito (2 Cor. 13,4): «Porque, embora tenha sido crucificado por» nossa «fraqueza, contudo vive pelo poder de Deus.» Mas se consideramos o corpo e a alma de Cristo morto segundo o poder da natureza criada, eles não poderiam assim ser reunidos, mas era necessário que Cristo fosse ressuscitado por Deus. Resposta à Objeção 1: O poder divino é o mesmo que a operação do Pai e do Filho; logo, estas duas coisas são mutuamente consequentes: que Cristo foi ressuscitado pelo poder divino do Pai, e pelo Seu próprio poder. Resposta à Objeção 2: Cristo, orando, suplicou e mereceu a Sua Ressurreição como homem, e não como Deus. Resposta à Objeção 3: Segundo a sua natureza criada, o corpo de Cristo não é mais poderoso que a Sua alma; contudo, segundo o seu poder divino, é mais poderoso. Do mesmo modo, a alma, em razão da Divindade a ela unida, é mais poderosa que o corpo quanto à sua natureza criada. Consequentemente, foi pelo poder divino que o corpo e a alma mutuamente se reassumiram, mas não pelo poder da sua natureza criada.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether Christ was the cause of His own Resurrection? · séc. XIII

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