Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que o Espírito Santo não é convenientemente enviado de modo visível. Porque o Filho, enviado visivelmente ao mundo, diz-se menor que o Pai. Mas o Espírito Santo nunca é dito menor que o Pai. Logo, o Espírito Santo não é convenientemente enviado de modo visível. **Objeção 2:** Ademais, a missão visível dá-se por meio da união a uma criatura visível, como a missão do Filho segundo a carne. Mas o Espírito Santo não assumiu criatura visível alguma; e portanto não se pode dizer que Ele existe de modo diverso em algumas criaturas do que em outras, a não ser talvez como em um sinal, assim como também está presente nos sacramentos e em todas as figuras da Lei. Assim, ou o Espírito Santo não é enviado visivelmente de modo algum, ou a sua missão visível se dá em todas essas coisas. **Objeção 3:** Ademais, toda criatura visível é um efeito que manifesta toda a Trindade. Logo, o Espírito Santo não é enviado por meio dessas criaturas visíveis mais do que qualquer outra pessoa. **Objeção 4:** Ademais, o Filho foi enviado visivelmente por meio da mais nobre espécie de criatura – a saber, a natureza humana. Portanto, se o Espírito Santo é enviado visivelmente, deveria ser enviado por meio de criaturas racionais. **Objeção 5:** Ademais, tudo o que é feito visivelmente por Deus é dispensado pelo ministério dos anjos, como diz Agostinho (De Trin. III, 4,5,9). Logo, as aparições visíveis, se houve alguma, vieram por meio dos anjos. Assim, os anjos é que são enviados, e não o Espírito Santo. **Objeção 6:** Ademais, o Espírito Santo ser enviado de modo visível é tão somente para manifestar a missão invisível, assim como as coisas invisíveis são conhecidas pelas visíveis. Portanto, aqueles a quem a missão invisível não foi enviada não deveriam receber a missão visível; e a todos os que receberam a missão invisível, seja no Novo ou no Antigo Testamento, a missão visível deveria igualmente ser enviada; o que é claramente falso. Logo, o Espírito Santo não é enviado visivelmente. **Em contrário,** diz-se (Mt 3,16) que, quando Nosso Senhor foi batizado, o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma de pomba. **Respondo que** Deus provê todas as coisas segundo a natureza de cada uma. Ora, a natureza do homem requer que ele seja conduzido ao invisível pelas coisas visíveis, como se explicou acima (Q. 12, a. 12). Por isso, as coisas invisíveis de Deus devem ser manifestadas ao homem pelas coisas visíveis. Assim como Deus, portanto, de certo modo se manifestou a Si mesmo e as Suas processões eternas aos homens por meio de criaturas visíveis, segundo certos sinais, assim também convinha que as missões invisíveis das pessoas divinas fossem manifestadas por algumas criaturas visíveis. Este modo de manifestação aplica-se de modos diversos ao Filho e ao Espírito Santo. Pois pertence ao Espírito Santo, que procede como Amor, ser o dom da santificação; ao Filho, como princípio do Espírito Santo, pertence ser o autor desta santificação. Assim, o Filho foi enviado visivelmente como autor da santificação; o Espírito Santo como sinal da santificação. **Resposta à objeção 1:** O Filho assumiu a criatura visível, na qual apareceu, na unidade da sua pessoa, de modo que tudo o que se pode dizer daquela criatura se pode dizer do Filho de Deus; e assim, por causa da natureza assumida, o Filho é chamado menor que o Pai. Mas o Espírito Santo não assumiu a criatura visível, na qual apareceu, na unidade da sua pessoa; de modo que o que se diz dela não se pode predicar d'Ele. Por isso, não pode ser chamado menor que o Pai por causa de qualquer criatura visível. **Resposta à objeção 2:** A missão visível do Espírito Santo não se aplica à visão imaginária, que é a da profecia; porque, como diz Agostinho (De Trin. II, 6): «A visão profética não se apresenta aos olhos corporais por formas corpóreas, mas é mostrada no espírito pelas imagens espirituais dos corpos. Mas quem viu a pomba e o fogo, viu-os com os olhos. Nem, tampouco, tem o Espírito Santo a mesma relação com estas imagens que o Filho tem com a rocha, porque está escrito: "A rocha era Cristo" (1 Cor 10,4). Pois aquela rocha já estava criada, e, à maneira de uma ação, foi chamada Cristo, a quem tipificava; enquanto a pomba e o fogo apareceram subitamente para significar apenas o que estava acontecendo. Contudo, parecem semelhantes à chama da sarça ardente vista por Moisés e à coluna que o povo seguiu no deserto, e aos relâmpagos e trovões que irromperam quando a lei foi dada no monte. Pois o propósito das aparições corporais daquelas coisas era que significassem e depois passassem.» Assim, a missão visível não se manifesta nem pela visão profética, que pertence à imaginação e não ao corpo, nem pelos sinais sacramentais do Antigo e do Novo Testamento, nos quais certas coisas preexistentes são empregadas para significar algo. Mas o Espírito Santo é dito enviado visivelmente na medida em que Se mostrou em certas criaturas como em sinais feitos especialmente para esse fim. **Resposta à objeção 3:** Embora toda a Trindade faça essas criaturas, elas são feitas, contudo, para manifestar de algum modo especial esta ou aquela pessoa. Pois assim como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são significados por nomes diversos, assim também podem ser significados cada um por coisas diferentes; embora não exista separação nem diversidade entre Eles. **Resposta à objeção 4:** Era necessário que o Filho fosse declarado o autor da santificação, como se explicou acima. Assim, a missão visível do Filho foi necessariamente feita segundo a natureza racional, à qual pertence agir e que é capaz de santificação; enquanto qualquer outra criatura poderia ser o sinal da santificação. Nem foi necessário que tal criatura visível, formada para tal propósito, fosse assumida pelo Espírito Santo na unidade da sua pessoa, pois não foi assumida ou usada para o propósito de agir, mas apenas para o propósito de um sinal; e, da mesma forma, não se exigiu que durasse além do que o seu uso requeria. **Resposta à objeção 5:** Essas criaturas visíveis foram formadas pelo ministério dos anjos, não para significar a pessoa de um anjo, mas para significar a Pessoa do Espírito Santo. Assim, como o Espírito Santo residia nessas criaturas visíveis como aquele que é significado no sinal, por essa razão o Espírito Santo é dito enviado visivelmente, e não como um anjo. **Resposta à objeção 6:** Não é necessário que a missão invisível seja sempre manifestada por algum sinal visível externo; mas, como está dito (1 Cor 12,7) – «a manifestação do Espírito é dada a cada um para proveito» –, isto é, da Igreja. Esta utilidade consiste na confirmação e propagação da fé por meio de tais sinais visíveis. Isto foi feito principalmente por Cristo e pelos apóstolos, segundo Hb 2,3: «a qual, tendo começado a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos confirmada pelos que a ouviram.» Assim, em um sentido especial, uma missão do Espírito Santo foi dirigida a Cristo, aos apóstolos e a alguns dos primeiros santos sobre os quais a Igreja foi de certo modo fundada; de tal modo, contudo, que a missão visível feita a Cristo manifestasse a missão invisível feita a Ele, não naquele tempo particular, mas no primeiro momento da sua conceição. A missão visível foi dirigida a Cristo no tempo do seu batismo pela figura de uma pomba, animal fecundo, para manifestar em Cristo a autoridade do doador da graça pela regeneração espiritual; por isso a voz do Pai falou: «Este é o Meu Filho amado» (Mt 3,17), para que outros fossem regenerados à semelhança do Unigênito. A Transfiguração manifestou-a na aparição de uma nuvem luminosa, para mostrar a exuberância da doutrina; e por isso foi dito: «Ouvi-O» (Mt 17,5). Aos apóstolos, a missão foi dirigida sob a forma de sopro para manifestar o poder do seu ministério na dispensação dos sacramentos; e por isso foi dito: «Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (Jo 20,23); e novamente sob o sinal de línguas de fogo para manifestar o ofício de ensinar; donde está dito que «começaram a falar em várias línguas» (At 2,4). A missão visível do Espírito Santo não foi convenientemente enviada aos pais do Antigo Testamento, porque a missão visível do Filho devia ser realizada antes da do Espírito Santo; pois o Espírito Santo manifesta o Filho, assim como o Filho manifesta o Pai. Aparições visíveis das pessoas divinas foram, contudo, dadas aos pais do Antigo Testamento, as quais, na verdade, não podem ser chamadas missões visíveis; porque, segundo Agostinho (De Trin. II, 17), não foram enviadas para designar a inabitação da pessoa divina pela graça, mas para manifestação de outra coisa.
Summa Theologiae — First Part · Article. 7 - Whether it is fitting for the Holy Ghost to be sent visibly? · séc. XIII
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