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At 8, 17

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Matos Soares

17Então Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o crisma não é matéria conveniente para este sacramento. Pois este sacramento, conforme foi dito acima (A[1], ad 1), foi instituído por Cristo quando prometeu o Espírito Santo a seus discípulos. Mas Ele lhes enviou o Espírito Santo sem que fossem ungidos com crisma. Além disso, os próprios apóstolos conferiram este sacramento sem crisma, pela simples imposição das mãos, pois está escrito (Atos 8,17) que os apóstolos "impunham as mãos" sobre os que foram batizados, "e eles recebiam o Espírito Santo". Logo, o crisma não é a matéria deste sacramento, visto que a matéria é essencial ao sacramento. **Objeção 2:** Ademais, a Confirmação aperfeiçoa, de certo modo, o sacramento do Batismo, como foi dito acima (Q[65], AA[3],4); e, por isso, deve conformar-se a ele como a perfeição ao que é aperfeiçoado. Ora, a matéria do Batismo é um elemento simples, a saber, a água. Portanto, o crisma, que é feito de óleo e bálsamo, não é matéria conveniente para este sacramento. **Objeção 3:** Ademais, o óleo é usado como matéria deste sacramento com o fim de ungir. Ora, qualquer óleo serve para ungir, por exemplo, o óleo extraído de nozes ou de qualquer outra coisa. Logo, não se deve usar somente o azeite de oliva para este sacramento. **Objeção 4:** Ademais, foi dito acima (Q[66], A[3]) que a água é usada como matéria do Batismo por ser encontrada facilmente em toda parte. Ora, o azeite de oliva não se encontra em toda parte, e muito menos o bálsamo. Portanto, o crisma, que é feito destes, não é matéria conveniente para este sacramento. **Ao contrário,** Gregório diz (Registr. iv): "Nenhum sacerdote ouse assinalar na fronte com o sagrado crisma as crianças batizadas." Logo, o crisma é a matéria deste sacramento. **Respondo que** o crisma é a matéria conveniente para este sacramento. Pois, como foi dito acima (A[1]), neste sacramento é dada a plenitude do Espírito Santo para a fortaleza espiritual que pertence à idade perfeita. Ora, quando o homem chega à idade perfeita, começa desde então a ter relações com os outros; enquanto até então vive, por assim dizer, uma vida individual, encerrado em si mesmo. Ora, a graça do Espírito Santo é significada pelo óleo; por isso, Cristo é dito "ungido com o óleo de alegria" (Sl 44,8), por ser dotado da plenitude do Espírito Santo. Consequentemente, o óleo é matéria adequada para este sacramento. E o bálsamo é misturado ao óleo por causa de seu odor fragrante, que se difunde; donde o Apóstolo diz (2Cor 2,15): "Somos o bom odor de Cristo," etc. E, embora muitas outras coisas sejam fragrantes, dá-se preferência ao bálsamo, porque possui um odor especialíssimo e porque confere incorruptibilidade; por isso está escrito (Eclo 24,21): "Meu odor é como o do bálsamo puríssimo." **Resposta à Objeção 1:** Cristo, pelo poder que exerce nos sacramentos, conferiu aos apóstolos a realidade deste sacramento, isto é, a plenitude do Espírito Santo, sem o sacramento em si, porque eles haviam recebido "as primícias do Espírito" (Rm 8,23). Contudo, algo condizente com a matéria deste sacramento foi manifestado aos apóstolos de modo sensível quando receberam o Espírito Santo. Pois o fato de o Espírito Santo ter descido sobre eles de modo sensível sob a forma de fogo refere-se à mesma significação do óleo, exceto quanto a isto: o fogo tem poder ativo, enquanto o óleo tem poder passivo, por ser a matéria e o incentivo do fogo. E isto foi muito conveniente, porque era por meio dos apóstolos que a graça do Espírito Santo haveria de derramar-se sobre os outros. Também o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos em forma de línguas. Isto se refere à mesma significação do bálsamo, exceto quanto a isto: a língua se comunica com os outros pela palavra, mas o bálsamo, pelo odor; porque, a saber, os apóstolos foram cheios do Espírito Santo como mestres da fé; mas os outros fiéis, como aqueles que praticam o que edifica os fiéis. Do mesmo modo, também, quando os apóstolos impunham as mãos e quando pregavam, a plenitude do Espírito Santo descia, sob sinais visíveis, sobre os fiéis, assim como, no princípio, descera sobre os apóstolos; donde Pedro disse (At 11,15): "Quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós no princípio." Por conseguinte, não havia necessidade de matéria sacramental sensível, onde Deus enviava milagrosamente sinais sensíveis. Contudo, os apóstolos usavam comumente o crisma ao conferir o sacramento, quando faltavam tais sinais visíveis. Pois Dionísio diz (Hier. Ecl. IV): "Há uma certa operação perfectiva que nossos guias," isto é, os apóstolos, "chamam de sacrifício do Crisma." **Resposta à Objeção 2:** O Batismo é conferido para que a vida espiritual seja recebida simplesmente; por isso, convém-lhe matéria simples. Mas este sacramento é dado para que recebamos a plenitude do Espírito Santo, cujas operações são múltiplas, segundo Sb 7,22: "Nela está o Espírito Santo... uno, múltiplo"; e 1Cor 12,4: "Há diversidades de graças, mas o mesmo Espírito." Por conseguinte, uma matéria composta é adequada a este sacramento. **Resposta à Objeção 3:** Essas propriedades do óleo, pelas quais simboliza o Espírito Santo, encontram-se no azeite de oliva mais do que em qualquer outro óleo. De fato, a própria oliveira, por ser sempre verde, significa a operação refrigerante e misericordiosa do Espírito Santo. Além disso, este óleo é chamado óleo propriamente, e é muito usado onde quer que se encontre. E qualquer outro líquido assim chamado, deriva seu nome da semelhança com este óleo; e tais outros não são comumente usados, a não ser para suprir a falta do azeite de oliva. Por isso, este óleo é o único usado para este e alguns outros sacramentos. **Resposta à Objeção 4:** O Batismo é o sacramento de absoluta necessidade; por isso, sua matéria deve estar disponível em toda parte. Mas basta que a matéria deste sacramento, que não é de tão grande necessidade, possa ser facilmente enviada a todas as partes do mundo.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether chrism is a fitting matter for this sacrament? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que a graça santificante não é conferida neste sacramento. Porque a graça santificante é ordenada contra o pecado. Ora, este sacramento, como se disse acima (A[6]), é dado somente aos batizados, que estão purificados do pecado. Logo, a graça santificante não é conferida neste sacramento. Objecção 2: Ademais, os pecadores necessitam sobretudo da graça santificante, pela qual só podem ser justificados. Se, portanto, a graça santificante é conferida neste sacramento, parece que deveria ser dada àqueles que estão em pecado. E todavia isto não é verdade. Objecção 3: Ademais, só pode haver uma espécie de graça santificante, pois ela é ordenada a um único efeito. Ora, duas formas da mesma espécie não podem estar no mesmo sujeito. Logo, como o homem recebe a graça santificante no Batismo, parece que a graça santificante não é conferida na Confirmação, que não é dada senão aos batizados. Em contrário, o Papa Melquíades diz (Ep. ad Episc. Hispan.): «O Espírito Santo concede na fonte a plenitude da inocência; mas na Confirmação confere um aumento de graça.» Respondo que neste sacramento, como se disse acima (AA[1],4), o Espírito Santo é dado aos batizados para fortalecê-los; assim como foi dado aos apóstolos no dia de Pentecostes, como se lê em Atos 2; e assim como foi dado aos batizados pela imposição das mãos dos apóstolos, conforme se relata em Atos 8,17. Ora, foi demonstrado na Primeira Parte (Q.43, A.3) que o Espírito Santo não é enviado nem dado senão com a graça santificante. Por conseguinte, é evidente que a graça santificante é conferida neste sacramento. Resposta à Objecção 1: A graça santificante realmente remove o pecado; mas também tem outros efeitos, porque basta para conduzir o homem por todos os passos até a vida eterna. Por isso foi dito a Paulo (2 Cor 12,9): «A minha graça te basta»; e ele diz de si mesmo (1 Cor 15,10): «Pela graça de Deus sou o que sou.» Portanto, a graça santificante é dada não só para a remissão do pecado, mas também para o crescimento e a estabilidade na justiça. E assim é conferida neste sacramento. Resposta à Objecção 2: Além disso, como se manifesta pelo seu próprio nome, este sacramento é dado para «confirmar» o que já aí encontra. E por consequência não deve ser dado aos que não estão em estado de graça. Por esta razão, assim como não é dado aos não batizados, assim também não deve ser dado aos pecadores adultos, a menos que tenham sido restaurados pela Penitência. Por isso foi decretado no Concílio de Orleans (Cânon iii) que «os homens venham à Confirmação em jejum; e sejam exortados a confessar primeiro os seus pecados, para que, purificados, possam receber o dom do Espírito Santo.» E então este sacramento aperfeiçoa os efeitos da Penitência, assim como os do Batismo; porque, pela graça que recebeu neste sacramento, o penitente obterá mais plena remissão do seu pecado. E se algum adulto se aproximar estando em estado de pecado do qual não tem consciência ou pelo qual não está perfeitamente contrito, receberá a remissão dos seus pecados pela graça conferida neste sacramento. Resposta à Objecção 3: Como se disse acima (Q.62, A.2), a graça sacramental acrescenta à graça santificante tomada em sentido amplo algo que produz um efeito especial, ao qual o sacramento é ordenado. Se, pois, considerarmos em sentido amplo a graça conferida neste sacramento, ela não difere da conferida no Batismo, mas aumenta o que já existia. Por outro lado, se a considerarmos quanto àquilo que é acrescentado sobre e além, então uma difere da outra em espécie.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 7 - Whether sanctifying grace is bestowed in this sacrament? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a imposição das mãos do sacerdote é necessária para este sacramento. Porquanto está escrito (Mc 16,18): «Porão as mãos sobre os enfermos, e estes recuperarão a saúde.» Ora, os pecadores estão espiritualmente enfermos e obtêm a recuperação mediante este sacramento. Logo, neste sacramento deve-se fazer a imposição das mãos. Objeção 2: Demais, neste sacramento o homem recupera o Espírito Santo que havia perdido, pelo que se diz na pessoa do penitente (Sl 1,14): «Restitui-me a alegria da Tua salvação, e fortalece-me com um espírito perfeito.» Ora, o Espírito Santo é dado pela imposição das mãos; pois lemos (At 8,17) que os apóstolos «impuseram as mãos sobre eles, e eles receberam o Espírito Santo»; e (Mt 19,13) que «foram apresentadas criancinhas» a nosso Senhor, «para que lhes impusesse as mãos». Portanto, neste sacramento deve-se fazer a imposição das mãos. Objeção 3: Além disso, as palavras do sacerdote não são mais eficazes neste do que nos outros sacramentos. Ora, nos outros sacramentos as palavras do ministro não bastam, a menos que ele execute alguma ação: assim, no Batismo, o sacerdote, enquanto diz: «Eu te batizo», deve realizar uma ablução corporal. Logo, também enquanto diz: «Eu te absolvo», o sacerdote deveria realizar alguma ação em relação ao penitente, impondo-lhe as mãos. Em contrário, quando Nosso Senhor disse a Pedro (Mt 16,19): «Tudo o que ligares sobre a terra», etc., não fez menção de imposição de mãos; nem o fez quando disse a todos os apóstolos (Jo 20,13): «Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados.» Logo, não é necessária imposição de mãos para este sacramento. Respondo que nos sacramentos da Igreja a imposição das mãos é feita para significar algum efeito abundante da graça, por meio do qual aqueles sobre quem se impõem as mãos são, por assim dizer, unidos aos ministros, nos quais a graça deve ser copiosa. Por isso se faz imposição das mãos no sacramento da Confirmação, no qual se confere a plenitude do Espírito Santo; e no sacramento da ordem, no qual se concede uma certa excelência de poder sobre os divinos mistérios; donde está escrito (2Tm 1,6): «Aviva a graça de Deus que está em ti pela imposição das minhas mãos.» Ora, o sacramento da Penitência é ordenado não para que o homem receba alguma abundância de graça, mas para que seus pecados sejam removidos; e, portanto, não se requer imposição de mãos neste sacramento, como tampouco no Batismo, no qual, no entanto, se confere uma remissão mais plena dos pecados. Resposta à objeção 1: Essa imposição de mãos não é sacramental, mas se destina à operação de milagres, a saber, que pelo contato da mão de um homem santificado, até mesmo a enfermidade corporal fosse removida; assim como lemos de Nosso Senhor (Mc 6,5) que curava os enfermos, «impondo-lhes as mãos», e (Mt 8,3) que purificou um leproso tocando-o. Resposta à objeção 2: Não é toda recepção do Espírito Santo que exige imposição de mãos, pois até no Batismo o homem recebe o Espírito Santo, sem qualquer imposição de mãos: é na recepção da plenitude do Espírito Santo, que pertence à Confirmação, que se requer a imposição de mãos. Resposta à objeção 3: Naqueles sacramentos que se aperfeiçoam no uso da matéria, o ministro deve realizar alguma ação corporal sobre o recipiente do sacramento, por exemplo, no Batismo, na Confirmação e na Extrema Unção; enquanto este sacramento não consiste no uso de matéria empregada exteriormente, sendo a matéria suprida pela parte que o penitente toma: pelo que, assim como na Eucaristia o sacerdote aperfeiçoa o sacramento apenas proferindo as palavras sobre a matéria, assim as meras palavras que o sacerdote, enquanto absolve, profere sobre o penitente aperfeiçoam o sacramento da absolvição. Se, de fato, algum ato corporal fosse necessário por parte do sacerdote, o sinal da cruz, que é empregado na Eucaristia, não seria menos conveniente do que a imposição das mãos, em sinal de que os pecados são perdoados pelo sangue de Cristo crucificado; e contudo isso não é essencial a este sacramento, como tampouco o é à Eucaristia.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether the imposition of the priest's hands is necessary for this sacrament? · séc. XIII

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