Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que o crisma não é matéria conveniente para este sacramento. Pois este sacramento, conforme foi dito acima (A[1], ad 1), foi instituído por Cristo quando prometeu o Espírito Santo a seus discípulos. Mas Ele lhes enviou o Espírito Santo sem que fossem ungidos com crisma. Além disso, os próprios apóstolos conferiram este sacramento sem crisma, pela simples imposição das mãos, pois está escrito (Atos 8,17) que os apóstolos "impunham as mãos" sobre os que foram batizados, "e eles recebiam o Espírito Santo". Logo, o crisma não é a matéria deste sacramento, visto que a matéria é essencial ao sacramento. **Objeção 2:** Ademais, a Confirmação aperfeiçoa, de certo modo, o sacramento do Batismo, como foi dito acima (Q[65], AA[3],4); e, por isso, deve conformar-se a ele como a perfeição ao que é aperfeiçoado. Ora, a matéria do Batismo é um elemento simples, a saber, a água. Portanto, o crisma, que é feito de óleo e bálsamo, não é matéria conveniente para este sacramento. **Objeção 3:** Ademais, o óleo é usado como matéria deste sacramento com o fim de ungir. Ora, qualquer óleo serve para ungir, por exemplo, o óleo extraído de nozes ou de qualquer outra coisa. Logo, não se deve usar somente o azeite de oliva para este sacramento. **Objeção 4:** Ademais, foi dito acima (Q[66], A[3]) que a água é usada como matéria do Batismo por ser encontrada facilmente em toda parte. Ora, o azeite de oliva não se encontra em toda parte, e muito menos o bálsamo. Portanto, o crisma, que é feito destes, não é matéria conveniente para este sacramento. **Ao contrário,** Gregório diz (Registr. iv): "Nenhum sacerdote ouse assinalar na fronte com o sagrado crisma as crianças batizadas." Logo, o crisma é a matéria deste sacramento. **Respondo que** o crisma é a matéria conveniente para este sacramento. Pois, como foi dito acima (A[1]), neste sacramento é dada a plenitude do Espírito Santo para a fortaleza espiritual que pertence à idade perfeita. Ora, quando o homem chega à idade perfeita, começa desde então a ter relações com os outros; enquanto até então vive, por assim dizer, uma vida individual, encerrado em si mesmo. Ora, a graça do Espírito Santo é significada pelo óleo; por isso, Cristo é dito "ungido com o óleo de alegria" (Sl 44,8), por ser dotado da plenitude do Espírito Santo. Consequentemente, o óleo é matéria adequada para este sacramento. E o bálsamo é misturado ao óleo por causa de seu odor fragrante, que se difunde; donde o Apóstolo diz (2Cor 2,15): "Somos o bom odor de Cristo," etc. E, embora muitas outras coisas sejam fragrantes, dá-se preferência ao bálsamo, porque possui um odor especialíssimo e porque confere incorruptibilidade; por isso está escrito (Eclo 24,21): "Meu odor é como o do bálsamo puríssimo." **Resposta à Objeção 1:** Cristo, pelo poder que exerce nos sacramentos, conferiu aos apóstolos a realidade deste sacramento, isto é, a plenitude do Espírito Santo, sem o sacramento em si, porque eles haviam recebido "as primícias do Espírito" (Rm 8,23). Contudo, algo condizente com a matéria deste sacramento foi manifestado aos apóstolos de modo sensível quando receberam o Espírito Santo. Pois o fato de o Espírito Santo ter descido sobre eles de modo sensível sob a forma de fogo refere-se à mesma significação do óleo, exceto quanto a isto: o fogo tem poder ativo, enquanto o óleo tem poder passivo, por ser a matéria e o incentivo do fogo. E isto foi muito conveniente, porque era por meio dos apóstolos que a graça do Espírito Santo haveria de derramar-se sobre os outros. Também o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos em forma de línguas. Isto se refere à mesma significação do bálsamo, exceto quanto a isto: a língua se comunica com os outros pela palavra, mas o bálsamo, pelo odor; porque, a saber, os apóstolos foram cheios do Espírito Santo como mestres da fé; mas os outros fiéis, como aqueles que praticam o que edifica os fiéis. Do mesmo modo, também, quando os apóstolos impunham as mãos e quando pregavam, a plenitude do Espírito Santo descia, sob sinais visíveis, sobre os fiéis, assim como, no princípio, descera sobre os apóstolos; donde Pedro disse (At 11,15): "Quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós no princípio." Por conseguinte, não havia necessidade de matéria sacramental sensível, onde Deus enviava milagrosamente sinais sensíveis. Contudo, os apóstolos usavam comumente o crisma ao conferir o sacramento, quando faltavam tais sinais visíveis. Pois Dionísio diz (Hier. Ecl. IV): "Há uma certa operação perfectiva que nossos guias," isto é, os apóstolos, "chamam de sacrifício do Crisma." **Resposta à Objeção 2:** O Batismo é conferido para que a vida espiritual seja recebida simplesmente; por isso, convém-lhe matéria simples. Mas este sacramento é dado para que recebamos a plenitude do Espírito Santo, cujas operações são múltiplas, segundo Sb 7,22: "Nela está o Espírito Santo... uno, múltiplo"; e 1Cor 12,4: "Há diversidades de graças, mas o mesmo Espírito." Por conseguinte, uma matéria composta é adequada a este sacramento. **Resposta à Objeção 3:** Essas propriedades do óleo, pelas quais simboliza o Espírito Santo, encontram-se no azeite de oliva mais do que em qualquer outro óleo. De fato, a própria oliveira, por ser sempre verde, significa a operação refrigerante e misericordiosa do Espírito Santo. Além disso, este óleo é chamado óleo propriamente, e é muito usado onde quer que se encontre. E qualquer outro líquido assim chamado, deriva seu nome da semelhança com este óleo; e tais outros não são comumente usados, a não ser para suprir a falta do azeite de oliva. Por isso, este óleo é o único usado para este e alguns outros sacramentos. **Resposta à Objeção 4:** O Batismo é o sacramento de absoluta necessidade; por isso, sua matéria deve estar disponível em toda parte. Mas basta que a matéria deste sacramento, que não é de tão grande necessidade, possa ser facilmente enviada a todas as partes do mundo.
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether chrism is a fitting matter for this sacrament? · séc. XIII
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