Referência

Am 3, 7

Veja onde esta passagem aparece no corpus patrístico disponível.

Trechos nesta página

3

Comentários diretos

0

Autores distintos

1

Matos Soares

7Porque o Senhor Deus não faz nada sem revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas.

Matos Soares · domínio público

Levar para o chatEntre na conta para conversar com os Padres a partir deste versículo.
Dossiês doutrinaisQuando um versículo abre um tema maior, o próximo passo é seguir por um dossiê temático.

Comentário direto

0

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

3

Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os anjos conhecem os mistérios da graça. Pois o mistério da Encarnação é o mais excelente de todos os mistérios. Mas os anjos o conheceram desde o princípio; porque Agostinho diz (Gen. ad lit. V, 19): "Este mistério esteve escondido em Deus desde os séculos, contudo de tal modo que era conhecido dos príncipes e potestades nos lugares celestiais." E o Apóstolo diz (1 Tim. 3,16): "Esse grande mistério da piedade apareceu aos anjos." [*Vulg.: 'Grande é o mistério da piedade, o qual... foi visto dos anjos.'] Logo, os anjos conhecem os mistérios da graça. Objeção 2: Além disso, as razões de todos os mistérios da graça estão contidas na sabedoria divina. Mas os anjos contemplam a sabedoria de Deus, que é a Sua essência. Logo, conhecem os mistérios da graça. Objeção 3: Além disso, os profetas são iluminados pelos anjos, como é claro por Dionísio (Coel. Hier. iv). Mas os profetas conheceram os mistérios da graça; pois está dito (Amós 3,7): "Porque o Senhor Deus não faz nada sem revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas." Logo, os anjos conhecem os mistérios da graça. Ao contrário, Ninguém aprende o que já sabe. Contudo, os mais altos anjos investigam e aprendem os mistérios da graça. Pois está declarado (Coel. Hier. vii) que "a Sagrada Escritura descreve algumas essências celestiais como interrogando a Jesus, e aprendendo dEle o conhecimento de Sua obra divina por nós; e Jesus como ensinando-as diretamente": como é evidente em Isaías 63,1, onde, perguntando os anjos: "Quem é este que sobe de Edom?", Jesus respondeu: "Sou eu, que falo de justiça." Logo, os anjos não conhecem os mistérios da graça. Respondo que: Há um duplo conhecimento no anjo. O primeiro é o seu conhecimento natural, segundo o qual conhece as coisas tanto por sua essência como por espécies inatas. Por tal conhecimento os anjos não podem conhecer os mistérios da graça. Pois estes mistérios dependem da pura vontade de Deus; e se um anjo não pode aprender os pensamentos de outro anjo, que dependem da vontade desse anjo, muito menos pode ele averiguar o que depende inteiramente da vontade de Deus. O Apóstolo argumenta desta maneira (1 Cor. 2,11): "Pois quem dentre os homens conhece as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus." Há outro conhecimento dos anjos, que os torna bem-aventurados; é o conhecimento pelo qual veem o Verbo, e as coisas no Verbo. Por tal visão conhecem os mistérios da graça, mas não todos os mistérios; nem todos os conhecem igualmente; mas assim como Deus quer que aprendam por revelação; como diz o Apóstolo (1 Cor. 2,10): "Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito"; contudo, de modo que os anjos superiores, contemplando a sabedoria divina mais claramente, aprendem mais e mais profundos mistérios na visão de Deus, os quais comunicam aos anjos inferiores, iluminando-os. Alguns destes mistérios conheceram desde o próprio princípio de sua criação; outros lhes são ensinados depois, segundo convém a seus ministérios. Resposta à Objeção 1: Pode-se falar do mistério da Encarnação de dois modos. Primeiramente, em geral; e deste modo foi revelado a todos desde o começo de sua beatitude. A razão disto é que este é como que um princípio geral ao qual se ordenam todos os seus ofícios. Pois "todos são [*Vulg.: 'Porventura não são todos eles?'] espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação" (Heb. 1,14); e isto é realizado pelo mistério da Encarnação. Por isso foi necessário que todos fossem instruídos neste mistério desde o princípio. Podemos falar do mistério da Encarnação de outro modo, quanto às suas condições especiais. Assim, nem todos os anjos foram instruídos em todos os pontos desde o princípio; até os anjos superiores aprenderam estas coisas depois, como se vê na passagem de Dionísio já citada. Resposta à Objeção 2: Embora os anjos bem-aventurados contemplem a sabedoria divina, contudo não a compreendem. Logo, não é necessário que conheçam tudo o que nela está escondido. Resposta à Objeção 3: Tudo o que os profetas conheceram por revelação dos mistérios da graça foi revelado de modo mais excelente aos anjos. E embora Deus tenha revelado em geral aos profetas o que um dia havia de fazer acerca da salvação do gênero humano, contudo os apóstolos conheceram algumas particularidades do mesmo, que os profetas não conheceram. Assim lemos (Efés. 3,4-5): "Como, lendo, podeis entender a minha inteligência no mistério de Cristo, que em outras gerações não foi conhecido dos filhos dos homens, como agora foi revelado aos seus santos apóstolos." Entre os profetas também, os posteriores conheceram o que os anteriores não conheceram; segundo o Salmo 118,100: "Mais entendi do que os anciãos"; e Gregório diz: "O conhecimento das coisas divinas aumentou com o passar do tempo" (Hom. xvi in Ezech.).

Summa Theologiae — First Part · Article. 5 - Whether the angels know the mysteries of grace? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que, por meio da revelação divina, o profeta conhece tudo o que pode ser conhecido profeticamente. Pois está escrito (Amós 3,7): "O Senhor Deus não faz nada sem revelar o seu segredo aos seus servos os profetas." Ora, tudo o que é revelado profeticamente é algo feito por Deus. Logo, não há nenhum deles que não seja revelado ao profeta. **Objeção 2:** Além disso, "as obras de Deus são perfeitas" (Dt 32,4). Ora, a profecia é uma "revelação divina", como foi dito acima (A[3]). Portanto, é perfeita; e assim não seria se todas as matérias possíveis da profecia não fossem reveladas profeticamente, pois "o perfeito é aquilo a que nada falta" (Fís. iii, 6). Logo, todas as matérias possíveis da profecia são reveladas ao profeta. **Objeção 3:** Ademais, a luz divina que causa a profecia é mais poderosa do que o direito da razão natural, que é a causa da ciência humana. Ora, um homem que adquiriu uma ciência conhece tudo o que pertence a essa ciência; assim, um gramático conhece todas as matérias da gramática. Logo, parece que um profeta conhece todas as matérias da profecia. **Ao contrário,** Gregório diz (Hom. i super Ezech.): "Às vezes o espírito de profecia indica o presente à mente do profeta e de modo algum o futuro; e às vezes não aponta o presente, mas o futuro." Portanto, o profeta não conhece todas as matérias da profecia. **Respondo que:** Coisas que diferem entre si não precisam existir simultaneamente, a não ser em razão de algo único no qual estão conectadas e do qual dependem: assim foi dito acima (FS, Q[65], AA[1],2) que todas as virtudes precisam existir simultaneamente por causa da prudência e da caridade. Ora, todas as coisas que são conhecidas através de algum princípio estão conectadas nesse princípio e dele dependem. Portanto, quem conhece perfeitamente um princípio, quanto a tudo a que se estende a sua virtude, conhece ao mesmo tempo tudo o que pode ser conhecido por meio desse princípio; se, porém, o princípio comum é desconhecido, ou conhecido apenas de modo geral, não se segue que se conheçam todas essas coisas ao mesmo tempo, mas cada uma delas há de ser manifestada por si mesma, de modo que, consequentemente, algumas podem ser conhecidas e outras não. Ora, o princípio daquelas coisas que são manifestadas profeticamente pela luz divina é a primeira verdade, que os profetas não veem em si mesma. Por isso, não é necessário que eles conheçam todas as matérias possíveis da profecia; mas cada um conhece algumas delas, segundo a revelação especial desta ou daquela matéria. **Resposta à Objeção 1:** O Senhor revela aos profetas todas as coisas que são necessárias para a instrução dos fiéis; contudo, não a todos todas, mas umas a um, e outras a outro. **Resposta à Objeção 2:** A profecia é, por assim dizer, algo imperfeito no gênero da revelação divina; por isso está escrito (1 Cor 13,8) que "as profecias serão aniquiladas", e que "profetizamos em parte", isto é, imperfeitamente. A revelação divina será levada à sua perfeição no céu; por isso o mesmo texto continua (1 Cor 13,10): "Quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será abolido." Consequentemente, não se segue que nada falte à revelação profética, mas que não lhe falta nada daquelas coisas para as quais a profecia se ordena. **Resposta à Objeção 3:** Quem possui uma ciência conhece os princípios dessa ciência, dos quais depende tudo o que é pertinente a essa ciência; por isso, ter perfeitamente o hábito de uma ciência é conhecer tudo o que é pertinente a essa ciência. Mas Deus, que é o princípio do conhecimento profético, não é conhecido em si mesmo pela profecia; por isso a comparação não se aplica.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether by the Divine revelation a prophet knows all that can be known prophetically? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que uma vida boa é necessária para a profecia. Porquanto está escrito (Sb 7,27) que a Sabedoria de Deus “através das nações se transfere a si mesma nas almas santas” e “faz os amigos de Deus e os profetas”. Ora, não pode haver santidade sem uma vida boa e graça santificante. Logo, a profecia não pode existir sem uma vida boa e graça santificante. Objeção 2: Além disso, os segredos não são revelados senão ao amigo, segundo Jo 15,15: “Mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vos dei a conhecer.” Ora, Deus revela os Seus segredos aos profetas (Am 3,7). Logo, parece que os profetas são amigos de Deus; o que é impossível sem a caridade. Portanto, aparentemente a profecia não pode existir sem a caridade; e a caridade é impossível sem a graça santificante. Objeção 3: Além disso, está escrito (Mt 7,15): “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos rapaces.” Ora, todos os que estão sem graça são semelhantes interiormente a um lobo rapaz, e consequentemente todos esses são falsos profetas. Logo, ninguém é verdadeiro profeta a não ser que seja bom pela graça. Objeção 4: Além disso, o Filósofo diz (Do Sono e da Vigília [*Cf. Da Adivinhação pelo Sonho i, que é anexo à obra citada]) que “se a interpretação dos sonhos vem de Deus, não convém que seja concedida senão aos melhores”. Ora, é evidente que o dom da profecia é de Deus. Portanto, o dom da profecia é concedido apenas aos melhores homens. Em contrário, Àqueles que disseram: “Senhor, não profetizamos nós em Teu nome?” é feita esta resposta: “Nunca vos conheci” (Mt 7,22-23). Ora, “o Senhor conhece quem são Seus” (2 Tm 2,19). Logo, a profecia pode estar naqueles que não são de Deus pela graça. Respondo que uma vida boa pode ser considerada de dois pontos de vista. Primeiro, quanto à sua raiz interior, que é a graça santificante. Segundo, quanto às paixões interiores da alma e às ações exteriores. Ora, a graça santificante é dada principalmente para que a alma do homem se una a Deus pela caridade. Por isso Agostinho diz (De Trin. xv, 18): “O homem não é transferido do lado esquerdo para o direito, a não ser que receba o Espírito Santo, por quem é feito amante de Deus e do próximo.” Portanto, tudo o que pode existir sem caridade pode existir sem graça santificante e, consequentemente, sem bondade de vida. Ora, a profecia pode existir sem caridade; e isto é claro por duas razões. Primeiro, por causa dos seus respectivos atos: pois a profecia pertence ao intelecto, cujo ato precede o ato da vontade, potência que é aperfeiçoada pela caridade. Por esta razão, o Apóstolo (1 Cor 13) enumera a profecia com outras coisas pertencentes ao intelecto, que podem ser possuídas sem caridade. Segundo, por causa dos seus respectivos fins. Pois a profecia, como outras graças gratuitas, é dada para o bem da Igreja, segundo 1 Cor 12,7: “A manifestação do Espírito é dada a cada um para proveito”; e não é diretamente destinada a unir as afeições do homem a Deus, que é o propósito da caridade. Portanto, a profecia pode existir sem uma vida boa, quanto à primeira raiz desta bondade. Se, porém, considerarmos uma vida boa quanto às paixões da alma e às ações exteriores, deste ponto de vista uma vida má é obstáculo à profecia. Pois a profecia requer que a mente seja elevada muito alto para contemplar as coisas espirituais, e isto é impedido por paixões fortes e pela busca desordenada das coisas exteriores. Por isso lemos dos filhos dos profetas (4 Rs 4,38) que “habitavam juntos com [Vulg.: ‘diante de’]” Eliseu, levando uma vida solitária, por assim dizer, para que a ocupação mundana não fosse um obstáculo ao dom da profecia. Resposta à primeira objeção: Às vezes o dom da profecia é dado a um homem tanto para o bem dos outros quanto para iluminar a sua própria mente; e tais são aqueles que a Sabedoria divina, “transferindo-se a si mesma” pela graça santificante às suas mentes, “faz os amigos de Deus e os profetas”. Outros, porém, recebem o dom da profecia somente para o bem dos outros. Por isso Jerônimo, comentando Mt 7,22, diz: “Às vezes, o profetizar, a operação de milagres e a expulsão de demônios são concedidos não ao mérito daqueles que fazem estas coisas, mas ou à invocação do nome de Cristo, ou à condenação daqueles que invocam, e para o bem dos que veem e ouvem.” Resposta à segunda objeção: Gregório [*Hom. xxvii in Ev.] expondo esta passagem [*Jo 15,15] diz: “Visto que amamos as coisas sublimes do céu logo que as ouvimos, conhecemo-las logo que as amamos, pois amar é conhecer. Assim, Ele lhes dera a conhecer todas as coisas, porque, renunciando aos desejos terrenos, foram inflamados pelas tochas do amor perfeito.” Deste modo, os segredos divinos não são sempre revelados aos profetas. Resposta à terceira objeção: Nem todos os homens maus são lobos rapaces, mas somente aqueles cujo propósito é prejudicar os outros. Pois Crisóstomo diz [*Opus Imperf. in Matth. Hom. xix, entre as obras de São João Crisóstomo, e falsamente a ele atribuído] que “os doutores católicos, ainda que sejam pecadores, são chamados escravos da carne, mas nunca lobos rapaces, porque não têm por propósito a destruição dos cristãos.” E visto que a profecia é ordenada ao bem dos outros, é manifesto que tais são falsos profetas, porque não são enviados por Deus para este fim. Resposta à quarta objeção: Os dons de Deus nem sempre são concedidos àqueles que são simplesmente os melhores, mas às vezes são outorgados àqueles que são melhores quanto ao recebimento deste ou daquele dom. Por conseguinte, Deus concede o dom da profecia àqueles a quem julga melhor concedê-lo.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether a good life is requisite for prophecy? · séc. XIII

tradução automática