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Br 3, 38

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Matos Soares

38Depois de tais coisas, foi visto sobre a terra, e conversou com os homens.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Artigo 4 — Se o Filho de Deus devia ter assumido a natureza humana abstraída de todos os indivíduos.** **Objeção 1:** Parece que o Filho de Deus devia ter assumido a natureza humana abstraída de todos os indivíduos. Pois a assunção da natureza humana se deu para a salvação comum de todos os homens; donde se diz de Cristo (1 Tm 4,10) que Ele é o "Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis". Ora, a natureza, tal como existe nos indivíduos, afasta-se da sua universalidade. Logo, o Filho de Deus devia ter assumido a natureza humana como é abstraída de todos os indivíduos. **Objeção 2:** Ademais, o que há de mais nobre em todas as coisas deve ser atribuído a Deus. Ora, em todo gênero, o que é por si é o melhor. Logo, o Filho de Deus devia ter assumido o homem por si [per se], o qual, segundo os platônicos, é a natureza humana abstraída dos seus indivíduos. Portanto, o Filho de Deus devia tê-la assumido. **Objeção 3:** Ademais, a natureza humana não foi assumida pelo Filho de Deus no concreto, como é significado pela palavra "homem", conforme se disse acima (A[3]). Ora, deste modo, ela significa a natureza humana tal como existe nos indivíduos, como é evidente pelo que foi dito (A[3]). Logo, o Filho de Deus assumiu a natureza humana como separada dos indivíduos. **Em sentido contrário,** Damasceno diz (De Fide Orth. III, 11): "Deus Verbo Encarnado não assumiu uma natureza que existe em puro pensamento; pois isto não teria sido Encarnação, mas uma Encarnação falsa e fictícia." Ora, a natureza humana, como separada ou abstraída dos indivíduos, "é tida como uma pura concepção, visto que não existe em si mesma", como diz Damasceno (De Fide Orth. III, 11). Logo, o Filho de Deus não assumiu a natureza humana como separada dos indivíduos. **Respondo que** a natureza do homem ou de qualquer outra coisa sensível, além do ser que tem nos indivíduos, pode ser considerada de dois modos: primeiro, como se tivesse ser por si mesma, separada da matéria, como sustentavam os platônicos; segundo, como existente num intelecto, seja humano, seja divino. Ora, ela não pode subsistir por si mesma, como prova o Filósofo (Metaph. VII, 26,27,29,51), porque a matéria sensível pertence à natureza específica das coisas sensíveis e é posta na sua definição, como a carne e os ossos na definição de homem. Por conseguinte, a natureza humana não pode existir sem a matéria sensível. Contudo, ainda que a natureza humana subsistisse deste modo, não seria conveniente que fosse assumida pelo Verbo de Deus. Primeiro, porque esta assunção termina numa Pessoa, e é contrário à natureza de uma forma comum ser assim individualizada numa pessoa. Segundo, porque a uma natureza comum só podem ser atribuídas operações comuns e universais, segundo as quais o homem nem merece nem desmerece; ao passo que, pelo contrário, a assunção se deu para que o Filho de Deus, tendo assumido a nossa natureza, merecesse por nós. Terceiro, porque uma natureza assim existente não seria sensível, mas inteligível. Ora, o Filho de Deus assumiu a natureza humana para Se mostrar à vista dos homens, segundo Baruc 3,38: "Depois foi visto sobre a terra e conversou com os homens." Igualmente, nem poderia a natureza humana ter sido assumida pelo Filho de Deus tal como existe no intelecto divino, pois não seria outra coisa senão a própria Natureza divina; e, segundo isso, a natureza humana estaria no Filho de Deus desde a eternidade. Nem podemos dizer que o Filho de Deus assumiu a natureza humana tal como existe num intelecto humano, pois isso não significaria outra coisa senão que Ele é entendido como assumindo uma natureza humana; e assim, se Ele não a assumisse na realidade, este seria um entendimento falso; nem esta assunção da natureza humana seria outra coisa senão uma Encarnação fictícia, como diz Damasceno (De Fide Orth. III, 11). **Resposta à Objeção 1:** O Filho de Deus encarnado é o Salvador comum de todos, não por uma comunidade genérica ou específica, como a que é atribuída à natureza separada dos indivíduos, mas por uma comunidade de causa, pela qual o Filho de Deus encarnado é a causa universal da salvação humana. **Resposta à Objeção 2:** O homem por si [per se] não se encontra na natureza de tal modo que esteja fora do singular, como sustentavam os platônicos, embora alguns digam que Platão acreditava que o homem separado existia apenas no intelecto divino. E, portanto, não era necessário que fosse assumido pelo Verbo, visto que já estivera com Ele desde a eternidade. **Resposta à Objeção 3:** Embora a natureza humana não tenha sido assumida no concreto, como se o suposto fosse pressuposto à assunção, contudo, ela é assumida num indivíduo, visto que é assumida de modo a existir num indivíduo.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether the Son of God ought to have assumed human nature abstracted from all individuals? · séc. XIII

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