Referência

Cl 1, 12

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Matos Soares

12dando graças a Deus Pai, que nos fez dignos de participar da herança dos santos na luz (do céu),

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a caridade é infundida segundo a capacidade dos nossos dons naturais. Porque está escrito (Mt 25,15): “Deu a cada um segundo a sua própria virtude” [Douay: ‘habilidade própria’]. Ora, no homem, nenhuma virtude, senão a natural, precede a caridade, pois não há virtude sem caridade, como se disse acima (Q. 23, A. 7). Logo, Deus infunde a caridade no homem segundo a medida da sua virtude natural. Objeção 2: Além disso, entre as coisas ordenadas umas às outras, a segunda é proporcionada à primeira: assim, nas coisas naturais, encontramos que a forma é proporcionada à matéria; e nos dons gratuitos, que a glória é proporcionada à graça. Ora, como a caridade é uma perfeição da natureza, compara-se à capacidade da natureza como a segunda à primeira. Parece, pois, que a caridade é infundida segundo a capacidade da natureza. Objeção 3: Além disso, os homens e os anjos participam da bem-aventurança segundo a mesma medida, pois a bem-aventurança é semelhante em ambos, segundo Mt 22,30 e Lc 20,36. Ora, a caridade e os outros dons gratuitos são concedidos aos anjos segundo a sua capacidade natural, como ensina o Mestre (Sent. ii, D, 3). Logo, o mesmo se aplica aparentemente ao homem. Em contrário, Está escrito (Jo 3,8): “O Espírito sopra onde quer”, e (1 Cor 12,11): “Todas estas coisas opera um só e o mesmo Espírito, distribuindo a cada um como quer”. Portanto, a caridade é dada, não segundo a nossa capacidade natural, mas segundo a vontade do Espírito ao distribuir os seus dons. Respondo que, A quantidade de uma coisa depende da causa própria dessa coisa, pois a causa mais universal produz um efeito maior. Ora, como a caridade excede a proporção da natureza humana, como se disse acima (A. 2), não depende de nenhuma virtude natural, mas tão somente da graça do Espírito Santo, que infunde a caridade. Por onde, a quantidade da caridade não depende nem da condição da natureza nem da capacidade da virtude natural, mas somente da vontade do Espírito Santo, que “distribui” os seus dons “como quer”. Por isso, o Apóstolo diz (Ef 4,7): “A cada um de nós é dada a graça segundo a medida do dom de Cristo”. Resposta à objeção 1: A virtude segundo a qual Deus dá os seus dons a cada um é uma disposição ou preparação prévia ou esforço daquele que recebe a graça. Mas o Espírito Santo antecipa até esta disposição ou esforço, movendo a mente do homem mais ou menos, segundo quer. Por onde, o Apóstolo diz (Cl 1,12): “Que nos fez dignos de participar da herança dos santos na luz”. Resposta à objeção 2: A forma não excede a proporção da matéria. Do mesmo modo, a graça e a glória se referem ao mesmo gênero, pois a graça nada mais é que um início da glória em nós. Mas a caridade e a natureza não pertencem ao mesmo gênero; logo, a comparação não procede. Resposta à objeção 3: A natureza do anjo é intelectual, e é próprio da sua condição que seja levado totalmente para onde quer que seja levado, como se disse na I Parte, Q. 61, A. 6. Por isso, houve maior esforço nos anjos superiores, tanto para o bem naqueles que perseveraram, como para o mal naqueles que caíram; e, consequentemente, os anjos superiores que permaneceram firmes tornaram-se melhores que os outros, e os que caíram tornaram-se piores. Mas a natureza do homem é racional, e é próprio dela estar às vezes em potência, às vezes em ato; de modo que não é necessariamente levado totalmente para onde quer que seja levado, e onde há maiores dons naturais pode haver menor esforço, e vice-versa. Logo, a comparação não procede.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether charity is infused according to the capacity of our natural gifts? · séc. XIII

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Cl 1, 12 nos Padres da Igreja | Aurea