Referência

Cl 2, 16

Veja onde esta passagem aparece no corpus patrístico disponível.

Trechos nesta página

4

Comentários diretos

0

Autores distintos

1

Matos Soares

16Ninguém, pois, vos condene pelo comer ou pelo beber, ou por causa de um dia de festa, ou de uma lua nova, ou de um sábado,

Matos Soares · domínio público

Levar para o chatEntre na conta para conversar com os Padres a partir deste versículo.
Dossiês doutrinaisQuando um versículo abre um tema maior, o próximo passo é seguir por um dossiê temático.

Comentário direto

0

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

4

Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo não morreu por obediência. Porque a obediência se refere a um mandamento. Ora, não lemos que Cristo tenha sido mandado padecer. Logo, não padeceu por obediência. Objeção 2: Além disso, diz-se que um homem faz por obediência aquilo que faz por necessidade de preceito. Mas Cristo não padeceu necessariamente, senão voluntariamente. Logo, não padeceu por obediência. Objeção 3: Além disso, a caridade é virtude mais excelente que a obediência. Ora, lemos que Cristo padeceu por caridade, conforme Efésios 5,2: «Andai em caridade, como também Cristo nos amou, e se entregou a si mesmo por nós.» Logo, a Paixão de Cristo deve ser atribuída antes à caridade do que à obediência. Ao contrário, está escrito (Filipenses 2,8): «Fez-se obediente» ao Pai «até a morte.» Respondo que convinha que Cristo padecesse por obediência. Primeiramente, porque estava de acordo com a justificação humana, que «assim como pela desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também pela obediência de um só muitos serão feitos justos», como está escrito em Romanos 5,19. Em segundo lugar, era conveniente para reconciliar o homem com Deus: donde está escrito (Romanos 5,10): «Fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho», enquanto a morte de Cristo foi um sacrifício mui aceitável a Deus, conforme Efésios 5,2: «Entregou-se a si mesmo por nós como oferta e sacrifício a Deus em odor de suavidade.» Ora, a obediência é preferida a todos os sacrifícios, segundo 1 Reis 15,22: «Melhor é a obediência do que os sacrifícios.» Portanto, convinha que o sacrifício da Paixão e morte de Cristo procedesse da obediência. Em terceiro lugar, estava de acordo com a sua vitória, pela qual triunfou sobre a morte e seu autor; porque o soldado não pode vencer senão obedecendo ao seu capitão. E assim o Homem-Cristo alcançou a vitória por ser obediente a Deus, conforme Provérbios 21,28: «O homem obediente falará de vitória.» Resposta à Objeção 1: Cristo recebeu do Pai um mandamento para padecer. Pois está escrito (João 10,18): «Tenho poder para dar a minha vida, e tenho poder para retomá-la; (e) este mandamento recebi de meu Pai»—isto é, de dar a vida e de retomá-la. «Do qual,» como diz Crisóstomo (Hom. lix in Joan.), não se deve entender «que primeiro esperou o mandamento, e que teve necessidade de ser informado, mas mostrou que o procedimento era voluntário, e destruiu a suspeita de oposição» ao Pai. Contudo, porque a Lei Antiga foi abolida pela morte de Cristo, segundo suas palavras derradeiras, «Está consumado» (João 19,30), pode-se entender que, pelo seu padecimento, cumpriu todos os preceitos da Lei Antiga. Cumpriu os da ordem moral, que se fundam nos preceitos da caridade, na medida em que padeceu tanto por amor do Pai, conforme João 14,31: «Para que o mundo saiba que amo o Pai, e como o Pai me deu mandamento, assim faço: levantai-vos, vamo-nos daqui»—isto é, para o lugar da sua Paixão: e por amor do próximo, segundo Gálatas 2,20: «Amou-me e entregou-se a si mesmo por mim.» Cristo igualmente pela sua Paixão cumpriu os preceitos cerimoniais da Lei, que são principalmente ordenados para sacrifícios e oblações, na medida em que todos os antigos sacrifícios eram figuras daquele verdadeiro sacrifício que Cristo moribundo ofereceu por nós. Donde está escrito (Colossenses 2,16-17): «Ninguém vos julgue por causa do comer ou do beber, ou por respeito a um dia de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombra das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo,» pela razão de que Cristo é comparado a eles como o corpo à sombra. Cristo também pela sua Paixão cumpriu os preceitos judiciais da Lei, que são principalmente ordenados para fazer compensação àqueles que sofreram injustiça, pois, como está escrito no Salmo 68,5: Ele «pagou o que não tomou,» permitindo-se ser fixado a uma árvore por causa do fruto que o homem colhera da árvore contra o mandamento de Deus. Resposta à Objeção 2: Embora a obediência implique necessidade quanto à coisa mandada, contudo implica livre-arbítrio quanto ao cumprimento do preceito. E, de fato, tal foi a obediência de Cristo, pois, embora a sua Paixão e morte, consideradas em si mesmas, fossem repugnantes à vontade natural, Cristo resolveu cumprir a vontade de Deus a respeito delas, conforme o Salmo 39,9: «Que eu faça a tua vontade: ó meu Deus, eu a desejei.» Por isso disse (Mateus 26,42): «Se este cálice não pode passar, mas é preciso que eu o beba, faça-se a tua vontade.» Resposta à Objeção 3: Pela mesma razão, Cristo padeceu por caridade e por obediência; porque cumpriu até os preceitos da caridade somente por obediência; e foi obediente, por amor, ao mandamento do Pai.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ died out of obedience? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os preceitos cerimoniais não são figurativos. Porque é dever de todo mestre exprimir-se de modo a ser facilmente compreendido, como diz Agostinho (De Doctr. Christ. IV, 4,10); e isto parece muito necessário na elaboração de uma lei, pois os preceitos da lei são propostos ao povo; por isso a lei deve ser manifesta, como declara Isidoro (Etym. V, 21). Se, portanto, os preceitos da Lei foram dados como figuras de alguma coisa, parece inconveniente que Moisés os tenha entregue sem explicar o que significavam. Objeção 2: Além disso, tudo o que se faz para o culto de Deus deve ser totalmente isento de inconveniência. Ora, realizar ações em representação de outras parece próprio do teatro ou do drama, porque antigamente as ações encenadas nos teatros eram feitas para representar as ações de outros. Logo, parece que tais coisas não devem ser feitas para o culto de Deus. Mas os preceitos cerimoniais são ordenados ao culto divino, como se disse acima (A[1]). Portanto, não devem ser figurativos. Objeção 3: Ademais, Agostinho diz (Enchiridion III, iv) que “Deus é adorado principalmente pela fé, esperança e caridade”. Ora, os preceitos da fé, esperança e caridade não são figurativos. Logo, os preceitos cerimoniais não devem ser figurativos. Objeção 4: Ademais, o Senhor disse (Jo 4,24): “Deus é espírito, e os que O adoram devem adorá-Lo em espírito e em verdade”. Ora, a figura não é a própria verdade: de fato uma se opõe à outra. Portanto, os preceitos cerimoniais, que se referem ao culto divino, não devem ser figurativos. Em contrário, o Apóstolo diz (Cl 2,16-17): “Ninguém, pois, vos julgue por causa do comer, ou do beber, ou a respeito de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombra das coisas futuras.” Resposta: Como se disse acima (A[1]; Q[99], AA[3],4), os preceitos cerimoniais são os que se referem ao culto de Deus. Ora, o culto divino é duplo: interno e externo. Pois, sendo o homem composto de alma e corpo, cada uma destas partes deve ser aplicada ao culto de Deus: a alma, por um culto interior; o corpo, por um culto exterior. Por isso está escrito (Sl 83,3): “O meu coração e a minha carne exultaram no Deus vivo.” E assim como o corpo se ordena a Deus por meio da alma, assim o culto exterior se ordena ao culto interior. Ora, o culto interior consiste em a alma se unir a Deus pelo intelecto e pelos afetos. Por conseguinte, conforme os diversos modos pelos quais o intelecto e os afetos do homem que adora a Deus se unem retamente a Deus, assim as suas ações externas são aplicadas de diversas maneiras ao culto divino. Pois, no estado da bem-aventurança futura, o intelecto humano contemplará a Verdade divina em Si mesma. Por isso o culto exterior não consistirá em algo figurativo, mas unicamente no louvor de Deus, procedente do conhecimento e afeto interiores, segundo Is 51,3: “Alegria e gozo se acharão nela, ação de graças e voz de louvor.” Mas no estado presente da vida, não podemos contemplar a Verdade divina em Si mesma, e necessitamos que o raio da luz divina brilhe sobre nós sob a forma de certas figuras sensíveis, como afirma Dionísio (Hier. Cel. I); contudo, de modos diversos, segundo os diversos estados do conhecimento humano. Pois, sob a Antiga Lei, nem a Verdade divina era manifesta em Si mesma, nem o caminho que leva a essa manifestação estava ainda descoberto, como declara o Apóstolo (Hb 9,8). Por isso, o culto exterior da Antiga Lei precisava ser figurativo, não só da verdade futura a ser manifestada na pátria celestial, mas também de Cristo, que é o caminho que leva a essa manifestação celestial. Mas, sob a Nova Lei, esse caminho já está revelado; portanto, já não precisa ser prefigurado como algo futuro, mas ser trazido à mente como algo passado ou presente; e somente a verdade da glória vindoura, que ainda não foi revelada, precisa ser prefigurada. É o que diz o Apóstolo (Hb 11,1): “A Lei, tendo a sombra dos bens futuros, não a imagem exata das coisas”; pois a sombra é menor que a imagem; de modo que a imagem pertence à Nova Lei, mas a sombra à Antiga. Resposta à Objeção 1: As coisas de Deus não devem ser reveladas ao homem senão na medida da sua capacidade; do contrário, correria perigo de ruína, se desprezasse o que não pode compreender. Por isso foi mais proveitoso que os divinos mistérios fossem revelados às pessoas incultas sob um véu de figuras, para que assim os conhecessem ao menos implicitamente, usando essas figuras para a honra de Deus. Resposta à Objeção 2: Assim como a razão humana não consegue apreender as expressões poéticas por lhes faltar verdade, assim também não consegue apreender perfeitamente as coisas divinas, por causa da sublimidade da verdade que contêm; e, portanto, em ambos os casos há necessidade de sinais por meio de figuras sensíveis. Resposta à Objeção 3: Agostinho fala aí do culto interno; ao qual, contudo, o culto externo deve ser ordenado, como se disse acima. Resposta à Objeção 4: A mesma resposta se aplica à quarta objeção: porque os homens foram por Ele ensinados a praticar mais perfeitamente o culto espiritual de Deus.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether the ceremonial precepts are figurative? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que as cerimônias da Antiga Lei são inconvenientemente divididas em "sacrifícios, coisas sagradas, sacramentos e observâncias". Pois as cerimônias da Antiga Lei prefiguravam a Cristo. Ora, isso se dava somente pelos sacrifícios, que prefiguravam o sacrifício em que Cristo "se entregou a si mesmo como oblação e sacrifício a Deus" (Ef 5,2). Logo, só os sacrifícios eram cerimônias. **Objeção 2:** Ademais, a Antiga Lei estava ordenada para a Nova. Ora, na Nova Lei o sacrifício é o Sacramento do Altar. Portanto, na Antiga Lei não deveria haver distinção entre "sacrifícios" e "sacramentos". **Objeção 3:** Ademais, "coisa sagrada" é algo dedicado a Deus; nesse sentido, dizia-se que o tabernáculo e seus vasos eram consagrados. Ora, todos os preceitos cerimoniais estavam ordenados ao culto de Deus, como se disse acima (A. 1). Logo, todas as cerimônias eram coisas sagradas. Portanto, "coisas sagradas" não deve ser tomado como uma parte das cerimônias. **Objeção 4:** Ademais, "observâncias" se chamam assim por deverem ser observadas. Ora, todos os preceitos da Lei deviam ser observados; pois está escrito (Dt 8,11): "Guarda-te e tem cuidado para que jamais te esqueças do Senhor teu Deus, e não descures os seus mandamentos, e juízos, e cerimônias." Portanto, as "observâncias" não devem ser consideradas como parte das cerimônias. **Objeção 5:** Ademais, as festas solenes são contadas como parte do cerimonial, pois eram sombra das coisas futuras (Cl 2,16-17); e o mesmo se pode dizer das oblações e dons, como se vê nas palavras do Apóstolo (Hb 9,9); e, no entanto, estas coisas não parecem estar incluídas em nenhuma das mencionadas acima. Portanto, a divisão acima das cerimônias é inadequada. **Em contrário,** Na Antiga Lei, cada uma das coisas acima se chama cerimônia. Pois os sacrifícios são chamados cerimônias (Nm 15,24): "Oferecerão um bezerro... e os sacrifícios e libações deles, conforme as cerimônias." Do sacramento da Ordem está escrito (Lv 7,35): "Esta é a unção de Aarão e de seus filhos nas cerimônias." Também das coisas sagradas está escrito (Ex 38,21): "Estes são os instrumentos do tabernáculo do testemunho... nas cerimônias dos levitas." E ainda das observâncias está escrito (1 Rs 9,6): "Se vós... vos apartardes de Mim, e não guardardes as minhas... cerimônias que vos tenho proposto." **Respondo que,** como se disse acima (AA. 1,2), os preceitos cerimoniais estão ordenados ao culto divino. Ora, neste culto podemos considerar o próprio culto, os adoradores e os instrumentos do culto. O culto consiste especialmente nos "sacrifícios", que são oferecidos em honra de Deus. Os instrumentos do culto se referem às "coisas sagradas", como o tabernáculo, os vasos e assim por diante. Quanto aos adoradores, dois pontos podem ser considerados. O primeiro é sua preparação para o culto divino, que se faz mediante uma espécie de consagração, seja do povo, seja dos ministros; e a isso se referem os "sacramentos". O segundo é seu particular modo de vida, pelo qual se distinguem daqueles que não adoram a Deus; e a isso pertencem as "observâncias", por exemplo, em matéria de alimentos, vestuário e assim por diante. **Resposta à objeção 1:** Era necessário que os sacrifícios fossem oferecidos tanto em algum lugar determinado quanto por alguns homens determinados; e tudo isso pertencia ao culto de Deus. Assim, assim como seus sacrifícios significavam a Cristo vítima, também seus sacramentos e coisas sagradas significavam os sacramentos e coisas sagradas da Nova Lei; enquanto suas observâncias prefiguravam o modo de vida do povo na Nova Lei: todas estas coisas pertencem a Cristo. **Resposta à objeção 2:** O sacrifício da Nova Lei, a saber, a Eucaristia, contém o próprio Cristo, Autor de nossa Santificação; pois Ele santificou "o povo por seu próprio sangue" (Hb 13,12). Por isso, este Sacrifício é também sacramento. Ora, os sacrifícios da Antiga Lei não continham a Cristo, mas O prefiguravam; por isso não se chamam sacramentos. Para significar isso, havia certos sacramentos à parte dos sacrifícios da Antiga Lei, os quais eram figuras da santificação vindoura. Contudo, a certas consagrações estavam unidos certos sacrifícios. **Resposta à objeção 3:** Os sacrifícios e sacramentos eram, decerto, coisas sagradas. Mas certas coisas eram sagradas por serem dedicadas ao culto divino, e contudo não eram sacrifícios nem sacramentos; por isso conservaram a designação comum de coisas sagradas. **Resposta à objeção 4:** Aquelas coisas que pertenciam ao modo de vida do povo que adorava a Deus conservaram a designação comum de observâncias, na medida em que ficavam aquém das anteriores. Pois não se chamavam coisas sagradas, porque não tinham conexão imediata com o culto de Deus, como a tinham o tabernáculo e seus vasos. Mas, por uma espécie de consequência, eram matérias de cerimônia, na medida em que afetavam a aptidão do povo que adorava a Deus. **Resposta à objeção 5:** Assim como os sacrifícios eram oferecidos em lugar fixo, também eram oferecidos em tempos fixos; por essa razão, as festas solenes parecem ser contadas entre as coisas sagradas. As oblações e dons são contados juntamente com os sacrifícios; por isso o Apóstolo diz (Hb 5,1): "Todo sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas que dizem respeito a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios."

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether the ceremonies of the Old Law are suitably divided into sacrifices, sacred things, sacraments, and observances? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que as cerimônias da Antiga Lei não cessaram com a vinda de Cristo. Pois está escrito (Bar 4,1): «Este é o livro dos mandamentos de Deus, e a lei que dura para sempre.» Ora, as cerimônias legais eram parte da Lei. Logo, as cerimônias legais haviam de durar para sempre. **Objeção 2:** Além disso, a oferta feita pelo leproso depois de purificado era uma cerimônia da Lei. Mas o Evangelho manda o leproso, depois de purificado, que faça esta oferta (Mat. 8,4). Logo, as cerimônias da Antiga Lei não cessaram com a vinda de Cristo. **Objeção 3:** Ademais, enquanto a causa permanece, o efeito permanece. Ora, as cerimônias da Antiga Lei tinham certas causas razoáveis, porquanto eram ordenadas ao culto de Deus, além do fato de que se destinavam a ser figuras de Cristo. Portanto, as cerimônias da Antiga Lei não deveriam ter cessado. **Objeção 4:** Ademais, a circuncisão foi instituída como sinal da fé de Abraão; a observância do sábado, para recordar a bênção da criação; e outras solenidades, em memória de outros benefícios divinos, como acima se disse (q. 102, a. 4, ad 10; a. 5, ad 1). Ora, a fé de Abraão deve ser sempre imitada até por nós; e a bênção da criação e os outros benefícios divinos nunca devem ser esquecidos. Logo, ao menos a circuncisão e as outras solenidades legais não deveriam ter cessado. **Em contrário,** o Apóstolo diz (Col. 2,16.17): «Ninguém vos julgue por causa de comida ou de bebida, ou a respeito de dia de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombra das coisas futuras»; e (Heb. 8,13): «Dizendo novo, envelheceu o primeiro; e o que envelhece e se faz velho, está perto do seu fim.» **Respondo que** todos os preceitos cerimoniais da Antiga Lei foram ordenados ao culto de Deus, como acima se disse (q. 101, a. 1 e 2). Ora, o culto exterior deve ser proporcionado ao culto interior, que consiste na fé, na esperança e na caridade. Consequentemente, o culto exterior estava sujeito a variações segundo as variações do culto interior, no qual se pode distinguir um tríplice estado. Um estado foi o da fé e da esperança, tanto nos bens celestiais como nos meios de os obter, considerados ambos como coisas futuras. Tal foi o estado da fé e da esperança na Antiga Lei. Outro estado do culto interior é aquele em que temos fé e esperança nos bens celestiais como coisas futuras, mas nos meios de obter os bens celestiais como coisas presentes ou passadas. Tal é o estado da Nova Lei. O terceiro estado é aquele em que ambos são possuídos como presentes; onde nada se crê como faltante, nada se espera como ainda por vir. Tal é o estado dos Bem-aventurados. Neste estado dos Bem-aventurados, portanto, nada haverá de figurativo no que diz respeito ao culto de Deus; haverá apenas «ação de graças e voz de louvor» (Is. 51,3). Por isso está escrito acerca da cidade dos Bem-aventurados (Apoc. 21,22): «Não vi templo nela; porque o Senhor Deus Todo-poderoso é o seu templo, e o Cordeiro.» Portanto, proporcionalmente, as cerimônias do primeiro estado, que prefiguravam o segundo e o terceiro estados, precisavam cessar com o advento do segundo estado; e outras cerimônias haviam de ser introduzidas, que estivessem de acordo com o estado do culto divino para aquele tempo particular, no qual os bens celestiais são coisa futura, mas os benefícios divinos pelos quais obtemos os dons celestiais são coisa presente. **Resposta à objeção 1:** A Antiga Lei é dita «para sempre» simples e absolutamente, quanto aos seus preceitos morais; mas quanto aos preceitos cerimoniais, dura para sempre em relação à realidade que aquelas cerimônias prefiguravam. **Resposta à objeção 2:** O mistério da redenção do gênero humano foi cumprido na Paixão de Cristo; por isso Nosso Senhor disse então: «Está consumado» (Jo. 19,30). Consequentemente, as prescrições da Lei deviam cessar então totalmente, por ter sido cumprida a sua realidade. Como sinal disto, lemos que na Paixão de Cristo «o véu do templo se rasgou» (Mat. 27,51). Por isso, antes da Paixão de Cristo, enquanto Cristo pregava e operava milagres, a Lei e o Evangelho eram concorrentes, pois o mistério de Cristo já começara, mas ainda não estava consumado. E por esta razão Nosso Senhor, antes da sua Paixão, mandou ao leproso que observasse as cerimônias legais. **Resposta à objeção 3:** As razões literais já dadas (q. 102) para as cerimônias referem-se ao culto divino, que era fundado na fé naquele que havia de vir. Por isso, com o advento daquele que havia de vir, tanto cessou aquele culto como todas as razões a ele referentes. **Resposta à objeção 4:** A fé de Abraão foi louvada porque ele creu na promessa de Deus acerca da sua descendência futura, na qual todas as nações seriam abençoadas. Por isso, enquanto esta descendência estava ainda por vir, era necessário fazer profissão da fé de Abraão mediante a circuncisão. Mas agora que está consumada, a mesma coisa precisa ser declarada por meio de outro sinal, a saber, o Batismo, que, sob este aspecto, tomou o lugar da circuncisão, segundo o dito do Apóstolo (Col. 2,11.12): «Vós fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mão, no despojamento do corpo da carne, mas na circuncisão de Cristo, sepultados com ele no Batismo.» Quanto ao sábado, que era um sinal recordativo da primeira criação, é substituído pelo «Dia do Senhor», que recorda o princípio da nova criatura na Ressurreição de Cristo. Do mesmo modo, as outras solenidades da Antiga Lei são substituídas por novas solenidades: porque os benefícios concedidos àquele povo prefiguravam os favores que nos foram outorgados por Cristo. Por isso, a festa da Páscoa deu lugar à festa da Paixão e Ressurreição de Cristo; a festa de Pentecostes, em que foi dada a Antiga Lei, à festa de Pentecostes em que foi dada a Lei do espírito vivificador; a festa da Lua Nova, à festa da Senhora, na qual apareceram os primeiros raios do sol, isto é, Cristo, pela plenitude da graça; a festa das Trombetas, às festas dos Apóstolos; a festa da Expiação, às festas dos Mártires e Confessores; a festa dos Tabernáculos, à festa da Dedicação da Igreja; a festa da Assembleia e Coleção, à festa dos Anjos, ou então à festa de Todos os Santos.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether the ceremonies of the Old Law ceased at the coming of Christ? · séc. XIII

tradução automática
Cl 2, 16 nos Padres da Igreja | Aurea