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Cl 2, 17

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Matos Soares

17todas estas coisas são sombra das vindouras; a realidade é Cristo.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a união da Encarnação não se deu pela graça. Pois a graça é um acidente, como se demonstrou acima (I-II, Q. 110, A. 2). Ora, a união da natureza humana com a divina não se deu acidentalmente, como se mostrou acima (A. 6). Logo, parece que a união da Encarnação não se deu pela graça. **Objeção 2:** Além disso, o sujeito da graça é a alma. Mas está escrito (Cl 2,9): «Em Cristo [Vulg.: 'nele'] habita toda a plenitude da Divindade corporalmente». Portanto, parece que esta união não se deu pela graça. **Objeção 3:** Ademais, todo santo é unido a Deus pela graça. Se, portanto, a união da Encarnação foi pela graça, pareceria que Cristo não é chamado Deus mais do que os outros homens santos. **Em contrário,** Agostinho diz (Da Predestinação dos Santos, XV): «Pela mesma graça todo homem se faz cristão, desde o princípio da sua fé, como este homem desde o seu princípio se fez Cristo». Ora, este homem se fez Cristo pela união com a Natureza Divina. Logo, esta união foi pela graça. **Respondo que,** Como se disse acima (I-II, Q. 110, A. 1), a graça se toma de dois modos: primeiro, como a vontade de Deus que gratuitamente concede algo; segundo, como o dom gratuito de Deus. Ora, a natureza humana necessita da vontade gratuita de Deus para ser elevada a Deus, pois isto está acima da sua capacidade natural. Além disso, a natureza humana é elevada a Deus de dois modos: primeiro, pela operação, como os santos conhecem e amam a Deus; segundo, pelo ser pessoal, e este modo pertence exclusivamente a Cristo, em quem a natureza humana é assumida de modo a estar na Pessoa do Filho de Deus. Mas é evidente que, para a perfeição da operação, a potência precisa ser aperfeiçoada por um hábito, ao passo que uma natureza ter o ser no seu próprio suposito não se dá por meio de um hábito. E, portanto, devemos dizer que, se a graça for entendida como a vontade de Deus que gratuitamente faz algo ou reputa algo como bem-agradável ou aceitável a Ele, a união da Encarnação se deu pela graça, assim como a união dos santos com Deus pelo conhecimento e amor. Mas, se a graça for tomada como o dom gratuito de Deus, então o fato de a natureza humana estar unida à Pessoa Divina pode ser chamado uma graça, na medida em que se deu sem ser precedida por nenhum mérito, mas não como se houvesse uma graça habitual, por meio da qual a união se desse. **Resposta à Objeção 1:** A graça que é um acidente é uma certa semelhança da Divindade participada pelo homem. Pela Encarnação, porém, não se diz que a natureza humana participou uma semelhança da natureza divina, mas que está unida à própria Natureza Divina na Pessoa do Filho. Ora, a própria coisa é maior do que uma semelhança participada dela. **Resposta à Objeção 2:** A graça habitual está apenas na alma; mas a graça, i.e., o dom gratuito de Deus, de estar unida à Pessoa Divina pertence a toda a natureza humana, que se compõe de alma e corpo. E por isso se diz que a plenitude da Divindade habitou corporalmente em Cristo, porque a Natureza Divina está unida não só à alma, mas também ao corpo. Embora também se possa dizer que habitou em Cristo corporalmente, i.e., não como em sombra, assim como habitou nos sacramentos da lei antiga, dos quais se diz no mesmo lugar (Cl 2,17) que são a «sombra das coisas futuras, mas o corpo é Cristo» [Vulg.: 'de Cristo'], na medida em que o corpo se opõe à sombra. E alguns dizem que a Divindade é dita ter habitado em Cristo corporalmente, i.e., de três modos, assim como um corpo tem três dimensões: primeiro, por essência, presença e poder, como nas outras criaturas; segundo, pela graça santificante, como nos santos; terceiro, pela união pessoal, que é própria de Cristo. **Resposta à Objeção 3:** Por onde é manifesta a resposta à terceira objeção, a saber, porque a união da Encarnação não se deu somente pela graça habitual, mas na subsistência ou pessoa.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 10 - Whether the union of the Incarnation took place by grace? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o Filho de Deus não assumiu um corpo verdadeiro. Pois está escrito (Fl 2,7) que Ele foi “feito à semelhança dos homens”. Ora, aquilo que é algo em verdade não se diz que está na sua semelhança. Logo, o Filho de Deus não assumiu um corpo verdadeiro. **Objeção 2:** Ademais, a assunção de um corpo em nada diminui a dignidade da Divindade; pois o Papa Leão diz (Serm. de Nativ.) que “a glorificação não absorveu a natureza inferior, nem a assunção diminuiu a superior”. Mas pertence à dignidade de Deus estar absolutamente separado dos corpos. Parece, portanto, que pela assunção Deus não se uniu a um corpo. **Objeção 3:** Ademais, os sinais devem corresponder às realidades. Ora, as aparições do Antigo Testamento, que eram sinais da manifestação de Cristo, não se deram em corpo real, mas por visões na imaginação, como é claro em Is 60,1: “Vi o Senhor assentado”, etc. Donde parece que a aparição do Filho de Deus no mundo não foi em corpo real, mas tão-somente na imaginação. **Ao contrário,** Agostinho diz (Das 83 Questões, q. 13): “Se o corpo de Cristo foi um fantasma, Cristo nos enganou; e se nos enganou, não é a Verdade. Mas Cristo é a Verdade. Logo, seu corpo não foi um fantasma.” Portanto, é evidente que assumiu um corpo verdadeiro. **Respondo** que, como se diz (De Eccles. Dogm. ii), o Filho de Deus não nasceu apenas na aparência, como se tivesse um corpo imaginário, mas seu corpo foi real. A prova disso é tríplice. Primeiro, pela essência da natureza humana, à qual pertence ter um corpo verdadeiro. Logo, admitido, como já se provou (q. 4, a. 1), que convinha ao Filho de Deus assumir a natureza humana, Ele, por conseguinte, devia assumir um corpo real. A segunda razão é tomada do que foi feito no mistério da Encarnação. Pois, se seu corpo não fosse real, mas imaginário, Ele não teria sofrido verdadeira morte, nem das coisas que os Evangelistas narram sobre Ele teria feito alguma em verdade, mas apenas em aparência; e daí seguir-se-ia também que não se realizou a verdadeira salvação do homem, pois o efeito deve ser proporcionado à causa. A terceira razão é tomada da dignidade da Pessoa assuminte, a Quem não convinha ter nada de fictício em sua obra, pois Ele é a Verdade. Por isso, o próprio Senhor dignou-se refutar este erro (Lc 24,37.39), quando os discípulos, “perturbados e atemorizados, julgavam ver um espírito” e não um corpo verdadeiro; pelo que Ele se ofereceu ao seu tato, dizendo: “Apalpai e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho.” **Resposta à Objeção 1:** Esta semelhança indica a verdade da natureza humana em Cristo — assim como tudo o que realmente existe na natureza humana se diz ser semelhante na espécie — e não uma mera semelhança imaginária. Em prova disso, o Apóstolo acrescenta (Fl 2,8) que Ele se fez “obediente até à morte, e morte de cruz”; o que teria sido impossível se fosse apenas uma semelhança imaginária. **Resposta à Objeção 2:** Pela assunção de um corpo verdadeiro, a dignidade do Filho de Deus não é minimamente diminuída. Por isso Agostinho [*Fulgêncio] diz (Da Fé a Pedro, ii): “Aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, para se fazer servo; contudo, não perdeu a plenitude da forma de Deus.” Pois o Filho de Deus assumiu um corpo verdadeiro, não de modo a se tornar forma de um corpo — o que repugna à simplicidade e pureza divinas, pois isso seria assumir um corpo para a unidade da natureza, o que é impossível, como é claro pelo que foi dito acima (q. 2, a. 1) — mas, permanecendo as naturezas distintas, assumiu um corpo para a unidade da Pessoa. **Resposta à Objeção 3:** A figura deve corresponder à realidade quanto à semelhança, e não quanto à verdade da coisa. Pois, se fossem semelhantes em tudo, já não seria semelhança, mas a própria realidade, como diz Damasceno (Da Fé Ortodoxa, III, 26). Por isso foi mais conveniente que as aparições do Antigo Testamento se dessem apenas na aparência, sendo figuras; e que a aparição do Filho de Deus no mundo se desse em corpo real, sendo a coisa prefigurada por essas figuras. Donde o Apóstolo diz (Cl 2,17): “Que são sombra das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.”

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether the Son of God ought to have assumed a true body? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo não é a Cabeça de todos os homens. Porque a cabeça não tem relação senão com os membros do seu corpo. Ora, os não batizados de nenhum modo são membros da Igreja, que é o corpo de Cristo, como está escrito (Ef. 1,23). Logo, Cristo não é a Cabeça de todos os homens. Objeção 2: Além disso, o Apóstolo escreve aos Efésios (5,25-27): "Cristo Se entregou a Si mesmo pela Igreja, para a apresentar a Si mesmo gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante." Ora, há muitos fiéis nos quais se encontra a mácula ou a ruga do pecado. Logo, Cristo não é a Cabeça de todos os fiéis. Objeção 3: Além disso, os sacramentos da Lei Antiga são comparados a Cristo como a sombra ao corpo, como está escrito (Cl. 2,17). Ora, os pais do Velho Testamento no seu tempo serviram a estes sacramentos, segundo Heb. 8,5: "os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais." Portanto, eles não pertenciam ao corpo de Cristo, e, por conseguinte, Cristo não é a Cabeça de todos os homens. Ao contrário, está escrito (1 Tim. 4,10): "O qual é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis," e (1 Jo. 2,2): "Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." Ora, salvar os homens e ser propiciação pelos seus pecados pertence a Cristo como Cabeça. Logo, Cristo é a Cabeça de todos os homens. Respondo que: Esta é a diferença entre o corpo natural do homem e o corpo místico da Igreja: que os membros do corpo natural estão todos juntos, e os membros do corpo místico não estão todos juntos — nem quanto ao seu ser natural, visto que o corpo da Igreja é constituído pelos homens que existiram desde o princípio do mundo até o seu fim — nem quanto ao seu ser sobrenatural, pois, entre os que existem em um dado tempo, alguns há que estão sem graça, mas hão de obtê-la depois, e outros já a possuem. Devemos, portanto, considerar os membros do corpo místico não apenas como estão em ato, mas como estão em potencialidade. Todavia, alguns estão em potencialidade que nunca serão reduzidos a ato, e alguns são reduzidos a ato em algum tempo; e isto segundo a tríplice classe, da qual a primeira é pela fé, a segunda pela caridade da vida presente, a terceira pela fruição da vida futura. Por isso, devemos dizer que, se considerarmos todo o tempo do mundo em geral, Cristo é a Cabeça de todos os homens, mas diversamente. Pois, primeiro e principalmente, Ele é a Cabeça daqueles que Lhe estão unidos pela glória; segundo, daqueles que Lhe estão unidos atualmente pela caridade; terceiro, daqueles que Lhe estão unidos atualmente pela fé; quarto, daqueles que Lhe estão unidos apenas em potencialidade, a qual ainda não foi reduzida a ato, mas será reduzida a ato segundo a predestinação divina; quinto, daqueles que Lhe estão unidos em potencialidade, que nunca será reduzida a ato; tais são os homens existentes no mundo que não são predestinados, os quais, contudo, ao partirem deste mundo, deixam totalmente de ser membros de Cristo, como não estando mais em potencialidade para serem unidos a Cristo. Resposta à Objeção 1: Os não batizados, embora não estejam atualmente na Igreja, estão na Igreja potencialmente. E esta potencialidade está radicada em duas coisas: primeiro e principalmente, no poder de Cristo, que é suficiente para a salvação de todo o gênero humano; segundo, no livre-arbítrio. Resposta à Objeção 2: Ser "uma Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga" é o fim último a que somos conduzidos pela Paixão de Cristo. Por isso, isso se dará no céu, e não na terra, na qual "se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos", como está escrito (1 Jo. 1,8). Todavia, há alguns, a saber, pecados mortais, dos quais estão livres aqueles que são membros de Cristo pela união atual de caridade; mas os que estão manchados com estes pecados não são membros de Cristo atualmente, mas potencialmente; exceto, talvez, imperfeitamente, pela fé informe, que une a Deus relativamente, mas não simplesmente, isto é, de modo que o homem participe da vida da graça. Pois, como está escrito (Tiago 2,20): "A fé sem as obras é morta." Contudo, tais pessoas recebem de Cristo um certo ato vital, a saber, crer, como se um membro sem vida fosse movido por um homem até certo ponto. Resposta à Objeção 3: Os santos Padres usaram dos sacramentos da Lei, não como realidades, mas como imagens e sombras das coisas futuras. Ora, o movimento para a imagem enquanto imagem é o mesmo que para a realidade, como fica claro pelo Filósofo (De Memor. et Remin. ii). Por isso, os antigos Padres, observando os sacramentos da Lei, eram levados a Cristo pela mesma fé e caridade pelas quais nós também somos levados a Ele; e, portanto, os antigos Padres pertencem à mesma Igreja que nós.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether Christ is the Head of all men? · séc. XIII

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