Referência

Cl 2, 23

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Matos Soares

23Tudo isso tem na verdade uma aparência de sabedoria no culto voluntário (e supersticioso dos anjos), na humildade (afetada) e no mau tratamento do corpo, mas tudo isto é sem honra e só para satisfação da carne.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1.** Parece que a superstição não é um vício contrário à religião. Pois um contrário não se inclui na definição do outro. Ora, a religião se inclui na definição de superstição: pois esta é definida como "observância imoderada da religião", segundo a glosa a Cl 2,23: "As quais coisas têm, na verdade, aparência de sabedoria na superstição". Logo, a superstição não é um vício contrário à religião. **Objeção 2.** Ademais, diz Isidoro (Etim. X): "Cícero (De Natura Deorum II, 28) afirma que os supersticiosos foram assim chamados porque passavam o dia a orar e oferecer sacrifícios para que seus filhos lhes sobrevivessem (superstites)". Ora, isto pode ser feito mesmo conforme o verdadeiro culto religioso. Portanto, a superstição não é um vício oposto à religião. **Objeção 3.** Ademais, a superstição parece denotar um excesso. Ora, a religião não admite excesso, visto que, como foi dito acima (q. 81, a. 5, ad 3), é impossível render a Deus, pela religião, o igual do que lhe devemos. Logo, a superstição não é um vício contrário à religião. **Em contrário,** diz Agostinho (De Decem Chordis, Sermão IX): "Feriste a primeira corda no culto de um só Deus, e caiu a fera da superstição". Ora, o culto de um só Deus pertence à religião. Portanto, a superstição é contrária à religião. **Respondo.** Como foi dito acima (q. 81, a. 5), a religião é uma virtude moral. Ora, toda virtude moral observa um meio-termo, conforme se disse (I-II, q. 64, a. 1). Logo, a uma virtude moral se opõe um duplo vício: um por excesso, outro por defeito. Além disso, o meio-termo da virtude pode ser excedido não só quanto à circunstância chamada "quanto", mas também quanto a outras circunstâncias; de modo que, em certas virtudes, como a magnanimidade e a magnificência, o vício excede o meio-termo da virtude não por tender a algo maior do que a virtude, mas possivelmente a algo menor, e todavia ultrapassa o meio-termo da virtude por fazer algo a quem não deve, ou quando não deve, e de modo semelhante quanto às demais circunstâncias, como mostra o Filósofo (Ética IV, 1, 2, 3). Portanto, a superstição é um vício contrário à religião por excesso, não porque ofereça mais ao culto divino do que a verdadeira religião, mas porque oferece culto divino a quem não deve, ou de modo como não deve. **Resposta à objeção 1.** Assim como falamos metaforicamente de "bem" entre coisas más — por exemplo, de um "bom ladrão" —, assim também, às vezes, os nomes das virtudes são empregados por transposição em sentido mau. Pois a prudência é usada por vezes em vez de astúcia, conforme Lc 16,8: "Os filhos deste século são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz". É desse modo que a superstição é descrita como religião. **Resposta à objeção 2.** A etimologia de uma palavra difere de seu significado. Pois a etimologia depende daquilo de que se toma a palavra para significar; ao passo que o significado depende da coisa à qual se aplica para significá-la. Ora, essas coisas às vezes diferem: pois "lápis" (pedra) toma o nome de magoar o pé (laedere pedem), mas este não é o seu significado; do contrário, o ferro, porque magoa o pé, seria uma pedra. Do mesmo modo, não se segue que "superstição" signifique aquilo de que a palavra deriva. **Resposta à objeção 3.** A religião não admite excesso quanto à quantidade absoluta, mas admite excesso quanto à quantidade proporcionada, na medida em que, no culto divino, pode fazer-se algo que não deve ser feito.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether superstition is a vice contrary to religion? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que não há várias espécies de superstição. Segundo o Filósofo (Tóp. I, 13), "se um contrário compreende muitos gêneros, o outro também os compreende". Ora, a religião, à qual a superstição é contrária, não compreende várias espécies; mas todos os seus atos pertencem a uma só espécie. Logo, também a superstição não tem várias espécies. **Objeção 2:** Ademais, os opostos referem-se a uma mesma coisa. Ora, a religião, à qual a superstição se opõe, refere-se àquelas coisas pelas quais somos dirigidos a Deus, conforme foi dito acima (Q. 81, A. 1). Portanto, a superstição, que se opõe à religião, não se especifica segundo adivinhações de acontecimentos humanos, nem segundo observâncias de certas ações humanas. **Objeção 3:** Ademais, uma glosa a Col. 2,23 — "coisas que têm aparência de sabedoria em superstição" — acrescenta: "isto é, numa religião hipócrita". Logo, a hipocrisia deve ser considerada uma espécie de superstição. **Ao contrário,** Agostinho atribui várias espécies de superstição (De Doctr. Christ. II, 20). **Respondo que,** como foi dito acima, os pecados contra a religião consistem em exceder o meio da virtude quanto a certas circunstâncias (A. 1). Pois, como afirmamos (FS, Q. 72, A. 9), nem toda diversidade de circunstâncias corruptas diferencia a espécie de um pecado, mas apenas aquela que se refere a objetos diversos, para fins diversos; pois é nisso que os atos morais se diversificam especificamente, como foi dito acima (FS, Q. 1, A. 3; FS, Q. 18, AA. 2,6). Assim, as espécies de superstição diferenciam-se, primeiramente, por parte do modo; em segundo lugar, por parte do objeto. Pois o culto divino pode ser prestado ou a quem deve ser prestado, isto é, ao verdadeiro Deus, mas "de modo indevido", e esta é a primeira espécie de superstição; ou a quem não deve ser prestado, isto é, a qualquer criatura, e este é outro gênero de superstição, dividido em muitas espécies segundo os diversos fins do culto divino. Pois o fim do culto divino é, em primeiro lugar, dar reverência a Deus; e, a esse respeito, a primeira espécie deste gênero é a "idolatria", que indevidamente presta honra divina a uma criatura. O segundo fim da religião é que o homem seja instruído por Deus, a quem adora; e a isto se deve referir a superstição "divinatória", que consulta os demônios mediante pactos com eles feitos, tácitos ou explícitos. Em terceiro lugar, o fim do culto divino é uma certa direção dos atos humanos segundo os preceitos de Deus, objeto desse culto; e a isto se deve referir a superstição de certas "observâncias". Agostinho alude a estas três (De Doctr. Christ. II, 20), onde diz que "tudo o que foi inventado pelo homem para fazer e adorar ídolos é supersticioso", e isto se refere à primeira espécie. Depois prossegue: "ou qualquer acordo ou pacto feito com os demônios para consulta e pacto por sinais", o que se refere à segunda espécie; e um pouco adiante acrescenta: "A este gênero pertencem todos os tipos de amuletos e coisas semelhantes", e isto se refere à terceira espécie. **Resposta à objeção 1:** Como diz Dionísio (Div. Nom. IV), "o bem provém de uma causa una e inteira, enquanto o mal provém de cada defeito singular". Por isso, vários vícios se opõem a uma virtude, como foi dito acima (A. 1; Q. 10, A. 5). O dito do Filósofo é verdadeiro no caso de opostos em que há a mesma razão de multiplicidade. **Resposta à objeção 2:** As adivinhações e certas observâncias caem sob a cabeça da superstição na medida em que dependem de certas ações dos demônios; e assim pertencem aos pactos feitos com eles. **Resposta à objeção 3:** Religião hipócrita é tomada aqui como "religião aplicada a observâncias humanas", como a glosa prossegue explicando. Portanto, esta religião hipócrita não é senão culto prestado a Deus de modo indevido; como, por exemplo, se alguém, no tempo da graça, quisesse adorar a Deus segundo o rito da Antiga Lei. É da religião tomada neste sentido que a glosa fala literalmente.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether there are various species of superstition? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não pode haver nada de pernicioso no culto ao verdadeiro Deus. Pois está escrito (Joel 2:32): «Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo». Ora, todo aquele que adora a Deus invoca o Seu nome. Logo, todo culto a Deus conduz à salvação e, consequentemente, nenhum é pernicioso. Objeção 2: Além disso, é o mesmo Deus que é adorado pelos justos em qualquer idade do mundo. Ora, antes da promulgação da Lei, os justos adoravam a Deus da maneira que lhes aprazia, sem cometer pecado mortal; por isso Jacó se obrigou por seu próprio voto a um modo especial de culto, como se relata em Gênesis 28. Portanto, também agora nenhum culto a Deus é pernicioso. Objeção 3: Além disso, nada de pernicioso é tolerado na Igreja. Ora, a Igreja tolera vários ritos de culto divino; por isso Gregório, respondendo a Agostinho, bispo dos Ingleses (Regist. xi, ep. 64), que afirmava existir nas igrejas vários costumes na celebração da Missa, escreveu: «Quero que escolhas cuidadosamente o que quer que achares ser mais agradável a Deus, seja no território romano, seja na terra dos Gauleses, seja em qualquer parte da Igreja». Logo, nenhum modo de adorar a Deus é pernicioso. Ao contrário, Agostinho [*Jerônimo (Ep. lxxv, ad Aug.) Ver Opp. August. Ep. lxxxii] em uma carta a Jerônimo (e as palavras são citadas em uma glosa sobre Gálatas 2:14) diz que «depois que a verdade evangélica foi pregada, as observâncias legais tornaram-se mortíferas», e no entanto essas observâncias pertenciam ao culto de Deus. Logo, pode haver algo de mortífero no culto divino. Respondo que, como diz Agostinho (Cont. Mendac. xiv), «é mentira perniciosíssima aquela que é proferida em matérias pertencentes à religião cristã». Ora, é mentira se alguém significa exteriormente o que é contrário à verdade. Mas assim como uma coisa é significada pela palavra, também o é pelo fato; e é nesta significação pelo fato que consiste o culto exterior da religião, como se mostrou acima (Q[81], A[7]). Consequentemente, se algo falso é significado pelo culto exterior, este culto será pernicioso. Ora, isto se dá de dois modos. Primeiramente, da parte da coisa significada, quando o culto significa algo discordante dela; e assim, no tempo da Nova Lei, estando já realizados os mistérios de Cristo, é pernicioso usar as cerimônias da Lei Antiga, pelas quais os mistérios de Cristo foram prefigurados como coisas futuras; assim como seria pernicioso para alguém declarar que Cristo ainda há de padecer. Em segundo lugar, a falsidade no culto exterior ocorre da parte do adorador, e especialmente no culto comum que é oferecido pelos ministros que representam toda a Igreja. Pois assim como seria culpado de falsidade aquele que, em nome de outra pessoa, dissesse coisas que não lhe foram confiadas, assim também incorre na culpa de falsidade aquele que, da parte da Igreja, presta culto a Deus de modo contrário ao estabelecido pela Igreja ou pela autoridade divina, e segundo o costume eclesiástico. Por isso Ambrósio [*Comment. in 1 ad Cor. 11:27, citado na glosa de Pedro Lombardo] diz: «É indigno aquele que celebra o mistério de modo diferente do que Cristo o entregou». Por esta razão também uma glosa sobre Colossenses 2:23 diz que a superstição é «o uso de observâncias humanas sob o nome de religião». Resposta à primeira objeção: Visto que Deus é verdade, invocar a Deus é adorá-Lo em espírito e verdade, segundo João 4:23. Logo, um culto que contém falsidade é incompatível com uma invocação salutar de Deus. Resposta à segunda objeção: Antes do tempo da Lei, os justos eram instruídos por um instinto interior quanto ao modo de adorar a Deus, e outros os seguiam. Mas depois os homens foram instruídos por preceitos exteriores sobre esta matéria, e é ímpio desobedecer-lhes. Resposta à terceira objeção: Os vários costumes da Igreja no culto divino de modo algum são contrários à verdade; portanto, devemos observá-los, e desprezá-los é ilícito.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether there can be anything pernicious in the worship of the true God? · séc. XIII

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