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Cl 2, 9

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Matos Soares

9Porque nele habita, corporalmente, toda a plenitude da divindade,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a união da Encarnação não se deu pela graça. Pois a graça é um acidente, como se demonstrou acima (I-II, Q. 110, A. 2). Ora, a união da natureza humana com a divina não se deu acidentalmente, como se mostrou acima (A. 6). Logo, parece que a união da Encarnação não se deu pela graça. **Objeção 2:** Além disso, o sujeito da graça é a alma. Mas está escrito (Cl 2,9): «Em Cristo [Vulg.: 'nele'] habita toda a plenitude da Divindade corporalmente». Portanto, parece que esta união não se deu pela graça. **Objeção 3:** Ademais, todo santo é unido a Deus pela graça. Se, portanto, a união da Encarnação foi pela graça, pareceria que Cristo não é chamado Deus mais do que os outros homens santos. **Em contrário,** Agostinho diz (Da Predestinação dos Santos, XV): «Pela mesma graça todo homem se faz cristão, desde o princípio da sua fé, como este homem desde o seu princípio se fez Cristo». Ora, este homem se fez Cristo pela união com a Natureza Divina. Logo, esta união foi pela graça. **Respondo que,** Como se disse acima (I-II, Q. 110, A. 1), a graça se toma de dois modos: primeiro, como a vontade de Deus que gratuitamente concede algo; segundo, como o dom gratuito de Deus. Ora, a natureza humana necessita da vontade gratuita de Deus para ser elevada a Deus, pois isto está acima da sua capacidade natural. Além disso, a natureza humana é elevada a Deus de dois modos: primeiro, pela operação, como os santos conhecem e amam a Deus; segundo, pelo ser pessoal, e este modo pertence exclusivamente a Cristo, em quem a natureza humana é assumida de modo a estar na Pessoa do Filho de Deus. Mas é evidente que, para a perfeição da operação, a potência precisa ser aperfeiçoada por um hábito, ao passo que uma natureza ter o ser no seu próprio suposito não se dá por meio de um hábito. E, portanto, devemos dizer que, se a graça for entendida como a vontade de Deus que gratuitamente faz algo ou reputa algo como bem-agradável ou aceitável a Ele, a união da Encarnação se deu pela graça, assim como a união dos santos com Deus pelo conhecimento e amor. Mas, se a graça for tomada como o dom gratuito de Deus, então o fato de a natureza humana estar unida à Pessoa Divina pode ser chamado uma graça, na medida em que se deu sem ser precedida por nenhum mérito, mas não como se houvesse uma graça habitual, por meio da qual a união se desse. **Resposta à Objeção 1:** A graça que é um acidente é uma certa semelhança da Divindade participada pelo homem. Pela Encarnação, porém, não se diz que a natureza humana participou uma semelhança da natureza divina, mas que está unida à própria Natureza Divina na Pessoa do Filho. Ora, a própria coisa é maior do que uma semelhança participada dela. **Resposta à Objeção 2:** A graça habitual está apenas na alma; mas a graça, i.e., o dom gratuito de Deus, de estar unida à Pessoa Divina pertence a toda a natureza humana, que se compõe de alma e corpo. E por isso se diz que a plenitude da Divindade habitou corporalmente em Cristo, porque a Natureza Divina está unida não só à alma, mas também ao corpo. Embora também se possa dizer que habitou em Cristo corporalmente, i.e., não como em sombra, assim como habitou nos sacramentos da lei antiga, dos quais se diz no mesmo lugar (Cl 2,17) que são a «sombra das coisas futuras, mas o corpo é Cristo» [Vulg.: 'de Cristo'], na medida em que o corpo se opõe à sombra. E alguns dizem que a Divindade é dita ter habitado em Cristo corporalmente, i.e., de três modos, assim como um corpo tem três dimensões: primeiro, por essência, presença e poder, como nas outras criaturas; segundo, pela graça santificante, como nos santos; terceiro, pela união pessoal, que é própria de Cristo. **Resposta à Objeção 3:** Por onde é manifesta a resposta à terceira objeção, a saber, porque a união da Encarnação não se deu somente pela graça habitual, mas na subsistência ou pessoa.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 10 - Whether the union of the Incarnation took place by grace? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que em Cristo não houve o conhecimento dos bem-aventurados ou compreensores. Porque o conhecimento dos bem-aventurados é uma participação da luz divina, segundo o Salmo 35,10: “Na tua luz veremos a luz.” Ora, Cristo não teve uma luz participada, mas a própria Divindade habitando substancialmente nele, segundo Colossenses 2,9: “Porque nele habita toda a plenitude da Divindade corporalmente.” Logo, em Cristo não houve o conhecimento dos bem-aventurados. Objeção 2: Além disso, o conhecimento dos bem-aventurados os faz bem-aventurados, segundo João 17,3: “A vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” Mas este Homem foi bem-aventurado por estar unido a Deus em pessoa, conforme o Salmo 64,5: “Bem-aventurado é aquele a quem escolhestes e a quem tomastes para vós.” Logo, não é necessário supor nele o conhecimento dos bem-aventurados. Objeção 3: Além disso, ao homem pertence um duplo conhecimento: um por natureza, outro acima da natureza. Ora, o conhecimento dos bem-aventurados, que consiste na visão de Deus, não é natural ao homem, mas acima de sua natureza. Mas em Cristo havia outro conhecimento sobrenatural muito mais elevado, isto é, o conhecimento divino. Portanto, em Cristo não foi necessário o conhecimento dos bem-aventurados. Em contrário, o conhecimento dos bem-aventurados consiste no conhecimento de Deus. Ora, Ele conhecia perfeitamente a Deus, mesmo como homem, segundo João 8,55: “Eu conheço-o e guardo a sua palavra.” Logo, em Cristo houve o conhecimento dos bem-aventurados. Respondo que o que está em potência é reduzido ao ato pelo que está em ato; pois aquilo que aquece as coisas deve ele mesmo ser quente. Ora, o homem está em potência para o conhecimento dos bem-aventurados, que consiste na visão de Deus, e para ele é ordenado como para um fim, já que a criatura racional é capaz desse conhecimento bem-aventurado, enquanto feita à imagem de Deus. Ora, os homens são levados a esse fim de beatitude pela humanidade de Cristo, segundo Hebreus 2,10: “Porque convinha que aquele, por quem são todas as coisas, e para quem são todas as coisas, havendo de conduzir muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pela sua paixão o autor da salvação deles.” E por isso foi necessário que o conhecimento beatífico, que consiste na visão de Deus, pertencesse a Cristo de modo preeminente, pois a causa deve sempre ser mais eficaz que o efeito. Resposta à objeção 1: A Divindade está unida à humanidade de Cristo na Pessoa, não na essência ou natureza; contudo, com a unidade da Pessoa permanece a distinção das naturezas. E, portanto, a alma de Cristo, que é parte da natureza humana, mediante uma luz participada da Natureza Divina, é aperfeiçoada com o conhecimento beatífico pelo qual vê a Deus em essência. Resposta à objeção 2: Pela união, este Homem é bem-aventurado com a beatitude incriada, assim como pela união Ele é Deus; contudo, além da beatitude incriada, foi necessário que houvesse na natureza humana de Cristo uma beatitude criada, pela qual a sua alma foi estabelecida no último fim da natureza humana. Resposta à objeção 3: A visão e o conhecimento beatíficos estão, até certo ponto, acima da natureza da alma racional, enquanto ela não pode alcançá-los por suas próprias forças; mas, de outro modo, estão de acordo com a sua natureza, enquanto ela é naturalmente capaz deles, por ter sido feita à semelhança de Deus, como já foi dito. Porém, o conhecimento incriado está de todos os modos acima da natureza da alma humana.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ had the knowledge which the blessed or comprehensors have? · séc. XIII

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