Referência

Cl 3, 8

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Matos Soares

8Mas agora deixai, também vós, tudo isto: a ira, a indignação, a malícia, a maledicência, a palavra torpe da vossa boca.

Matos Soares · domínio público

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Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que a blasfêmia nem sempre é pecado mortal. Pois uma glosa às palavras: «Mas agora despojai-vos também de tudo», etc. (Cl 3,8) diz: «Depois de proibir crimes maiores, proíbe pecados menores»; e, todavia, entre estes últimos inclui a blasfêmia. Logo, a blasfêmia está compreendida entre os pecados menores, isto é, veniais. **Objeção 2:** Além disso, todo pecado mortal se opõe a algum dos preceitos do decálogo. Mas, ao que parece, a blasfêmia não é contrária a nenhum deles. Portanto, a blasfêmia não é pecado mortal. **Objeção 3:** Ademais, os pecados cometidos sem deliberação não são mortais; por isso os primeiros movimentos não são pecados mortais, porque precedem a deliberação da razão, como foi mostrado acima (I-II, q. 74, aa. 3 e 10). Ora, a blasfêmia às vezes ocorre sem deliberação da razão. Logo, nem sempre é pecado mortal. **Em sentido contrário,** está escrito (Lv 24,16): «Aquele que blasfemar o nome do Senhor, morrendo, morra.» Ora, a pena de morte não é infligida senão por pecado mortal. Portanto, a blasfêmia é pecado mortal. **Respondo:** Como foi dito acima (I-II, q. 72, a. 5), pecado mortal é aquele pelo qual o homem é separado do primeiro princípio da vida espiritual, princípio este que é a caridade de Deus. Portanto, todas as coisas contrárias à caridade são pecados mortais quanto ao seu gênero. Ora, a blasfêmia, quanto ao seu gênero, opõe-se à caridade divina, porque, como foi dito (a. 1), ela diminui a bondade divina, que é o objeto da caridade. Consequentemente, a blasfêmia é pecado mortal por razão de seu gênero. **Resposta à objeção 1:** Esta glosa não se deve entender como significando que todos os pecados que se seguem são mortais, mas sim que, enquanto todos os mencionados anteriormente são pecados mais graves, alguns dos mencionados depois são menos graves; e, todavia, entre estes últimos se incluem alguns pecados mais graves. **Resposta à objeção 2:** Como foi dito acima (a. 1), a blasfêmia é contrária à confissão da fé; portanto, sua proibição está compreendida na proibição da incredulidade, expressa pelas palavras: «Eu sou o Senhor teu Deus», etc. (Êx 20,1). Ou então é proibida pelas palavras: «Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão» (Êx 20,7). Porque quem afirma algo falso acerca de Deus toma o seu nome em vão ainda mais do que aquele que usa o nome de Deus em confirmação de uma falsidade. **Resposta à objeção 3:** A blasfêmia pode ocorrer inconscientemente e sem deliberação de duas maneiras. De um primeiro modo, quando o homem não atenta para a natureza blasfema de suas palavras, e isto pode acontecer por ser subitamente movido pela paixão, de modo a prorromper em palavras sugeridas pela imaginação, sem considerar o significado delas: este é um pecado venial e não é propriamente blasfêmia. De um segundo modo, quando atenta para o significado de suas palavras e para a sua natureza blasfema; neste caso, não é escusado de pecado mortal, assim como também não o é aquele que, em um movimento súbito de ira, mata alguém que está sentado ao seu lado.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether blasphemy is always a mortal sin? · séc. XIII

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