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Dn 10, 13

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Matos Soares

13O príncipe do reino dos Persas resistiu-me durante vinte e um dias; mas eis que veio em meu socorro Miguel, um dos primeiros príncipes, e eu fiquei lá junto do rei dos Persas.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os graus das ordens não são propriamente atribuídos. Porque a ordem dos prelados é a mais alta. Ora, os nomes de “Dominações”, “Principados” e “Potestades” por si mesmos implicam prelazia. Logo, estas ordens não devem ser supremas. Objeção 2: Ademais, quanto mais próxima uma ordem está de Deus, tanto mais alta é. Ora, a ordem dos “Tronos” é a mais próxima de Deus; pois nada está mais próximo do que está sentado do que o assento. Logo, a ordem dos “Tronos” é a mais alta. Objeção 3: Ademais, o conhecimento precede o amor, e o intelecto é mais alto que a vontade. Portanto, a ordem dos “Querubins” parece ser mais alta do que a dos “Serafins”. Objeção 4: Ademais, Gregório (Hom. xxiv in Evang.) coloca os “Principados” acima das “Potestades”. Estas, portanto, não são colocadas imediatamente acima dos Arcanjos, como diz Dionísio (Coel. Hier. ix). Em contrário, Dionísio (Coel. Hier. vii) coloca na hierarquia mais alta os “Serafins” como primeiros, os “Querubins” como médios, os “Tronos” como últimos; na hierarquia média coloca as “Dominações” como primeiras, as “Virtudes” no meio, as “Potestades” últimas; na hierarquia mais baixa os “Principados” primeiros, depois os “Arcanjos” e, por último, os “Anjos”. Respondo que os graus das ordens angélicas são atribuídos por Gregório (Hom. xxiv in Ev.) e Dionísio (Coel. Hier. vii), os quais concordam em tudo, exceto quanto aos “Principados” e “Virtudes”. Pois Dionísio coloca as “Virtudes” abaixo das “Dominações” e acima das “Potestades”; os “Principados” abaixo das “Potestades” e acima dos “Arcanjos”. Gregório, porém, coloca os “Principados” entre as “Dominações” e as “Potestades”; e as “Virtudes” entre as “Potestades” e os “Arcanjos”. Cada uma destas disposições pode reivindicar autoridade das palavras do Apóstolo, que (Efés. 1:20-21) enumera as ordens médias, começando pela mais baixa, dizendo que “Deus O estabeleceu”, isto é, a Cristo, “à Sua direita nos lugares celestiais, acima de todo Principado, e Potestade, e Virtude, e Dominação”. Aqui ele coloca as “Virtudes” entre “Potestades” e “Dominações”, segundo a disposição de Dionísio. Escrevendo, porém, aos Colossenses (1:16), enumerando as mesmas ordens desde a mais alta, diz: “Quer sejam Tronos, quer Dominações, quer Principados, quer Potestades, todas as coisas foram criadas por Ele e n’Ele”. Aqui ele coloca os “Principados” entre as “Dominações” e as “Potestades”, como também faz Gregório. Examinemos primeiro a razão da ordenação de Dionísio, na qual vemos que, como se disse acima (A[1]), a hierarquia mais alta contempla as ideias das coisas no próprio Deus; a segunda, nas causas universais; a terceira, na sua aplicação aos efeitos particulares. E porque Deus é o fim não só das ministrações angélicas, mas também de toda a criação, pertence à primeira hierarquia considerar o fim; à média, a disposição universal do que há de ser feito; à última, a aplicação desta disposição ao efeito, que é a execução da obra; pois é claro que estas três coisas existem em todo gênero de operação. Assim, Dionísio, considerando as propriedades das ordens derivadas dos seus nomes, coloca na primeira hierarquia aquelas ordens cujos nomes são tomados da sua relação com Deus: os “Serafins”, os “Querubins” e os “Tronos”; e coloca na hierarquia média aquelas ordens cujos nomes denotam um certo governo ou disposição comum: as “Dominações”, as “Virtudes” e as “Potestades”; e coloca na terceira hierarquia as ordens cujos nomes denotam a execução da obra: os “Principados”, os “Anjos” e os “Arcanjos”. Quanto ao fim, três coisas podem ser consideradas. Pois primeiro consideramos o fim; depois adquirimos o perfeito conhecimento do fim; terceiro, fixamos a nossa intenção no fim; das quais a segunda é um acréscimo à primeira, e a terceira, um acréscimo a ambas. E porque Deus é o fim das criaturas, assim como o chefe é o fim do exército, como diz o Filósofo (Metaph. xii, Did. xi, 10); assim, uma ordem um tanto semelhante pode ser vista nas coisas humanas. Pois há alguns que gozam da dignidade de poder com familiaridade aproximar-se do rei ou chefe; outros, além disso, têm o privilégio de conhecer os seus segredos; e outros, acima destes, permanecem sempre com ele, em íntima união. Segundo esta similitude, podemos entender a disposição nas ordens da primeira hierarquia; pois os “Tronos” são elevados de modo a serem os familiares receptáculos de Deus em si mesmos, no sentido de conhecer imediatamente os tipos das coisas n’Ele mesmo; e isto é próprio de toda a primeira hierarquia. Os “Querubins” conhecem os segredos divinos supereminentemente; e os “Serafins” sobressaem no que é a excelência suprema de todas, em estarem unidos ao próprio Deus; e tudo isto de tal maneira que toda esta hierarquia pode ser chamada de “Tronos”; assim como, pelo que é comum a todos os espíritos celestes juntos, todos são chamados “Anjos”. Quanto ao governo, três coisas estão compreendidas nele: a primeira é designar as coisas que hão de ser feitas, e isto pertence às “Dominações”; a segunda é dar o poder de executar o que há de ser feito, o que pertence às “Virtudes”; a terceira é ordenar como aquilo que foi mandado ou decidido ser feito pode ser executado por outros, o que pertence às “Potestades”. A execução das ministrações angélicas consiste em anunciar as coisas divinas. Ora, na execução de qualquer ação há iniciadores e líderes; como no canto, os precentores; e na guerra, os generais e oficiais; isto pertence aos “Principados”. Há outros que simplesmente executam o que deve ser feito; e estes são os “Anjos”. Outros ocupam um lugar médio; e estes são os “Arcanjos”, como acima foi explicado. Esta explicação das ordens é bastante razoável. Pois o mais alto numa ordem inferior tem sempre afinidade com o mais baixo na ordem superior; assim como os animais mais baixos estão próximos das plantas. Ora, a primeira ordem é a das Pessoas Divinas, que termina no Espírito Santo, que é o Amor procedente, com o qual a ordem mais alta da primeira hierarquia tem afinidade, denominada como é pelo fogo do amor. A ordem mais baixa da primeira hierarquia é a dos “Tronos”, que na sua própria ordem são aparentados com as “Dominações”; pois os “Tronos”, segundo Gregório (Hom. xxiv in Ev.), são assim chamados “porque através deles Deus realiza os Seus juízos”, uma vez que são iluminados por Ele de modo adaptado à iluminação imediata da segunda hierarquia, à qual pertence a disposição das ministrações divinas. A ordem das “Potestades” é aparentada com a ordem dos “Principados”; pois assim como pertence às “Potestades” impor ordem àqueles que lhes estão sujeitos, esta ordenação é claramente mostrada logo no nome de “Principados”, que, presidindo ao governo dos povos e reinos (o que ocupa o primeiro e principal lugar nas ministrações divinas), são os primeiros na execução delas; “porque o bem da nação é mais divino do que o bem de um só homem” (Ethic. i, 2); e por isso está escrito: “O príncipe do reino da Pérsia me resistiu” (Dan. 10:13). A disposição das ordens mencionada por Gregório também é razoável. Pois, uma vez que as “Dominações” designam e ordenam o que pertence às ministrações divinas, as ordens sujeitas a elas são dispostas segundo a disposição daquelas coisas nas quais as ministrações divinas são efetuadas. Contudo, como diz Agostinho (De Trin. iii), “os corpos são governados em certa ordem; os inferiores pelos superiores; e todos eles pela criatura espiritual, e o espírito mau pelo espírito bom”. Assim, a primeira ordem depois das “Dominações” é chamada de “Principados”, que governam até mesmo os bons espíritos; depois as “Potestades”, que coíbem os espíritos maus; assim como os malfeitores são coibidos pelos poderes terrenos, como está escrito (Rom. 13:3-4). Depois destas vêm as “Virtudes”, que têm poder sobre a natureza corpórea na operação de milagres; depois destas estão os “Anjos” e os “Arcanjos”, que anunciam aos homens quer coisas grandes acima da razão, quer coisas pequenas dentro do âmbito da razão. Resposta à Objeção 1: A sujeição do anjo a Deus é maior do que a sua presidência sobre as coisas inferiores; e esta última deriva da primeira. Assim, as ordens que derivam o seu nome

Summa Theologiae — First Part · Article. 6 - Whether the grades of the orders are properly assigned? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a guarda dos homens não pertence somente à ordem ínfima dos anjos. Pois Crisóstomo diz que o texto (Mt 18,10) «Seus anjos no céu» etc. deve ser entendido não de quaisquer anjos, mas dos supremos. Logo, os anjos superiores guardam os homens. Objeção 2: Ademais, o Apóstolo diz que os anjos «são enviados para ministrar a favor daqueles que hão de herdar a salvação» (Hb 1,14); e assim parece que a missão dos anjos se dirige à guarda dos homens. Mas cinco ordens são enviadas no ministério externo (Q. 112, a. 4). Logo, todos os anjos das cinco ordens são destinados à guarda dos homens. Objeção 3: Ademais, para a guarda dos homens parece especialmente necessário coagir os demônios, o que pertence sobremaneira às Potestades, segundo Gregório (Hom. xxxiv in Evang.); e operar milagres, o que pertence às Virtudes. Logo, essas ordens também são destinadas à obra da guarda, e não somente a ordem ínfima. Em sentido contrário, no Salmo (90) a guarda dos homens é atribuída aos anjos; os quais pertencem à ordem ínfima, segundo Dionísio (Hier. Cel. v, ix). Respondo que, como foi dito acima (a. 2), o homem é guardado de dois modos: de um modo, por uma guarda particular, conforme a cada homem é designado um anjo para guardá-lo; e tal guarda pertence à ordem ínfima dos anjos, cujo ofício é, segundo Gregório, anunciar as «coisas menores»; pois parece ser o mínimo dos ofícios angélicos cuidar do que concerne à salvação de um só homem. O outro modo de guarda é universal, multiplicado segundo as diferentes ordens. Pois quanto mais universal é um agente, tanto mais alto é. Assim, a guarda do gênero humano pertence à ordem dos «Principados», ou talvez aos «Arcanjos», a quem chamamos príncipes dos anjos. Por isso, Miguel, a quem chamamos arcanjo, é também chamado «um dos príncipes» (Dn 10,13). Além disso, todas as criaturas corpóreas são guardadas pelas «Virtudes»; e igualmente os demônios pelas «Potestades», e os bons espíritos pelos «Principados», segundo a opinião de Gregório (Hom. xxxiv in Ev.). Resposta à primeira objeção: Crisóstomo pode ser entendido como referindo-se aos supremos na ordem ínfima dos anjos; pois, como diz Dionísio (Hier. Cel. x), em cada ordem há primeiros, médios e últimos. É, todavia, provável que os anjos maiores sejam designados para guardar aqueles escolhidos por Deus para o grau mais alto de glória. Resposta à segunda objeção: Nem todos os anjos que são enviados têm a guarda de homens individuais; mas algumas ordens têm uma guarda universal, maior ou menor, como foi explicado acima. Resposta à terceira objeção: Até os anjos inferiores exercem o ofício dos superiores, na medida em que participam de seus dons, e são executores do poder dos superiores; e desse modo todos os anjos da ordem ínfima podem coagir os demônios e operar milagres.

Summa Theologiae — First Part · Article. 3 - Whether to guard men belongs only to the lowest order of angels? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que pode haver contenda ou discórdia entre os anjos. Porque está escrito (Jó 25:2): «O que faz paz nas suas alturas». Mas a contenda é oposta à paz. Portanto, entre os altos anjos não há contenda. Objeção 2: Além disso, onde há perfeita caridade e justa autoridade, não pode haver contenda. Mas tudo isto existe entre os anjos. Logo, não há contenda entre os anjos. Objeção 3: Além disso, se dissermos que os anjos contendem por aqueles que guardam, um anjo deve necessariamente tomar um partido, e outro anjo o partido contrário. Mas se um partido está com a razão, o outro está sem razão. Seguir-se-á, portanto, que um anjo bom é propiciador do erro; o que é indecoroso. Logo, não há contenda entre os anjos bons. Ao contrário, está escrito (Dn 10:13): «O príncipe do reino dos Persas me resistiu vinte e um dias». Ora, este príncipe dos Persas era o anjo deputado à guarda do reino dos Persas. Logo, um anjo bom resiste aos outros; e assim há contenda entre eles. Respondo que a ocasião desta questão é dada por esta passagem de Daniel. Jerônimo a explica dizendo que o príncipe do reino dos Persas é o anjo que se opôs à libertação do povo de Israel, pelo qual Daniel orava, sendo suas orações oferecidas a Deus por Gabriel. E esta resistência poderia ter sido causada por algum príncipe dos demônios que havia induzido os cativos judeus na Pérsia ao pecado; pecado que era um impedimento à eficácia da oração que Daniel oferecia por aquele mesmo povo. Mas segundo Gregório (Moral. xvii), o príncipe do reino da Pérsia era um anjo bom designado para a guarda daquele reino. Para ver, portanto, como um anjo pode dizer-se que resiste a outro, devemos notar que os juízos divinos a respeito de vários reinos e vários homens são executados pelos anjos. Ora, em suas ações, os anjos são regidos pelo decreto divino. Mas acontece às vezes que em vários reinos ou vários homens há méritos ou deméritos contrários, de modo que um deles está sujeito ou é colocado sobre outro. Quanto ao que é a ordenação da sabedoria divina em tais assuntos, os anjos não podem conhecê-la a menos que Deus a revele a eles; e assim precisam consultar a sabedoria divina a respeito. Por conseguinte, na medida em que consultam a vontade divina acerca de vários méritos contrários e opostos, diz-se que resistem uns aos outros: não porque suas vontades estejam em oposição, pois todos são unânimes quanto ao cumprimento do decreto divino; mas porque as coisas sobre as quais buscam conhecimento são opostas. Disto as respostas às objeções são claras.

Summa Theologiae — First Part · Article. 8 - Whether there can be strife or discord among the angels? · séc. XIII

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