São Jerônimo
Para prova da ressurreição, havia muitas passagens mais claras que Ele poderia ter citado; entre outras, a de Isaías: «Os mortos ressuscitarão; os que jazem nos sepulcros se levantarão»; e noutro lugar: «Muitos dos que dormem no pó da terra despertarão». Pergunta-se, portanto, por que o Senhor escolheu este testemunho, que parece ambíguo e não suficientemente pertencente à verdade da ressurreição; e como se por isto tivesse provado o ponto, acrescenta: «Ele não é Deus de mortos, mas de vivos». Dissemos acima que os Saduceus não confessavam anjo, nem espírito, nem ressurreição do corpo, e ensinavam também a morte da alma. Mas recebiam também só os cinco livros de Moisés, rejeitando os Profetas. Fora, pois, insensato trazer testemunhos cuja autoridade não admitiam. Para provar, portanto, a imortalidade das almas, traz um exemplo de Moisés: «Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó»; e logo em seguida subjaz: «Ele não é Deus de mortos, mas de vivos»; de modo que, tendo estabelecido que as almas permanecem depois da morte (porquanto Deus não poderia ser Deus daqueles que em nenhuma parte existissem), convenientemente poderia vir a ressurreição dos corpos que, juntamente com suas almas, fizeram o bem ou o mal.
séc. V
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