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Dn 4, 24

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Matos Soares

24Portanto segue, ó rei, o conselho que te dou: resgata os teus pecados com boas obras, as tuas iniquidades pela misericórdia para com os pobres; talvez (assim) se prolongue a tua segurança.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que dar esmola não é um ato de caridade. Pois sem a caridade não se podem fazer atos de caridade. Ora, é possível dar esmola sem ter caridade, conforme 1 Cor 13,3: “Ainda que eu distribua todos os meus bens para alimentar os pobres … e não tenha caridade, nada me aproveita.” Logo, dar esmola não é um ato de caridade. **Objeção 2:** Além disso, as obras de esmola são contadas entre as obras de satisfação, conforme Dn 4,24: “Remi os teus pecados com esmolas.” Ora, a satisfação é um ato de justiça. Logo, dar esmola é um ato de justiça, e não de caridade. **Objeção 3:** Ademais, a oferta de sacrifícios a Deus é um ato de religião. Mas dar esmola é oferecer um sacrifício a Deus, conforme Hb 13,16: “Não vos esqueçais da beneficência e da comunicação; porque com tais sacrifícios se alcança o favor de Deus.” Logo, dar esmola não é um ato de caridade, mas de religião. **Objeção 4:** Além disso, o Filósofo diz (Ética, iv, 1) que dar para um bom fim é um ato de liberalidade. Ora, isto se verifica especialmente na esmola. Logo, dar esmola não é um ato de caridade. **Em contrário,** está escrito 1 Jo 3,17: “Aquele que tiver os bens deste mundo, e vir o seu irmão padecer necessidade, e lhe fechar as suas entranhas, como é que a caridade de Deus está nele?” **Respondo que** os atos externos pertencem àquela virtude que considera o motivo de se fazer esses atos. Ora, o motivo de dar esmola é socorrer a quem está necessitado. Pelo que alguns definiram a esmola como “uma obra pela qual se dá alguma coisa ao necessitado, por compaixão e por amor de Deus”, o qual motivo pertence à misericórdia, como foi dito acima (Q. 30, A. 1,2). Por isso é claro que dar esmola é, propriamente, um ato de misericórdia. Isto aparece no próprio nome; pois em grego *eleemosyne* deriva de ter misericórdia (*eleein*), assim como o latim *miseratio*. E, visto que a misericórdia é um efeito da caridade, como foi mostrado acima (Q. 30, A. 2, A. 3, Obj. 3), segue-se que dar esmola é um ato de caridade por meio da misericórdia. **Resposta à objeção 1:** Um ato de virtude pode ser considerado de dois modos. Primeiro, materialmente: assim, um ato de justiça é fazer o que é justo; e tal ato de virtude pode dar-se sem a virtude, pois muitos, sem ter o hábito da justiça, fazem o que é justo, guiados pela luz natural da razão, ou por temor, ou na esperança de ganho. Segundo, falamos de uma coisa como ato de justiça formalmente; e assim o ato de justiça é fazer o que é justo do mesmo modo que o justo, ou seja, com prontidão e deleite; e tal ato de virtude não pode dar-se sem a virtude. Portanto, a esmola pode dar-se materialmente sem caridade; mas dar esmola formalmente, isto é, por amor de Deus, com deleite e prontidão, e inteiramente como se deve, não é possível sem caridade. **Resposta à objeção 2:** Nada impede que o ato próprio e eliciado de uma virtude seja mandado por outra virtude, enquanto esta o ordena e o dirige para o seu próprio fim. É deste modo que a esmola é contada entre as obras de satisfação, na medida em que a compaixão pelo desgraçado se ordena à satisfação pelo seu pecado; e na medida em que se ordena a aplacar Deus, tem o caráter de sacrifício; e assim é mandada pela religião. Donde é clara a **resposta à terceira objeção**. **Resposta à objeção 4:** A esmola pertence à liberalidade, enquanto a liberalidade remove um obstáculo a esse ato, que poderia provir do amor excessivo das riquezas, do qual resulta que o homem se apega a elas mais do que deve.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether almsgiving is an act of charity? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a esmola não é matéria de preceito. Pois os conselhos distinguem-se dos preceitos. Ora, a esmola é matéria de conselho, segundo Daniel 4,24: "Aceita, ó rei, o meu conselho: resgata os teus pecados com esmolas." Logo, a esmola não é matéria de preceito. **Objeção 2:** Além disso, a todo homem é lícito usar e guardar o que é seu. Ora, guardando-o, não dará esmola. Logo, é lícito não dar esmola; e, consequentemente, a esmola não é matéria de preceito. **Objeção 3:** Além disso, tudo o que é matéria de preceito obriga o transgressor, em algum tempo, sob pena de pecado mortal, porque os preceitos positivos obrigam por um tempo determinado. Portanto, se a esmola fosse matéria de preceito, poder-se-ia apontar algum tempo determinado em que um homem cometeria pecado mortal se não desse esmola. Mas não parece que assim seja, porque sempre se pode julgar provável que a pessoa necessitada possa ser socorrida por outra via, e que aquilo que gastaríamos em esmola nos seria necessário, quer agora quer no futuro. Logo, parece que a esmola não é matéria de preceito. **Objeção 4:** Além disso, todo mandamento se reduz aos preceitos do Decálogo. Ora, estes preceitos não contêm referência alguma à esmola. Logo, a esmola não é matéria de preceito. **Em contrário,** Ninguém é punido eternamente por omitir o que não é matéria de preceito. Mas alguns são punidos eternamente por omitir a esmola, como é claro em Mateus 25,41-43. Logo, a esmola é matéria de preceito. **Respondo** que, assim como o amor ao próximo é matéria de preceito, também tudo o que é condição necessária ao amor ao próximo é matéria de preceito. Ora, o amor ao próximo requer que não apenas sejamos benquerentes do próximo, mas também seus benfeitores, segundo 1 João 3,18: "Não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade." E, para ser benquerente e benfeitor de alguém, devemos socorrer as suas necessidades; o que se faz pela esmola. Portanto, a esmola é matéria de preceito. Contudo, visto que os preceitos versam sobre atos de virtude, segue-se que toda esmola deve ser matéria de preceito, na medida em que é necessária à virtude, isto é, na medida em que é exigida pela reta razão. Ora, a reta razão exige que consideremos algo da parte do doador e algo da parte do recipiente. Da parte do doador, deve-se notar que ele deve dar do seu supérfluo, segundo Lucas 11,41: "O que sobejar, dai de esmola." Esse supérfluo deve ser entendido não só em relação a si mesmo, de modo a designar o que é desnecessário ao indivíduo, mas também em relação àqueles de quem tem cuidado (caso em que se diz "necessário à pessoa", tomando a palavra "pessoa" como expressão de dignidade). Porque cada um deve, primeiro, cuidar de si e, depois, daqueles que estão sob seus cuidados e, posteriormente, com o que resta, socorrer as necessidades alheias. Assim, a natureza, primeiro, pela sua potência nutritiva, toma o que é necessário para a manutenção do próprio corpo e, depois, cede o resíduo para a formação de outro pela potência geradora. Da parte do recipiente, requer-se que esteja em necessidade; do contrário, não haveria razão para lhe dar esmola. Contudo, como não é possível que um único indivíduo socorra as necessidades de todos, não somos obrigados a socorrer todos os necessitados, mas apenas aqueles que não poderiam ser socorridos se nós não os socorrêssemos. Porque, nesses casos, aplicam-se as palavras de Ambrósio: "Alimenta o que morre de fome; se não o alimentaste, mataste-o." Portanto, somos obrigados a dar esmola do nosso supérfluo, bem como a dar esmola àquele cuja necessidade é extrema; caso contrário, a esmola, como qualquer outro bem maior, é matéria de conselho. **Resposta à objeção 1:** Daniel falava a um rei que não estava sujeito à Lei de Deus; por isso, as coisas que eram prescritas pela Lei, que ele não professava, deviam ser-lhe aconselhadas. Ou ele pode estar falando com referência a um caso em que a esmola não era matéria de preceito. **Resposta à objeção 2:** Os bens temporais que Deus nos concede são nossos quanto à propriedade, mas, quanto ao uso, não pertencem só a nós, mas também àqueles a quem podemos socorrer com o que temos além das nossas necessidades. Por isso, Basílio diz: "Se reconheceis que eles (isto é, vossos bens temporais) vêm de Deus, será Ele injusto porque os distribui desigualmente? Por que sois rico enquanto outro é pobre, senão para que tenhais o mérito de uma boa administração, e ele o prêmio da paciência? É o pão do faminto que retendes, a roupa do nu que guardais, o calçado do descalço que deixais apodrecer, o dinheiro do necessitado que enterrais; e assim prejudicais a quantos poderíeis ajudar." Ambrósio exprime-se do mesmo modo. **Resposta à objeção 3:** Há um tempo em que pecamos mortalmente se omitimos a esmola: da parte do recipiente, quando vemos que a sua necessidade é evidente e urgente, e que ele provavelmente não será socorrido de outro modo; da parte do doador, quando ele possui bens supérfluos, de que não necessita no momento, tanto quanto pode julgar com probabilidade. Nem precisa considerar todo caso que possa ocorrer no futuro, porque isso seria pensar no dia de amanhã, o que Nosso Senhor nos proibiu (Mateus 6,34), mas deve julgar o que é supérfluo e o que é necessário, conforme as coisas provável e geralmente ocorrem. **Resposta à objeção 4:** Todo socorro dado ao próximo se reduz ao preceito de honrar os pais. Pois assim o interpreta o Apóstolo (1 Timóteo 4,8), onde diz: "A piedade é útil para tudo, tendo a promessa da vida presente e da futura", e diz isso porque o preceito de honrar os pais contém a promessa: "para que vivas longos dias sobre a terra" (Êxodo 20,12); e a piedade compreende toda espécie de esmola.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether almsgiving is a matter of precept? · séc. XIII

tradução automática
Dn 4, 24 nos Padres da Igreja | Aurea