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Dn 7, 10

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Matos Soares

10De diante dele saía um impetuoso rio de fogo; eram milhares de milhares os que o serviam, e miríades e miríades (ou inumeráveis) os que assistiam diante dele. Procedeu-se ao julgamento, e foram abertos os livros

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os anjos não existem em grande número. Pois o número é uma espécie de quantidade e acompanha a divisão de um corpo contínuo. Ora, isto não pode dar-se nos anjos, visto que são incorpóreos, como se demonstrou acima (A[1]). Logo, os anjos não podem existir em grande número. Objeção 2: Além disso, quanto mais uma coisa se aproxima da unidade, tanto menos se multiplica, como é evidente nos números. Ora, entre as outras naturezas criadas, a natureza angélica é a que mais se aproxima de Deus. Logo, visto que Deus é sumamente uno, parece que na natureza angélica há o menor número possível. Objeção 3: Além disso, o efeito próprio das substâncias separadas parece ser os movimentos dos corpos celestes. Ora, os movimentos dos corpos celestes estão compreendidos num pequeno número determinado, que podemos apreender. Logo, os anjos não existem em maior número do que os movimentos dos corpos celestes. Objeção 4: Dionísio diz (Div. Nom. iv) que "todas as substâncias inteligíveis e intelectuais subsistem por causa dos raios da divina bondade". Ora, um raio multiplica-se somente conforme os diferentes seres que o recebem. Não se pode dizer que a sua matéria seja receptiva de um raio inteligível, pois as substâncias intelectuais são imateriais, como se mostrou acima (A[2]). Parece, portanto, que a multiplicação das substâncias intelectuais só pode dar-se segundo a exigência dos primeiros corpos, isto é, dos corpos celestes, de modo que de alguma forma a forma difusiva dos referidos raios neles seja terminada; e daí se segue a mesma conclusão de antes. Em contrário, está escrito (Dn 7,10): "Mil milhares o serviam, e dez mil vezes cem mil estavam diante dele." Respondo. Houve várias opiniões acerca do número das substâncias separadas. Platão sustentava que as substâncias separadas são as espécies das coisas sensíveis; como se disséssemos que a natureza humana é uma substância separada por si mesma; e, segundo esta opinião, seria necessário afirmar que o número das substâncias separadas é o número das espécies das coisas sensíveis. Aristóteles, porém, rejeita esta opinião (Metaph. i, text. 31) porque a matéria pertence à própria natureza da espécie das coisas sensíveis. Por conseguinte, as substâncias separadas não podem ser as espécies exemplares destas coisas sensíveis; mas têm suas naturezas fixas, que são superiores às naturezas das coisas sensíveis. Todavia, Aristóteles sustentou (Metaph. xi, text. 43) que aquelas naturezas mais perfeitas se relacionam com estas coisas sensíveis como motor e fim; e, por isso, esforçou-se por determinar o número das substâncias separadas segundo o número dos primeiros movimentos. Ora, como isto parece ir contra os ensinamentos da Sagrada Escritura, o rabi Moisés, o judeu, desejando conciliar ambos, sustentou que os anjos, enquanto chamados substâncias imateriais, se multiplicam segundo o número dos movimentos ou corpos celestes, como Aristóteles ensinou (Metaph. xi, text. 43); enquanto afirmava que nas Escrituras também os homens que transmitem uma mensagem divina são chamados anjos; e ainda, as próprias forças das coisas naturais, que manifestam o poder onipotente de Deus. Porém, é totalmente alheio ao costume das Escrituras que as forças das coisas irracionais sejam designadas como anjos. Por isso, é necessário dizer que os anjos, mesmo enquanto substâncias imateriais, existem em número excessivamente grande, ultrapassando toda a multidão material. Isto é o que Dionísio diz (Coel. Hier. xiv): "Há muitos exércitos bem-aventurados das inteligências celestes, que superam a débil e limitada conta dos nossos números materiais." A razão disto é a seguinte: porque, sendo a perfeição do universo o que Deus principalmente visa na criação das coisas, quanto mais perfeitas são algumas coisas, com tanto maior excesso são criadas por Deus. Ora, assim como nos corpos se observa tal excesso quanto à sua magnitude, assim nas coisas incorpóreas se observa quanto à sua multidão. Com efeito, vemos que os corpos incorruptíveis excedem os corpos corruptíveis quase incomparavelmente em magnitude; pois toda a esfera das coisas ativas e passivas é algo muito pequeno em comparação com os corpos celestes. Logo, é razoável concluir que as substâncias imateriais excedem, por assim dizer, incomparavelmente as substâncias materiais quanto à multidão. Resposta à primeira objeção. Nos anjos, o número não é o da quantidade discreta, produzida pela divisão do contínuo, mas aquele que é causado pela distinção das formas; conforme a multidão é contada entre os transcendentais, como se disse acima (Q. 30, a. 3; Q. 11). Resposta à segunda objeção. Por ser a natureza angélica a mais próxima de Deus, deve ter menos multidão na sua composição, mas não de modo a existir em poucos sujeitos. Resposta à terceira objeção. Este é o argumento de Aristóteles (Metaph. xii, text. 44), e concluiria necessariamente se as substâncias separadas fossem feitas para as substâncias corpóreas. Porque assim as substâncias imateriais existiriam em vão, a menos que algum movimento delas aparecesse nas coisas corpóreas. Mas não é verdade que as substâncias imateriais existam por causa das corpóreas, pois o fim é mais nobre do que os meios para o fim. Por isso Aristóteles diz (Metaph. xii, text. 44) que este não é um argumento necessário, mas provável. Ele foi forçado a usar este argumento, porque só através das coisas sensíveis podemos chegar a conhecer as inteligíveis. Resposta à quarta objeção. Este argumento provém da opinião daqueles que sustentam que a matéria é a causa da distinção das coisas; mas isto foi refutado acima (Q. 47, a. 1). Portanto, a multiplicação dos anjos não deve ser tomada segundo a matéria, nem segundo os corpos, mas segundo a sabedoria divina que dispõe as diversas ordens das substâncias imateriais.

Summa Theologiae — First Part · Article. 3 - Whether the angels exist in any great number? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o poder judiciário não deve ser atribuído especialmente a Cristo. Porque julgar a outrem parece pertencer ao seu senhor; donde está escrito (Rm 14,4): “Quem és tu que julgas o servo alheio?”. Ora, pertence a toda a Trindade ser Senhor das criaturas. Logo, o poder judiciário não deve ser atribuído especialmente a Cristo. Objeção 2: Ademais, está escrito (Dn 7,9): “Assentou-se o Ancião de dias”; e adiante (Dn 7,10): “o juízo se assentou, e os livros foram abertos”. Ora, o Ancião de dias é entendido como o Pai, porque, como diz Hilário (De Trin. ii): “No Pai está a eternidade”. Logo, o poder judiciário deve ser antes atribuído ao Pai do que a Cristo. Objeção 3: Ademais, parece pertencer à mesma pessoa julgar e convencer. Ora, convencer pertence ao Espírito Santo, pois o Senhor diz (Jo 16,8): “E quando Ele vier”, isto é, o Espírito Santo, “convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo”. Logo, o poder judiciário deve ser atribuído ao Espírito Santo antes que a Cristo. Em contrário, diz-se de Cristo (At 10,42): “Este é o que foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos”. Respondo que três coisas são necessárias para proferir o juízo: primeiro, o poder de coagir os súditos; por isso está escrito (Eclo 7,6): “Não busques ser feito juiz, se não tens força para extirpar as iniquidades”. A segunda exigência é o zelo reto, para que o juízo não se profira por ódio ou malícia, mas por amor da justiça, conforme Pv 3,12: “Porque o Senhor castiga a quem ama, e como pai se compraz no filho”. Em terceiro lugar, necessita-se de sabedoria, sobre a qual se funda o juízo, segundo Eclo 10,1: “O juiz sábio julgará o seu povo”. Os dois primeiros são condições para julgar; mas no terceiro se funda a própria regra do juízo, porque o padrão do juízo é a lei da sabedoria ou da verdade, segundo a qual o juízo é proferido. Ora, porque o Filho é a Sabedoria gerada e a Verdade que procede do Pai e sua perfeita Imagem, consequentemente o poder judiciário é propriamente atribuído ao Filho de Deus. Por isso Agostinho diz (De Vera Relig. xxxi): “Esta é aquela Verdade imutável, que é corretamente chamada lei de todas as artes e arte do Artífice Todo-Poderoso. Mas assim como nós e todas as almas racionais julgamos retamente das coisas que nos são inferiores, assim Aquele que é a própria Verdade nos julga, quando nos apegamos a Ele. Ora, o Pai não O julga, porque Ele é a Verdade não menos que o Pai. Por conseguinte, tudo o que o Pai julga, Ele julga mediante Ela.” E adiante conclui dizendo: “Portanto, o Pai a ninguém julga, mas deu todo o juízo ao Filho.” Resposta à objeção 1: Este argumento prova que o poder judiciário é comum a toda a Trindade, o que é verdade; contudo, por apropriação especial, tal poder é atribuído ao Filho, como foi dito acima. Resposta à objeção 2: Como diz Agostinho (De Trin. vi), a eternidade é atribuída ao Pai, porque Ele é o Princípio, o que está implicado na ideia de eternidade. E no mesmo lugar Agostinho diz que o Filho é a arte do Pai. Assim, pois, a autoridade judiciária é atribuída ao Pai, enquanto Ele é o Princípio do Filho; mas a própria regra do juízo é atribuída ao Filho, que é a arte e a sabedoria do Pai, de modo que, assim como o Pai faz todas as coisas pelo Filho, enquanto o Filho é sua arte, assim Ele julga todas as coisas pelo Filho, enquanto o Filho é sua sabedoria e verdade. E é isto o que Daniel sugere, quando na primeira passagem diz que “assentou-se o Ancião de dias”, e depois acrescenta que o Filho do Homem “chegou até o Ancião de dias, que Lhe deu poder, glória e reino”; e com isso se nos dá a entender que a autoridade para julgar reside no Pai, de quem o Filho recebeu o poder de julgar. Resposta à objeção 3: Como diz Agostinho (Tract. xcv in Joan.), Cristo disse que o Espírito Santo convencerá o mundo do pecado, como se dissesse: “Ele derramará a caridade em vossos corações”. Pois assim, uma vez expulso o temor, tereis liberdade para convencer. Por conseguinte, o juízo é atribuído ao Espírito Santo, não quanto à regra do juízo, mas quanto ao desejo do homem de julgar retamente os outros.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether judiciary power is to be specially attributed to Christ? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Parece que todos os anjos são enviados em ministério. Pois o Apóstolo diz (Hb 1,14): "Todos são espíritos ministradores, enviados a ministrar" [Vulg. 'Não são todos...?'] Além disso, entre as ordens, a mais alta é a dos Serafins, como se afirmou acima (Q 108, A 6). Ora, um Serafim foi enviado para purificar os lábios do profeta (Is 6,6-7). Logo, muito mais são enviadas as ordens inferiores. Além disso, as Pessoas Divinas excedem infinitamente todas as ordens angélicas. Ora, as Pessoas Divinas são enviadas. Logo, muito mais são enviados até mesmo os mais altos anjos. Além disso, se os anjos superiores não são enviados aos ministérios externos, isto só pode ser porque os anjos superiores executam os ministérios divinos por meio dos anjos inferiores. Ora, como todos os anjos são desiguais, como se afirmou acima (Q 50, A 4), cada anjo tem um anjo inferior a si, exceto o último. Portanto, apenas o último anjo seria enviado em ministério; o que contradiz as palavras: "Milhares de milhares o serviam" (Dn 7,10). Em contrário, Gregório diz (Hom. xxxiv in Evang.), citando a afirmação de Dionísio (Coel. Hier. xiii), que "as ordens superiores não cumprem nenhum serviço exterior." Respondo que, como se depreende do que foi dito acima (Q 106, A 3; Q 110, A 1), a ordem da Divina Providência dispôs não só entre os anjos, mas também em todo o universo, que as coisas inferiores sejam administradas pelas superiores. A dispensação divina, contudo, por vezes se afasta desta ordem quanto às coisas corpóreas, por causa de uma ordem superior, isto é, segundo convém à manifestação da graça. Que o cego de nascença fosse iluminado, que Lázaro fosse ressuscitado dos mortos, foi realizado imediatamente por Deus sem a ação dos corpos celestes. Além disso, tanto os anjos bons como os maus podem operar algum efeito nestes corpos independentemente dos corpos celestes, pela condensação das nuvens para a chuva, e produzindo alguns efeitos desse tipo. E ninguém pode duvidar que Deus possa imediatamente revelar coisas aos homens sem o auxílio dos anjos, e os anjos superiores sem os inferiores. Deste ponto de vista, alguns disseram que, segundo a lei geral, os anjos superiores não são enviados, mas apenas os inferiores; contudo, que às vezes, por dispensação divina, também os anjos superiores são enviados. Pode-se também dizer que o Apóstolo deseja provar que Cristo é maior do que os anjos que foram escolhidos como mensageiros da lei; a fim de mostrar a excelência da nova lei sobre a antiga. Portanto, não é necessário aplicar isto a outros anjos além daqueles que foram enviados para dar a lei. Resposta à segunda objeção: Segundo Dionísio (Coel. Hier. xiii), o anjo que foi enviado para purificar os lábios do profeta era de uma ordem inferior; mas foi chamado "Serafim", isto é, "ardente", em sentido equívoco, porque veio para "arder" os lábios do profeta. Pode-se também dizer que os anjos superiores comunicam os seus próprios dons, pelos quais são denominados, através do ministério dos anjos inferiores. Assim, descreve-se um dos Serafins como purificando com fogo os lábios do profeta, não como se o fizesse imediatamente, mas porque um anjo inferior o fazia pelo seu poder; assim como o Papa é dito absolver um homem quando concede a absolvição por meio de outrem. Resposta à terceira objeção: As Pessoas Divinas não são enviadas em ministério, mas dizem-se enviadas em sentido equívoco, como se depreende do que foi dito (Q 43, A 1). Resposta à quarta objeção: Existe um grau múltiplo nos ministérios divinos. Portanto, nada impede que anjos, embora desiguais, sejam enviados imediatamente em ministério, de tal modo, porém, que os superiores são enviados aos ministérios mais altos, e os inferiores aos ministérios mais baixos.

Summa Theologiae — First Part · Article. 2 - Whether all the angels are sent in ministry? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os anjos que são enviados também assistem. Pois Gregório diz (Hom. xxxiv in Evang.): "Assim, os anjos são enviados e assistem; porque, embora o espírito angélico seja limitado, contudo o Espírito supremo, Deus, não é limitado." Objeção 2: Além disso, o anjo foi enviado para ministrar a Tobias. Contudo, ele disse: "Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que estão diante do Senhor" (Tob. 12:15). Logo, os anjos que são enviados assistem. Objeção 3: Além disso, todo anjo santo está mais próximo de Deus do que Satanás. Ora, Satanás assistiu a Deus, conforme Jó 1:6: "Quando os filhos de Deus vieram apresentar-se diante do Senhor, Satanás também estava presente entre eles." Logo, muito mais os anjos que são enviados para ministrar assistem. Objeção 4: Além disso, se os anjos inferiores não assistem, a razão é que recebem a iluminação divina, não imediatamente, mas através dos anjos superiores. Ora, todo anjo recebe a iluminação divina de um superior, exceto o que é o mais alto de todos. Logo, só o anjo mais alto assistiria; o que é contrário ao texto de Dan. 7:10: "Milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões estavam diante dele." Portanto, também os anjos que são enviados assistem. Em contrário, Gregório diz, sobre Jó 25:3: "Há número dos seus exércitos?" (Moral. xvii): "Aquelas potestades assistem que não saem como mensageiros aos homens." Logo, os que são enviados em minist

Summa Theologiae — First Part · Article. 3 - Whether all the angels who are sent, assist? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Parece que todos os anjos da segunda hierarquia são enviados. Pois todos os anjos ou assistem, ou ministram, segundo Dn 7,10. Ora, os anjos da segunda hierarquia não assistem; pois são iluminados pelos anjos da primeira hierarquia, como diz Dionísio (Coel. Hier. viii). Logo, todos os anjos da segunda hierarquia são enviados em ministério. Além disso, Gregório diz (Moral. xvii) que "há mais quem ministre do que quem assista." Isto não seria o caso se os anjos da segunda hierarquia não fossem enviados em ministério. Logo, todos os anjos da segunda hierarquia são enviados a ministrar. Em contrário, Dionísio diz (Coel. Hier. viii) que as "Dominações estão acima de toda sujeição." Ora, ser enviado implica sujeição. Logo, as dominações não são enviadas a ministrar. Respondo que, como acima se afirmou (A 1), ser enviado

Summa Theologiae — First Part · Article. 4 - Whether all the angels of the second hierarchy are sent? · séc. XIII

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