Referência

Dt 10, 12

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Matos Soares

12E agora, ó Israel, que é o que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, andando nos seus caminhos, amando e servindo o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma,

Matos Soares · domínio público

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Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que na Lei não se deveria ter dado um preceito de temor. Pois o temor de Deus diz respeito a coisas que são um preâmbulo à Lei, visto que é o "princípio da sabedoria". Ora, as coisas que são preâmbulo à Lei não caem sob preceito da Lei. Logo, nenhum preceito de temor deveria ser dado na Lei. Objeção 2: Ademais, dada a causa, dá-se também o efeito. Ora, o amor é a causa do temor, pois "todo temor procede de algum amor", como diz Agostinho (Quest. LXXXIII, q. 33). Logo, dado o preceito do amor, seria supérfluo mandar o temor. Objeção 3: Além disso, a presunção, de certo modo, é oposta ao temor. Mas a Lei não contém proibição contra a presunção. Portanto, parece que também não se deveria ter dado nenhum preceito de temor. Em sentido contrário, está escrito (Dt 10,12): "E agora, Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que temas o Senhor teu Deus?" Ora, Ele requer de nós aquilo que nos manda fazer. Logo, é matéria de preceito que o homem tema a Deus. Respondo: O temor é duplo: servil e filial. Ora, assim como o homem é induzido, pela esperança das recompensas, a observar os preceitos da lei, assim também é induzido a isso pelo temor da pena, temor este que é servil. E assim como, segundo o que foi dito (A[1]), na promulgação da Lei não houve necessidade de um preceito do ato de esperança, e os homens deviam ser a isso induzidos por promessas, tampouco houve necessidade de um preceito, sob forma de mandamento, do temor que diz respeito à pena, e os homens deviam ser a isso induzidos pela ameaça da pena; e isto se realizou tanto nos preceitos do decálogo como depois, na devida sequência, nos preceitos secundários da Lei. Contudo, assim como os sábios e os profetas, que consequentemente se esforçaram por fortalecer o homem na observância da Lei, transmitiram o seu ensino sobre a esperança sob forma de admoestação ou mandamento, assim também o fizeram no tocante ao temor. Por outro lado, o temor filial, que manifesta reverência a Deus, é como um gênero em relação ao amor de Deus, e como um princípio de todas as observâncias relacionadas com a reverência a Deus. Por isso, preceitos de temor filial são dados na Lei, assim como preceitos de amor, porque cada um é preâmbulo para os atos externos prescritos pela Lei e aos quais se referem os preceitos do decálogo. Por conseguinte, na passagem citada no argumento "Em sentido contrário", requer-se do homem "que tenha temor, que ande nos caminhos de Deus", adorando-O, "e que O ame". Resposta à Objeção 1: O temor filial é preâmbulo à Lei, não como se lhe fosse extrínseco, mas como sendo o princípio da Lei, assim como o amor. Por isso, são dados preceitos de ambos, visto que são como princípios gerais de toda a Lei. Resposta à Objeção 2: Do amor procede o temor filial, assim como também as outras boas obras que se fazem por caridade. Por isso, assim como depois do preceito da caridade são dados preceitos dos outros atos de virtude, assim também ao mesmo tempo são dados preceitos do temor e do amor da caridade, assim como, nas ciências demonstrativas, não basta estabelecer os primeiros princípios, a menos que também sejam dadas as conclusões que deles seguem, próxima ou remotamente. Resposta à Objeção 3: O incentivo ao temor basta para excluir a presunção, assim como o incentivo à esperança basta para excluir o desespero, como foi dito acima (A[1], ad 3).

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether there should have been given a precept of fear? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o amor da caridade se detém em Deus e não se estende ao próximo. Pois, assim como devemos a Deus amor, assim também Lhe devemos temor, conforme Dt 10,12: “E agora, Israel, que é que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que temas… e o ames?” Ora, o temor com que tememos o homem, e que se chama temor humano, é distinto do temor com que tememos a Deus, e que é ou servil ou filial, como é evidente pelo que foi dito acima (Q. 10, a. 2). Logo, também o amor com que amamos a Deus é distinto do amor com que amamos o próximo. **Objeção 2:** Ademais, o Filósofo diz (Ética VIII, 8) que “ser amado é ser honrado”. Ora, a honra devida a Deus, que se chama “latria”, é distinta da honra devida à criatura, que se chama “dulia”. Logo, novamente, o amor com que amamos a Deus é distinto daquele com que amamos o próximo. **Objeção 3:** Ademais, a esperança gera a caridade, como diz uma glosa sobre Mt 1,2. Ora, a esperança é tão devida a Deus que é repreensível esperar no homem, conforme Jr 17,5: “Maldito o homem que confia no homem”. Logo, a caridade é tão devida a Deus que não se estende ao próximo. **Em contrário,** está escrito (1 Jo 4,21): “Este mandamento temos de Deus: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão”. **Respondo:** Como foi dito acima (Q. 17, a. 6; Q. 19, a. 3; I-II, Q. 54, a. 3), os hábitos não se diferenciam a não ser que seus atos sejam de espécies diferentes. Pois todo ato de uma mesma espécie pertence ao mesmo hábito. Ora, como a espécie do ato se deriva do seu objeto, considerado sob sua razão formal, segue-se necessariamente que é especificamente o mesmo ato o que tende a uma razão do objeto e o que tende ao objeto sob essa razão: assim, é especificamente o mesmo ato visual pelo qual vemos a luz e pelo qual vemos a cor sob a razão de luz. Ora, a razão sob a qual o próximo deve ser amado é Deus, pois o que devemos amar no próximo é que ele esteja em Deus. Por isso é claro que é especificamente o mesmo ato pelo qual amamos a Deus e pelo qual amamos o próximo. Consequentemente, o hábito da caridade não se estende somente ao amor de Deus, mas também ao amor do próximo. **Resposta à objeção 1:** Podemos temer o próximo, assim como amá-lo, de dois modos: primeiro, por causa de algo que lhe é próprio, como quando alguém teme um tirano por sua crueldade, ou o ama por desejo de obter dele alguma coisa. Tal temor humano é distinto do temor de Deus, e o mesmo se diga do amor. Segundo, tememos ou amamos um homem por causa do que ele tem de Deus; como quando tememos o poder secular por exercer o ministério de Deus para o castigo dos malfeitores, e o amamos por sua justiça. Tal temor do homem não é distinto do temor de Deus, assim como também não o é tal amor. **Resposta à objeção 2:** O amor diz respeito ao bem em comum, ao passo que a honra diz respeito ao bem próprio da pessoa honrada, pois se tributa a alguém em reconhecimento de sua própria virtude. Logo, o amor não se diferencia especificamente por causa dos vários graus de bondade em várias pessoas, enquanto é referido a um bem comum a todas; mas a honra se distingue segundo o bem pertencente aos indivíduos. Por isso, amamos todos os nossos próximos com o mesmo amor de caridade, na medida em que são referidos a um bem comum a todos eles, que é Deus; ao passo que tributamos várias honras a várias pessoas, segundo a virtude própria de cada uma, e igualmente a Deus tributamos a honra singular de latria por causa da Sua virtude singular. **Resposta à objeção 3:** É errado esperar no homem como se ele fosse o autor principal da salvação, mas não é errado esperar no homem como quem nos ajuda ministerialmente sob Deus. Do mesmo modo, seria errado se alguém amasse o seu próximo como se ele fosse o seu fim último, mas não se o amasse por amor de Deus; e é isso o que faz a caridade.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether the love of charity stops at God, or extends to our neighbor? · séc. XIII

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