Referência

Dt 13, 1-3

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Matos Soares

1Se se levantar no meio de ti um profeta, ou alguém que diga que teve um sonho, se predisser algum sinal ou prodígio 2suceder o que ele anunciou, e te disser: Vamos, sigamos os deuses estranhos, que não conheces, e sirvá-mo-los, 3não ouvirás as palavras de tal profeta ou sonhador, porque o Senhor Vosso Deus vos põe à prova, para se tomar manifesto se o amais ou não de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que, na Lei antiga, deveriam ter sido dados preceitos de fé. Porque um preceito diz respeito a algo devido e necessário. Ora, é sumamente necessário ao homem que creia, conforme Heb. 11,6: «Sem fé é impossível agradar a Deus.» Logo, houve mui grande necessidade de que se dessem preceitos de fé. Objeção 2: Ademais, o Novo Testamento está contido no Antigo, como a realidade na figura, conforme se disse acima (FS, Q[107], A[3]). Ora, o Novo Testamento contém preceitos explícitos de fé, por exemplo Jo. 14,1: «Vós credes em Deus; crede também em Mim.» Logo, parece que também na Lei antiga se deviam ter dado alguns preceitos de fé. Objeção 3: Ademais, prescrever o ato de uma virtude equivale a proibir os vícios contrários. Ora, a Lei antiga continha muitos preceitos proibindo a incredulidade: assim (Êx. 20,3): «Não terás deuses estranhos diante de Mim», e (Dt. 13,1-3) foi-lhes proibido ouvir as palavras do profeta ou do sonhador que quisesse apartá-los da fé em Deus. Logo, preceitos de fé também deveriam ter sido dados na Lei antiga. Objeção 4: Ademais, a confissão é um ato de fé, como se disse acima (Q[3], A[1]). Ora, a Lei antiga continha preceitos acerca da confissão e da promulgação da fé: pois foi-lhes ordenado (Êx. 12,27) que, quando seus filhos lhes perguntassem, lhes explicassem o significado da observância pascal, e (Dt. 13,9) foram ordenados a matar todo aquele que divulgasse doutrina contrária à fé. Logo, a Lei antiga deveria ter contido preceitos de fé. Objeção 5: Ademais, todos os livros do Antigo Testamento estão contidos na Lei antiga; por isso Nosso Senhor disse (Jo. 15,25) que estava escrito na Lei: «Aborreceram-me sem causa», embora isto se encontre escrito nos Salmos 34 e 68. Ora, está escrito (Eclo. 2,8): «Vós que temeis ao Senhor, crede-lhe.» Logo, a Lei antiga deveria ter contido preceitos de fé. Em contrário, o Apóstolo (Rom. 3,27) chama à Lei antiga «lei das obras», a qual contrasta com a «lei da fé». Logo, a Lei antiga não devia ter contido preceitos de fé. Respondo: Um mestre não impõe leis senão a seus súditos; por isso os preceitos de uma lei pressupõem que todo aquele que recebe a lei está sujeito ao doador da lei. Ora, a sujeição primária do homem a Deus é pela fé, segundo Heb. 11,6: «Aquele que se aproxima de Deus deve crer que Ele existe.» Logo, a fé é pressuposta aos preceitos da Lei: por esta razão (Êx. 20,2) o que é de fé é posto antes dos preceitos legais, nas palavras: «Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito», e, igualmente (Dt. 6,4), as palavras: «Ouve, ó Israel, o Senhor teu [Vulg.: «nosso»] Deus é um só», precedem o registro dos preceitos. Visto, porém, que a fé contém muitas coisas subordinadas à fé pela qual cremos que Deus existe, que é o primeiro e principal de todos os artigos de fé, como se disse acima (Q[1], AA[1],7), segue-se que, se pressupomos a fé em Deus, pela qual a mente do homem se lhe sujeita, é possível dar preceitos sobre outros artigos de fé. Assim, Agostinho, expondo as palavras: «Este é o meu mandamento» (Jo. 15,12), diz (Trat. lxxxiii sobre Jo.) que recebemos muitos preceitos de fé. Na Lei antiga, porém, as coisas secretas da fé não deviam ser propostas ao povo, por isso, pressuposta a sua fé no Deus uno, nenhuns outros preceitos de fé foram dados na Lei antiga. Resposta à objeção 1: A fé é necessária como princípio da vida espiritual, por isso é pressuposta antes da recepção da Lei. Resposta à objeção 2: Mesmo então Nosso Senhor pressupôs algo de fé, a saber, a crença no Deus uno, quando disse: «Vós credes em Deus», e ordenou algo, a saber, a crença na Encarnação, pela qual uma Pessoa é Deus e homem. Esta explicitação da fé pertence à fé do Novo Testamento, por isso acrescentou: «Crede também em Mim.» Resposta à objeção 3: Os preceitos proibitivos dizem respeito aos pecados, que corrompem a virtude. Ora, a virtude é corrompida por qualquer defeito particular, como se disse acima (FS, Q[18], A[4], ad 3; FS, Q[19], A[6], ad 1, A[7], ad 3). Portanto, pressuposta a fé no Deus uno, preceitos proibitivos tiveram de ser dados na Lei antiga, para que os homens fossem advertidos contra aqueles defeitos particulares pelos quais sua fé poderia ser corrompida. Resposta à objeção 4: A confissão da fé e o seu ensino pressupõem também a sujeição do homem a Deus pela fé: de modo que a Lei antiga podia conter preceitos relativos à confissão e ao ensino da fé, mais do que à fé em si mesma. Resposta à objeção 5: Nesta passagem, também se pressupõe aquela fé pela qual cremos que Deus existe; por isso começa: «Vós que temeis ao Senhor», o que não é possível sem fé. As palavras que se seguem — «crede-lhe» — devem referir-se a certos artigos especiais de fé, principalmente àquelas coisas que Deus promete aos que lhe obedecem, por isso a passagem conclui: «e a vossa recompensa não será anulada.»

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether in the Old Law there should have been given precepts of faith? · séc. XIII

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