Referência

Dt 32, 4

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Matos Soares

4As obras de Deus são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. Deus é fiel, e sem nenhuma iniquidade, ele é justo e recto.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Pareceria que a fé informe não é um dom de Deus. Pois está escrito (Dt 32,4): «As obras de Deus são perfeitas.» Ora a fé informe é algo imperfeito. Logo não é obra de Deus. Objeção 2: Ademais, assim como um ato se diz deformado por carecer de sua forma devida, assim também a fé se chama informe quando lhe falta a forma que lhe é devida. Ora o ato deformado do pecado não é de Deus, como foi dito acima (I-II, q. 79, a. 2, ad 2). Logo nem a fé informe é de Deus. Objeção 3: Ademais, a quem Deus sara, sara por inteiro; pois está escrito (Jo 7,23): «Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrada, indignai-vos contra mim porque sarei o homem todo no sábado?» Ora a fé sara o homem da incredulidade. Logo quem recebe de Deus o dom da fé é ao mesmo tempo sarado de todos os seus pecados. Mas isto não se faz senão pela fé viva. Logo só a fé viva é um dom de Deus; e consequentemente a fé informe não é de Deus. Ao contrário, uma glosa sobre 1 Cor 13,2 diz que «a fé que carece de caridade é um dom de Deus». Ora esta é a fé informe. Logo a fé informe é um dom de Deus. Respondo que a informidade é uma privação. Ora é preciso notar que a privação ora é essencial à espécie, ora não o é, mas sobrevém a uma coisa já possuidora de sua espécie própria: assim a privação do devido equilíbrio dos humores é essencial à espécie da doença, enquanto a escuridão não é essencial a um corpo diáfano, mas sobrevém nele. Visto que, portanto, quando atribuímos a causa de uma coisa, pretendemos atribuir a causa dessa coisa enquanto existente na sua espécie própria, segue-se que o que não é causa da privação não pode ser atribuído como causa da coisa a que essa privação pertence como essencial à sua espécie. Pois não podemos atribuir como causa de uma doença algo que não é causa de uma perturbação nos humores; embora possamos atribuir como causa de um corpo diáfano algo que não é causa da escuridão, a qual não é essencial ao corpo diáfano. Ora a informidade da fé não é essencial à espécie da fé, pois a fé se diz informe por falta de uma forma extrínseca, como foi dito acima (q. 4, a. 4). Consequentemente, a causa da fé informe é aquela que é a causa da fé propriamente dita; e esta é Deus, como foi dito acima (a. 1). Segue-se, portanto, que a fé informe é um dom de Deus. Resposta à objeção 1: A fé informe, embora não seja simplesmente perfeita com a perfeição de uma virtude, é contudo perfeita com uma perfeição que basta para a noção essencial de fé. Resposta à objeção 2: A deformidade de um ato é essencial à espécie do ato, considerado como ato moral, como foi dito acima (I, q. 48, a. 1, ad 2; I-II, q. 18, a. 5): pois um ato se diz deformado por ser privado de uma forma intrínseca, a saber, a devida comensuração das circunstâncias do ato. Por isso não podemos dizer que Deus é a causa de um ato deformado, pois Ele não é a causa da sua deformidade, embora seja a causa do ato enquanto tal. Podemos também responder que a deformidade denota não só a privação de uma forma devida, mas também uma disposição contrária, pelo que a deformidade se compara ao ato assim como a falsidade se compara à fé. Por isso, assim como o ato deformado não é de Deus, também a fé falsa não o é; e assim como a fé informe é de Deus, também os atos que são genericamente bons, embora não vivificados pela caridade, como frequentemente acontece nos pecadores, são de Deus. Resposta à objeção 3: Quem recebe de Deus a fé sem a caridade é sarado da incredulidade, não inteiramente (porque o pecado da sua incredulidade anterior não é removido), mas em parte, a saber, no ponto de cessar de cometer tal e tal pecado. Assim acontece frequentemente que um homem desiste de um ato de pecado, por Deus o fazer desistir assim, sem desistir de outro ato de pecado, por instigação da sua própria malícia. E deste modo é concedido às vezes por Deus a um homem crer, e contudo não lhe é concedido o dom da caridade; assim como o dom de profecia ou algo semelhante é dado a alguns sem caridade.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether lifeless faith is a gift of God? · séc. XIII

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