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Dt 32, 6

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Matos Soares

6É este o agradecimento que dás ao Senhor, povo louco e insensato? Não é ele teu Pai, que te criou, que te fez, que te formou?

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Excerto de Tomás de Aquino, Suma Teológica — Terceira Parte (Cristologia e Sacramentos), sobre o Artigo 3 — Se o Espírito Santo deve ser chamado pai de Cristo quanto à sua humanidade?** **Objeção 1:** Parece que o Espírito Santo deve ser chamado pai de Cristo quanto à sua humanidade. Porque, segundo o Filósofo (*De Generatione Animalium*, livro I): «O Pai é o princípio ativo na geração, a Mãe fornece a matéria.» Ora, a Bem-aventurada Virgem é chamada Mãe de Cristo, por causa da matéria que forneceu na sua conceição. Logo, parece que o Espírito Santo pode ser chamado seu pai, por ser o princípio ativo na sua conceição. **Objeção 2:** Além disso, assim como as mentes de outros homens santos são formadas pelo Espírito Santo, assim também o corpo de Cristo foi formado pelo Espírito Santo. Mas outros homens santos, por conta da referida formação, são chamados filhos de toda a Trindade, e consequentemente do Espírito Santo. Portanto, parece que Cristo deve ser chamado Filho do Espírito Santo, porquanto o seu corpo foi formado pelo Espírito Santo. **Objeção 3:** Além disso, Deus é chamado nosso Pai por causa de nos ter feito, segundo Deuteronômio 32,6: «Não é ele teu Pai, que te possuiu, e te fez, e te criou?» Ora, o Espírito Santo fez o corpo de Cristo, como foi dito acima (AA[1],2). Portanto, o Espírito Santo deve ser chamado Pai de Cristo quanto ao corpo por Ele formado. **Ao contrário,** Agostinho diz (*Enchirídio*, capítulo 40): «Cristo nasceu do Espírito Santo não como Filho, e da Virgem Maria como Filho.» **Respondo que:** As palavras «paternidade», «maternidade» e «filiação» resultam da geração; mas não de qualquer geração, e sim daquela dos seres vivos, especialmente dos animais. Pois não dizemos que o fogo gerado é filho do fogo que o gera, exceto, talvez, metaforicamente; assim falamos apenas dos animais, nos quais a geração é mais perfeita. No entanto, a palavra «filho» não se aplica a tudo o que é gerado nos animais, mas apenas ao que é gerado à semelhança do gerador. Pelo que, como diz Agostinho (*Enchirídio*, capítulo 39), não dizemos que um cabelo que é gerado num homem é seu filho; nem dizemos que um homem que nasce é filho da semente; porque nem o cabelo é semelhante ao homem, nem o homem que nasce é semelhante à semente, mas sim ao homem que o gerou. E se a semelhança é perfeita, a filiação é perfeita, quer em Deus, quer no homem. Mas se a semelhança é imperfeita, a filiação é imperfeita. Assim, no homem há uma certa semelhança imperfeita com Deus, tanto no que respeita ao ser criado à imagem de Deus, como no que respeita ao ser criado à semelhança da graça. Portanto, de ambos os modos o homem pode ser chamado seu filho, tanto porque é criado à sua imagem, como porque se assemelha a Ele pela graça. Ora, deve-se observar que o que é dito em seu sentido perfeito de uma coisa não deve ser dito dela em seu sentido imperfeito: assim, porque Sócrates é dito ser naturalmente homem, no sentido próprio de «homem», nunca ele é chamado homem no sentido em que o retrato de um homem é chamado homem, embora, talvez, ele possa assemelhar-se a outro homem. Ora, Cristo é o Filho de Deus no sentido perfeito de filiação. Portanto, ainda que na sua natureza humana Ele tenha sido criado e justificado, Ele não deve ser chamado Filho de Deus, nem quanto ao seu ser criado nem quanto ao seu ser justificado, mas somente quanto à sua geração eterna, pela qual Ele é o Filho do Pai unicamente. Portanto, de modo nenhum deve Cristo ser chamado Filho do Espírito Santo, nem mesmo de toda a Trindade. **Resposta à Objeção 1:** Cristo foi concebido da Virgem Maria, que forneceu a matéria da sua conceição para a semelhança de espécie. Por esta razão Ele é chamado seu Filho. Mas como homem, Ele foi concebido do Espírito Santo como princípio ativo da sua conceição, mas não para a semelhança de espécie, como um homem nasce de seu pai. Portanto, Cristo não é chamado Filho do Espírito Santo. **Resposta à Objeção 2:** Os homens que são formados espiritualmente pelo Espírito Santo não podem ser chamados filhos de Deus no sentido perfeito de filiação. E portanto eles são chamados filhos de Deus quanto à filiação imperfeita, que é por causa da semelhança da graça, que flui de toda a Trindade. Mas com Cristo é diferente, como foi dito acima. **A mesma resposta vale para a Terceira Objeção.**

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether the Holy Ghost should be called Christ's father in respect of His humanity? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Excerto de Tomás de Aquino, Suma Teológica — Primeira Parte, no Artigo 3 — Se o nome «Pai» se aplica a Deus, primeiramente, como nome pessoal.** **Objeção 1:** Parece que este nome «Pai» não se aplica a Deus, primeiramente, como nome pessoal. Pois no intelecto o comum precede o particular. Ora, este nome «Pai», como nome pessoal, pertence à pessoa do Pai; e tomado em sentido essencial, é comum a toda a Trindade; pois dizemos «Pai Nosso» a toda a Trindade. Logo, «Pai» vem primeiro como nome essencial, antes do seu sentido pessoal. **Objeção 2:** Ademais, naquelas coisas cujo conceito é o mesmo, não há prioridade de predicação. Mas a paternidade e a filiação parecem ser da mesma natureza, segundo a qual a divina pessoa é Pai do Filho, e toda a Trindade é nosso Pai, ou da criatura; pois, segundo Basílio (Hom. xv, Sobre a Fé), receber é comum à criatura e ao Filho. Logo, «Pai» em Deus não é tomado como nome essencial antes de ser tomado pessoalmente. **Objeção 3:** Ademais, não é possível comparar coisas que não tenham um conceito comum. Ora, o Filho é comparado à criatura por razão da filiação ou geração, conforme Colossenses 1,15: «Que é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criatura.» Logo, a paternidade tomada em sentido pessoal não é anterior, mas tem o mesmo conceito que a paternidade tomada essencialmente. **Ao contrário,** O eterno vem antes do temporal. Ora, Deus é Pai do Filho desde a eternidade; enquanto é Pai da criatura no tempo. Logo, a paternidade em Deus é tomada em sentido pessoal quanto ao Filho, antes de ser assim tomada quanto à criatura. **Respondo que** Um nome se aplica àquilo em que se encerra perfeitamente toda a sua significação, antes de se aplicar àquilo que a encerra apenas parcialmente; pois este último recebe o nome por uma certa semelhança com o que responde perfeitamente à significação do nome; já que todas as coisas imperfeitas se tomam das perfeitas. Donde este nome «leão» se aplica primeiramente ao animal que encerra toda a natureza do leão, e que é propriamente assim chamado, antes de se aplicar a um homem que mostra algo da natureza do leão, como a coragem ou a força, ou coisa semelhante; e de quem é dito por via de semelhança. Ora, é manifesto pelo que foi dito antes (Q. 27, A. 2; Q. 28, A. 4) que a perfeita ideia de paternidade e filiação se encontra em Deus Pai e em Deus Filho, porque uma é a natureza e a glória do Pai e do Filho. Mas na criatura, a filiação se encontra em relação a Deus, não de modo perfeito, pois o Criador e a criatura não têm a mesma natureza; mas por via de uma certa semelhança, que é tanto mais perfeita quanto mais nos aproximamos da verdadeira ideia de filiação. Pois Deus é chamado Pai de algumas criaturas, tão-somente por um vestígio, como das criaturas irracionais, conforme Jó 38,28: «Quem é o pai da chuva? ou quem gerou as gotas do orvalho?» De outras, a saber, da criatura racional, (é chamado Pai) por razão da semelhança da sua imagem, conforme Deuteronômio 32,6: «Acaso não é Ele teu Pai, que te possuiu, te fez e te criou?» E de outras é Pai por semelhança de graça, e estas são também chamadas filhos adotivos, por estarem ordenadas à herança da glória eterna pelo dom da graça que receberam, conforme Romanos 8,16-17: «O mesmo Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus; e, se filhos, também herdeiros.» Finalmente, de outras é Pai por semelhança de glória, porquanto alcançaram a posse da herança da glória, conforme Romanos 5,2: «Gloriamo-nos na esperança da glória dos filhos de Deus.» Portanto, é claro que «paternidade» se aplica a Deus primeiramente como significando a relação de uma Pessoa para outra Pessoa, antes de significar a relação de Deus para as criaturas. **Resposta à primeira objeção:** Os termos comuns tomados absolutamente, na ordem do nosso intelecto, vêm antes dos termos próprios; porque estão incluídos no entendimento dos termos próprios; mas não vice-versa. Pois no conceito da pessoa do Pai, entende-se Deus; mas não vice-versa. Mas os termos comuns que importam relação à criatura vêm depois dos termos próprios que importam relações pessoais; porque a pessoa que procede em Deus procede como princípio da produção das criaturas. Pois, assim como a palavra concebida na mente do artista se entende primeiro proceder do artista antes da coisa designada, que é produzida à semelhança da palavra concebida na mente do artista; assim o Filho procede do Pai antes da criatura, à qual o nome de filiação se aplica por participar da semelhança do Filho, como é claro pelas palavras de Romanos 8,29: «Aos que conheceu e predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho.» **Resposta à segunda objeção:** Diz-se que «receber» é comum à criatura e ao Filho, não em sentido unívoco, mas segundo uma certa semelhança remota pela qual Ele é chamado Primogênito das criaturas. Por isso a autoridade citada acrescenta: «Para que seja o Primogênito entre muitos irmãos», depois de dizer que alguns foram conformes à imagem do Filho de Deus. Mas o Filho de Deus possui uma posição singular acima dos outros, por ter por natureza o que recebe, como também declara Basílio (Hom. xv Sobre a Fé); por isso é chamado Unigênito (João 1,18): «O Unigênito, que está no seio do Pai, Ele no-lo revelou.» Disto se vê a **resposta à terceira objeção**.

Summa Theologiae — First Part · Article. 3 - Whether this name “Father” is applied to God, firstly as a personal name? · séc. XIII

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