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Dt 6, 4

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Matos Soares

4Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1.** Parece que Deus não é um. Porquanto está escrito: «Porque há muitos deuses e muitos senhores» (1 Cor 8,5). **Objeção 2.** Demais, «um», como princípio de número, não pode ser predicado de Deus, visto que a quantidade não se predica de Deus; do mesmo modo, nem «um», que é conversível com o ente, pode ser predicado de Deus, porque implica privação, e toda privação é imperfeição, a qual não cabe em Deus. Logo, Deus não é um. **Em contrário,** está escrito: «Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor» (Dt 6,4). **Respondo que** se pode demonstrar, por três argumentos, que Deus é um. Primeiro, pela sua simplicidade. Com efeito, é manifesto que a razão pela qual uma coisa singular é «esta coisa particular» é porque não pode ser comunicada a muitos; pois aquilo pelo qual Sócrates é homem pode ser comunicado a muitos; ao passo que o que o faz ser este homem particular só é comunicável a um. Portanto, se Sócrates fosse homem por aquilo mesmo que o faz ser este homem particular, assim como não podem existir muitos Sócrates, também não poderiam, desse modo, existir muitos homens. Ora, isto pertence exclusivamente a Deus; porque Deus é a sua própria natureza, como acima se mostrou (Q. 3, art. 3). Pelo que, do mesmo modo que Deus é Deus, assim é este Deus. É, portanto, impossível que existam muitos deuses. Segundo, prova-se pela infinidade da sua perfeição. Pois acima se mostrou (Q. 4, art. 2) que Deus compreende em si toda a perfeição do ente. Se, pois, existissem muitos deuses, necessariamente difeririam entre si. Algo, portanto, pertenceria a um que não pertenceria ao outro. E se isto fosse uma privação, um deles não seria absolutamente perfeito; mas se fosse uma perfeição, um deles estaria sem ela. Logo, é impossível que existam muitos deuses. Daí também os antigos filósofos, como que constrangidos pela verdade, ao afirmarem um princípio infinito, afirmaram igualmente que só existia um tal princípio. Terceiro, isto se demonstra pela unidade do mundo. Pois todos os seres que existem vê-se que estão ordenados uns para os outros, visto que alguns servem aos outros. Mas as coisas diversas não se harmonizam na mesma ordem, a não ser que sejam ordenadas por um só. Porque muitos são reduzidos a uma ordem por um só, melhor do que por muitos; pois um é causa _per se_ de um, e muitos são causa acidental de um, na medida em que são de certo modo um. Portanto, sendo o primeiro o mais perfeito, e sendo-o _per se_ e não acidentalmente, é necessário que o primeiro, que reduz todas as coisas a uma ordem, seja uno. E este uno é Deus. **Resposta à objeção 1.** Dizem-se muitos deuses por erro de alguns que adoravam muitas divindades, julgando que os planetas e outros astros eram deuses, bem como as partes separadas do mundo. Por isso o Apóstolo acrescenta: «Mas para nós há um só Deus», etc. **Resposta à objeção 2.** O «um» que é princípio de número não se predica de Deus, mas apenas das coisas materiais. Pois o «um», princípio de número, pertence ao género da matemática, cujos objetos são materiais quanto ao ser, e abstraídos da matéria apenas na ideia. Mas o «um» que é conversível com o ente é uma realidade metafísica e não depende da matéria no seu ser. E, embora em Deus não haja privação, contudo, segundo o modo da nossa apreensão, Ele nos é conhecido apenas por via de privação e remoção. Assim, não há razão para que uma certa privação não se predique de Deus; por exemplo, que Ele é incorpóreo e infinito; e do mesmo modo se diz de Deus que é uno.

Summa Theologiae — First Part · Article. 3 - Whether God is one? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que, na Lei antiga, deveriam ter sido dados preceitos de fé. Porque um preceito diz respeito a algo devido e necessário. Ora, é sumamente necessário ao homem que creia, conforme Heb. 11,6: «Sem fé é impossível agradar a Deus.» Logo, houve mui grande necessidade de que se dessem preceitos de fé. Objeção 2: Ademais, o Novo Testamento está contido no Antigo, como a realidade na figura, conforme se disse acima (FS, Q[107], A[3]). Ora, o Novo Testamento contém preceitos explícitos de fé, por exemplo Jo. 14,1: «Vós credes em Deus; crede também em Mim.» Logo, parece que também na Lei antiga se deviam ter dado alguns preceitos de fé. Objeção 3: Ademais, prescrever o ato de uma virtude equivale a proibir os vícios contrários. Ora, a Lei antiga continha muitos preceitos proibindo a incredulidade: assim (Êx. 20,3): «Não terás deuses estranhos diante de Mim», e (Dt. 13,1-3) foi-lhes proibido ouvir as palavras do profeta ou do sonhador que quisesse apartá-los da fé em Deus. Logo, preceitos de fé também deveriam ter sido dados na Lei antiga. Objeção 4: Ademais, a confissão é um ato de fé, como se disse acima (Q[3], A[1]). Ora, a Lei antiga continha preceitos acerca da confissão e da promulgação da fé: pois foi-lhes ordenado (Êx. 12,27) que, quando seus filhos lhes perguntassem, lhes explicassem o significado da observância pascal, e (Dt. 13,9) foram ordenados a matar todo aquele que divulgasse doutrina contrária à fé. Logo, a Lei antiga deveria ter contido preceitos de fé. Objeção 5: Ademais, todos os livros do Antigo Testamento estão contidos na Lei antiga; por isso Nosso Senhor disse (Jo. 15,25) que estava escrito na Lei: «Aborreceram-me sem causa», embora isto se encontre escrito nos Salmos 34 e 68. Ora, está escrito (Eclo. 2,8): «Vós que temeis ao Senhor, crede-lhe.» Logo, a Lei antiga deveria ter contido preceitos de fé. Em contrário, o Apóstolo (Rom. 3,27) chama à Lei antiga «lei das obras», a qual contrasta com a «lei da fé». Logo, a Lei antiga não devia ter contido preceitos de fé. Respondo: Um mestre não impõe leis senão a seus súditos; por isso os preceitos de uma lei pressupõem que todo aquele que recebe a lei está sujeito ao doador da lei. Ora, a sujeição primária do homem a Deus é pela fé, segundo Heb. 11,6: «Aquele que se aproxima de Deus deve crer que Ele existe.» Logo, a fé é pressuposta aos preceitos da Lei: por esta razão (Êx. 20,2) o que é de fé é posto antes dos preceitos legais, nas palavras: «Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito», e, igualmente (Dt. 6,4), as palavras: «Ouve, ó Israel, o Senhor teu [Vulg.: «nosso»] Deus é um só», precedem o registro dos preceitos. Visto, porém, que a fé contém muitas coisas subordinadas à fé pela qual cremos que Deus existe, que é o primeiro e principal de todos os artigos de fé, como se disse acima (Q[1], AA[1],7), segue-se que, se pressupomos a fé em Deus, pela qual a mente do homem se lhe sujeita, é possível dar preceitos sobre outros artigos de fé. Assim, Agostinho, expondo as palavras: «Este é o meu mandamento» (Jo. 15,12), diz (Trat. lxxxiii sobre Jo.) que recebemos muitos preceitos de fé. Na Lei antiga, porém, as coisas secretas da fé não deviam ser propostas ao povo, por isso, pressuposta a sua fé no Deus uno, nenhuns outros preceitos de fé foram dados na Lei antiga. Resposta à objeção 1: A fé é necessária como princípio da vida espiritual, por isso é pressuposta antes da recepção da Lei. Resposta à objeção 2: Mesmo então Nosso Senhor pressupôs algo de fé, a saber, a crença no Deus uno, quando disse: «Vós credes em Deus», e ordenou algo, a saber, a crença na Encarnação, pela qual uma Pessoa é Deus e homem. Esta explicitação da fé pertence à fé do Novo Testamento, por isso acrescentou: «Crede também em Mim.» Resposta à objeção 3: Os preceitos proibitivos dizem respeito aos pecados, que corrompem a virtude. Ora, a virtude é corrompida por qualquer defeito particular, como se disse acima (FS, Q[18], A[4], ad 3; FS, Q[19], A[6], ad 1, A[7], ad 3). Portanto, pressuposta a fé no Deus uno, preceitos proibitivos tiveram de ser dados na Lei antiga, para que os homens fossem advertidos contra aqueles defeitos particulares pelos quais sua fé poderia ser corrompida. Resposta à objeção 4: A confissão da fé e o seu ensino pressupõem também a sujeição do homem a Deus pela fé: de modo que a Lei antiga podia conter preceitos relativos à confissão e ao ensino da fé, mais do que à fé em si mesma. Resposta à objeção 5: Nesta passagem, também se pressupõe aquela fé pela qual cremos que Deus existe; por isso começa: «Vós que temeis ao Senhor», o que não é possível sem fé. As palavras que se seguem — «crede-lhe» — devem referir-se a certos artigos especiais de fé, principalmente àquelas coisas que Deus promete aos que lhe obedecem, por isso a passagem conclui: «e a vossa recompensa não será anulada.»

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether in the Old Law there should have been given precepts of faith? · séc. XIII

tradução automática
Dt 6, 4 nos Padres da Igreja | Aurea