Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que não se pode amar a Deus totalmente. Porque o amor segue o conhecimento. Ora, Deus não pode ser totalmente conhecido por nós, pois isto implicaria compreendê-Lo. Logo, não pode ser totalmente amado por nós. Objeção 2: Ademais, o amor é uma espécie de união, como mostra Dionísio (Div. Nom. iv). Mas o coração do homem não pode ser totalmente unido a Deus, porque "Deus é maior que o nosso coração" (1 Jo 3,20). Logo, Deus não pode ser totalmente amado. Objeção 3: Ademais, Deus ama-Se totalmente. Se, portanto, for totalmente amado por outro, este O amará tanto quanto Deus Se ama. Mas isto é irrazoável. Logo, Deus não pode ser totalmente amado por uma criatura. Em contrário, está escrito (Dt 6,5): "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração." Respondo: Visto que o amor pode ser considerado como algo entre o amante e o amado, quando perguntamos se Deus pode ser totalmente amado, a questão pode ser entendida de três modos: primeiro, de modo que a qualificação "totalmente" se refira à coisa amada, e assim Deus deve ser amado totalmente, pois o homem deve amar tudo o que pertence a Deus. Segundo, pode ser entendido como se "totalmente" qualificasse o amante: e assim, ainda, Deus deve ser amado totalmente, pois o homem deve amar a Deus com todas as suas forças e referir tudo o que tem ao amor de Deus, segundo Dt 6,5: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração." Terceiro, pode ser entendido por via de comparação do amante com a coisa amada, de modo que o modo do amante iguale o modo da coisa amada. Isto é impossível: pois, visto que uma coisa é amável na proporção de sua bondade, Deus é infinitamente amável, pois Sua bondade é infinita. Ora, nenhuma criatura pode amar a Deus infinitamente, porque todo poder das criaturas, seja natural ou infuso, é finito. Isto basta para as Respostas às Objeções, porque as três primeiras objeções consideram a questão neste terceiro sentido, enquanto a última a toma no segundo sentido.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether God can be loved wholly? [*Cf. Q[184], A[2]] · séc. XIII
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