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Ef 1, 10

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Matos Soares

10para o realizar sua plenitude dos tempos: reunir em Cristo todas as coisas, assim as do céu, como as da terra.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que a alma de Cristo teve omnipotência quanto à transmutação das criaturas. Porque Ele mesmo diz (Mt 28,18): "Todo o poder Me foi dado no céu e na terra". Ora, pelas palavras "céu e terra" significam-se todas as criaturas, como é claro em Gn 1,1: "No princípio criou Deus o céu e a terra." Logo, parece que a alma de Cristo teve omnipotência quanto à transmutação das criaturas. **Objeção 2:** Ademais, a alma de Cristo é a mais perfeita de todas as criaturas. Mas toda criatura pode ser movida por outra criatura; pois Agostinho diz (De Trin. III,4) que "assim como os corpos mais densos e inferiores são regidos de modo fixo pelos corpos mais sutis e fortes, assim todos os corpos o são pelo espírito de vida, e o espírito de vida irracional pelo espírito de vida racional, e o espírito de vida racional desviado e pecador pelo espírito de vida racional, leal e justo." Porém a alma de Cristo move até os mais altos espíritos, iluminando-os, como Dionísio diz (Hier. Cel. VII). Portanto, parece que a alma de Cristo teve omnipotência quanto à transmutação das criaturas. **Objeção 3:** Ademais, a alma de Cristo teve no mais alto grau a "graça dos milagres" ou obras de poder. Ora, toda transmutação da criatura pode pertencer à graça dos milagres; pois até os corpos celestes foram miraculosamente mudados de seu curso, como Dionísio prova (Ep. a Policarpo). Logo, a alma de Cristo teve omnipotência quanto à transmutação das criaturas. **Em contrário,** Transmutar as criaturas pertence Àquele que as conserva. Ora, isto pertence só a Deus, segundo Hb 1,3: "Sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder." Portanto, só Deus tem omnipotência quanto à transmutação das criaturas. Logo, isto não pertence à alma de Cristo. **Respondo que:** Duas distinções são aqui necessárias. A primeira diz respeito à transmutação das criaturas, que é tríplice. A primeira é natural, realizada pelo agente próprio naturalmente; a segunda é miraculosa, realizada por um agente sobrenatural, acima da ordem e curso habituais da natureza, como ressuscitar os mortos; a terceira consiste em que toda criatura pode ser reduzida ao nada. A segunda distinção diz respeito à alma de Cristo, que pode ser considerada de dois modos: primeiro, na sua própria natureza e com o seu poder de natureza ou de graça; segundo, como instrumento do Verbo de Deus, a Ele pessoalmente unido. Portanto, se falamos da alma de Cristo na sua própria natureza e com o seu poder de natureza ou de graça, ela teve poder para causar aqueles efeitos próprios de uma alma (p. ex., reger o corpo e dirigir os atos humanos e também, pela plenitude da graça e do conhecimento, iluminar todas as criaturas racionais inferiores à sua perfeição), de modo conveniente a uma criatura racional. Se, porém, falamos da alma de Cristo como instrumento do Verbo a Ela unido, ela teve um poder instrumental para efetuar todas as transmutações miraculosas ordenáveis ao fim da Encarnação, que é "restabelecer todas as coisas que estão nos céus e na terra" (Ef 1,10). Mas a transmutação das criaturas, enquanto podem ser reduzidas ao nada, corresponde à sua criação, pela qual foram tiradas do nada. E, portanto, assim como só Deus pode criar, assim também só Ele pode reduzir as criaturas ao nada, e só Ele as sustenta no ser, para que não revertam ao nada. E assim deve-se dizer que a alma de Cristo não teve omnipotência quanto à transmutação das criaturas. **Resposta à primeira objeção:** Como diz Jerônimo (sobre o texto citado): "O poder Lhe foi dado", isto é, a Cristo como homem, "Que pouco antes fora crucificado, sepultado no túmulo e depois ressuscitou." Mas diz-se que o poder Lhe foi dado por causa da união pela qual se fez que um Homem fosse onipotente, como foi dito acima (A[1], ad 1). E embora isto fosse dado a conhecer aos anjos antes da Ressurreição, contudo, depois da Ressurreição, foi dado a conhecer a todos os homens, como diz Remígio (cf. Catena Aurea). Ora, "diz-se que as coisas acontecem quando são manifestadas" (Hugo de São Vítor, Qq. sobre a Ep. aos Filipenses). Por isso, depois da Ressurreição, o Senhor diz "que todo o poder Lhe é dado no céu e na terra." **Resposta à segunda objeção:** Embora toda criatura seja transmutável por alguma outra criatura, exceto, na verdade, o mais alto anjo, e até ele pode ser iluminado pela alma de Cristo, contudo, nem toda transmutação que pode ser feita numa criatura pode ser feita por uma criatura; pois algumas transmutações só por Deus podem ser feitas. Todavia, todas as transmutações que podem ser feitas nas criaturas podem ser feitas pela alma de Cristo, como instrumento do Verbo, mas não na sua própria natureza e poder, pois algumas dessas transmutações não pertencem à alma nem na ordem da natureza nem na ordem da graça. **Resposta à terceira objeção:** Como foi dito na Secunda Secundae, Q[178], A[1], ad 1, a graça das obras poderosas ou milagres é dada à alma de um santo, de modo que esses milagres são realizados não pelo seu próprio poder, mas pelo poder divino. Ora, esta graça foi concedida à alma de Cristo de modo excelentíssimo, isto é, não só para que Ele operasse milagres, mas também para que comunicasse esta graça a outros. Por isso está escrito (Mt 10,1) que, "tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsar, e para curar toda sorte de doenças e toda sorte de enfermidades."

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether the soul of Christ had omnipotence with regard to the transmutation of creatures? · séc. XIII

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Ef 1, 10 nos Padres da Igreja | Aurea