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Ef 3, 8

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Matos Soares

8A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios as riquezas incompreensíveis de Cristo

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a plenitude da graça não é própria de Cristo. Pois o que é próprio de alguém pertence somente a ele. Ora, ser cheio de graça é atribuído a alguns outros; pois foi dito à Bem-aventurada Virgem (Lc 1,28): «Ave, cheia de graça»; e também está escrito (At 6,8): «Estêvão, cheio de graça e fortaleza». Logo, a plenitude da graça não é própria de Cristo. Objeção 2: Além disso, o que pode ser comunicado a outros por meio de Cristo não parece ser próprio de Cristo. Ora, a plenitude da graça pode ser comunicada a outros por meio de Cristo, pois o Apóstolo diz (Ef 3,19): «Para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus». Logo, a plenitude da graça não é própria de Cristo. Objeção 3: Ademais, o estado do viandante parece ser proporcionado ao estado do compreensor. Ora, no estado do compreensor haverá uma certa plenitude, pois «na nossa pátria celeste, com a sua plenitude de todo o bem, ainda que algumas coisas sejam concedidas de modo preeminente, todavia nada é possuído singularmente», como é claro por Gregório (Hom. De Cent. Ovib.; xxxiv in Ev.). Logo, no estado do compreensor, a plenitude da graça é possuída por todos, e, portanto, a plenitude da graça não é própria de Cristo. Em contrário, A plenitude da graça é atribuída a Cristo enquanto Ele é o Unigênito do Pai, segundo Jo 1,14: «Nós vimos [Vulg.: ‘a sua glória’] como que… do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade». Ora, ser o Unigênito do Pai é próprio de Cristo. Logo, é próprio d’Ele ser cheio de graça e verdade. Respondo: A plenitude da graça pode ser tomada de dois modos: Primeiro, da parte da própria graça; segundo, da parte daquele que tem a graça. Ora, da parte da própria graça, diz-se haver plenitude de graça quando se atinge o limite da graça, quanto à essência e ao poder, na medida em que a graça é possuída na sua mais alta excelência possível e na sua maior extensão possível a todos os seus efeitos. E esta plenitude de graça é própria de Cristo. Mas, da parte do sujeito, diz-se haver plenitude de graça quando alguém possui a graça plenamente segundo a sua condição — seja quanto à intensidade, por ter a graça intensa nele, até ao limite assinalado por Deus, segundo Ef 4,7: «Mas a cada um de nós foi dada a graça segundo a medida do dom de Cristo» — seja quanto ao poder, por ter o homem o auxílio da graça para tudo o que pertence ao seu ofício ou estado, como diz o Apóstolo (Ef 3,8): «A mim, o mínimo de todos os santos, foi dada esta graça… de iluminar a todos os homens». E esta plenitude de graça não é própria de Cristo, mas é comunicada a outros por Cristo. Resposta à Objeção 1: A Bem-aventurada Virgem é dita cheia de graça, não da parte da própria graça — pois ela não tinha a graça na sua mais alta excelência possível — nem para todos os efeitos da graça; mas é dita cheia de graça em referência a si mesma, isto é, enquanto tinha graça suficiente para o estado para o qual Deus a havia escolhido, a saber, para ser a Mãe do seu Unigênito. Assim também Estêvão é dito cheio de graça, pois tinha graça suficiente para ser um ministro e testemunha idóneo de Deus, para o qual ofício havia sido chamado. E o mesmo se deve dizer de outros. Destas plenitudes, uma é maior do que a outra, conforme alguém é divinamente pré-ordenado a um estado mais alto ou mais baixo. Resposta à Objeção 2: O Apóstolo fala ali daquela plenitude que se refere ao sujeito, em comparação com o que o homem é divinamente pré-ordenado; e isto é ou algo comum, ao qual todos os santos são pré-ordenados, ou algo especial, que pertence à preeminência de alguns. E deste modo, uma certa plenitude de graça é comum a todos os santos, a saber, ter graça suficiente para merecer a vida eterna, que consiste no gozo de Deus. E esta é a plenitude de graça que o Apóstolo deseja para os fiéis a quem escreve. Resposta à Objeção 3: Estes dons que são comuns no céu, a saber: visão, posse e fruição, e outros semelhantes, têm certos dons correspondentes a eles nesta vida, que também são comuns a todos os santos. Todavia, há certas prerrogativas dos santos, tanto no céu como na terra, que não são possuídas por todos.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 10 - Whether the fulness of grace is proper to Christ? · séc. XIII

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