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Ef 4, 19

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Matos Soares

19os quais, de consciência embotada, se entregaram à libertinagem, para cometerem apaixonadamente toda a espécie de impureza.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o desespero não é pecado. Pois todo pecado inclui conversão a um bem mutável, juntamente com aversão do bem imutável, como Agostinho afirma (De Lib. Arb. ii, 19). Ora, o desespero não inclui conversão a um bem mutável. Logo, não é pecado. **Objeção 2:** Ademais, aquilo que nasce de uma boa raiz parece não ser pecado, porque «a árvore boa não pode dar frutos maus» (Mat. 7:18). Ora, o desespero parece nascer de uma boa raiz, a saber, do temor de Deus, ou do horror à grandeza dos próprios pecados. Logo, o desespero não é pecado. **Objeção 3:** Ademais, se o desespero fosse pecado, também seria pecado para os condenados desesperar-se. Mas isto não lhes é imputado como culpa, e sim como parte da sua condenação. Logo, também não é imputado aos viandantes como culpa; portanto, não é pecado. **Em contrário,** aquilo que leva os homens ao pecado parece não só ser pecado em si mesmo, mas fonte de pecados. Ora, tal é o desespero, pois o Apóstolo diz de certos homens (Efés. 4:19): «Os quais, desesperando, se entregaram à lascívia, para a prática de toda sorte de impureza e [Vulg.: 'de'] avareza.» Logo, o desespero não é somente pecado, mas também a origem de outros pecados. **Respondo:** Segundo o Filósofo (Ética vi, 2), a afirmação e a negação no intelecto correspondem à busca e à fuga no apetite; enquanto a verdade e a falsidade no intelecto correspondem ao bem e ao mal no apetite. Conseqüentemente, todo movimento apetitivo que se conforma a um intelecto verdadeiro é em si bom, ao passo que todo movimento apetitivo que se conforma a um intelecto falso é em si mau e pecaminoso. Ora, a verdadeira opinião do intelecto acerca de Deus é que d'Ele vem a salvação aos homens e o perdão aos pecadores, segundo Ezequiel 18:23: «Não desejo a morte do pecador, mas que se converta e viva» [Vulg.: «Porventura quero eu a morte do pecador… e não que se converta e viva?» Cf. Ezeq. 33:11]; enquanto é falsa opinião pensar que Ele recusa o perdão ao pecador arrependido, ou que não converte os pecadores a Si pela graça santificante. Portanto, assim como o movimento da esperança, que está em conformidade com a opinião verdadeira, é louvável e virtuoso, assim o movimento contrário do desespero, que está em conformidade com a opinião falsa acerca de Deus, é vicioso e pecaminoso. **Resposta à primeira objeção:** Em todo pecado mortal há, de certo modo, aversão do bem imutável e conversão a um bem mutável, mas não sempre do mesmo modo. Pois, sendo as virtudes teologais dirigidas a Deus como objeto, os pecados que lhes são contrários, tais como o ódio a Deus, o desespero e a incredulidade, consistem principalmente na aversão do bem imutável; mas, conseqüentemente, implicam conversão a um bem mutável, na medida em que a alma desertora de Deus necessariamente se volta para outras coisas. Outros pecados, porém, consistem principalmente na conversão a um bem mutável e, conseqüentemente, na aversão do bem imutável: porque o fornicador não pretende apartar-se de Deus, mas gozar do prazer carnal; disto resulta que se aparta de Deus. **Resposta à segunda objeção:** Uma coisa pode nascer de uma raiz virtuosa de dois modos: primeiro, diretamente e da parte da própria virtude, como um ato procede de um hábito; e deste modo nenhum pecado pode nascer de uma raiz virtuosa, pois neste sentido Agostinho declarou (De Lib. Arb. ii, 18-19) que «ninguém faz mau uso da virtude». Segundo, uma coisa procede de uma virtude indiretamente, ou é ocasionada por uma virtude; e deste modo nada impede que um pecado proceda de uma virtude: assim, às vezes os homens se orgulham de suas virtudes, segundo Agostinho (Ep. ccxi): «A soberba arma ciladas às boas obras para que morram.» Deste modo, o temor de Deus ou o horror dos próprios pecados pode levar ao desespero, na medida em que o homem faz mau uso desses bens, permitindo que sejam ocasião de desespero. **Resposta à terceira objeção:** Os condenados estão fora do âmbito da esperança por causa da impossibilidade de retornar à felicidade; por isso não lhes é imputado o não esperar, mas é parte da sua condenação. Do mesmo modo, não seria pecado para um viandante desesperar de obter aquilo para o qual não tem capacidade natural, ou que não lhe é devido obter; por exemplo, se um médico desesperasse de curar algum doente, ou se alguém desesperasse de jamais se tornar rico.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether despair is a sin? · séc. XIII

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Ef 4, 19 nos Padres da Igreja | Aurea