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Ef 4, 5

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Matos Soares

5Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria inconveniente que os artigos da fé fossem corporados num símbolo. Porque a Sagrada Escritura é a regra da fé, à qual não se pode licitamente acrescentar nem diminuir, conforme está escrito (Dt 4,2): «Não acrescentareis à palavra que vos digo, nem diminuireis dela.» Logo, depois de publicada a Sagrada Escritura, não era lícito fazer um símbolo como regra da fé. **Objeção 2:** Ademais, segundo o Apóstolo (Ef 4,5), há uma só fé. Ora, o símbolo é uma profissão de fé. Logo, não convém que haja mais de um símbolo. **Objeção 3:** Ademais, a confissão da fé, contida no símbolo, diz respeito a todos os fiéis. Ora, nem todos os fiéis são capazes de crer em Deus, mas somente aqueles que têm fé viva. Logo, é inconveniente que o símbolo da fé seja expresso nestas palavras: «Creio em um só Deus.» **Objeção 4:** Ademais, a descida aos infernos é um dos artigos de fé, como acima se afirmou (A[8]). Todavia, a descida aos infernos não é mencionada no símbolo dos Padres. Logo, este é expresso de modo insuficiente. **Objeção 5:** Ademais, Agostinho (Tract. XXIX in Ioan.), expondo a passagem: «Crede em Deus, crede também em Mim» (Jo 14,1), diz: «Cremos em Pedro ou em Paulo, mas dizemos crer *em* Deus somente.» Sendo, pois, a Igreja Católica uma criatura meramente criada, parece inconveniente dizer: «Na Una, Santa, Igreja Católica e Apostólica.» **Objeção 6:** Ademais, um símbolo é composto para que seja regra de fé. Ora, a regra da fé deve ser proposta a todos e publicamente. Portanto, todo símbolo, além do símbolo dos Padres, deveria ser cantado na Missa. Logo, parece inconveniente publicar os artigos da fé num símbolo. **Ao contrário,** A Igreja universal não pode errar, porque é governada pelo Espírito Santo, que é o Espírito da verdade; pois tal foi a promessa do Senhor a seus discípulos (Jo 16,13): «Quando vier aquele Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade.» Ora, o símbolo é publicado pela autoridade da Igreja universal. Logo, nada contém de defeituoso. **Respondo:** Como diz o Apóstolo (Hb 11,6), «o que se chega a Deus deve crer que Ele existe». Ora, ninguém pode crer, a menos que a verdade lhe seja proposta para que a creia. Portanto, é necessário que a verdade da fé seja reunida, para que mais facilmente possa ser proposta a todos, a fim de que ninguém se desvie da verdade por ignorância da fé. É por ser uma coleção de máximas da fé que o símbolo (*do grego symballein*) recebe seu nome. **Resposta à objeção 1:** A verdade da fé está contida na Sagrada Escritura de modo difuso, sob várias formas de expressão e, às vezes, obscuramente; de modo que, para colher da Sagrada Escritura a verdade da fé, são necessários longo estudo e prática, o que não é alcançável por todos os que precisam conhecer a verdade da fé, muitos dos quais não têm tempo para estudar, ocupados com outros afazeres. Assim, foi necessário reunir, a partir dos ditos da Sagrada Escritura, um resumo claro, a ser proposto à crença de todos. Isso, na verdade, não foi um acréscimo à Sagrada Escritura, mas algo dela extraído. **Resposta à objeção 2:** Uma mesma doutrina da fé é ensinada em todos os símbolos. No entanto, o povo necessita de instrução mais cuidadosa acerca da verdade da fé quando surgem erros, para que a fé dos simples não seja corrompida pelos hereges. Foi isso que deu origem à necessidade de formular vários símbolos, que em nada diferem entre si, senão que, por causa da obstinação dos hereges, um contém mais explicitamente o que outro contém implicitamente. **Resposta à objeção 3:** A confissão da fé é redigida num símbolo como que na pessoa da Igreja toda, que está unida pela fé. Ora, a fé da Igreja é a fé viva, pois tal é a fé que se encontra em todos os que são da Igreja não apenas exteriormente, mas também por mérito. Por isso, a confissão da fé é expressa no símbolo de maneira que esteja de acordo com a fé viva, de modo que, mesmo que alguns fiéis careçam de fé viva, se esforcem para adquiri-la. **Resposta à objeção 4:** Nenhum erro acerca da descida aos infernos havia surgido entre os hereges, de modo que não havia necessidade de ser mais explícito quanto a esse ponto. Por essa razão, não é repetida no símbolo dos Padres, mas é suposta como já estabelecida no símbolo dos Apóstolos. Pois um símbolo posterior não anula um anterior; antes, o expõe, como acima se disse (ad 2). **Resposta à objeção 5:** Se dissermos «Na Santa Igreja Católica», isso deve ser tomado como verificado na medida em que nossa fé se dirige ao Espírito Santo, que santifica a Igreja; de modo que o sentido é: «Creio no Espírito Santo que santifica a Igreja.» Mas é melhor e mais conforme ao uso comum omitir o 'em' e dizer simplesmente «a Santa Igreja Católica», como observa o Papa Leão (*Rufino, Comentário ao Símbolo dos Apóstolos*). **Resposta à objeção 6:** Visto que o símbolo dos Padres é uma explicação do símbolo dos Apóstolos e foi composto depois que a fé já estava espalhada e quando a Igreja já estava em paz, é cantado publicamente na Missa. Por outro lado, o símbolo dos Apóstolos, que foi composto no tempo da perseguição, antes que a fé fosse tornada pública, é dito secretamente em Prima e Completas, como que contra as trevas dos erros passados e futuros.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 9 - Whether it is suitable for the articles of faith to be embodied in a symbol? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a fé não é uma. Pois, assim como a fé é um dom de Deus, segundo Efésios 2,8, também a sabedoria e a ciência são enumeradas entre os dons de Deus, segundo Isaías 11,2. Ora, a sabedoria e a ciência diferem nisto: que a sabedoria é acerca das coisas eternas, e a ciência, acerca das temporais, como Agostinho afirma (De Trin. XII, 14-15). Visto que, pois, a fé é acerca das coisas eternas, e também acerca de algumas temporais, parece que a fé não é uma virtude, mas dividida em várias partes. Objeção 2: Além disso, a confissão é um ato de fé, como foi dito acima (Q. 3, art. 1). Ora, a confissão da fé não é uma e a mesma para todos: pois o que nós confessamos como passado, os antigos padres confessaram como ainda por vir, como se vê em Isaías 7,14: «Eis que uma virgem conceberá». Logo, a fé não é uma. Objeção 3: Além disso, a fé é comum a todos os crentes em Cristo. Ora, um acidente não pode estar em muitos sujeitos. Logo, todos não podem ter uma só fé. Ao contrário, o Apóstolo diz (Efésios 4,5): «Um só Senhor, uma só fé». Respondo: Se tomamos a fé como hábito, podemos considerá-la de dois modos. Primeiro, por parte do objeto, e assim há uma só fé. Porque o objeto formal da fé é a Primeira Verdade, por aderir à qual cremos tudo quanto está contido na fé. Segundo, por parte do sujeito, e assim a fé se diferencia conforme está em diversos sujeitos. Ora, é evidente que a fé, como qualquer outro hábito, recebe a sua espécie do aspecto formal de seu objeto, mas é individualizada pelo seu sujeito. Portanto, se tomamos a fé como o hábito pelo qual cremos, ela é uma especificamente, mas difere numericamente segundo os diversos sujeitos. Se, por outro lado, tomamos a fé por aquilo que é crido, então, novamente, há uma só fé, pois o que é crido por todos é uma mesma coisa; porque, embora as coisas cridas, nas quais todos concordam em crer, sejam diversas entre si, contudo todas se reduzem a uma. Resposta à objeção 1: As matérias temporais que são propostas para serem cridas não pertencem ao objeto da fé, senão em relação a algo eterno, isto é, a Primeira Verdade, como foi dito acima (Q. 1, art. 1). Logo, há uma só fé das coisas temporais e eternas. De modo diferente se passa com a sabedoria e a ciência, que consideram as matérias temporais e eternas sob seus respectivos aspectos. Resposta à objeção 2: Essa diferença de passado e futuro provém, não de alguma diferença na coisa crida, mas das diferentes relações dos crentes para com a única coisa crida, como também mencionamos acima (I-II, Q. 103, art. 4; I-II, Q. 107, art. 1, ad 1). Resposta à objeção 3: Esta objeção considera a diversidade numérica da fé.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 6 - Whether faith is one virtue? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a caridade não é uma virtude única. Porque os hábitos se distinguem segundo os seus objetos. Ora, há dois objetos da caridade: Deus e o próximo, que estão infinitamente distantes um do outro. Logo, a caridade não é uma virtude única. Objeção 2: Além disso, diversos aspectos do objeto diversificam um hábito, mesmo que esse objeto seja um só na realidade, como se mostrou acima (Q. 17, A. 6; I II, Q. 54, A. 2, ad 1). Ora, há muitos aspectos sob os quais Deus é objeto de amor, porque somos devedores do seu amor por causa de cada um dos seus benefícios. Portanto, a caridade não é uma virtude única. Objeção 3: Além disso, a caridade compreende a amizade para com o próximo. Mas o Filósofo enumera várias espécies de amizade (Ética viii, 3,11,12). Logo, a caridade não é uma virtude única, mas divide-se em várias espécies diversas. Em contrário, Assim como Deus é objeto da fé, assim também é objeto da caridade. Ora, a fé é uma virtude única por causa da unidade da verdade divina, segundo Ef 4,5: “Uma só fé”. Logo, também a caridade é uma virtude única por causa da unidade da bondade divina. Respondo que, A caridade, como se disse acima (A. 1), é uma certa amizade do homem para com Deus. Ora, as diferentes espécies de amizade se diferenciam, primeiro, quanto à diversidade de fim; e desse modo há três espécies de amizade, a saber, a amizade pelo útil, pelo deleitável e pelo virtuoso; segundo, quanto aos diferentes tipos de comunhão sobre os quais as amizades se fundam; assim, há uma espécie de amizade entre parentes, e outra entre concidadãos ou companheiros de viagem; a primeira funda-se na comunhão natural, a segunda na comunhão civil ou na camaradagem de estrada, como explica o Filósofo (Ética viii, 12). Ora, a caridade não pode ser diferenciada de nenhum desses modos: porque o seu fim é único, a saber, a bondade de Deus; e a comunhão da bem-aventurança eterna, sobre a qual esta amizade se funda, também é única. Por conseguinte, segue-se que a caridade é simplesmente uma virtude única, e não se divide em várias espécies. Resposta à objeção 1: Este argumento valeria se Deus e o próximo fossem igualmente objetos da caridade. Mas isso não é verdade: porque Deus é o objeto principal da caridade, enquanto o próximo é amado por caridade por causa de Deus. Resposta à objeção 2: Deus é amado por caridade por causa de si mesmo; por onde a caridade considera principalmente um único aspecto de amabilidade, a saber, a bondade de Deus, que é a sua substância, segundo Sl 105,1: “Dai glória ao Senhor, porque Ele é bom”. Outras razões que nos inspiram amor por Ele, ou que nos impõem o dever de amá-lo, são secundárias e resultam da primeira. Resposta à objeção 3: A amizade humana, de que trata o Filósofo, tem fins diversos e formas de comunhão diversas. Isso não se aplica à caridade, como se disse acima; por onde a comparação não procede.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether charity is one virtue? · séc. XIII

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