Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Pareceria inconveniente que os artigos da fé fossem corporados num símbolo. Porque a Sagrada Escritura é a regra da fé, à qual não se pode licitamente acrescentar nem diminuir, conforme está escrito (Dt 4,2): «Não acrescentareis à palavra que vos digo, nem diminuireis dela.» Logo, depois de publicada a Sagrada Escritura, não era lícito fazer um símbolo como regra da fé. **Objeção 2:** Ademais, segundo o Apóstolo (Ef 4,5), há uma só fé. Ora, o símbolo é uma profissão de fé. Logo, não convém que haja mais de um símbolo. **Objeção 3:** Ademais, a confissão da fé, contida no símbolo, diz respeito a todos os fiéis. Ora, nem todos os fiéis são capazes de crer em Deus, mas somente aqueles que têm fé viva. Logo, é inconveniente que o símbolo da fé seja expresso nestas palavras: «Creio em um só Deus.» **Objeção 4:** Ademais, a descida aos infernos é um dos artigos de fé, como acima se afirmou (A[8]). Todavia, a descida aos infernos não é mencionada no símbolo dos Padres. Logo, este é expresso de modo insuficiente. **Objeção 5:** Ademais, Agostinho (Tract. XXIX in Ioan.), expondo a passagem: «Crede em Deus, crede também em Mim» (Jo 14,1), diz: «Cremos em Pedro ou em Paulo, mas dizemos crer *em* Deus somente.» Sendo, pois, a Igreja Católica uma criatura meramente criada, parece inconveniente dizer: «Na Una, Santa, Igreja Católica e Apostólica.» **Objeção 6:** Ademais, um símbolo é composto para que seja regra de fé. Ora, a regra da fé deve ser proposta a todos e publicamente. Portanto, todo símbolo, além do símbolo dos Padres, deveria ser cantado na Missa. Logo, parece inconveniente publicar os artigos da fé num símbolo. **Ao contrário,** A Igreja universal não pode errar, porque é governada pelo Espírito Santo, que é o Espírito da verdade; pois tal foi a promessa do Senhor a seus discípulos (Jo 16,13): «Quando vier aquele Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade.» Ora, o símbolo é publicado pela autoridade da Igreja universal. Logo, nada contém de defeituoso. **Respondo:** Como diz o Apóstolo (Hb 11,6), «o que se chega a Deus deve crer que Ele existe». Ora, ninguém pode crer, a menos que a verdade lhe seja proposta para que a creia. Portanto, é necessário que a verdade da fé seja reunida, para que mais facilmente possa ser proposta a todos, a fim de que ninguém se desvie da verdade por ignorância da fé. É por ser uma coleção de máximas da fé que o símbolo (*do grego symballein*) recebe seu nome. **Resposta à objeção 1:** A verdade da fé está contida na Sagrada Escritura de modo difuso, sob várias formas de expressão e, às vezes, obscuramente; de modo que, para colher da Sagrada Escritura a verdade da fé, são necessários longo estudo e prática, o que não é alcançável por todos os que precisam conhecer a verdade da fé, muitos dos quais não têm tempo para estudar, ocupados com outros afazeres. Assim, foi necessário reunir, a partir dos ditos da Sagrada Escritura, um resumo claro, a ser proposto à crença de todos. Isso, na verdade, não foi um acréscimo à Sagrada Escritura, mas algo dela extraído. **Resposta à objeção 2:** Uma mesma doutrina da fé é ensinada em todos os símbolos. No entanto, o povo necessita de instrução mais cuidadosa acerca da verdade da fé quando surgem erros, para que a fé dos simples não seja corrompida pelos hereges. Foi isso que deu origem à necessidade de formular vários símbolos, que em nada diferem entre si, senão que, por causa da obstinação dos hereges, um contém mais explicitamente o que outro contém implicitamente. **Resposta à objeção 3:** A confissão da fé é redigida num símbolo como que na pessoa da Igreja toda, que está unida pela fé. Ora, a fé da Igreja é a fé viva, pois tal é a fé que se encontra em todos os que são da Igreja não apenas exteriormente, mas também por mérito. Por isso, a confissão da fé é expressa no símbolo de maneira que esteja de acordo com a fé viva, de modo que, mesmo que alguns fiéis careçam de fé viva, se esforcem para adquiri-la. **Resposta à objeção 4:** Nenhum erro acerca da descida aos infernos havia surgido entre os hereges, de modo que não havia necessidade de ser mais explícito quanto a esse ponto. Por essa razão, não é repetida no símbolo dos Padres, mas é suposta como já estabelecida no símbolo dos Apóstolos. Pois um símbolo posterior não anula um anterior; antes, o expõe, como acima se disse (ad 2). **Resposta à objeção 5:** Se dissermos «Na Santa Igreja Católica», isso deve ser tomado como verificado na medida em que nossa fé se dirige ao Espírito Santo, que santifica a Igreja; de modo que o sentido é: «Creio no Espírito Santo que santifica a Igreja.» Mas é melhor e mais conforme ao uso comum omitir o 'em' e dizer simplesmente «a Santa Igreja Católica», como observa o Papa Leão (*Rufino, Comentário ao Símbolo dos Apóstolos*). **Resposta à objeção 6:** Visto que o símbolo dos Padres é uma explicação do símbolo dos Apóstolos e foi composto depois que a fé já estava espalhada e quando a Igreja já estava em paz, é cantado publicamente na Missa. Por outro lado, o símbolo dos Apóstolos, que foi composto no tempo da perseguição, antes que a fé fosse tornada pública, é dito secretamente em Prima e Completas, como que contra as trevas dos erros passados e futuros.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 9 - Whether it is suitable for the articles of faith to be embodied in a symbol? · séc. XIII
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