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Ef 4, 7

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Matos Soares

7Mas a cada um de nós foi repartida a graça segundo a medida do dom de Cristo.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a caridade é infundida segundo a capacidade dos nossos dons naturais. Porque está escrito (Mt 25,15): “Deu a cada um segundo a sua própria virtude” [Douay: ‘habilidade própria’]. Ora, no homem, nenhuma virtude, senão a natural, precede a caridade, pois não há virtude sem caridade, como se disse acima (Q. 23, A. 7). Logo, Deus infunde a caridade no homem segundo a medida da sua virtude natural. Objeção 2: Além disso, entre as coisas ordenadas umas às outras, a segunda é proporcionada à primeira: assim, nas coisas naturais, encontramos que a forma é proporcionada à matéria; e nos dons gratuitos, que a glória é proporcionada à graça. Ora, como a caridade é uma perfeição da natureza, compara-se à capacidade da natureza como a segunda à primeira. Parece, pois, que a caridade é infundida segundo a capacidade da natureza. Objeção 3: Além disso, os homens e os anjos participam da bem-aventurança segundo a mesma medida, pois a bem-aventurança é semelhante em ambos, segundo Mt 22,30 e Lc 20,36. Ora, a caridade e os outros dons gratuitos são concedidos aos anjos segundo a sua capacidade natural, como ensina o Mestre (Sent. ii, D, 3). Logo, o mesmo se aplica aparentemente ao homem. Em contrário, Está escrito (Jo 3,8): “O Espírito sopra onde quer”, e (1 Cor 12,11): “Todas estas coisas opera um só e o mesmo Espírito, distribuindo a cada um como quer”. Portanto, a caridade é dada, não segundo a nossa capacidade natural, mas segundo a vontade do Espírito ao distribuir os seus dons. Respondo que, A quantidade de uma coisa depende da causa própria dessa coisa, pois a causa mais universal produz um efeito maior. Ora, como a caridade excede a proporção da natureza humana, como se disse acima (A. 2), não depende de nenhuma virtude natural, mas tão somente da graça do Espírito Santo, que infunde a caridade. Por onde, a quantidade da caridade não depende nem da condição da natureza nem da capacidade da virtude natural, mas somente da vontade do Espírito Santo, que “distribui” os seus dons “como quer”. Por isso, o Apóstolo diz (Ef 4,7): “A cada um de nós é dada a graça segundo a medida do dom de Cristo”. Resposta à objeção 1: A virtude segundo a qual Deus dá os seus dons a cada um é uma disposição ou preparação prévia ou esforço daquele que recebe a graça. Mas o Espírito Santo antecipa até esta disposição ou esforço, movendo a mente do homem mais ou menos, segundo quer. Por onde, o Apóstolo diz (Cl 1,12): “Que nos fez dignos de participar da herança dos santos na luz”. Resposta à objeção 2: A forma não excede a proporção da matéria. Do mesmo modo, a graça e a glória se referem ao mesmo gênero, pois a graça nada mais é que um início da glória em nós. Mas a caridade e a natureza não pertencem ao mesmo gênero; logo, a comparação não procede. Resposta à objeção 3: A natureza do anjo é intelectual, e é próprio da sua condição que seja levado totalmente para onde quer que seja levado, como se disse na I Parte, Q. 61, A. 6. Por isso, houve maior esforço nos anjos superiores, tanto para o bem naqueles que perseveraram, como para o mal naqueles que caíram; e, consequentemente, os anjos superiores que permaneceram firmes tornaram-se melhores que os outros, e os que caíram tornaram-se piores. Mas a natureza do homem é racional, e é próprio dela estar às vezes em potência, às vezes em ato; de modo que não é necessariamente levado totalmente para onde quer que seja levado, e onde há maiores dons naturais pode haver menor esforço, e vice-versa. Logo, a comparação não procede.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether charity is infused according to the capacity of our natural gifts? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1.** Parece que uma virtude não pode ser maior ou menor que outra. Pois está escrito (Apoc. 21, 16) que os lados da cidade de Jerusalém são iguais; e uma glosa diz que os lados significam as virtudes. Logo, todas as virtudes são iguais; e, consequentemente, uma não pode ser maior que outra. **Objecção 2.** Além disso, uma coisa que, por sua natureza, consiste num máximo não pode ser mais ou menos. Ora, a natureza da virtude consiste num máximo, pois a virtude é "o limite da potência", como afirma o Filósofo (De Céu I, texto 116); e Agostinho diz (De Livre Arbítrio II, 19) que "as virtudes são bens muito grandes, e ninguém pode usá-las para o mal". Portanto, parece que uma virtude não pode ser maior ou menor que outra. **Objecção 3.** Além disso, a quantidade do efeito mede-se pela potência do agente. Ora, as virtudes perfeitas, isto é, as infusas, procedem de Deus, cujo poder é uniforme e infinito. Logo, parece que uma virtude não pode ser maior que outra. **Em contrário,** onde pode haver aumento e maior abundância, pode haver desigualdade. Ora, as virtudes admitem maior abundância e aumento: pois está escrito (Mat. 5, 20): "Se a vossa justiça não for mais abundante que a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos céus"; e (Prov. 15, 5): "Na justiça abundante há a maior força [virtus]". Logo, parece que uma virtude pode ser maior ou menor que outra. **Respondo.** Quando se pergunta se uma virtude pode ser maior que outra, a questão pode ser tomada em dois sentidos. Primeiro, aplicando-se a virtudes de espécies diferentes. Neste sentido, é claro que uma virtude é maior que outra; pois uma causa é sempre mais excelente que o seu efeito; e, entre os efeitos, os mais próximos da causa são os mais excelentes. Ora, do que foi dito (Q. 18, a. 5; Q. 61, a. 2) é claro que a causa e raiz do bem humano é a razão. Por conseguinte, a prudência, que aperfeiçoa a razão, supera em bondade as outras virtudes morais, que aperfeiçoam a potência apetitiva, na medida em que participam da razão. E entre estas, uma é melhor que a outra conforme se aproxima mais da razão. Consequentemente, a justiça, que está na vontade, excede as demais virtudes morais; e a fortaleza, que está na parte irascível, sobrepuja-se à temperança, que está na parte concupiscível, que tem menor participação da razão, como se afirma na Ética, VII, 6. A questão pode ser tomada de outro modo, referindo-se a virtudes da mesma espécie. Deste modo, segundo o que foi dito acima (Q. 52, a. 1), quando tratávamos da intensidade dos hábitos, a virtude pode ser dita maior ou menor de duas maneiras: primeiro, em si mesma; segundo, em relação ao sujeito que dela participa. Se a considerarmos em si mesma, chamá-la-emos maior ou menor conforme as coisas às quais se estende. Ora, quem possui uma virtude, e.g., a temperança, a possui em relação a tudo a que a temperança se estende. Mas isso não se aplica à ciência e à arte: pois nem todo gramático sabe tudo o que se refere à gramática. E neste sentido os estóicos disseram com razão, como Simplício afirma em seu Comentário aos Predicamentos, que a virtude não pode ser mais ou menos, como a ciência e a arte podem; porque a natureza da virtude consiste num máximo. Se, porém, considerarmos a virtude da parte do sujeito, então pode ser maior ou menor, ou em relação a tempos diferentes, ou em homens diferentes. Porque um homem está melhor disposto que outro para alcançar o meio da virtude que é definido pela reta razão; e isto, seja por maior habituação, seja por melhor disposição natural, seja por um juízo da razão mais perspicaz, ou ainda por um maior dom da graça, que é dada a cada um "segundo a medida do dom de Cristo", como se afirma em Efésios 4, 9. E aqui os estóicos erraram, pois sustentavam que nenhum homem deveria ser considerado virtuoso, a menos que estivesse, no mais alto grau, disposto à virtude. Pois a natureza da virtude não exige que o homem atinja o meio da reta razão como se fosse um ponto indivisível, como pensavam os estóicos; mas basta que se aproxime do meio, como se afirma na Ética, II, 6. Além disso, um mesmo alvo indivisível é alcançado mais próxima e facilmente por um do que por outro: como se vê quando vários arcos miram um alvo fixo. **Resposta à primeira objeção.** Esta igualdade não é de quantidade absoluta, mas de proporção: porque todas as virtudes crescem no homem proporcionalmente, como veremos adiante (a. 2). **Resposta à segunda objeção.** Este "limite" que pertence à virtude pode ter a característica de algo "mais" ou "menos" bom, das maneiras explicadas acima: pois, como foi dito, não é um limite indivisível. **Resposta à terceira objeção.** Deus não opera por necessidade da natureza, mas segundo a ordem da Sua sabedoria, pela qual concede aos homens várias medidas de virtude, conforme Efésios 4, 7: "A cada um de vós [Vulg.: 'nós'] é dada a graça segundo a medida do dom de Cristo."

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 1 - Whether one virtue can be greater or less than another? · séc. XIII

tradução automática
Ef 4, 7 nos Padres da Igreja | Aurea