Santo Agostinho
De outro modo; pelo olho aqui podemos entender a nossa intenção; se ela for pura e reta, todas as nossas obras que fazemos conforme a ela são boas. A estas chama aqui o corpo, assim como o Apóstolo fala de certas obras como membros: "Mortificai os vossos membros, a fornicação e a impureza." [Cl 3,5] Devemos, pois, olhar não para o que uma pessoa faz, mas com que mente o faz. Pois esta é a luz dentro de nós, porque por ela vemos que fazemos com boa intenção o que fazemos. "Pois tudo o que manifesta é luz." [Ef 5,13] Mas as próprias obras, que saem para a sociedade dos homens, têm para nós um resultado incerto, e por isso as chama trevas; como quando dou dinheiro a um necessitado, não sei o que fará com ele. Se, pois, a intenção do teu coração, que podes conhecer, está manchada com a concupiscência das coisas temporais, muito mais está manchado o próprio ato, cujo desfecho é incerto. Pois ainda que alguém colha algum bem daquilo que fazes com intenção não boa, ser-te-á imputado conforme o fizeste, não conforme lhe resultou. Se, porém, as nossas obras são feitas com simples intenção, isto é, com o fim da caridade, então são puras e agradáveis aos olhos de Deus.
séc. V
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