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Ef 5, 3

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Matos Soares

3Nem sequer se nomeie entre vós a fornicação ou qualquer impureza ou avareza, como convém a santos;

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que os pecados espirituais são inadequadamente distinguidos dos pecados carnais. Pois diz o Apóstolo (Gl 5,19): «As obras da carne são manifestas, que são: fornicação, impureza, desonestidade, luxúria, idolatria, feitiçarias» etc., donde parece que toda espécie de pecados são obras da carne. Ora, os pecados carnais chamam-se obras da carne. Logo, os pecados carnais não devem ser distinguidos dos espirituais. **Objeção 2:** Além disso, todo aquele que peca anda segundo a carne, como está dito em Rm 8,13: «Se viverdes segundo a carne, morrereis. Mas se pelo espírito mortificardes as obras da carne, vivereis.» Ora, viver ou andar segundo a carne parece pertencer à natureza do pecado carnal. Logo, os pecados carnais não devem ser distinguidos dos espirituais. **Objeção 3:** Além disso, a parte superior da alma, que é a mente ou razão, chama-se espírito, segundo Ef 4,23: «Renovai-vos no espírito da vossa mente», onde espírito se toma pela razão, segundo uma glosa. Ora, todo pecado que se comete segundo a carne procede da razão pelo seu consentimento; pois o consentimento num ato pecaminoso pertence à razão superior, como adiante diremos (Q. 74, A. 7). Logo, os mesmos pecados são carnais e espirituais, e consequentemente não devem ser distinguidos entre si. **Objeção 4:** Além disso, se alguns pecados são carnais especificamente, isto, ao que parece, deveria aplicar-se principalmente àqueles pecados pelos quais o homem peca contra o seu próprio corpo. Mas, segundo o Apóstolo (1Cor 6,18), «todo pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que comete fornicação, peca contra o seu próprio corpo». Logo, a fornicação seria o único pecado carnal, ao passo que o Apóstolo (Ef 5,3) conta a avareza entre os pecados carnais. **Pelo contrário,** Gregório (Moral. XXXI, 17) diz que «dos sete pecados capitais, cinco são espirituais e dois carnais». **Respondo que,** como foi dito acima (A. 1), os pecados recebem a sua espécie dos seus objetos. Ora, todo pecado consiste no desejo de algum bem mutável, pelo qual o homem tem um desejo desordenado, e cuja posse lhe dá um prazer desordenado. Ora, como se explicou acima (Q. 31, A. 3), o prazer é duplo. Um pertence à alma, e consuma-se na mera apreensão de uma coisa possuída segundo o desejo; este pode também chamar-se prazer espiritual, como quando alguém se compraz no louvor humano ou em algo semelhante. O outro prazer é corporal ou natural, e realiza-se no tato corporal, e este pode também chamar-se prazer carnal. Por conseguinte, os pecados que consistem num prazer espiritual chamam-se pecados espirituais; enquanto aqueles que consistem num prazer carnal chamam-se pecados carnais, por exemplo, a gula, que consiste nos prazeres da mesa; e a luxúria, que consiste nos prazeres sexuais. Por isso diz o Apóstolo (2Cor 7,1): «Purifiquemo-nos de toda a imundície da carne e do espírito.» **Resposta à Objeção 1:** Como diz uma glosa sobre a mesma passagem, estes vícios chamam-se obras da carne, não porque consistam no prazer carnal; mas carne designa aqui o homem, que se diz viver segundo a carne quando vive segundo si mesmo, como diz Agostinho (De Civ. Dei XIV, 2,3). A razão disto é porque toda falha da razão humana se deve de algum modo ao sentido carnal. Isto basta para a Resposta à Segunda Objeção. **Resposta à Objeção 3:** Mesmo nos pecados carnais há um ato espiritual, a saber, o ato da razão; mas o fim destes pecados, do qual recebem o nome, é o prazer carnal. **Resposta à Objeção 4:** Como diz a glosa, «no pecado de fornicação a alma é escrava do corpo de modo especial, porque no momento de pecar não pode pensar noutra coisa»; ao passo que o prazer da gula, embora carnal, não absorve tão completamente a razão. Pode-se também dizer que neste pecado se faz também uma injúria ao corpo, pois este é desordenadamente maculado; por onde só por este pecado se diz que o homem peca especificamente contra o seu corpo. Quanto à avareza, que é contada entre os pecados carnais, toma-se aqui pela adultério, que é a injusta apropriação da mulher alheia. Pode-se ainda dizer que a coisa em que o avarento se compraz é algo corporal, e a este respeito a avareza é enumerada entre os pecados carnais; mas o prazer em si mesmo não pertence ao corpo, mas ao espírito, pelo que Gregório (Moral. XXXI, 17) diz que é um pecado espiritual.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether spiritual sins are fittingly distinguished from carnal sins? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que seis filhas são inconvenientemente atribuídas à gula, a saber: "alegria indecorosa, escurrilidade, impureza, loquacidade e embotamento da mente quanto ao entendimento". Porque a alegria indecorosa resulta de todo pecado, segundo Provérbios 2,14: "Que se alegram quando fazem o mal, e folgam nas coisas péssimas". Do mesmo modo, o embotamento da mente acompanha todo pecado, segundo Provérbios 14,22: "Erram os que obram o mal". Logo, são inconvenientemente consideradas filhas da gula. Objeção 2: Ademais, a impureza que particularmente resulta da gula parece estar ligada ao vômito, segundo Isaías 28,8: "Todas as mesas estavam cheias de vômito e imundície". Mas isto parece não ser pecado, e sim castigo; ou mesmo coisa útil que é matéria de conselho, segundo Eclesiástico 31,25: "Se foste forçado a comer muito, levanta-te, sai e vomita; e isso te aliviará". Logo, não deve ser contada entre as filhas da gula. Objeção 3: Ademais, Isidoro (Questões sobre o Deuteronômio, XVI) considera a escurrilidade como filha da luxúria. Logo, não deve ser contada entre as filhas da gula. Em contrário, Gregório (Moralia, XXXI, 45) atribui estas filhas à gula. Respondo: Como foi dito acima (AA. 1,2,3), a gula consiste propriamente num prazer imoderado no comer e no beber. Por isso, são considerados filhas da gula aqueles vícios que resultam do comer e beber imoderadamente. Estes podem ser considerados ou da parte da alma ou da parte do corpo. Da parte da alma, estes resultados são de quatro modos. Primeiro, quanto à razão, cuja perspicácia é embotada pelo comer e beber imoderados, e a este respeito contamos como filha da gula o "embotamento do sentido no entendimento", por causa dos vapores do alimento que perturbam o cérebro. Assim também, por outro lado, a abstinência conduz ao poder penetrante da sabedoria, segundo Eclesiastes 2,3: "Pensei em meu coração afastar minha carne do vinho, para aplicar minha mente à sabedoria". Segundo, quanto ao apetite, que é desordenado de muitos modos pela imoderação no comer e beber, como se a razão dormisse profundamente ao leme, e a este respeito se considera a "alegria indecorosa", porque todas as outras paixões desordenadas se dirigem à alegria ou à tristeza, como se diz na Ética, II, 5. A isto se deve referir o dito de 3 Esdras 3,20: que "o vinho... dá a todos uma mente confiante e alegre". Terceiro, quanto às palavras desordenadas, e assim temos a "loquacidade", porque, como diz Gregório (Pastoral, III, 19), "a menos que os glutões fossem arrastados por palavras desordenadas, aquele rico que se diz ter festejado suntuosamente todos os dias não teria sido tão atormentado na língua". Quarto, quanto à ação desordenada, e desta maneira temos a "escurrilidade", i.e., uma espécie de leviandade resultante da falta de razão, que é incapaz não só de refrear a palavra, mas também de conter o comportamento externo. Por isso, uma glosa sobre Efésios 5,4: "Ou palavras tolas, ou escurrilidade", diz que "os néscios chamam a isto jovialidade — i.e., jocosidade, porque costuma provocar riso". Ambos, porém, podem ser referidos às palavras, que podem ser pecaminosas, ou por excesso, que pertence à "loquacidade", ou por inconveniência, que pertence à "escurrilidade". Da parte do corpo, faz-se menção da "impureza", que pode referir-se ou à emissão desordenada de qualquer tipo de superfluidades, ou especialmente à emissão do sêmen. Por isso, uma glosa sobre Efésios 5,3: "Mas a fornicação e toda impureza", diz: "Isto é, qualquer tipo de incontinência que tenha referência à luxúria". Resposta à objeção 1: A alegria no ato ou no fim do pecado resulta de todo pecado, especialmente do pecado que procede do hábito, mas a alegria desordenada e tumultuosa, que é descrita como "indecorosa", provém principalmente da participação imoderada de comida ou bebida. Do mesmo modo, respondemos que o embotamento do sentido quanto às matérias de escolha é comum a todo pecado, ao passo que o embotamento do sentido nas matérias especulativas provém principalmente da gula, pela razão acima exposta. Resposta à objeção 2: Embora faça bem vomitar depois de comer em excesso, é contudo pecaminoso expor-se a tal necessidade pelo comer ou beber imoderados. No entanto, não é pecado provocar o vômito como remédio para a doença, se o médico o prescreve. Resposta à objeção 3: A escurrilidade procede do ato da gula, e não do ato luxurioso, mas da vontade luxuriosa; por isso pode ser referida a qualquer um dos vícios.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 6 - Whether six daughters are fittingly assigned to gluttony? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a luxúria não é um vício capital. Pois a luxúria é aparentemente o mesmo que «imundícia», segundo uma glosa sobre Efésios 5,3 (cf. 2 Coríntios 12,21). Ora, a imundícia é filha da gula, segundo Gregório (Moral. xxxi, 45). Logo, a luxúria não é um vício capital. Objeção 2: Ademais, Isidoro diz (De Summo Bono ii, 39) que «assim como a soberba da mente conduz à depravação da luxúria, assim a humildade da mente guarda a castidade da carne». Ora, parece contrário à natureza de um vício capital proceder de outro vício. Portanto, a luxúria não é um vício capital. Objeção 3: Ademais, a luxúria é causada pelo desespero, segundo Efésios 4,19: «os quais, desesperando, se entregaram à lascívia». Ora, o desespero não é um vício capital; de fato, é contado como filha da preguiça, como foi dito acima (Q. 35, a. 4, ad 2). Logo, muito menos é a luxúria um vício capital. Ao contrário, Gregório (Moral. xxxi, 45) coloca a luxúria entre os vícios capitais. Respondo: Como foi dito acima (Q. 148, a. 5; I-II, Q. 84, aa. 3-4), um vício capital é aquele que tem um fim muito desejável, de modo que, pelo desejo desse fim, o homem procede a cometer muitos pecados, todos os quais se diz procederem desse vício como de um vício principal. Ora, o fim da luxúria é o prazer venéreo, o qual é muito grande. Por isso, este prazer é muito desejável quanto ao apetite sensitivo, tanto por causa da intensidade do prazer, quanto porque a concupiscência desta natureza é conatural ao homem. Portanto, é evidente que a luxúria é um vício capital. Resposta à objeção 1: Como foi dito acima (Q. 148, a. 6), segundo alguns, a imundícia que é contada como filha da gula é uma certa imundícia do corpo, e assim a objeção não procede. Se, porém, designa a imundícia da luxúria, deve-se responder que é causada pela gula materialmente — na medida em que a gula provê a matéria corporal da luxúria — e não sob a razão de causa final, sob o qual aspecto principalmente os vícios capitais se dizem causa dos outros. Resposta à objeção 2: Como foi dito acima (Q. 132, a. 4, ad 1), quando tratávamos da vanglória, a soberba é tida como a mãe comum de todos os pecados, de modo que até os vícios capitais dela se originam. Resposta à objeção 3: Certas pessoas se abstêm dos prazeres luxuriosos principalmente pela esperança da glória futura, a qual esperança é removida pelo desespero, de modo que este é causa da luxúria como removendo um obstáculo a ela, não como sua causa direta; ao passo que isso é aparentemente necessário para um vício capital.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether lust is a capital vice? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que não há pecado mortal em toques e beijos. Pois diz o Apóstolo (Ef 5,3): «A fornicação e toda imundícia, ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos», e então acrescenta: «Ou obscenidade» (o que uma glosa refere a «beijos e carícias»), «ou parvoíce» (como «discursos lassos»), «ou tolice» (que «os néscios chamam genialidade, i. é, jocosidade»), e depois continua (Ef 5,5): «Porque sabei isto e entendei que nenhum fornicador, ou imundo, ou avarento (que é o serviço dos ídolos) tem herança no Reino de Cristo e de Deus», não fazendo assim mais menção da obscenidade, como tampouco da parvoíce ou da tolice. Logo, estas não são pecados mortais. **Objeção 2:** Ademais, a fornicação é declarada pecado mortal por ser prejudicial ao bem da procriação e educação do futuro filho. Ora, estas não são afetadas por beijos, toques ou blandícias. Logo, não há pecado mortal neles. **Objeção 3:** Ademais, as coisas que são pecados mortais em si mesmas nunca podem ser boas ações. No entanto, beijos, toques e semelhantes podem ser feitos às vezes sem pecado. Logo, não são pecados mortais em si mesmos. **Em contrário:** Um olhar lascivo é menos que um toque, uma carícia ou um beijo. Mas, segundo Mt 5,28: «Todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar já cometeu adultério com ela em seu coração.» Muito mais, portanto, são beijos lascivos e outras coisas tais pecados mortais. Ademais, diz Cipriano (Ad Pompon., de Virgin., Ep. lxii): «Por seu próprio intercâmbio, suas blandícias, sua conversa, seus abraços, aqueles que se associam em um sono que não conhece nem honra nem vergonha, reconhecem sua desgraça e crime.» Logo, ao fazer essas coisas, o homem é réu de crime, isto é, de pecado mortal. **Respondo que:** Uma coisa é dita pecado mortal de dois modos. Primeiro, por razão de sua espécie, e deste modo um beijo, carícia ou toque não implica, por sua própria natureza, pecado mortal, pois é possível fazer tais coisas sem deleite lascivo, quer por ser costume do país, quer por alguma obrigação ou causa razoável. Segundo, uma coisa é dita pecado mortal por razão de sua causa: assim, quem dá uma esmola para levar alguém à heresia peca mortalmente por causa de sua intenção corrupta. Ora, foi dito acima (I‑II, q. 74, a. 8) que é pecado mortal não só consentir no ato, mas também no deleite de um pecado mortal. Portanto, visto que a fornicação é pecado mortal, e muito mais os outros tipos de lascívia, segue-se que em tais pecados não só o consentimento no ato, mas também o consentimento no prazer é pecado mortal. Consequentemente, quando esses beijos e carícias são feitos por esse deleite, segue-se que são pecados mortais, e somente deste modo são ditos lascivos. Portanto, na medida em que são lascivos, são pecados mortais. **Resposta à Objeção 1:** O Apóstolo não faz mais menção destes três porque não são pecaminosos senão enquanto ordenados àqueles que ele havia mencionado antes. **Resposta à Objeção 2:** Embora beijos e toques não impeçam por sua própria natureza o bem da prole humana, procedem da lascívia, que é a fonte desse impedimento; e por esta conta são pecaminosos mortalmente. **Resposta à Objeção 3:** Este argumento prova que tais coisas não são pecados mortais em sua espécie.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether there can be mortal sin in touches and kisses? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que os pecados espirituais são impropriamente distinguidos dos pecados carnais. Pois o Apóstolo diz (Gl 5,19): «As obras da carne são manifestas, que são: prostituição, impureza, impudicícia, lascívia, idolatria, feitiçarias», etc., donde parece que toda espécie de pecados são obras da carne. Ora, os pecados carnais são chamados obras da carne. Logo, os pecados carnais não devem ser distinguidos dos pecados espirituais. Objecção 2: Além disso, todo aquele que peca anda segundo a carne, como está dito em Rm 8,13: «Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se pelo espírito mortificardes as obras da carne, vivereis.» Ora, viver ou andar segundo a carne parece pertencer à natureza do pecado carnal. Logo, os pecados carnais não devem ser distinguidos dos pecados espirituais. Objecção 3: Além disso, a parte superior da alma, que é a mente ou a razão, chama-se espírito, segundo Ef 4,23: «Renovai-vos pelo espírito da vossa mente», onde espírito significa a razão, segundo uma glosa. Ora, todo pecado cometido segundo a carne procede da razão pelo seu consentimento; pois o consentimento em um ato pecaminoso pertence à razão superior, como diremos adiante (Q. 74, Art. 7). Logo, os mesmos pecados são ao mesmo tempo carnais e espirituais, e, consequentemente, não devem ser distinguidos uns dos outros. Objecção 4: Além disso, se alguns pecados são carnais especificamente, isto, ao que parece, deve aplicar-se principalmente àqueles pecados pelos quais o homem peca contra o seu próprio corpo. Mas, segundo o Apóstolo (1 Cor 6,18), «todo pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que comete fornicação peca contra o seu próprio corpo.» Logo, a fornicação seria o único pecado carnal, enquanto o Apóstolo (Ef 5,3) conta a avareza entre os pecados carnais. Em contrário, Gregório (Moral. xxxi, 17) diz que «dos sete pecados capitais, cinco são espirituais e dois carnais.» Respondo que, como foi dito acima (Art. 1), os pecados recebem sua espécie dos seus objetos. Ora, todo pecado consiste no desejo de algum bem mutável, pelo qual o homem tem um desejo desordenado, e cuja posse lhe causa um prazer desordenado. Ora, como foi explicado acima (Q. 31, Art. 3), o prazer é duplo. Um pertence à alma, e consuma-se na mera apreensão de uma coisa possuída segundo o desejo; este pode também ser chamado prazer espiritual, por exemplo, quando alguém se compraz no louvor humano ou algo semelhante. O outro prazer é corpóreo ou natural, e realiza-se no tato corporal, e este pode também ser chamado prazer carnal. Portanto, os pecados que consistem em prazer espiritual chamam-se pecados espirituais; enquanto aqueles que consistem em prazer carnal chamam-se pecados carnais, por exemplo, a gula, que consiste nos prazeres da mesa; e a luxúria, que consiste nos prazeres sexuais. Por isso o Apóstolo diz (2 Cor 7,1): «Purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito.» Resposta à Objecção 1. Como diz uma glosa sobre a mesma passagem, estes vícios são chamados obras da carne, não como se consistissem em prazer carnal; mas carne aqui designa o homem, que se diz viver segundo a carne quando vive segundo si mesmo, como diz Agostinho (De Civitate Dei, XIV, 2-3). A razão disto é porque toda falha na razão humana se deve de algum modo ao sentido carnal. Isso basta para a Resposta à Segunda Objecção. Resposta à Objecção 3. Mesmo nos pecados carnais há um ato espiritual, a saber, o ato da razão; mas o fim destes pecados, pelo qual são denominados, é o prazer

Summa Theologiae — First Part · Article. 2 - Whether spiritual sins are fittingly distinguished from carnal sins? · séc. XIII

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