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Ef 5, 32

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Matos Soares

32Grande mistério é este; eu o entendo em relação a Cristo e à Igreja.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que, se o homem não houvera pecado, Deus ainda assim se teria encarnado. Pois, permanecendo a causa, permanece também o efeito. Mas, como diz Agostinho (De Trin. xiii, 17): «Muitas outras coisas hão de considerar-se na Encarnação de Cristo além da absolvição do pecado»; e estas foram discutidas acima (A[2]). Portanto, se o homem não houvera pecado, Deus se teria encarnado. **Objeção 2:** Demais, pertence à onipotência do poder divino aperfeiçoar as suas obras e manifestar-se a Si mesmo por algum efeito infinito. Ora, nenhuma criatura pura pode chamar-se efeito infinito, pois é finita pela sua própria essência. Mas, ao que parece, só na obra da Encarnação se manifesta de modo especial um efeito infinito do poder divino, pelo qual se unem coisas infinitamente distantes, uma vez que se trouxe a efeito que o homem é Deus. E nesta obra principalmente o universo pareceria ser aperfeiçoado, visto que a última criatura — o homem — é unida ao primeiro princípio — Deus. Portanto, mesmo que o homem não houvera pecado, Deus se teria encarnado. **Objeção 3:** Demais, a natureza humana não se tornou mais capaz de graça pelo pecado. Ora, depois do pecado ela é capaz da graça de união, que é a máxima graça. Logo, se o homem não houvera pecado, a natureza humana teria sido capaz desta graça; nem Deus teria recusado à natureza humana qualquer bem de que ela fosse capaz. Portanto, se o homem não houvera pecado, Deus se teria encarnado. **Objeção 4:** Demais, a predestinação de Deus é eterna. Ora, diz-se de Cristo (Rm 1,4): «Que foi predestinado Filho de Deus em poder». Logo, mesmo antes do pecado, era necessário que o Filho de Deus se encarnasse, para cumprir a predestinação de Deus. **Objeção 5:** Demais, o mistério da Encarnação foi revelado ao primeiro homem, como se vê claramente de Gn 2,23: «Isto é agora osso dos meus ossos», etc., o que o Apóstolo diz ser «grande sacramento… em Cristo e na Igreja», como é claro de Ef 5,32. Ora, o homem não podia ter presciência da sua queda, pela mesma razão por que os anjos não puderam, como prova Agostinho (Gênese à letra xi, 18). Portanto, mesmo que o homem não houvera pecado, Deus se teria encarnado. **Em contrário,** Agostinho diz (Das Palavras do Apóstolo viii, 2), expondo o que se relata em Lc 19,10: «Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido»; «Portanto, se o homem não houvera pecado, o Filho do Homem não teria vindo.» E sobre 1 Tm 1,15: «Cristo Jesus veio a este mundo para salvar os pecadores», diz uma glosa: «Não houve causa da vinda de Cristo ao mundo senão para salvar pecadores. Tirai as doenças, tirai as chagas, e não há necessidade de remédio.» **Respondo que** há diferentes opiniões sobre esta questão. Pois alguns dizem que, mesmo que o homem não houvera pecado, o Filho do Homem se teria encarnado. Outros afirmam o contrário, e ao que parece devemos antes dar o nosso assentimento a esta opinião. Porque tais coisas que procedem da vontade de Deus e excedem o devido à criatura só nos podem ser conhecidas mediante a revelação na Sagrada Escritura, na qual a Vontade divina nos é manifestada. Donde, visto que em toda a Sagrada Escritura se assinala o pecado do primeiro homem como razão da Encarnação, é mais conforme a isto dizer que a obra da Encarnação foi ordenada por Deus como remédio do pecado; de modo que, se o pecado não houvera existido, a Encarnação não teria lugar. E contudo o poder de Deus não está limitado a isto; mesmo que o pecado não houvera existido, Deus poderia ter-Se encarnado. **Resposta à objeção 1:** Todas as outras causas que se assinalam no artigo precedente dizem respeito ao remédio do pecado. Pois, se o homem não houvera pecado, teria sido dotado da luz da sabedoria divina e aperfeiçoado por Deus com a retidão da justiça para conhecer e realizar tudo o que fosse necessário. Mas porque o homem, ao desertar de Deus, se abaixara às coisas corpóreas, foi necessário que Deus tomasse carne e, pelas coisas corpóreas, lhe ministrasse o remédio da salvação. Por isso, sobre Jo 1,14: «E o Verbo se fez carne», diz Santo Agostinho (Tratado ii): «A carne te cegara, a carne te cura; porque Cristo veio e derribou os vícios da carne.» **Resposta à objeção 2:** A infinitude do poder divino mostra-se no modo de produção das coisas a partir do nada. Além disso, basta para a perfeição do universo que a criatura seja ordenada de modo natural a Deus como a um fim. Mas que uma criatura se una a Deus em pessoa excede os limites da perfeição da natureza. **Resposta à objeção 3:** Pode notar-se na natureza humana uma dupla capacidade: uma, quanto à ordem do poder natural, e esta é sempre cumprida por Deus, que distribui a cada um segundo a sua capacidade natural; a outra, quanto à ordem do poder divino, a qual todas as criaturas implicitamente obedecem; e a capacidade de que falamos pertence a esta. Mas Deus não cumpre todas estas capacidades; de outro modo, Deus só poderia fazer o que fez nas criaturas, o que é falso, como se disse acima (FP, Q[105], A[6]). Mas não há razão para que a natureza humana não fosse elevada a algo maior depois do pecado. Pois Deus permite que os males aconteçam para daí tirar um bem maior; por isso está escrito (Rm 5,20): «Onde abundou o pecado, superabundou a graça.» Donde, também na bênção do círio pascal dizemos: «Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor!» **Resposta à objeção 4:** A predestinação pressupõe a presciência das coisas futuras; e assim como Deus predestina a salvação de alguém para ser realizada pelas orações de outros, assim também predestinou a obra da Encarnação para ser o remédio do pecado humano. **Resposta à objeção 5:** Nada impede que um efeito seja revelado a alguém a quem a causa não é revelada. Donde, o mistério da Encarnação pôde ser revelado ao primeiro homem sem que ele tivesse presciência da sua queda. Pois nem todo aquele que conhece o efeito conhece a causa.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether, if man had not sinned, God would have become incarnate? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que não é necessário para a salvação de todos que creiam explicitamente no mistério de Cristo. Pois o homem não está obrigado a crer explicitamente naquilo que os anjos ignoram, visto que o desenvolvimento da fé resulta da revelação divina, a qual chega ao homem por meio dos anjos, como foi dito acima (A[6]; FP, Q[111], A[1]). Ora, também os anjos ignoravam o mistério da Encarnação; por isso, segundo o comentário de Dionísio (Coel. Hier. vii), são eles que perguntam (Sl 23,8): «Quem é este Rei da glória?» e (Is 63,1): «Quem é este que vem de Edom?». Logo, os homens não estavam obrigados a crer explicitamente no mistério da Encarnação de Cristo. **Objeção 2:** Ademais, é evidente que João Batista era um dos doutores e o mais próximo de Cristo, do qual Ele disse (Mt 11,11) que «entre os nascidos de mulher não surgiu maior do que ele». Ora, João Batista não parece ter conhecido explicitamente o mistério de Cristo, pois perguntou a Cristo (Mt 11,3): «És Tu Aquele que hás de vir, ou esperamos nós outro?». Portanto, nem mesmo os doutores estavam obrigados a uma fé explícita em Cristo. **Objeção 3:** Ademais, muitos gentios obtiveram a salvação por ministério dos anjos, como afirma Dionísio (Coel. Hier. ix). Ora, parece que os gentios não tiveram fé explícita nem implícita em Cristo, pois não receberam revelação alguma. Logo, parece que não era necessário para a salvação de todos crer explicitamente no mistério de Cristo. **Em contrário,** Agostinho diz (De Corr. et Gratia vii; Ep. cxc): «A nossa fé é sã se cremos que nenhum homem, velho ou jovem, é livrado do contágio da morte e dos laços do pecado, senão pelo único Mediador de Deus e dos homens, Jesus Cristo.» **Respondo que,** como foi dito acima (A[5]; Q[1], A[8]), o objeto da fé inclui, própria e diretamente, aquilo mediante o qual o homem obtém a beatitude. Ora, o mistério da Encarnação e Paixão de Cristo é o caminho pelo qual os homens obtêm a beatitude; pois está escrito (At 4,12): «Não há outro nome debaixo do céu dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.» Portanto, a crença de algum modo no mistério da Encarnação de Cristo foi necessária em todos os tempos e para todas as pessoas, mas essa crença diferiu segundo a diferença dos tempos e das pessoas. A razão disto é que, antes do estado de pecado, o homem cria explicitamente na Encarnação de Cristo, enquanto ordenada para a consumação da glória, mas não enquanto ordenada a livrar o homem do pecado pela Paixão e Ressurreição, pois o homem não tinha presciência do seu futuro pecado. Todavia, parece que ele teve presciência da Encarnação de Cristo, pelo fato de ter dito (Gn 2,24): «Por isso deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher», do qual diz o Apóstolo (Ef 5,32) que «este é um grande sacramento [...] em Cristo e na Igreja», e é incrível que o primeiro homem ignorasse este sacramento. Mas depois do pecado, o homem creu explicitamente em Cristo, não só quanto à Encarnação, mas também quanto à Paixão e Ressurreição, pelas quais o gênero humano é livrado do pecado e da morte; do contrário, não teriam prefigurado a Paixão de Cristo mediante certos sacrifícios, tanto antes como depois da Lei, cujo significado era conhecido explicitamente pelos doutos, enquanto os simples, sob o véu daqueles sacrifícios, criam que eles eram ordenados por Deus em referência à vinda de Cristo, e assim o seu conhecimento estava, por assim dizer, coberto com um véu. E, como foi dito acima (Q[1], A[7]), quanto mais próximos estavam de Cristo, mais distinto era o seu conhecimento dos mistérios de Cristo. Depois que a graça foi revelada, tanto os doutos como os simples estão obrigados a uma fé explícita nos mistérios de Cristo, principalmente quanto àqueles que são observados em toda a Igreja e publicamente proclamados, tais como os artigos referentes à Encarnação, dos quais falamos acima (Q[1], A[8]). Quanto a outros pontos mais minuciosos referentes aos artigos da Encarnação, os homens estiveram obrigados a crê-los mais ou menos explicitamente, segundo o estado e o cargo de cada um. **Resposta à Objeção 1:** O mistério do Reino de Deus não estava inteiramente oculto aos anjos, como observa Agostinho (Gen. ad lit. v, 19); contudo, certos aspectos dele lhes foram mais conhecidos quando Cristo lhos revelou. **Resposta à Objeção 2:** Não foi por ignorância que João Batista indagou acerca da vinda de Cristo na carne, pois já tinha professado claramente a sua crença nela, dizendo: «Eu vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus» (Jo 1,34). Por isso não disse: «És Tu Aquele que veio?», mas «És Tu Aquele que hás de vir?», falando assim do futuro, não do passado. Da mesma forma, não se deve crer que ele ignorasse a futura Paixão de Cristo, pois já dissera (Jo 1,29): «Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira o pecado [Vulg.: 'pecados'] do mundo», predizendo assim a sua futura imolação; e, como os outros profetas a tinham predito, vê-se especialmente em Isaías 53. Podemos, portanto, dizer com Gregório (Hom. xxvi in Evang.) que fez esta pergunta estando na ignorância quanto a se Cristo desceria ao inferno em sua própria Pessoa. Mas ele não ignorava que o poder da Paixão de Cristo se estenderia àqueles que estavam detidos no Limbo, conforme Zacarias 9,11: «Tu também, pelo sangue do teu testamento, enviaste os teus presos para fora do poço em que não há água»; nem estava obrigado a crer explicitamente, antes do seu cumprimento, que Cristo havia de descer ali em pessoa. Pode-se também responder que, como observa Ambrósio no seu comentário a Lc 7,19, fez esta pergunta, não por dúvida ou ignorância, mas por devoção; ou ainda, com Crisóstomo (Hom. xxxvi in Matth.), que perguntou, não como ignorante ele mesmo, mas porque desejava que os seus discípulos ficassem satisfeitos quanto a esse ponto, por meio de Cristo; por isso, este formulou a sua resposta de modo a instruir os discípulos, apontando os sinais das suas obras. **Resposta à Objeção 3:** Muitos dos gentios receberam revelações de Cristo, como se vê claramente pelas suas predições. Assim lemos (Jó 19,25): «Eu sei que o meu Redentor vive.» Também a Sibila predisse algumas coisas acerca de Cristo, como afirma Agostinho (Contra Faust. xiii, 15). Além disso, lê-se na história dos Romanos que, no tempo de Constantino Augusto e de sua mãe Irene, foi descoberto um sepulcro, onde jazia um homem, sobre cujo peito havia uma lâmina de ouro com a inscrição: «Cristo nascerá de uma virgem, e nEle creio. Ó sol, durante a vida de Irene e Constantino, tu me verás de novo» [*Cf. Baron, Annal. A.D. 780]. Se, porém, alguns se salvaram sem receber revelação alguma, não se salvaram sem fé num Mediador; pois, embora não cressem nEle explicitamente, tinham, contudo, fé implícita, crendo na divina providência, visto que criam que Deus livraria o gênero humano de qualquer modo que Lhe aprouvesse, e segundo a revelação do Espírito àqueles que conheciam a verdade, como está dito em Jó 35,11: «Quem nos ensina mais do que os animais da terra.»

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 7 - Whether it is necessary for the salvation of all, that they should believe explicitly in the mystery of Christ? · séc. XIII

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Ef 5, 32 nos Padres da Igreja | Aurea