Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que este nome AQUELE QUE É não é o nome mais próprio de Deus. Pois este nome "Deus" é um nome incomunicável. Mas este nome AQUELE QUE É não é um nome incomunicável. Logo, este nome AQUELE QUE É não é o nome mais próprio de Deus. Objeção 2: Ademais, Dionísio diz (Dos Nomes Divinos, iii) que "o nome do Bem manifesta excelentemente todas as processões de Deus." Mas pertence especialmente a Deus ser o princípio universal de todas as coisas. Portanto, este nome "Bem" é sumamente próprio de Deus, e não este nome AQUELE QUE É. Objeção 3: Além disso, todo nome divino parece implicar relação com as criaturas, pois Deus nos é conhecido somente através das criaturas. Mas este nome AQUELE QUE É não importa relação com as criaturas. Logo, este nome AQUELE QUE É não é o mais aplicável a Deus. EM CONTRÁRIO, está escrito que, quando Moisés perguntou: "Se eles me disserem: Qual é o seu nome? que lhes direi?", o Senhor lhe respondeu: "Assim lhes dirás: O QUE É me enviou a vós" (Êx 3,13-14). Portanto, este nome AQUELE QUE É pertence a Deus da maneira mais própria. Respondo que este nome AQUELE QUE É é aplicado a Deus da maneira mais própria, por três razões: Primeiro, devido à sua significação. Pois não significa forma, mas simplesmente o próprio existir. Portanto, uma vez que o existir de Deus é a sua própria essência, o que não se pode dizer de nenhum outro (Q. 3, art. 4), é claro que, dentre os outros nomes, este denomina especialmente a Deus, pois tudo é denominado pela sua forma. Segundo, devido à sua universalidade. Pois todos os outros nomes ou são menos universais, ou, se conversíveis com ele, acrescentam-lhe algo, ao menos na ideia; portanto, de certo modo, informam-no e determinam-no. Ora, o nosso intelecto não pode conhecer a própria essência de Deus nesta vida tal como ela é em si mesma, mas qualquer modo que aplique ao determinar o que entende acerca de Deus, fica aquém do modo do que Deus é em si mesmo. Por conseguinte, quanto menos determinados são os nomes, e quanto mais universais e absolutos são, tanto mais propriamente são aplicados a Deus. Donde diz Damasceno (Da Fé Ortodoxa, i) que "AQUELE QUE É é o principal de todos os nomes aplicados a Deus; pois, compreendendo tudo em si, contém o próprio existir como um mar infinito e indeterminado de substância." Ora, por qualquer outro nome determina-se algum modo de substância, enquanto este nome AQUELE QUE É não determina nenhum modo de ser, mas é indeterminado a todos; e, portanto, denomina o "oceano infinito de substância." Terceiro, devido à sua consignificação, pois significa o existir presente; e isto, acima de tudo, aplica-se propriamente a Deus, cujo existir não conhece passado ou futuro, como diz Agostinho (Da Trindade, v). Resposta à Objeção 1: Este nome AQUELE QUE É é o nome de Deus mais propriamente do que este nome "Deus", quanto à sua fonte, a saber, o existir; e quanto ao modo de significação e consignificação, como foi dito acima. Mas quanto ao objeto intencionado pelo nome, este nome "Deus" é mais próprio, pois foi imposto para significar a natureza divina; e ainda mais próprio é o Tetragrama, imposto para significar a própria substância de Deus, incomunicável e, por assim dizer, singular. Resposta à Objeção 2: Este nome "Bem" é o nome principal de Deus enquanto Ele é causa, mas não absolutamente; pois o existir considerado absolutamente vem antes da ideia de causa. Resposta à Objeção 3: Não é necessário que todos os nomes divinos importem relação com as criaturas, mas basta que sejam impostos a partir de algumas perfeições que fluem de Deus para as criaturas. Entre estas, a primeira é o existir, do qual provém este nome, AQUELE QUE É.
Summa Theologiae — First Part · Article. 11 - Whether this name, HE WHO IS, is the most proper name of God? · séc. XIII
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