São Jerônimo
«E lançou fora todos os que vendiam e compravam.» Deve saber-se que, por obediência à Lei, no Templo do Senhor venerado em todo o mundo, e aonde concorriam judeus de todas as partes, sacrificavam-se inumeráveis vítimas, especialmente nos dias festivos: touros, carneiros, cabritos; os pobres ofereciam pombinhos e rolas, para que não deixassem de todo o sacrifício. Mas sucedia que os que vinham de longe não tinham vítima. Os sacerdotes, portanto, engendraram um plano de lucrar sobre o povo, vendendo àqueles que não tinham vítima os animais de que necessitavam para o sacrifício, e recebendo-os de novo assim que vendidos. Mas esta prática fraudulenta era muitas vezes frustrada pela pobreza dos visitantes, que, faltos de meios, não tinham nem vítimas nem donde as comprar. Por isso nomearam banqueiros que lhes emprestassem sob fiança. Porém, porque a Lei proibia a usura, e o dinheiro emprestado sem juros era sem lucro, além de às vezes acarretar perda do principal, lembraram-se de outro artifício: em vez de banqueiros, nomearam «colibistas» — palavra para a qual o latim não tem equivalente. Doces e outras pequenas dádivas chamavam «colyba», tais como grãos torrados, passas e maçãs de várias espécies. Como então não podiam receber usura, aceitavam o valor em espécie, tomando coisas que se compram com dinheiro, como se não fosse isto o que Ezequiel pregava, dizendo: «Não recebereis usura nem aumento.» Este género de tráfico, ou antes de logro, vendo o Senhor na casa de Seu Pai, e movido por zelo espiritual, lançou fora do Templo esta grande multidão de homens.
séc. V
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